I Still Believe
9 Um sistema falho
Notas iniciais
ATUALMENTE
— Não, Regina! – Emma falou em tom alto.
Ela estava diante de Regina, a qual permanecia imóvel na poltrona da casa que dividiam, um olhar abatido pendurado no rosto. Elas estavam discutindo a respeito da operação contra o novo vilão de Storybrooke, e, mesmo sabendo que elas podiam estar em vantagem com o Feitiço Localizador e encontrar as porcelanas roubadas, Emma ainda não queria arriscar ninguém nessa missão praticamente suicida.
Ela não sabia quem encontraria pela frente e tinha medo de causar mais terrores nos seus familiares. Regina tinha sofrido muito nesses últimos anos e tinha sido atacada há pouco tempo. Era difícil demais aceitar o fato de enfiá-la naquela briga sangrenta sem pensar em perdê-la a qualquer momento.
— Por que você quer me privar disso? Minha vida também está em jogo e eu sei me virar! – Regina retrucou, mas a voz permanecia neutra. Provavelmente ela não queria se exaltar demais, visto que a esposa estava completamente tensa e irritada.
— Eu quero protegê-la. Eu não suportaria se perdesse você, Regina. Eu não quero que você se machuque.
— Emma – Regina se ergueu, tomando impulso para respirar e pensar nas próximas palavras. – Meu amor, eu sei que você está tentando me proteger. Eu agradeço a preocupação. Mas você está esquecendo que eu também sou capaz de ser útil nessa jornada.
Emma abaixou a cabeça em sinal de concordância, embora temesse tudo de ruim que estava por vir. Sentia-se abalada demais por conta da visão e ainda mais indignada por não conseguir contar o que viu. Obviamente tinha medo da reação da família e não queria que eles sofressem ainda mais com os acontecimentos. Tudo parecia se ajeitar, mesmo com as ameaças, e ela não queria tirar isso tão de repente.
— Eu só não aguentaria – ela mordeu os lábios.
A agonia era evidente, mas ninguém de fora conseguiria dizer o que estava se passando dentro da cabeça da Salvadora, uma vez que ela conseguia ser um ponto de interrogação ambulante. Embora confiasse nas pessoas das quais amava, ainda temia que eles se decepcionassem, por isso fazia de tudo para evitar o fim trágico. Dentro da sua consciência sabia que era errado esconder tantos eventos importantes, como a visão propriamente dita, mas essa era sua maneira de proteger todos.
Regina fez menção de abraçá-la e, carente de contato, deixou ser preenchida pelo toque. Apoiou-se nos braços da esposa e apertou suas costas com vontade estampada de fazê-la ficar ali, sem mover um músculo. Elas ficaram nessa mesma posição por alguns minutos, apenas no abraço quente e confortante, separando-se em seguida. Fitaram-se e abririam um sorriso tímido, mas sincero.
Emma se adiantou para beijá-la nos lábios e umedecer os próprios com o desejo transbordando da boca dela. Liberou toda luxúria e paixão no ato, envolvendo-a outra vez com os braços e levando-a para a poltrona vazia. Elas se beijavam fervorosamente. Emma aproveitou da agilidade para abrir os botões da blusa da esposa e levar ambas mãos para apalpar a pele febril dela. Acariciou e apertou, arranhando-a com extrema precisão e sentindo-a contorcer no assento.
Regina estava por baixo e fazia questão de se manter assim. Ela puxou a outra para o seu colo e deixou ser despida por ela, mordendo os lábios de prazer e pedindo mais no sincero gemido escapando da boca. Emma agachou um pouco para beijá-la no pescoço e trilhar todo o corpo exposto dela.
Elas estavam sozinhas em casa, de modo que se sentiram libertas para fazer o que estavam sonhando há dias – ou anos –, usufruindo de todo desejo guardado. Regina tinha esperado ainda mais pelo contato vigoroso e, por mais que Emma tentasse entender como o tempo tinha se passado em Storybrooke desde que partira, ainda era difícil assimilar os eventos.
Emma deixou a mulher retirar sua roupa também, ajudando-a no processo para adiantá-lo. Ela estava eufórica e não queria conversa naquele momento, apenas senti-la com todas suas forças. Assim que as peles se tocaram pela primeira vez desde muito tempo, ambos corpos estremeceram juntos, como se estivessem em sintonia. Regina segurou o seu corpo desnudo contra o dela, arrastando uma mão ousada para entre suas pernas já molhadas.
Emma se remexeu contra os dedos feitos para se encaixarem perfeitamente com sua intimidade. Ela soltou um gemido alto demais e fechou os olhos. Regina rapidamente selou os lábios na tentativa de abafar o som, enfiando devagar três dedos para dentro dela.
