I Will Be Your Protector
9 You Can Run Away With Me Anytime You Want.
Notas iniciais
"Não consegui pensar em nenhuma resposta, apenas o abracei o mais forte que pude, e não consegui evitar lágrimas quentes descendo pelos meus olhos."
-Alex POV-
Abracei Chris de volta e afaguei seus cabelos, senti suas lágrimas molhando minha roupa e suas mãos passeando levemente pelas minhas costas.
— Hey, não chore. — Segurei seu rosto entre as mãos. — Eu quero te ver sorrindo.
Ele deu um risinho e me fitou com os olhos infantis levemente avermelhados.
— Então você gostou do piercing? — Chris disse direcionando o olhar para a aliança recém colocada em seu dedo.
— Gostei. Doeu muito? — Perguntei passando os dedos por seu lábio levemente inchado.
— Um pouco, o cara da loja me disse que era pra eu tomar sorvete, porque vai ajudar na cicatrização.
— E você só vai tomar sorvete porque vai ajudar a cicatrizar, né? — Disse tentando segurar o riso.
— É, farei esse sacrifício. — Ele respondeu fazendo drama.
Depois disso nós tomamos sorvete e conversamos durante um tempo. Era mais ou menos onze horas quando resolvemos ir alugar alguns filmes.
A locadora não era muito grande, logo na entrada tinha um balcão a direita, e mais a frente várias prateleiras com jogos e filmes.
Andamos até a seção de filmes de terror e depois de alguns minutos em silêncio Chris se pronunciou.
— Esse parece bom. — Ele disse pegando um filme da prateleira e lendo o nome em voz alta. — A casa de cera, o que acha?
— Legal, vamos levar esse e mais um.
Saímos da locadora levando A casa de cera e Terror em Silent Hill. Quando chegamos em casa já era quase meio dia.
— Está com fome? Quer comer alguma coisa? — Perguntei vendo Chris se sentando no sofá.
— Não muita, mas eu tomei sorvete no shopping e comi morangos antes de sair. E você? Não comeu nada. — Ele respondeu me olhando preocupado.
— Eu estou bem, não se preocupe. Estava pensando em irmos ao lago, a sua primeira aula de patinação não foi muito produtiva. — Disse tentando mudar de assunto.
— Eu só vou se você comer alguma coisa. — Chris falou cruzando os braços.
Sem dizer nada andei até a geladeira, peguei uma maçã, voltei até a sala e me sentei ao seu lado.
— Satisfeito? — Falei depois de engolir o pedaço que havia mordido.
— Sim, muito. — Ele respondeu sorrindo.
Peguei meus patins e os do Chris, pois ele se recusou a pegar os dele dizendo que estava com preguiça de carregar, e andamos calmamente em direção ao lago.
Chegando lá não vimos muitas pessoas, só algumas crianças correndo e jogando bolas de neve umas nas outras.
Andei até um banco e me sentei pra colocar meus patins, mas reparei que Chris ficou parado ao lado.
— Qual o problema? — Perguntei confuso.
— Eu...só estou com...medo. — Ele respondeu olhando para a neve em seus tênis.
— Hey, não precisa ter medo, eu vou estar aqui pra te ajudar. Mas você vai acabar caindo uma hora ou outra. — Nessa hora ele me olhou mordendo levemente o lábio inferior. Me segurei pra não sorrir.
— Não tem como evitar, meus maiores machucados foram feitos assim.
Chris não disse nada, apenas se sentou e colocou rapidamente seus patins. Quando terminou ficou em pé e me puxou levemente pela mão.
— Vamos de uma vez então, ou vou adiar isso tanto que o inverno vai acabar. — Ele disse rindo baixo.
Dessa vez foi um pouco mais fácil, Chris não estava sentindo tanto medo, e parecia bem concentrado. Ele se desequilibrou algumas vezes mas não caiu. Ou pelo menos foi o que eu pensei.
— Ah cara! Isso dói bem mais do que eu imaginei. — Ele grunhiu sentado no banco segurando fortemente o joelho esquerdo.
— Deixa eu ver. — Disse retirando sua mão do local.
É ele havia se machucado bastante, não chegou a rasgar seu jeans, mas eu podia ver o sangue manchando parte da sua calça do joelho pra baixo.
— Droga, isso é culpa minha, eu deveria ter sido mais cuidadoso... — Chris me interrompeu pressionando levemente os dedos contra a minha boca.
— Você disse que eu ia acabar caindo mesmo. — Eu ia protestar mais ele continuou falando. — E não deve ter ficado tão machucado, vamos logo pra casa, então a gente vê o que faz.
Eu apenas ascenti. Tentamos ir andando mas a cada dois passos Chris reclamava de dor, por isso eu acabei levando ele no colo. Quando chegamos em casa ele se sentou no sofá, e eu fui procurar tudo o que precisava pra tratar o machucado. Peguei uma caixa com ataduras e remédios dos mais variados tipos.
— Você tá brincando comigo né? — Quando cheguei até a sala, a primeira coisa que vi, foram os jeans manchados de sangue jogados no chão ao lado do sofá. Chris estava apenas de camiseta e boxers pretas. — E você quer que eu me concentre no machucado?
