I Will Love You For Eternity
54 Say goodbye for half of your heart!
Notas iniciais

O vento frio batia em meu rosto, trazendo um ar de preocupação. Um péssimo dia para deixar as janelas abertas. Eu nunca percebi em quão longos eram aqueles corredores. Talvez fosse o meu medo. Eu não deveria estar tão preocupada, mas eu havia me apegado demais aquele lugar, aquelas pessoas. Seria estranho dizer que eu sentiria falta até de quem eu só conhecia de vista?
O portão estava aberto, e a mulher me olhava animada. Eu me culpava por não estar contente. Eu estava feliz por encontrá-la, mas estava triste pela minha decisão.
— Podemos? – Ela perguntou e eu assenti
O seu carro estava estacionado do outro lado da rua, e caminhamos até o mesmo. A rua parecia deserta, deserta para uma tarde de sábado. Nós entramos no carro e Michelle parecia estar nervosa. E aquilo só me deixava mais e mais preocupada.
[...]
— Como assim você tem um namorado? – Michelle perguntou surpresa e enfiou mais uma colher de sorvete na boca
— Por que sempre perguntam isso? – Eu perguntei e ela sorriu
— Você era tão tímida, isso chega a assustar.
— Eu ainda sou tímida. Ele que não é. – Falei e ela riu
— Mas ele é bonito? – Ela perguntou interessada
— Sim, perfeito. – Falei enquanto ria
— Hum, então quero conhecê-lo. Se ele não for perfeito – Ela falou enquanto imitava minha voz – eu vou ficar muito decepcionada, porque já criei muitas expectativas.
Nós estávamos sentadas na praça de alimentação de um shopping qualquer, e aquilo era agradável. Era bom rever alguém que foi tão importante para você. Ela parou de sorrir por um minuto e me olhou apreensiva.
— Eu preciso falar sobre algo importante com você. – Ela falou e eu assenti – Você não sente falta, sabe, do Brasil?
É, o momento havia chegado.
— Sim, eu acho. – Falei meio indiferente e ela concordou
— Eu não sei como fazer uma história toda para uma pergunta, então... – Ela falou e eu sorri fraco, já imaginando o que viria – Você deixou muita coisa lá, muito nova. Família, amigos...
Eu suspirei e ela sorriu
— Você não quer voltar? – Ela perguntou na lata e eu não consegui respirar normalmente por alguns instantes – Eu não estou te forçando, é que...
— Eu vou. – Falei de uma vez e ela arregalou os olhos
— Querida, você tem certeza? Eu ia de te dar um tempo para pensar. – Ela falou e eu neguei
— Eu tenho certeza. Eu vou sentir falta daqui, mas isso não se compara a quantas pessoas importantes eu deixei lá. Sim, eu tenho certeza.
— E o seu namorado? – Ela perguntou e eu senti meu estômago embrulhar
— Eu resolvo com ele. Ele vai entender. – Eu falei e ela assentiu
— Nós viajamos amanhã, às 8h. Eu passo no internato. Tudo bem para você? – Ela falou e eu soltei mais um suspiro, e assenti – Eu, você e Chloe. Você pode avisá-la?
— Sim. Adeus para Londres. – Sussurrei e ela pegou minha mão
— É uma decisão sua. Eu já falei com o seu pai, mas nós podemos desmarcar...
— Eu sei. – Sussurrei novamente e ela sorriu
[...]
Estava de volta ao internato, e os corredores pareciam ainda mais longos que dá primeira vez. Ou segunda. O único barulho que se podia ouvir era o do meu sapato contra o chão.
Parei de caminhar por um segundo e sentei encostada na parede. Por que tudo tinha que ser tão difícil? Escondi meu rosto nos joelhos e comecei a chorar ali mesmo, no meio do corredor do primeiro andar.
Ouvi alguns sussurros e passos, e levantei minha cabeça. Harry estava no começo do corredor, e vinha na minha direção. Não adiantava fugir, já que ele tinha me visto e me olhava confuso. Ele se agachou ao meu lado e pegou meu queixo.
— Ei, o que houve? Por que você está chorando? – Ele perguntou preocupado e eu abri a boca várias vezes na tentativa de falar algo, mas não saiu nada, então eu só escondi meu rosto novamente
— Eu vou embora. – Falei depois de um tempo e ouvi um suspiro
— Isso não explica muita coisa. – Ele sussurrou e eu o olhei
— Minha tia. Ela vai me levar para o Brasil. Amanhã. – Falei e ele arregalou os olhos
— Quê? – Ele perguntou depois de um tempo e eu o puxei para um abraço
— Eu te amo muito, Harry. Não esqueça disso. – Sussurrei e ele suspirou
— Eu também te amo. Muito. – Ele disse e tudo o que eu menos queria era soltá-lo, mas parecia necessário
Um silêncio se instalou por algum tempo, até que Harry o quebrasse
— Sinceramente, eu não estou entendendo nada. – Ele falou e eu ri fraco
— Eu fui dar uma volta com a minha tia, e então ela me propôs voltar para o Brasil. Então eu aceitei. Nós viajamos amanhã.
