Notas iniciais
Sim, acho que deixei vocês bem confusas no último capítulo, então aqui vai a explicação :)

— Como assim? Você não pode ser a sobrinha que a minha tia está procurando! – Chloe falou e eu a olhei confusa

— Por que não? – Eu perguntei e ela me segurou pelos ombros

— É uma longa história. – Ela falou enquanto suspirava

— Resuma!

— Ela quer te levar para o Brasil. – Ela falou de uma vez

Eu a olhei por alguns segundos e me afastei.

— Não, não, não. Você só pode estar brincando!

— Não, não estou. Você acha que ela iria se mudar para o fim do mundo só para olhar para você e depois ir embora? Mas é claro que não.

— Eu não quero voltar para o Brasil, isso é uma droga! – Eu suspirei e ela me acompanhou

— Olha, eu sinto muito. Mas se você pensar bem, seu pai tem que autorizar. Ela não pode te colocar nas costas como um saco de batatas e te levar para a América do Sul.

— Como ela lembrou de mim?

— Na verdade, ela nunca esqueceu. Eu fui morar com ela quando tinha uns quatorze anos, e você já estava aqui. Ela sempre mostrava fotos suas e da sua mãe. Dizia que nunca mais seria a mesma se não tivesse notícias suas. Ela veio para isso. Acha que você está sozinha e triste.

— Não acredito... – Eu falei e ela assentiu

— O Brasil não é tão ruim assim. – Ela falou e eu assenti

— Eu sei, mas eu tenho muito o que deixar aqui. Meus amigos, meu namorado, meus “irmãos” que eu até gosto... aquele professor gato! – Eu falei choramingando e pus a mão no rosto

— Você é idiota até num momento como esse! – Ela falou e eu ri

[...]

Quando dizem que nada é igual como planejamos, isto é realmente certo. Antes, eu realmente não tinha a certeza de que iria voltar ao Brasil, mas agora tudo estava bem óbvio. Meu pai não negaria aquilo, e uma parte de mim queria voltar. Eu tinha família e amigos lá. Eu planejava contar isso a cada um, e eu sabia qual seria a pior parte.

— No que você está pensando? – Harry perguntou enquanto me abraçava de lado

— Numa pessoa, num lugar, num acontecimento. – Falei e ele me olhou confuso – Descobri que a tal tia da Chloe é também minha tia. A que estava com a minha mãe no acidente.

Ele voltou a sentar na grama do jardim e me olhou curioso.

— Conte-me mais. – Ele falou interessado

— Ela está em Londres me procurando. Provavelmente vai embora daqui a pouco tempo, já que ela já achou. Isso é péssimo. – Eu falei e ele me olhou confuso

— Por quê?

— Ela quer me levar junto.

Ele me encarou e depois sacudiu a cabeça.

— Isso é sério?

— Eu não sei. Foi o que a Chloe disse, e se eu sou a tal sobrinha, esses são os planos dela para mim.

— Você só pode ir se quiser. Seu pai não te obrigaria. – Ele falou desanimado

— Mas eu quero. – Eu falei e fiquei calada por alguns segundos – Eu sei que vou ter que deixar muita coisa aqui, mas eu também deixei lá.

— Você não tem certeza, certo? – Ele perguntou preocupado e eu assenti – Então não vamos pensar nisso agora.

— Eu te amo. – Eu falei e ele me beijou

— Eu te amo.

Nós passamos o resto da tarde conversando sobre coisas idiotas, que iam de um novo professor maravilhoso até uma fuga para Nárnia. Eu já não tinha certeza sobre querer voltar ao Brasil.

Alguns dias depois...

— Eu ainda estou confusa sobre essa sua tia. Por que ela quer tanto te encontrar? – Els perguntou e eu dei de ombros

— Talvez porque eu tenha perdido total contato com a minha família.

Ela ergueu as sobrancelhas e pareceu pensar em algo. Algumas batidas na porta e a abri.

— Boa tarde, diretora. – Falei e ela acenou com a cabeça

— Boa tarde. Uma mulher está aqui procurando por você. Ela diz ser sua tia. Temos que confirmar isso. – Ela falou do modo mais seco possível

Eu olhei para Els, que estava com os olhos arregalados e engoli em seco

— Estou indo. – Falei e ela assentiu

Depois de ter a certeza de que a diretora estava longe, respirei fundo e escorreguei pela porta.

— Nada de ficar nervosa. Você tem que resolver isso, e é agora. – Eleanor falou e me puxou

— Eu não estou pronta para isso. – Eu falei e ela bufou

— É uma parte da sua família. Você não sente falta? Então aproveite a chance. – Ela falou e eu respirei fundo

Abri a porta e saí em direção ao portão do internato. Uma mulher alta e extremamente magra, que me trazia leves lembranças da Julia Roberts me olhava enquanto sorria, e eu retribuí por educação. Eu gostava dela, mas era isso que acontecia quando eu estava nervosa.

— É sua tia? – O porteiro perguntou e eu assenti

Ele abriu o portão e a mulher entrou. Ela me olhou por algum tempo e vi que haviam lágrimas nos seus olhos. Ela me abraçou apertado e sussurrou algo que me fez estremecer.

— Você está tão parecida com a Leila.

Um choque percorreu meu corpo ao ouvir aquele nome. Leila Wilson. Minha mãe. Ela me soltou e parecia examinar cada detalhe do meu rosto.

— Eu não mudei tanto. – Falei enquanto sorria fraco, e ela retribuiu o sorriso

— Sim. Você tem quase dezesseis agora. Você só tinha doze. – Ela falou e parecia perdida num passado recente – Nós podemos dar uma volta? Eu peço para lhe liberarem.

— Tudo bem. Eu só vou tomar um banho antes, ok? – Perguntei e ela assentiu

Eu virei as costas e contei até três para sair correndo dali. Os corredores estavam vazios, já que a maioria dos alunos aproveitava a tarde para dormir. Cheguei na penúltima porta do primeiro andar e entrei. Els estava lendo uma revista, e só levantou seu olhar para mim.

— Não acredito que você fugiu! – Ela falou e eu pus a mão na testa

— Não, eu pedi que ela me esperasse tomar um banho. Ela me chamou para dar uma volta. Isso nunca dá certo. – Eu falei e sentei na cama

— Acho que você está se preocupando à toa. Vai dar tudo certo, acredite. – Ela falou e eu sorri

Fui até o banheiro, tomei um banho, me vesti e saí caminhando pelos longos e solitários corredores.

Notas finais
TCHAN, TCHAN, TCHAN, TCHAN! (isso era para ser aquela musiquinha de mistério, só para deixar claro)