— Para de brincadeira, tá doendo. — Ele riu e direcionou o olhar para a pele branca, agora em um tom vermelho vivo.
Suspirei e me ajoelhei à sua frente, o corte era bem grande. Pressionei uma toalha no local a fim de estancar o ferimento, e vi Chris segurando fortemente uma das almofadas.
— Machuquei você? — Peguntei preocupado.
— Bom...um pouco, mas não é culpa sua. E eu não vou ficar com frescura, quero que isso acabe logo. — Ele respondeu mordendo o lábio inferior.
Tentei ser o mais rápido que pude na tarefa de limpar o ferimento, quando terminei de enfaixar com gaze ataduras e todas essas coisas necessárias, Chris já parecia sentir menos dor.
— Bom, acabei...você...vai ficar assim? — Me referi a pouca quantidade roupas que ele vestia.
— Sim. — Chris disse sorrindo cínico e se deitando no sofá. — Vou me aproveitar do fato de você ter um aquecedor na sua casa.
Rolei os olhos e me sentei no sofá, colocando suas pernas sobre meu colo.
— Você não tem ideia do risco que está correndo garoto. — Falei afagando seus cabelos.
— Por que a gente não vê aqueles filmes hein? Senhor pervertido. — Ele disse de olhos fechados.
— Boa ideia, preciso e distrair com alguma coisa.
Me levantei e fui até o quarto trazendo um cobertor, coloquei primeiro A casa de cera. O filme estava interessante pra mim, mas depois de vinte minutos de filme, Chris já estava dormindo com a cabeça apoiada sobre o meu colo.
— Essa música é legal. — Ele disse assim que o filme acabou, o que fez eu me assustar. A música era Helena do My Chemical Romance.
— Nossa, você me assustou, eu já ia te acordar.
— Não precisou. — Ele respondeu coçando os olhos. — Que horas são?
— Umas seis horas. Você não vai conseguir dormir a noite.
— Você duvida? — Chris falou rindo um pouco. — Mas vamos ver logo o outro filme, a parte mais legal desse foi a música do final.
Coloquei Terror em Silent Hill, e esse nós dois vimos inteiro. Inclusive vimos o final umas duas vezes pra conseguir entender.
— Ok esse foi assustador. — Chris disse me abraçando e escondendo o rosto na curva do meu pescoço. — Não pense que eu vou dormir naquele colchão hoje sabendo que o Pyramid Head pode me pegar a qualquer momento.
— Não se preocupe, é óbvio que você vai dormir na cama comigo, nada de ruim vai te acontecer. — Me levantei e estendi a mão, que foi rapidamente aceita. — Vamos comer alguma coisa, a gente só comeu porcarias o dia todo.
Optamos por comer comida congelada, quando terminamos fui limpar a bagunça que fizemos na sala com embalagens de doces e outras porcarias que aparentemente fazem mal à saúde. Ouvi Chris pegando coisas na sua mochila no quarto e entrando no banheiro.
-Chris POV-
Entrei no banheiro carregando algumas roupas, juro que fiquei uns cinco minutos parado pensando em como iria tomar banho com o joelho enfaixado. Acabei lavando o corpo todo, menos a perna esquerda que eu só molhei com as mãos. Foram uns longos minutos quase fazendo malabarismo pra não molhar o machucado. Quando finalmente acabei, me vesti com uma calça de moletom preta, que eu dobrei a perna esquerda até acima do joelho, meias e uma blusa com capuz vermelha com um grande Angry Bird nela.
Saí do banheiro e encontrei Alex sentado no sofá. Quando ele me viu sorriu bobamente.
— O que foi? — Perguntei andando em direção ao quarto.
— Você tá muito fofo sabia?
— Ah Alex, para. Nós dois sabemos que eu estou ridículo. — Respondi corando.
— Eu não acho. Vou tomar um banho, você pode ir se deitando se quiser, eu não demoro. — Ele disse indo até o banheiro.
Entrei no quarto e coloquei as roupas que vestia na mochila, inclusive a calça ensanguentada, acho que poderia dar um jeito nela mais tarde. Me deitei na cama e fechei os olhos, tinha uma facilidade enorme pra dormir.
Acordei sentindo uma pressão nos meus lábios, Alex, sorri quase involuntariamente e segurei seu rosto levemente, nos separamos quando o ar faltou, mas sem nos distanciar muito um do outro.
— Te acordei? — Ele perguntou acariciando meu rosto.
— Sim, mas não tem problema, eu posso voltar a dormir. — Respondi fechando os olhos.
Ouvi Alex rindo e se ajeitando melhor na cama, apoiei minha cabeça em seu peito. Uma de suas mãos na lateral do meu corpo, a outra segurando minha mão esquerda.
— Sabe, hoje foi um dia legal. — Falei quase sussurrando. — Mesmo eu tendo perdido incontáveis litros de sangue.
— Quase deixou um rastro do parque até aqui. — Ele respondeu rindo. — Mas foi legal cuidar de você.
Apenas sorri e fechei os olhos, imaginando que nunca estive tão feliz. Não só por mim mesmo, minha maior recompensa era ver Alex sorrindo, e seus olhos brilhando.
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