I Will Be Your Protector
7 Your eyes vacant and stained
Notas iniciais
"Seria muito bom ter ele aqui por 4 dias inteiros, eu mal podia esperar."
- Alex POV-
Depois que Chris foi embora, eu tomei um banho e dormi rápidamente. Estava ansioso pra te-lo quatro dias aqui comigo, mas também estava com medo.
XxX
Acordei com o som do despertador, me levantei calmamente e fui até o banheiro. Liguei o chuveiro e deixei que a água levasse o sono embora. Voltei pro meu quarto correndo, havia nevado essa madrugada, por isso estava tão frio. Abri uma gaveta da cômoda e procurei por roupas quentes. Coloquei uma calça jeans, blusa branca, jaqueta de moletom preta e all star.
Eram dez horas da tarde, eu não estava com fome, e Chris só viria a noite. Olhei na geladeira e constatei que teria de ir fazer compras. Por sorte tinha um mercado perto da minha casa. Era por isso que eu nunca me preocupei em comprar um carro, tudo o que precisava encontrava-se perto de casa, e se eu tivesse que ir para mais longe poderia pegar um ônibus.
Peguei minhas xaves, carteira e celular e saí de casa. Depois de andar algumas ruas cheguei ao mercado. Andei por alguns corredores sempre pegando aluma coisa, afinal seram quatro dias, e eu não quero me preocupar com compras. Peguei alguns doces e outras besteirinhas pra comer de madrugada, mas essa noite eu queria impressionar o Chris.
Na verdade eu não tinha ideia do que iria fazer, mas depois de pensar no quanto eu estava com frio, decidi que iria fazer fondue de chocolate. Comprei algumas frutas e barras de chocolate, fui para o caixa pagar minhas coisas e voltei pra casa.
-Chris POV-
Quando acordei era meio dia, estava tudo perfeito, eu havia beijado Alex na noite passada, ninguém veio me acordar hoje e eu iria passar quatro dias na casa dele, nada podia me chatear hoje.
Levantei e fui para o banheiro fazer minha higiêne, voltei pro quarto, coloquei uma roupa qualquer e desci as escadas até a cozinha. Quando cheguei lá vi que meus pais já estavam se arrumando pra sair.
— Olá filho! Está animado? — Perguntou meu pai.
— Sim, muito. — Respondi sorrindo.
— Nós vamos ter que sair agora, tem uma cópia das chaves em cima da mesinha da sala. Arrume suas coisas e pode ir pra casa do Alex, nós vamos ligar assim que chegarmos lá. — Falou minha mãe me dando um beijo no rosto.
Eles se despediram e eu fui arrumar minhas coisas. Enquanto isso coloquei um CD no rádio que ficava em cima da minha cômoda, quando a música The Light Behind Your Eyes começou a tocar eu me lembrei de Alex. Eu cantava junto lembrando de seus olhos tristes.
"So long to all of my friends
Everyone of them met tragic ends
With every passing day
I’d be lying if I didn’t say
That I miss them all tonight
And if they only knew
What I would say
If i could be with you tonight
I would sing you to sleep
Never let them take the light behind your eyes
One day, I’ll lose this fight
As we fade in the dark
Just remember you will always burn as bright"
Agora eu queria muito estar ao lado do Alex, queria ser mais do que seu amigo, queria devolver o brilho alegre que deveria existir em seus olhos. E eu estava determinado a conseguir isso.
Arrumei minhas coisas na minha mochila e fui trocar de roupa pra ir, coloquei uma calça jeans, blusa preta, jaqueta de moletom azul marinho e all star. Peguei minha mochila e depois de trancar todas as portas e janelas fui andando até a casa do Alex.
Quando cheguei lá estava tremendo um pouco, eu não deveria, já beijei ele duas vezes e passei a tarde em sua casa ontem, tentei me acalmar e bati na porta. Depois de alguns segundos ouvi o som da porta se abrindo.
— Oi Chris, você chegou cedo. — Ele disse sorrido. Realmente ainda eram duas e meia da tarde.
— Ah, me desculpe, é que meus pais saíram mais cedo. — Falei corando um pouco.
— Não se preocupe. — Ele disse abrindo mais a porta. — Agora entre está frio aí fora.
A casa estava como eu havia visto ontem, exceto por algumas panelas e sacolas sobre o balcão.
