I Will Never Forget
8 VIII
*Lucas*
Eu percebi que não estava preparado para aquilo quando vi a expressão de Úrsula no aeroporto. Ver seu rosto fez com que meus olhos se enchessem de lágrimas, eu queria pegar toda a tristeza que ela estava sentindo para mim. Eu ficaria melhor se estivesse tão triste, só precisaria vê-la sorrir e tudo ficaria bem, mas isso não ia acontecer. Eu não conseguiria tirar dela a tristeza, não conseguiria um sorriso.
A primeira lágrima caiu quando ela olhou para mim. A segunda quando ela deu o primeiro passo em minha direção. A terceira caiu quando vi que ela também chorava. A quarta foi quando ela parou na minha frente. A quinta quando ela me abraçou. Até que eu perdi a conta quando ela começou a soluçar nos meus braços.
—Me perdoe. – Falei e, no desespero, fiquei repetindo aquela frase. Naquele momento não importava que algum idiota tinha invadido a casa do sr. Martins, não importava que ele havia pegado uma infecção no hospital. Tudo parecia ser minha culpa. Eu não podia ajudá-la e Mark não estava aqui para fazer isso.
—Obrigada por estar aqui. – Ela disse.
WHAT??
Úrsula se afastou e olhou fundo em meus olhos, tocou em meu rosto como se eu fosse uma criatura quase celestial.
—Obrigada por estar aqui. – Repetiu.
Naquele momento eu vi como a amava, como ela era uma pessoa incrível. Ela havia acabado de perder o pai e lá estava ela me consolando. Isso sequer faz algum sentido?
Não pude me controlar e abracei-a novamente. Dessa vez eu era quem estava soluçando.
*Úrsula*
O velório estava mais do que deprimente e eu estava muito nervosa. Eu sabia que a qualquer momento ele iria chegar, e eu não estava preparada para aquilo.
Alguém tocou meu ombro e meu coração disparou. Dei um pulo e virei assustada.
—Desculpe. – Disse Lucas.
Eu estava tão aliviada por ser ele que meus olhos lacrimejaram.
—Você não tem que estar aqui quando ele chegar. – Ele disse.
—Não vou deixar Jane sozinha.
Lucas ficou do meu lado por todo o tempo, eu não sabia como expressar o quanto eu estava grata por isso.
Eram três horas da manhã quando ele chegou. Estava vestido em um terno super caro feito sob medida, o cabelo estava com um corte elegante e ele andava com um ar de superioridade ridículo e aterrorizante. Eu tinha obrigado Jane a descansar então não precisei me preocupar com ela.
Ele olhou para mim e abriu um sorriso, automaticamente agarrei o braço de Lucas. Ao ver isso o sorriso dele amarelou e ele se virou indo em direção ao corpo.
—Está tudo bem. – Disse Lucas. – Ele não é idiota o suficiente para tentar algo aqui.
Concordei com a cabeça.
Comecei a me sentir sufocada ali dentro, então Lucas me levou para tomar um ar. Não deu dois minutos que saímos e aquele ser desprezível já estava do lado de fora também.
—Antigamente se pedia benção para os tios. – Ele disse enquanto se aproximava.
—Vá a merda. – Lucas se irritou.
Jorge fez menção de ataca-lo, mas mudou de ideia. Ele se aproximou e Lucas me empurrou se colocando entre mim e meu tio.
—Sabe Úrsula, sua mãe também procurou um guarda costas para ela, aposto que você já ouviu falar no famoso Murilo, pobre garoto. – Ele deu uma boa olhada em Lucas, aquilo fez meu estômago revirar. – Rapaz, teve alguém que, assim como você, se meteu onde não devia. Sabe onde ele está agora? Em um caixão, ali dentro. – Ele apontou para a porta. – Acho que vou embora agora, obviamente não sou bem-vindo aqui.
Ele virou as costas e foi embora. Lucas quase foi atrás dele, mas o segurei. Eu mal podia ficar de pé.
XXX
—Quem é Murilo? – Lucas perguntou. Estávamos sentados na escadaria, eu já conseguia falar.
—Ele era um primo da minha mãe. – Contei. Não pude evitar a lágrima que desceu com a lembrança. – Eles eram como unha e carne, pelo o que eu sei.
—E o que aconteceu com ele?
—Ele cometeu suicídio um dia antes do acidente... – Nesse momento não pude me conter mais, comecei a chorar desesperadamente. – Ele... Ele...
Lucas me abraçou quando comecei a tremer. Eu estava desesperada, não podia perde-lo de jeito nenhum.
—Vá embora... – Falei com a voz fraca.
—O que? – Ele perguntou se afastando.
—Vá embora... você não pode se machucar por minha causa... eu não posso deixar que você se machuque.
—Escuta – Ele disse segurando firme meus ombros. – Eu não vou a lugar nenhum, você entendeu? Eu não vou me afastar de você. Nunca.
*Kim Yong Woo (Mark)*
—Com licença, senhor. – Disse o secretário entrando no escritório. – O senhor está recebendo uma ligação.
—Eu não posso atender agora.
—Mas, senhor, já é a quinta ligação desse homem.
Olhei para ele indignado.
—Eu estou cheio de trabalho para fazer, mande-o deixar recado.
Dois minutos e meio depois ele voltou.
—Senhor, eu tentei, mas ele insiste que quer falar somente com o senhor.
—Mas será possível?!
—Tem mais uma coisa, senhor.
—O que?
—Ele disse que se eu informasse o senhor de que é uma ligação do Brasil, o senhor atenderia.
Meu cérebro foi a mil. Faziam duas semanas que eu não tinha uma notícia sequer sobre Úrsula e, embora eu tentasse esquecer, aquilo estava me matando.
—Encaminhe a chamada para a linha seis.
Peguei às pressas o telefone.
—Mark? – A pessoa não parecia muito feliz em me ligar.
Demorei um pouco, mas acabei reconhecendo a voz.
—Lucas? – Talvez eu tenha falado com um tom de desprezo, talvez.
Ouvi-o suspirar do outro lado, provavelmente se arrependendo de ter me ligado.
—Escuta aqui. – Ele começou. – Eu não ligaria se não fosse importante. Preciso da sua ajuda. – Eu quase comecei a rir, mas então ele disse algo assustador: — Úrsula está em perigo.
UMA SEMANA DEPOIS
*Úrsula*
—O que você quer dizer? – Eu estava em choque. Agarrei o braço de Lucas para não acabar caindo.
—Nós temos as provas, mas só você pode fazer a denúncia.
Comecei a tremer.
—Mas..., mas...
Senti que estava a ponto de explodir. Eu olhava do policial para Lucas, e então para o policial de novo.
—Você não precisa se preocupar. – Disse o policial. – Depois que você fizer a denúncia iremos atrás dele. Vamos pegá-lo antes do que você pensa e ele pagará pelos crimes que cometeu.
—Úrsula, esse é o momento pelo qual você tanto esperou. — Disse Lucas. — Você agora vai poder vingar as mortes das pessoas que você amava, você vai estar segura, e Jane também. Mark acha o mesmo.
Aquilo me deu forças. Não o fato de saber que Mark era a favor daquilo, mas sim saber que era o único jeito de proteger Jane e Lucas. E eu necessitava mais do que qualquer coisa protege-los.
—Tudo bem. — Falei já decidida. — Então vamos fazer isso.
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