I Wanna be With You. - Segunda Temporada.
18 Capítulo 18 - The meeting of myths.
Notas iniciais
– Char? – Chamou Quinn enquanto batia na porta de madeira, logo em seguida adentrando o quarto. –
A garota retirou os fones de ouvido e descansou-os nos ombros, em seguida girando a cadeira até ficar de frente com sua mãe.
– Sim? – Pediu, sem desviar o olhar dos olhos dourados. –
– Bem ... sabe, sua mãe me pediu para falar com você ... – Ela sentou-se na cama, coçando nervosamente a cabeça. –
– Eu não fiz nada. – Defendeu-se arqueando as sobrancelhas, e Quinn deu um riso fraco. –
– N-não é sobre ... o que quer que você tenha feito. É sobre ... bem, relações adultas, se é que me entende. –
Charlie encarou-a surpresa e sentiu as bochechas esquentarem, assim como Quinn. Aquela situação era no mínimo desconfortável para as duas.
– Tipo ... sexo? – Perguntou, desviando o olhar para um ponto alheio na parede. –
– É. Você começou a ... namorar – Ela praticamente cuspiu as palavras. – e eu e sua mãe achamos que seria melhor conversar com você sobre isso, afinal nós somos apenas dezesseis anos mais velhas que você. –
A garota assentiu, e Quinn engoliu em seco, tendo um certo receio em continuar; Apesar de ser função dos pais ensinarem isso aos filhos quando a idade chegasse, ela nunca conseguiria imaginar Charlie de outra maneira se não fosse aquele bebê recém-nascido em seus braços no quarto de hospital alguns anos atrás.
– Você sabe que nós somos parecidas, e que nunca deverá fazer nada sem proteção, ok? –
– Mãe, eu não sou idiota. – Respondeu a garota, revirando mentalmente os olhos. –
– Eu também achava que não era, mas foram só alguns goles e nove meses depois você nasceu. – Ela levantou-se e colocou a mão no ombro de Charlie, logo depois retirando-se do quarto. –
A garota continuou encarando um ponto aleatório na parede sem dizer nada, refletindo sobre o que Quinn lhe falou. Talvez ela devesse ter dito que não havia iniciado sua vida sexual com Chloe e nem pretendia tão cedo, mas era melhor deixar no vácuo até Quinn acabar esquecendo-se completamente, coisa que iria demorar muito.
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– Eu ‘tô falando, não é porque o Homem-Aranha é seu super-herói favorito que ele ganharia do Batman! –
– Não é porque o Batman é seu super-herói favorito que ele ganha do Homem-Aranha. – Rebateu Emily, com um copo de café em uma mão enquanto com a outra decidia qual revista em quadrinhos comprar. –
Charlie apenas revirou os olhos e decidiu que pararia de discutir, afinal uma Emily convicta não mudaria de ideia até presenciar o contrário.
A garota estava concentrada enquanto esperava o Capitão América perder para o Deadpool, quando o barulho do sino em cima da porta chegou aos seus ouvidos, e numa ação involuntária ela virou-se para ver quem adentrou a loja.
– Tia Marley? – Indagou ela assim que viu a morena mexendo no celular enquanto escutava música em seus fones de ouvido. –
A morena virou-se para a prateleira onde Charlie e Emily se encontravam, logo retirando os fones de ouvido e sorrindo para as garotas.
– Hey, Char! – Ela socou fraco o ombro da garota loira, que socou o seu de volta. –
– E essa é quem mesmo? – A mulher arqueou uma sobrancelha, e Charlie revirou mentalmente os olhos. –
– Emily. Emily Junk. – A garota morena encarou-a, com o mesmo semblante confuso de Marley. –
– ... Junk? Tipo, sucata? – Indagou a mais velha, e Emily assentiu. –
– Era o sobrenome da minha mãe ou o sobrenome do meu pai. Você não vai querer saber qual é, aliás. –
– Justo. – As duas concordaram em sincronia, e Charlie arqueou as sobrancelhas. Como duas pessoas que quase nunca se viam e nem tinham parentesco podiam ser tão estranhamente parecidas? –
– Mas ... você faz o que aqui, tia Marley? –
– Ah, é! Eu vim comprar o figure-action novo do Agente Venom. – Respondeu a mulher sorridente. –
– Saiu um novo?! – Emily praticamente gritou, chamando atenção de todos na loja. A morena deu um riso sem graça e logo voltou a ser ignorado pelos outros nerds que liam ou compravam alguma coisa. –
– Sim! Ele vem com o Anti-Venom no cenário, também! – As duas começaram uma conversa estranha sobre suas coleções de bonecos em uma bolha própria, deixando Charlie de lado. –
A loira aproveitou a situação e acabou ‘roubando’ o café de Emily que havia sido completamente esquecido, voltando a atenção para a prateleira de quadrinhos a sua frente, enquanto as duas concordavam e discordavam da mesma coisa de maneira sincronizada, pareciam duas irmãs. Assustador.
