I Will Be Your Protector
8 Let Me Be The One Who Calls You Baby All The Time
Notas iniciais
" Finalmente dormi em paz, sem medos, sem ressentimentos."
-Alex POV-
Acordei com o sol entrando timidamente por entre as cortinas, olhei ao meu lado e vi Chris dormindo tranquilamente. Encarei o teto pensando no quanto estava arrependido por ter contado aquilo a ele. Chris reagiu bem, me apoiando e dizendo aquelas coisas pra mim, mas eu sentia que não estava pronto pra contar, e sentia que ele não estava pronto pra ouvir. Eu tentei de verdade não contar nada sobre Scot, mas algo dentro de mim empurrou as palavras pra fora da minha boca, eu não sabia se realmente era amor. "- Eu...eu também te amo. Você é a única pessoa que me faz esquecer o que aconteceu." As palavras voltaram com tudo a minha mente.
Chris me fazia pensar em coisas boas, e deixar de lado a tristeza, mas será que eu o amava mesmo? Claro, eu sentia algo mais por Chris, tanto que não o impedi nas vezes que ele me beijou. Só não sabia se isso que sentia por ele era amor. Meus pensamentos foram interrompidos por um leve movimento na cama.
— Bom dia. — Chris se sentou e apoiou as costas na cabeceira da cama. — Está melhor?
— Sim...obrigado por...você sabe...me apoiar. — Respondi meio corado.
Ele ascentiu e se inclinou um pouco em minha direção, eu imaginei que ele quisesse me beijar, então eu gentilmente me afastei. Chris me olhou com uma expressão interrogativa, então eu me sentei de frente pra ele, para que pudesse olhar em seus olhos.
Eu não queria rejeitá-lo, mas tinha que organizar meus pensamentos, eu não sabia se era o certo a fazer, tinha medo que acontecesse com ele o mesmo que aconteceu com Scot.
— Olha Chris, eu realmente queria que tivéssemos algo mais sério, mas eu...tenho medo, tenho medo de te acontecer o mesmo que aconteceu ao Scot...Não pense que é por não gostar de você, pelo contrário até, é exatamente por gostar de você que eu tenho esse medo... — Parei de falar quando senti seus braços em volta do meu pescoço.
Aquele garoto conseguia qualquer coisa de mim, conseguia fazer com que eu falasse ou ficasse quieto, me fazia lembrar de seu sorriso todas as noites, me fazia sentir calafrios quando se aproximava muito...
— Alex, eu não tenho medo do que os outros pensam, quanto aos meus pais...eles nunca fariam nada parecido. Eles já conversaram muito comigo sobre essas coisas, mas foi só quando te conheci que tive a certeza de que não gostava de meninas. — Ele deu um risinho. — Olha, eu nunca esconderia o que sinto por você, e meus pais nunca iriam me julgar por eu ser quem eu sou.
Eu não consegui dizer mais nada, ele me sugou todas as palavras e todas as formas que eu tinha de protestar, e foi assim, com algo tão simples e ao mesmo tempo tão sincero que Chris me fez ter a certeza de que eu o amava.
Então ele me beijou, não como das outras vezes, dessa vez um beijo mais intenso, talvez um pedido mudo para confiar nele, e dizendo que tudo daria certo. Nos separamos quando o ar faltou e eu pude ver em seus olhos que ele tinha algo a dizer.
— Você que falar alguma coisa? — Perguntei tentando o induzir a falar.
— Eu...não quero que me esconda mais nenhum segredo ok? Eu só quero te ajudar, então você pode me contar o que quiser.
Tinha sim mais um segredo, algo que eu tentava esconder até de mim mesmo, nunca contei nem mostrei isso a ninguém, mas talvez fosse a hora de me abrir...
— Vamos. — Chris disse tentando me convencer a contar. — Eu vejo em seus olhos que você tem algo guardado aí. Eu não quero te julgar, apenas ajudar.
Fechei os olhos por um minuto e respirei fundo, eu já havia contado minha história toda a ele, então acho que devia mostrar suas consequências...Fui levantando as mangas da minha blusa lentamente e quando acabei apoiei os braços nos joelhos.
Chris tinha uma expressão de horror, eu sei que ele não estava esperando por aquilo, seus olhos se encheram de lágrimas e ele passou as pontas dos dedos delicadamente sobre os diversos cortes em meus braços, alguns mais fundos, outros mais leves e uma série de cortes no braço esquerdo formando uma palavra.
— "Hope". — Chris leu quase em um sussurro.