— Por que você aceitou? – Ele perguntou confuso
— Eu deixei muita coisa por lá. Meus amigos, minha família, minhas lembranças...Me desculpa.
— Por que te desculpar? Eu faria a mesma coisa. Aqui você não tem a sua família de verdade, e pode arranjar amigos e um namorado novo por lá. – Ele falou enquanto dava de ombros
— Mas eu não quero. – Sussurrei e ele sorriu
— Ih, garota, você me ama mesmo, né? Isso é um problema. – Ele falou enquanto ria e eu o acompanhei
— Você consegue ser idiota até agora!
— Eu estou rindo para não chorar.
— Isso é inteligente. – Falei e ele assentiu – Eu vou sentir tanto a sua falta.
Ele me abraçou, e eu não queria que aquilo acabasse nunca.
— Ei, o que vocês estão fazendo aí, sozinhos? – Uma mulher perguntou desconfiada e eu bufei
— Conversando. Não é óbvio? – Perguntei e ela sorriu irônica
— Nunca deve se confiar em dois adolescentes sozinhos.
— Ok, dá próxima ver a gente chama o zelador para bater um papo. – Sussurrei e ela bufou
— Vocês, adolescentes, são terríveis! – Ela falou e nos levantamos
— Qual é? São 16h! – Harry falou e ela suspirou, logo depois virando as costas e virando outro corredor
— Isso foi estranho. – Falei e ele assentiu
— Você tem que contar para os outros. – Ele sussurrou e eu senti um peso nas costas
— Isso não vai ser fácil.
[...]
Acordei com o despertador tocando, e senti que eu não deveria acordar. Ainda era cedo, para um domingo, então Els ainda estava dormindo. O dia anterior não havia sido fácil. Quando contei a Chloe que voltaríamos, ela simplesmente desabou em lágrimas, e eu acabei a acompanhando. A mesma coisa aconteceu com Eleanor e Mackenzie. Os meninos só quiseram me sequestrar, mas isso era normal para eles. Harry era definitivamente o que mais havia chorado durante o resto do dia. Eu pensava várias vezes na possibilidade de desistir da viagem quando via aqueles olhinhos verdes cheios de lágrimas. Abri as cortinas do quarto e vi como o tempo estava de acordo com o momento. Nublado.
Andei vagarosamente até o banheiro e tomei um banho gelado, que levou minha indisposição, mas não o meu desânimo. Me vesti, e quando saí do banheiro, Els não estava mais na cama.
— Estranho. – Falei sozinha e peguei minhas malas – Hora de dizer adeus.
Abri a porta e um vento gélido bateu em meu rosto. Caminhei pelos corredores até chegar ao portão. Harry estava me esperando com a maior cara de sono, enquanto Chloe estava cochilando em um banquinho.
— Quanta animação num domingo de manhã. – Falei e ele assentiu
— Sim, olhe a minha cara de animação. Mas não é porque eu estou com sono.— Ele falou e eu sorri
Uma buzina nos fez pular de susto, principalmente a Chloe, que caiu do banco. Uma mulher magra desceu do carro e veio em nossa direção.
— Bom dia! – Ela falou animada e olhou para Chloe – Chloe!
— Olá, tia. – Ela falou enquanto a abraçava, na mínima animação possível
Elas se soltaram, e a atenção da Michelle parou no Harry.
— Esse é o seu namorado? – Ela perguntou para mim e eu assenti – É um prazer conhecê-lo, sou Michelle
— Sou Harry, prazer. – Ele falou educado e sorriu
— Bem, acho que temos um voo para pegar. E estamos atrasados. – Michelle falou e nós nos dirigimos ao carro
[...]
Chegamos ao aeroporto depois de dez minutos, e o clima passava de nublado para chuvoso. Eu estava triste por não ter conseguido me despedir direito do resto dos meninos, mas eles não tinham culpa. Caminhamos até o portão de embarque e sentamos naquelas cadeiras nada confortáveis.