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Charlie e Chloe beijavam-se com vontade e desejo enquanto a loira, encaixada entre as pernas da ruiva, pressionava-a contra o piano na sala do coral deserta. Suas mãos apertavam a bunda da ruiva, roçando as intimidades cobertas pelas roupas.
– Chlo, acho que eu esqueci minha jaqueta aqui ... ow ... – Disse uma Aubrey um tanto constrangida, e as logo separaram-se, ajeitando as roupas e os cabelos revoltos. –
– Esqueceu, é? – Indagou a ruiva, enquanto corava, sem saber se era pela situação que se encontrava com Charlie ou pelo fato de ter sido flagrada. –
– A-aham ... – Ela gaguejou, antes de fisgar a jaqueta das líderes de torcida e sair murmurando algo sobre ir embora, logo deixou a sala na mesma velocidade em que entrou, arrancando um riso anasalado vindo de Charlie. –
O casal entreolhou-se e deram de ombros.
– Char, o que você tem no bolso? – Perguntou Chloe, enquanto terminava de juntar suas coisas em sua bolsa. –
– Anh?! É ... isso é ... m-meu celular. – Respondeu enquanto sentia as bochechas esquentarem; Dizer a verdade não seria fácil. –
– Não estava na sua mochila? – A loira praticamente encolheu-se, e daria qualquer coisa para que um buraco se abrisse na sala e ela pudesse entrar e nunca mais sair. –
– Estava? – Indagou, sem manter contato visual com os olhos azuis. –
– Estava, eu acho. – Ela deu de ombros, e a loira sentiu que poderia vomitar a qualquer momento, o que graças a Deus não aconteceu. –
– Certeza? –
– Char, o que foi? – Perguntou a ruiva desconfiada, arqueando uma sobrancelha alaranjada. –
– N-nada! Nada, absolutamente nada! – Respondeu, seguindo com um riso nervoso. –
– Eu sou sua namorada e te conheço muito bem! O que foi? – Insistiu ligeiramente nervosa, e Charlie soltou o ar que nem sabia que havia segurado e resolveu dizer a verdade. –
– É uma coisa complicada, talvez você nem saiba que realmente exista, mas minhas mães nunca usaram inseminação ou coisa assim ... minha mãe Quinn é intersexual, e a tal de ‘mutação genética’ passou pra mim, eu acho ... tipo, meio que eu herdei, sacas? Eu sou, hm ... pseudo-hermafrodita. –
Um silêncio um tanto desconfortável instalou-se na sala, enquanto uma Charlie extremamente corada fitava um ponto qualquer na parede.
– Você está me dizendo que sente vergonha de me dizer isso? Char, eu te amo e não importa como você é, ok? – A ruiva puxou-a para um abraço, depositando um selinho demorado nos lábios da loira. –
– Espere ... e-então, você não me acha estranha, ou anormal, ou uma aberração? – Indagou, um tanto confusa. –
– Incomum, especial, não anormal. Você é perfeita assim. – Ela sorriu, ainda com os lábios roçando os de Charlie. –
A loira apertou-a num abraço um tanto quanto exagerado, levantando-a do chão no processo.
– Eu te amo. – Sua voz saiu em um sussurro, enquanto seu queixo apoiava-se no topo da cabeça ruiva. –
– Eu também te amo. – Respondeu no mesmo fio de voz, escondendo seu rosto na regata branca por dentro da camisa de flanela azul. –
As duas continuaram assim por minutos, apenas curtindo o abraço e aproveitando o momento juntas, até que o clima foi cortado por algumas batidinhas na porta, dessa vez Beca estava escorada no batente, com os braços cruzados e um sorriso malicioso no rosto.
– Vocês podem arrumar um quarto, sabiam? Já passou um pouquinho da hora de ir embora, vão acabar nos prendendo aqui, e já não basta a manhã inteira, então ... vamos? – Indagou a morena, e Charlie assentiu. –
Ela pegou sua bolsa e em seguida a de Chloe, antes de sair da sala. Aquilo era como um ritual, Charlie sempre puxava as cadeiras, carregava as bolsas, sacolas e livros e como qualquer casal que tenha um relacionamento saudável, escutava-a tagarelando sem questionar e sempre concordava com o que lhe era perguntado, coisa que aprendeu com tantos anos de experiência com suas mães.
As duas saíram de mãos dadas, segurando-se o caminho inteiro para não rir de Aubrey, que parecia traumatizada com o que havia visto na sala do coral, mesmo que para elas não tenha sido absolutamente nada.
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