— O que estou fazendo lá é surpresa. — Alex disse me puxando pela mão em direção ao sofá. — Você vai se sentar aí até eu terminar, e não vale ficar espiando. — Ele falou sorrindo.
— Tudo bem, prometo não espiar. — Respondi mexendo na minha mochila.
Como eu não ia ter nada pra fazer, peguei meu caderno de desenho e deixei minha mão livre apenas fazendo rabiscos, então percebi que havia desenhado o dragão que Alex me deu no meu aniversário. Nessa hora ele se sentou ao meu lado para ver o que eu estava fazendo.
— Nossa! Você desenha muito bem.
— Obrigado. — Respondi meio sem graça.
— Ah, eu acabei a surpresa, mas você tem que fechar os olhos. — Eu fiz que sim com a cabeça e cobri os olhos com minhas mãos.
Depois de alguns minutos senti um delicioso cheiro de chocolate.
— Você pode olhar agora. — Ouvi Alex dizer. E quando olhei tive uma grande surpresa.
Em cima da mesinha da sala, havia uma panela com chocolate derretido, e ao lado uma travessa de vidro com algumas futas. Não consegui evitar de sorrir.
— Nossa! parece delicioso.
— Não sei, é a primeira vez que faço isso. Se quiser se arriscar... — Ele disse sorrindo.
Então eu peguei um morango com o garfo, mergulhei no chocolate e mordi metade da fruta. Estava mesmo delicioso.
— Está muito bom, você cozinha muito bem.
Ele sorriu e se ajoelhou em frente a mesinha onde estavam as frutas, abriu uma gavetinha que havia lá e pegou alguns DVDs.
— Podemos ver um filme se você quiser. — Ele disse e entregando os DVDs.
Depois de olhar todos perguntei sobre um.
— Breakfast With Scot. — Li o nome em voz alta. — É sobre o que?
— Sobre um casal gay que tem que cuidar de um garotinho, é engraçado.
Decidimos por ver esse filme mesmo, Alex apagou a luz da sala deixando apenas a da cozinha acesa. Vimos o filme e quando acabou nós limpamos a mesinha e conversamos um pouco na sala.
— Olha se você não se importa eu vou tomar um banho, tá? — Ele falou depois de um tempo.
— Tudo bem, eu vou esperar aqui.
Alex se levantou, pegou algumas roupas no quarto e seguiu para o banheiro. Fiquei sentado alguns minutos até ouvir meu celular tocando. Eram os meus pais, eles estavam bem, e como o previsto demorariam quatro dias. Depois de falar com eles fiquei sentado até ouvir o som da porta do banheiro sendo aberta.
— Se quiser tomar banho também, pode ir. — Alex disse andando em direção ao quarto, ele estava com uma calça de moletom preta e uma blusa cinza, seus cabelos estavam molhados. — Eu vou arrumar um colchão no meu quarto, tá?
— Tá, só vou pegar minhas roupas.
Peguei algumas roupas e fui para o banheiro.
-Alex POV-
Estava sendo incrível ter Chris aqui comigo, ele era tão doce e gentil. Era mais do que visível que eu estava apaixonado por ele.
Retirei um colchão que havia em baixo da minha cama, arrumei com lençóis, cobertores e travesseiro, o coloquei ao lado da minha cama. Depois de arrumar tudo ouvi batidas na porta do quarto.
— Entre.
— Oi. — Disse Chris entrando no comodo e se deitando no colchão. — Então é aqui que eu vou dormir? — Ele disse sorrindo como uma criança.
— Bom, se preferir pode dormir na cama.
— Não, eu prefiro ficar aqui. — Chris falou enquanto se enrolava nos cobertores. — Você já vai deitar também?
— Sim, só vou apagar as luzes. — Saí do quarto, apaguei as luzes e me certifiquei de que a porta estava trancada, então voltei para o quarto e fechei a porta.
Apaguei a luz, mas não estava totalmente escuro, a lua estava grande, e deixava o quarto com uma iluminação fraca e acinzentada. Deitei na minha cama pensando no quanto estava feliz. Meus pensamentos foram interrompidos pela voz doce do Chris.
— Obrigado por me deixar ficar aqui, estou me divertindo muito.
— Eu é que agradeço por você estar aqui, também estou me divertindo. — Respondi sorrindo.
— Boa noite Alex.
— Boa noite Chris.
XxX
Seus olhos demonstravam um ódio profundo, mas quando ele percebeu o que havia feito, seu rosto foi tomado por satisfação.