Remexendo-se com vontade, Emma precisou quebrar o beijo para respirar, porque a falta de ar era clara naqueles momentos. Mas o afastamento durou pouco; no segundo seguinte, ela estava novamente desfrutando da língua dela em uma valsa amorosa e selvagem.
Os corpos iam ficando levemente suados e colavam um no outro, mas a conexão só contribuía para aumentar o prazer delas. Regina segurava firme a outra no seu colo, introduzindo com cuidado os dedos e estocando com mais intensidade a cada segundo que se passava. Vê-la tão entregue era o melhor dos presentes e parecia que nenhum mal existia no mundo.
— Isso... Regina... – Emma gemia, segurando a cabeça dela e movimentando-se em cima dos dedos.
Emma chegou no ápice sem muito esforço, soltando os espasmos sobre os dedos melados da prefeita. Ela continuava ofegando com fervor e não conseguia conter os suspiros apaixonados, direcionando sua boca de encontro a outro beijo enérgico.
Ainda sentindo as pontadas de orgasmos subindo pelo corpo e deixando as pernas trêmulas, ela desceu o corpo para puxar com precisão a calça de Regina e afastar delicadamente a calcinha dela. Lançou um olhar sugestivo e um tanto malicioso antes de cair literalmente de língua entre as pernas dela.
Regina subiu o corpo por instinto ao sentir a língua gélida e aveludada entrando em contato com seu ponto precioso. Emma segurou a mão dela, mostrando que sabia o que estava fazendo, caso a mulher tivesse a ousadia de esquecer. Enquanto movia a língua pela região um tanto molhada, sentiu a umidade aumentar à medida que avançava nas suas investidas.
E Regina caiu em êxtase também.
Ofegantes e vacilantes, Emma voltou para o colo dela. Segurou-a em um abraço contido, permanecendo sobre o contato sem intenção de quebrá-lo. Ela gostava da conexão de suas peles e a aquosidade nos corpos evidenciando o ato de paixão entre elas.
— Eu precisava disso – Regina fechou os olhos, apoiando a cabeça sobre os seios dela. – Senti sua falta.
— Eu também senti – Emma sussurrou de volta e tornou a beijá-la.
•✚•
Henry andava de um lado para o outro e sentia-se muito tenso com a espera. Ele aguardava a amiga, Vivian Sutton, pois eles tinham um plano especial para cumprir naquela tarde depois da escola. Ele tinha mandado mensagem para as mães e avisado que sairia para andar um pouco pelo parque. Mas elas não sabiam que o plano acabava indo muito além.
Vivian Sutton tinha chegado na escola há pouco tempo e eles tiveram poucas oportunidades de conversar no início, principalmente porque ela ainda era três anos mais velha do que ele e estava passando por problemas no sistema da cidade por ser órfã. Naquela altura já eram grandes amigos e ele tinha descoberto que a garota era incrivelmente inteligente na computação, de modo que conseguia localizar tais informações sem precisar usar a magia propriamente dita.
Era um plano perfeito conseguir rastrear celulares, ouvir ligações ou achar algum endereço, mesmo que ele não tivesse dito para a amiga exatamente o que pretendia. Ele não queria envolvê-la naquilo, mas sentia que ela acabaria descobrindo. Precisava organizar suas palavras a fim de convencê-la que aquilo era o certo de se fazer, por mais que fosse crime espionar e perseguir alguém.
Ele viu a amiga atravessar a rua em sua direção e um sorriso brotou em seu rosto. Ele gostava da companhia dela. Cumprimentou-a assim que ela estava próximo o suficiente e aproveitou para tirar um papel de sua mochila, entregando a ela.
— Esse é o meu plano – Henry indicou.
— Oi para você também – Vivian revirou os olhos, mas tinha um tom amigável. Ela lia o papel com atenção. – O que seria isso?
— É o meu plano.
— Certo. Eu sei disso. Mas por que você quer executar essas coisas? Primeiro: "Fingir estar estudando no parque enquanto tentamos invadir o sistema da P". Segundo: "Rastrear os celulares de D., R., S. e segui-los sem eles perceberem" – ela lia à medida que aumentava o riso. – Henry, não estamos em filmes de Hollywood. Não é assim que funciona.
— Por que não? Eu acho que você consegue fazer isso. Precisamos saber o que a polícia está fazendo para procurar... – ele travou e as bochechas ficaram vermelhas. – Só precisamos entrar no sistema.
— O seu avô é xerife. Uma das suas mãe é prefeita. A outra é ex-xerife e Salvadora de Storybrooke – ela contou nos dedos. – Eu acho que o plano não é muito seguro.
