Notas iniciais
Capítulo foi todo narrado pelo Harry porque... eu não sei.

O tempo estava passando e eu ainda estava lá, esperando a tal enfermaria. Eu acho que, se você pensar bem, a enfermaria do internato era desrespeitosa. Eu tinha muito o que fazer, e ninguém chegava. Levantei e sai em direção a porta, mas alguém parou.

— Onde vai? Tem que ser liberado. – Uma enfermeira falou

Eu bufei e sentei na cama de novo. A enfermeira me olhou por alguns segundos e escreveu algumas palavras na prancheta que segurava

— O que aconteceu? – Perguntei e ela suspirou

— Qual foi a última coisa que você comeu ou bebeu antes de desmaiar? – Ela perguntou calma

— Um energético. Ele tinha um gosto estranho. – Eu falei com uma careta

— Bem, provavelmente havia alguma substância perigosa nesta bebida, que lhe fez perder os sentidos. Você pode ter feito muitas burradas, rapaz. – Ela falou e eu concordei

— Eu sei disso. – Sussurrei e ela sorriu

— Sua namorada é muito atenciosa. – Ele falou e me encarou

— Como você sabe quem é minha namorada? – Perguntei confusa

— Ela passou o dia inteiro aqui, só foi embora quando os outros garotos chegaram. Ela parecia chateada. Eu perguntei se era sua namorada e ela ficou calada.

— O que...?

— Deixa para lá. Eu sugiro que você tenha mais cuidado com o que anda bebendo. Liberado. – Ela falou e eu fui em direção a porta

Eu não tinha a mínima noção do que tinha acontecido. Me esforcei ao máximo para lembrar, mas nada. Caminhei pelos longos corredores vazios até chegar numa porta específica. Bati e ninguém respondeu. Bati mais algumas vezes e ouvi alguns soluços. Devo dizer que fiquei totalmente desesperado ao ouvir aquilo.

— Karinna, eu sei que você está aí. – Falei e a porta se abriu

Ela estava de pijama e com um cara de choro. Ok, eu tinha feito algo bem idiota.

— O que você quer? – Ela perguntou indiferente, provavelmente porque sabia que eu odiava aquilo

— Para de falar assim, por favor. – Falei e ela ia fechar a porta, mas eu impedi – Me explica o que está acontecendo, pelo amor de Deus. Eu juro que não lembro de nada.

— Você não lembra? Então pergunta a qualquer um do internato, todos já sabem. – Ela falou e bufou

— Karinna, é sério. – Falei baixo e ela suspirou

— Vai embora, por favor. – Ela falou e começou a chorar

Eu tenho um sério problema em nunca saber o que fazer quando alguém está chorando, principalmente quando é alguém importante para mim. Ela tentou fechar a porta, mas eu impedi novamente. Ela me olhou com raiva e eu a abracei. Parecia ter esquecido por alguns segundos, mas me empurrou de leve.

— Por favor. – Ela falou baixo e eu assenti

A porta foi fechada e eu saí andando pelo internato, mesmo ser ter um rumo. Ouvi alguns sussurros no jardim e me aproximei.

— Era para o deixar confuso, não desmaiado. – Uma voz feminina falou

— Eu não sabia que era tão forte. – Outra voz falou

— Você é um idiota, Peter.

— E você é ingrata. Pelo menos eles terminaram, não foi? Não era a sua intenção? Você conseguiu destruir mais um, parabéns.

— Vai embora.

Peter... eu lembrava desse cara. Era um dos namorados das servas da Gabriella. Ele era todo rebelde com a vida, e eu até achava isso engraçado. Esperei que os passos se calassem e puxei a Gabriella pelo braço.

— Ai! O que você está... – Ela começou, mas arregalou os olhos – Oi, meu amor.

— Para de me chamar assim. – Falei e respirei fundo – O que você fez?

— Eu não fiz nada. Levou uma pancada na cabeça?

— Você não tem a mínima noção do que faz, não é? Você achou que se a Karinna terminasse comigo, você iria me ter de volta? Pois fique sabendo que você só causou um inferno na minha vida, e ainda assim eu não estou nem aí para você.

— Por enquanto.

— Por enquanto? Olha para você! Está se humilhando por um cara que você só quer para posar de vitoriosa. Vai procurar alguém que você ame de verdade, e pare de atrapalhar a minha vida. Nada que você possa fazer vai me fazer esquecê-la, e vice-versa. Foi uma perda de tempo. – Falei e a soltei

Ela estava com os olhos transbordando ódio, e algumas lágrimas estavam se formando. Eu sempre odiei ver alguém chorando, principalmente quando é uma garota. Em menos de vinte minutos, eu já tinha visto duas nesse estado.

— Você não entende! Eu gosto de você, Harry. Você sempre foi tão carinhoso e fofo. Eu não quero te perder para ela.

— Presta atenção, você já perdeu, e faz um bom tempo. Sinto muito, mas é a verdade. — Falei e saí do jardim

Eu tinha algumas informações que poderiam provar que eu não tinha feito nada, mas eu sabia que isso não ia conformar ninguém. Senti alguém botando a mão no meu ombro e bufando.

— Você é sortudo. – Liam falou e eu o olhei confuso

— Sortudo? Eu terminei com a minha namorada quando estava quase inconsciente, e agora ela não quer me ver de jeito nenhum. Eu não sou sortudo.

— Sim, você é. Karinna poderia estar agora na porta do Logan, que não perderia tempo, mas está lá, chorando e assistindo um filme triste com o melhor amigo.

— Me diga que esse melhor amigo é o Zayn. – Falei e ele balançou a cabeça negativamente

— É um tal de Luke. Nunca tinha visto esse cara.

— Eu estou confuso. A única coisa que eu sei é que eu não estou namorando e que eu desmaiei.

— Bom, não foi só isso. Você bebeu alguma coisa que tinha uma substância estranha e ficou totalmente confuso. A Gabriella puxou você para o corredor e te beijou, para a Karinna ver e terminar com você.

— Que? Ela terminou comigo por que eu estava beijando a Gabriella? Eu não terminei com ela quando o Logan a beijou!

— Ela não se importou no começo, só queria saber se você estava bem, porque parecia meio tonto. Essa é uma das razões para você ser sortudo. – Ele falou e eu ri fraco – Continuando, a Gabriella disse que você queria fazer aquilo, então ela perguntou se você queria mesmo, e disse que ia acreditar no que você dissesse.

— Então por que ela está com raiva de mim? Eu não estou entendendo.

— Harry, você disse sim.