— Eu...eu sei que...isso é estranho...mas se tornou...um vício...o único jeito de me fazer esquecer tudo o que passei... — Direcionei meu olhar pra chão, mas Chris tocou meu rosto gentilmente com as pontas do dedos, me fazendo olhar em seus olhos.
— Não fique triste, não se sinta culpado, bloqueie os sentimentos ruins, eu sei que não tem muito o que eu possa fazer, mas eu quero te ajudar. Não quero que se esqueça de Scot, apenas das coisas ruins que aconteceram, eu só quero que você pense nisso como uma etapa da sua vida que ficou no passado, traga com você apenas as lembranças boas, eu vou estar sempre aqui pra te apoiar, não importa o que aconteça, não importa o julgamento dos outros, agora somos só eu e você, ok?
— Você precisa é parar de me fazer ficar sem palavras. — Respondi corado, sorrindo enquanto abaixava as mangas da minha blusa. — Fico me sentindo um idiota sem ter nada pra responder.
Ele riu e me abraçou, finalmente, eu havia contado tudo, não sabia se deveria mesmo tê-lo feito, mas eu confiava em Chris, talvez eu poderia finalmente ter mais motivos pra sorrir.
— A gente bem que poderia dormir mais um pouco né? Eu to morrendo de sono. — Chris disse coçando os olhos e se deitando novamente.
— Fazemos assim, eu vou tomar um banho e ir fazer café da manhã, que no caso já nem é tão da manhã. — Ele riu e se cobriu até o rosto com o cobertor escuro.
Me levantei e fui tomar um banho, tentei fazer com que a água levasse todas as incertezas, quando terminei, enrolei uma toalha na altura da cintura e fui meio que correndo pro quarto, ainda estava frio, mas de qualquer forma eu havia deixado minhas roupas lá. Dei a volta na cama e comecei a revirar as gavetas da cômoda.
— E como é que eu me concentro no sono, hein? — Me assustei com a voz do Chris enchendo o cômodo silencioso, me virei pra vê-lo sentado na cama e rindo. — Já ia ser difícil voltar a dormir, e você me aparece desse jeito! — Seu olhar passou das minhas cicatrizes, para as gotas de água que ainda escorriam pelo meu corpo. Foi impossível não ficar corado.
— Ah, e você me assustou. Agora vire-se eu quero me vestir logo. — Ele deu um risinho meio bobo, e se cobriu até a cabeça. Eu não consegui evitar de rir também.
Quando acabei de me vestir me sentei na cama e puxei levemente o cobertor que cobria seus olhos.
— Você não pretende ficar aí o dia todo certo? — Acariciei seus cabelos, o que fez ele prestar atenção em mim.
— Na verdade eu pretendia sim, mas você não vai deixar não é? — Chris perguntou fazendo um biquinho meio infantil, o que era extremamente fofo.
— Bom, eu ia te chamar pra ir ao shopping dar uma volta, mas já que você quer dormir o dia todo... — Eu não tive tempo de completar a frase, senti seus braços me envolvendo e seus lábios tocando delicadamente os meus.
— É claro que eu quero ir. — Ele se levantou, pegou a mochila e foi em direção ao banheiro.
Eu me levantei pra fazer o café da manhã. Lavei alguns morangos e outras frutas, e fiz café, que era geralmente meu único alimento de manhã. Coloquei duas xícaras e um pote com as frutas em cima do balcão. Alguns minutos depois ouvi a porta do banheiro sendo aberta, e vi Chris sair sorridente e se sentar em uma das cadeiras em frente ao balcão.
— Hmmm morangos. — Ele pegou alguns morangos e foi comento lentamente, tentador, pensei. — Você não vai comer nada?
— Não, só vou tomar café, eu não como de manhã. — Respondi bebericando o líquido quente e escuro na minha xícara. — Quando acabarmos de comer, podemos sair, e depois de ir ao shopping podemos alugar alguns filmes, o que você acha?
— Grande ideia. — Ele respondeu comendo mais um morango.
Acabamos de comer e limpamos a pouca bagunça que fizemos. Depois disso fui até o quarto trocar de roupa. Coloquei uma calça jeans escura, uma camiseta preta com um desenho do Slender Man nela, um casaco azul escuro e coturnos.
Andei até a sala pra encontrar Chris sentado no sofá, ele certamente foi se vestir no banheiro. Ele se levantou e sorriu pra mim, então eu pude ver o que ele estava usando. Calça jeans preta rasgada no joelhos, uma blusa de moletom vermelha com capuz, e o tênis all star preto.
— Nós vamos agora? — Ele disse animado.