— COMO VOCÊ PODE? EU TE ODEIO VOCÊ É UM MONSTRO! — Eu gritava tentando conter a raiva.
Havia sangue em minhas mãos e pelo chão.
— Talvez seja melhor assim filho, nada disso daria certo... — Disse minha mãe.
— CALA A BOCA! Eu não quero ouvir nenhuma explicação, aliás não há explicação para o que vocês fizeram! — Senti lágrimas quentes descendo pelo meu rosto.
— NÃO FALA COM A SUA MÃE ASSIM, VOCÊ TEM É QUE TOMAR JEITO! FOI ÓTIMO EU TER MANDADO ESSE VEADINHO PRO INFERNO DE UMA VEZ. — Meu pai dizia com raiva transbordando de seus olhos.
XxX
Acordei assustado, minha respiração estava descompassada, e meu coração acelerado. Aquele sonho foi extremamente real.
— Alex, o que houve? — Chris disse acendendo a luz e se sentando a minha frente.
— Eu...tive um pesadelo...já estou bem.
— Não, você não está bem, continua chorando. Vamos, diga o que houve que te deixou assim. — Ele continuou insistindo.
— Foi só um pesadelo, eu vou ficar bem... — Não sei se deveria contar a ele, eu queria, mas tinha medo dele me deixar.
— Eu sei que não foi só isso, tem a ver com o brilho triste que vejo em seus olhos desde a primeira vez que te vi, você pode me contar, eu só quero te ajudar.
— Tenho medo de você me deixar se eu te contar... — Corei um pouco nessa hora.
— Eu nunca vou te deixar. — Ele corou também e segurou minhas mãos. — Todo mundo tem problemas, e eu posso te ajudar se você me contar.
— Tudo bem...eu vou contar. Quando eu tinha quinze anos eu vivia com os meus pais, eles sempre me pareceram amorosos e compreensivos. Eu nunca contei pra eles que era gay... — Chris arqueou um pouco as sobrancelhas nessa hora, mas estava bem calmo. — Bom, eu conheci um garoto e em pouco tempo já estávamos namorando, seu nome era Scot. Depois de uma longa conversa com ele decidi contar aos meus pais. Mas as coisas fugiram do controle.
Parei de falar pra secar algumas lágrimas que voltaram a cair.
— Está tudo bem, continue. — Chris disse afagando meus cabelos.
— Eu levei Scot até a minha casa, e disse aos meus pais que precisava contar uma coisa, mas quando eu disse que éramos namorados meu pai se descontrolou. Ele fez um discurso gigante sobre como isso era errado, e que iriamos queimar no inferno. Então Scot fez uma besteira, não foi nada de mais, ele apenas disse que não se importava com isso, e que amor era amor, mas meu pai viu isso como uma ofensa. Ele bateu no Scot, eu tentava fazer-lo parar, mas minha mãe me segurou. Meu pai então levantou Scot pelo pescoço, e o empurrou contra a parede, não houve tempo de nada, quando eu fui ver, ele já estava sem respirar. Depois disso, meu pai foi preso e minha mãe foi morar em outro país, com a ajuda da minha tia Carol eu comprei essa casa, terminei o ensino fundamental e agora trabalho como fotógrafo, eu tenho uma boa vida, ela me manda dinheiro todo mês, só não me visita porque mora muito longe e tem filhos pequenos pra cuidar. Mas...o que meu pai fez, e o que vi naquele dia sempre vão me assombrar em pesadelos e lembranças. Ele matou Scot e foi tudo culpa minha.
Quando acabei de contar, Chris parecia chocado, ele apenas me abraçou com força. Era tudo o que eu precisava naquele momento.
— Você deveria ter me contado isso antes... — Ele se afastou um pouco e olhou em meus olhos, vi que ele também estava chorando. — Olha, eu nem sei sua opinião a respeito disso, mas eu te amo...e eu quero ficar com você até o ultimo dia de nossas vidas. Não importa o que os outros digam.
Aquilo me pegou de surpresa, Chris estava corado, e seus olhos buscavam por respostas nos meus.
— Eu...eu também te amo. Você é a única pessoa que me faz esquecer o que aconteceu.
Depois disso Chris se deitou na cama comigo e ficamos abraçados por um tempo até que o sono chegasse. Finalmente, eu havia dito a verdade a ele e sua reação foi a melhor possível. Finalmente dormi em paz, sem medos, sem ressentimentos.
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