Tirei aquele tempo para pensar em coisas que não eram recomendáveis para o momento. Pensei no dia em que conheci o Zayn, e como fui grossa com o garoto. O que eu tinha na cabeça? Lembrei de quando conheci Louis, e ele quase quebrou meu braço tentando fazer uma mágica. Lembrei do dia em que Niall me chamou de batata insolente, e eu achei aquilo absurdo. Mal sabia que ele era um irlandês fanático por inocentes batatas. Lembrei de quando conheci a Eleanor, naquele dia constrangedor, que estavam rolando tantas piadas sobre quase ter beijado o meu melhor amigo.
Lembrei do dia em que empurrei Liam no meio do ginásio, e ele saiu bolando na arquibancada. Eu realmente não sabia se o ajudava, ou continuava rindo. Lembrei do dia em que conheci a Mackenzie, perdida no meio do internato. E, finalmente, lembrei do dia em que conheci o Harry. Um lápis no chão e eu me apaixonei. Essa foi uma frase estranha, mas foi exatamente isso. Notei que meu rosto estava molhado, e então tentei secá-lo da forma mais discreta possível.
Ouvi uma gritaria e passos de gente correndo longe, e estranhei. Aquilo não era normal num aeroporto. Olhei para trás e vi um bando correndo atrás de nós, cansados como nunca. Eu rolei os olhos e sorri. Não acreditava que eles haviam feito isso.
— O que vocês estão fazendo aqui? – Chloe perguntou e Louis se apoiou nos joelhos
— Viemos...nos...despedir. – Ele falou com ofegante e eu ri
— Por que estavam correndo? – Harry perguntou confuso
— Achamos que elas já haviam ido. Nossa, nunca corri tanto na vida. – Niall falou também ofegante
— ÚLTIMA CHAMADA PARA O VOO 927, COM DESTINO: BRASIL! – Uma mulher falou nos autofalantes e eu suspirei
— Hora de ir. – Falei e senti meus olhos ardendo
Niall foi o primeiro a me abraçar, e eu senti que ele estava chorando. Era de esperar, o loiro era bem emotivo.
— Você tem que ir mesmo? E se eu terminar meu namoro de novo? A Eleanor não sabe dar conselhos! – Ele falou e eu ri
— Quê? EU sou uma ótima conselheira! – Els falou se fingindo de ofendida
Ela me abraçou apertado, e parecia não querer soltar.
— Eu vou sentir sua falta. Mas só um pouquinho. – Ela falou e sorriu
— Sim, eu sei. – Falei e ela me abraçou novamente
Louis a empurrou, e ela bufou. Ele me abraçou e depois me olhou com um cara de raiva.
— Eu não sei se te amo por ser tão legal ou te odeio por estar indo embora. – Ele falou e eu ri
— Eu prefiro que você me ame. – Falei e ele sorriu
— Então eu te odeio.
Eu rolei os olhos e o abracei novamente. Nunca pensei que iria gostar de alguém tão barraqueiro como o Louis, mas olha aí! Eu o soltei e olhei para Zayn por alguns segundos. Ele me abraçou apertado e eu sorri
— Vou sentir sua falta, amor. Ainda acho que você deveria ter namorado comigo. – Ele falou e eu gargalhei
Alguns meses antes, Zayn havia sido escolhido para protagonizar numa peça. Ele havia me pedido para ensaiar com ele, e uma das falas era “eu ainda acho que você deveria namorar comigo”. Enquanto ensaiávamos, Harry acabou ouvindo essa parte e daí se formou uma bela confusão.
— Também acho. – Falei e ele sorriu
Liam estava abraçando a Mackenzie, então acabei abraçando os dois de uma vez.
— Qual é? Eu mal te conheci e você já vai embora! – Mack falou e eu ri
— Não é minha culpa se seu internato só pegou fogo agora.
— Ui, que má. Adorei. – Ela falou e nós rimos
— Daddy! – Falei para Liam, que sorriu e me abraçou novamente
— Ok, chega de despedidas, temos um voo para pegar! – Michelle falou e eu assenti
Nós fomos até o portão, e senti meu coração quebrando em milhões de pedaços quando vi o Harry chorando. Eu o abracei forte e queria que o tempo congelasse.
— Não chora, por favor. Eu vou acabar ficando aqui. – Falei enquanto enxugava suas lágrimas, mesmo sabendo que meu rosto estava inundado
— Eu te amo. Não esqueça disso. – Ele falou e me beijou
— Eu te amo. Não vou esquecer. – Falei e o abracei novamente
Senti alguém pondo a mão no meu ombro, e eu percebi que era definitivamente a hora de ir.
— Isso não é um adeus. É apenas um até logo, ok? – Falei para o Harry, que assentiu
Ele suspirou e escondeu o rosto nas mãos. Eu virei as costas e comecei a caminhar em direção ao avião, mesmo sabendo que havia deixado metade do meu coração ali, chorando como um garotinho indefeso. E eu não estava diferente.
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