— Sim nós vamos. — Peguei alguns itens como carteira e celular, tranquei a porta e começamos a caminhar pelas ruas. Depois de alguns passos em silêncio, senti a mão de Chris se agarrando a minha. Eu olhei em sua direção, mas ele continuava a olhar pra frente. Talvez ele tivesse medo de que eu me soltasse. Só o que fiz foi apertar levemente sua mão, e depois o vi sorrindo meio corado.
Andamos mais algum tempo e chegamos ao shopping, e lógicamente eu tinha um objetivo lá dentro. Logo que entramos Chris já foi me arrastando pra cada loja interessante que ele via, eu achei aquilo extremamente fofo. Até que ele ficou maravilhado com uma loja onde eram vendidos e colocados piercings.
— Seus pais não ficariam bravos? — Perguntei confuso.
— É claro que não, eles nunca se importaram com isso, e você o que acha?
— O que eu acho?
— É ué, eu preciso saber sua opinião já que você agora é meu...aw. — Eu me segurei muito pra não rir, ele tinha ficado confuso em relação a o que éramos um do outro. Ele estava muito corado e visivelmente arrependido.
Então e segurei seu rosto delicadamente entre minhas mãos e olhei em seus olhos.
— Agora que eu sou seu namorado? — Eu não sei se ele ficou aliviado ou mais envergonhado ainda, de alguma forma ele estava ainda mais vermelho e olhando constantemente para o chão.
— B-bem...é...eu acho... — Aquilo era muito fofo e muito engraçado. Eu me aproximei dele e selei nossos lábios delicadamente. Quando nos separamos ele parecia mais calmo, e agora tentava não rir da própria situação.
— Calma, não precisava ficar envergonhado daquele jeito. E a propósito, eu acho que você ficaria lindo com um piercing.
Chris sorriu e foi entrando na loja, eu ia junto mas ele me mandou esperar na praça de alimentação. Ótimo, assim teria tempo pra comprar o que pretendia.
-Chris POV-
Acho que nunca tinha ficado tão envergonhado em toda a minha vida, e agora esse sentimento se misturava com o medo, eu sabia que iria doer, mas estava determinado.
Conversei um pouco com o homem que estava na recepção, ele tinha cabelos curtos e loiros, e várias tatuagens e piercings. Depois de decidir o que queria ele me levou até uma pequena sala atrás do balcão, colocou luvas e máscara antes de me perguntar se eu estava certo do que eu queria. E eu não tinha dúvidas, iria colocar um piercing no lábio inferior, no canto direito pra ser mais exato.
A dor não foi insuportável, dava até pra aguentar, mas era bem incomodo. Depois que ele acabou pude ver o resultado no espelho, meu lábio estava um pouco vermelho e um pouco inchado, mas isso iria passar em pouco tempo. Ele deu as recomendações de como limpar o local e tudo mais, e depois sugeriu que eu tomasse sorvete, pois iria ajudar na cicatrização. Depois de pagar fui procurar por Alex na praça de alimentação.
O encontrei sentado em uma mesa um pouco afastada, quando me aproximei ele ficou surpreso.
— Nossa! Você ficou lindo...muito mais do que já era. — Sim eu corei ouvindo isso.
— Que bom que gostou. Demorei muito?
— Não...e eu tenho uma coisa pra você. — Alex disse tirando uma caixinha de dentro do bolso.
— Você não precisava comprar nada pra mim, já vou ficar quatro dias na sua casa me aproveitando do seu dinheiro e boa vontade. — Ele rolou os olhos e voltou a falar.
— Não seja bobo, e além do mais isso não é só pra você, é pra nós dois. — Agora eu estava ficando curioso.
Alex me fez sentar na sua frente e fechar os olhos, ele estava me matando de curiosidade.
— Ok, pode abrir. — Ele disso poucos segundos depois.
Quando abri os olhos vi a caixinha aberta e dentro dela haviam duas alianças. Sim, agora eu definitivamente estava corado e muito envergonhado.
Ele pegou uma das alianças e colocou no meu dedo, eu fiz o mesmo com a outra. Era prateada e no lado exterior estava escrito "Hope" eu estava bastante emocionado.
— Olha Chris, eu sei que talvez nós possamos estar indo muito rápido com isso, mas essas alianças são só uma prova do que eu sinto por você. Eu quero que você sempre se lembre de que você é, e sempre será a minha única esperança.
Não consegui pensar em nenhuma resposta, apenas o abracei o mais forte que pude, e não consegui evitar lágrimas quentes descendo pelos meus olhos.
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