I Will Never Forget
7 VII
Notas iniciais
*Mark*
Senti meu coração apertar ao ver Hye Yeong rindo da piada que ela havia acabado de contar. Ela percebeu minha expressão e ficou um pouco constrangida.
—O que foi? – Perguntou.
—Nada. – Respondi e me forcei a sorrir. – Você está maravilhosa.
Ela ficou vermelha e abriu um sorriso envergonhado.
Hye Yeong era uma pessoa incrível e eu a amava. Eu a amava demais. Mas não conseguia parar de pensar em Úrsula.
Eu me sentia culpado por não conseguir me concentrar no encontro. Aquilo era idiotice. Úrsula estava noiva e eu também, eu devia acabar de vez com quaisquer sentimentos confusos a respeito disso, mas era impossível. Por que raios ela me visitaria?
—Tem algo lhe incomodando. – Disse Hye Yeong. – O que é?
Aquilo me pegou de surpresa.
—Não é nada. Acho que estou ansioso para o nosso casamento. Como estão indo os preparos?
—Maravilhosos. A prova da roupa está marcada para semana que vem.
Úrsula já teria ido embora. Eu não saberia dizer se aquilo era esplêndido ou horripilante.
XXX
Cheguei ao escritório um pouco atrasado.
—O senhor tem uma reunião hoje às nove, depois um almoço com o ministro e a srta. Yi insiste que veja as flores para o casamento. Seu primo ligou algumas centenas de vezes indignado por não estar convidado.
Eu estava ficando com dor de cabeça.
—Cancele tudo.
—Como?
—Cancele tudo e mande o secretário entrar, agora.
Minha mente estava a um milhão, eu precisava vasculhar aquilo à fundo.
—Em que posso ajudá-lo, senhor?
—Quero toda a informação que você conseguir sobre Lucas Garcez.
XXX
Voltando para casa senti algo estranho, algo que eu nunca havia sentido antes. Afinal, Úrsula e Lucas não estavam noivos, era terrível me sentir tão feliz por isso.
Encontrei Úrsula no caminho de volta. Ela estava, mais uma vez, observando o rio. Eu não deveria, mas mesmo assim me aproximei.
Percebi que, como da última vez, ela estava chorando enquanto falava com alguém no telefone.
—Não pode ser verdade. O que você estava pensando? Você deveria ter me ligado!
O choro dela aumentava a cada instante, eu não podia vê-la daquele jeito, era demais para mim.
Quando eu ia abordá-la, ela voltou a falar.
—Lucas, o que você está querendo dizer?
O nome me fez hesitar, embora eu agora soubesse que não havia nada entre eles, eu não podia ignorar o fato de que ele era apaixonado por Úrsula muito antes de que eu a conhecesse.
Úrsula desligou o celular em desespero, suas pernas amoleceram e eu consegui ser rápido o suficiente para ampará-la na queda.
—Úrsula, o que foi? O que aconteceu?
Ela chorava descontroladamente e repetia sempre as mesmas palavras.
—Ele está morto... meu pai está morto...
*Úrsula*
Acordei em um quarto de hospital, Yong Woo estava com a cabeça escorada na cama, dormindo. Ele segurava uma das minhas mãos. Aquilo só poderia ser um sonho.
A minha posição na cama estava desconfortável, tentei me arrumar discretamente, mas meu pequeno movimento fez com que Yong Woo acordasse. Ele olhou para mim com uma expressão triste.
—Como você está se sentindo? – Ele perguntou.
—O que faz aqui?
—Sua cabeça está doendo?
—O que você está fazendo aqui?
Ele pareceu notar que segurava minha mão, mas não fez sinal de que a soltaria.
—Você desmaiou. – Ele disse.
—Eu sei. – Respondi. – O que eu quero saber é o que você está fazendo aqui.
—Eu descobri... sobre você e Lucas... sei que não estão juntos.
Meu coração apertou, ouvir o nome de Lucas fez com que eu me lembrasse da nossa última conversa. Senti algo estranho em minha mão, algo como um frio fantasmagórico. Meu pai estava morto, eu nunca o veria sorrir de novo, ele nunca mais me chamaria de ursinha, eu nunca mais ouviria sua risada, ou me aconchegaria nos seus braços. Ele não entraria comigo no meu casamento, nem conheceria meu noivo, não teríamos nossa dança, não ouviríamos música juntos ou assistiríamos a comédias. Ele não seria mais o primeiro a ler meus livros, nem ficaria orgulhoso de mim se eu conseguisse ganhar algum prêmio. Ele não brigaria comigo por ficar descalça em casa e nem por escrever até tarde, muito menos por matar algum personagem que ele gostasse.
Tudo aquilo havia acabado. Todos os planos que tínhamos de um dia visitarmos vários países juntos tinha ido por água abaixo. Eu poderia ter passado mais tempo com ele, poderia ter atrasado um pouquinho o prazo do livro para poder tomar sorvete com ele no meu aniversário, poderia ter aproveitado o último natal que passamos juntos ao invés de passar a noite toda pensando no que eu escreveria quando voltasse para casa. Acima de tudo, eu poderia ter dado mais importância a ele. Agora já era tarde. Eu não poderia fazer todas essas coisas, também nunca poderia pedir perdão.
Naquele momento, todas a nossas desavenças voltaram à minha mente, todas as vezes que discutimos por coisas bobas e idiotas. Ah, que filha terrível eu fui.
Não consegui suportar a dor, caí em prantos. Eu chorava tanto que era até difícil respirar. Yong Woo me abraçou e não sei dizer se isso me acalmou ou me fez ficar mais desesperada.
Empurrei-o e vi que ele também chorava.
—Me perdoa Úrsula. Sinto muito por tentar esconder meus sentimentos por você. Sinto muito por pensar que você teria quebrado sua promessa. Eu prometi que te protegeria e agora não posso nem ficar do seu lado. Eu sou a pior pessoa do mundo.
Eu queria dizer a ele para parar com aquilo, queria dizer que eu o amava e que nada mudaria aquilo, mas eu não podia, ele estava comprometido, eu não podia simplesmente estragar a vida dele.
—Eu vou embora. – Falei.
—O que?
—Vou pegar o primeiro voo que eu encontrar e vou voltar para casa. Não se culpe por mim, embora tenhamos acabado desse jeito eu amei conhecer você. Hye Yeong precisa de você agora, ela te ama muito e sei que você a ama também. Sinto muito por ter feito você passar por isso.
Ele ia falar alguma coisa, mas foi interrompido pelo médico que entrou no quarto dizendo que eu já teria alta. Então aquilo acabava ali... eu não veria Kim Yong Woo novamente.
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