— Ninguém quer me envolver nessa história, mas eu sei que algo está acontecendo na cidade. Desde que a minha mãe voltou, muitas coisas estranhas começaram a acontecer. Eu só queria tê-la uma vez! – ele estava irritado com a situação. – Eu não sei o que eles estão fazendo, mas com a nossa visão podemos ajudá-los sem saber.
— Eles estão fazendo o trabalho deles, e uma parte pede para deixar crianças de fora por ser perigoso demais – ela apontou, soltando um suspiro pesado. – O que significa essas siglas?
— P de polícia. D, R e S de David, Ruby e Seamus – ele sorriu.
— Mas isso é muito óbvio.
— Você perguntou.
— Eu perguntei, mas eu não sou nenhuma profissional da investigação – ela rolou os olhos novamente. – Ok, vamos. Eu acho que não vou conseguir te convencer a fazer o contrário.
Eles seguiram para o parque próximo do centro da cidade, onde poucas pessoas conversavam ou tomavam um delicioso sorvete. Eles procuraram um lugar sob algum teto, porque o solzinho que começava a aparecer já não era tão agradável assim, queimando a pele deles. Sentaram-se juntos em um dos bancos vazios e ligaram rapidamente o notebook que tinham trazido consigo.
— Eu só preciso me concentrar um pouco – Vivian falou e começou a digitar com agilidade.
Henry passou a observá-la discretamente. Vivian era alta para a idade e tinha lustrosos cabelos negros, harmonizando com os olhos da mesma cor. A garota era bastante sincera e conseguia fazê-lo rir com frequência. Apesar de ser mais velha, ela era diferente do restante da turma daquela escola, porque não destratava os mais novos como os demais. Ela alcançava uma simpatia muito forte sem muita dificuldade.
Ele adorava a sua companhia. Talvez também fosse por isso que a convidava em primeiro lugar para fazer parte daquela operação secreta. Mas se odiaria se alguém soubesse que estava gostando dela. Ainda era novo demais para tal atitude, ele sabia, mas não conseguia deixar de ficar encantado.
— Henry, olhe – Vivian Sutton o chamou depois de minutos e ele imediatamente acordou de seus devaneios. – Parece que alguém sumiu.
— Como assim? – ele tentou entender as palavras contidas na tela do notebook.
— A Sininho desapareceu. Parece que os seus pais a estão procurando. Sem contar que todo reino recebeu sinal de alerta.
— Como alguém desaparece do nada?
— Todo mundo pode ser sequestrado ou algo assim – Vivian tentou explicar, abalada com a notícia. – A Elsa de Arendelle também desapareceu um pouco antes, mas não foi encontrada ainda.
— É um surto.
— Eu acho que isso se liga com as coisas que estão acontecendo na cidade – ela parecia preocupada. Desligou o notebook antes que alguém pudesse ver e colocou-se de pé. – Eu acho... Eu acho que preciso ir.
— Você está bem? – Henry se preocupou, levantando-se do seu lado.
— Eu acho que não devíamos mexer com isso. Tem gente resolvendo o caso, Henry.
— Mas você prometeu me ajudar.
— Eu sei, mas... Desde que sua mãe voltou, tudo parece desmoronar. Elsa e Sininho eram capazes de se cuidar sozinhas. Quem fez isso tem muito poder – ela tinha as sobrancelhas franzidas e os lábios comprimidos.
— Eu sinto muito se o fato da minha mãe voltar te incomoda tanto – Henry ficou ofendido. – Ela não tem culpa de nada disso.
— Eu sei! – ela tentou se desculpar rapidamente. – Ela é a Salvadora e eu sei que vai fazer um bom trabalho. Ela se sacrificou pela cidade e, mesmo que eu não me lembre, todos fazem questão de contar.
— Então eu não sei qual é o seu ponto.
— Eu só estou com medo. Eu acho que você também não deveria mexer com o oculto – ela piscou algumas vezes, dando de ombro. – Eu preciso ir agora. Promete que vai ficar longe?
— Eu não sei – ele suspirou, mas recebeu um olhar desesperado dela. – Tudo bem. Prometo.
Vivian Sutton o abraçou com intensidade e ele sentiu o corpo estremecer de leve, as bochechas corando no ato. Ela sorriu antes de finalmente sair andando para longe, deixando-o sozinho com os pássaros voando sobre sua cabeça, como se cantassem a respeito daquilo.
Ele tinha prometido que ficaria longe, mas sabia que não podia simplesmente deixar aquilo de lado. Ele sentia que precisava fazer algo a respeito, mesmo que fosse arriscado demais.
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