I Never Told You
1 É Minha Culpa
Notas iniciais
I NEVER TOLD YOU
Capítulo 1 — É Minha Culpa
by Miss Hope
"É tarde demais para se desculpar"
.
O céu nublado era o que mais se destacava e, principalmente, o que mais representava aquele momento de tristeza. As nuvens escuras davam a notícia que logo choveria — ou vai ver somente era um aviso sobre o sentimento da Lockser.
O vento gelado batia nas faces tristes dos magos daquela Guilda, balançando os cabelos albinos de Elfman, causando calafrios na pele sensível de Bisca, assobiando levemente nos ouvidos de Freed.
Parecia que tudo estava exatamente como o momento pedia, quer dizer, como o momento exigia. Tudo estava num estado depressivo, triste. A Guilda mais barulhenta de Fiore, ali, era a mais silenciosa, presa num momento de melancolia.
O pequeno Makarov falava num tom triste, com o coração na mão, as lágrimas de alguns tornando-se suas, somente aquilo representava o sentimento de perda que ele sentia.
Ele havia perdido uma filha, que pai poderia querer isso?
As palavras ditas pelo mestre ecoavam nos ouvidos de todos os magos ali presentes, mas não diria que eles realmente escutavam todas as palavras, pois cada um deles estava, de certa forma, perdidos nos próprios pensamentos.
Ninguém queria acreditar que a Heartfilia havia partido tão facilmente, em segundos ela estava lá e logo depois ela já não estava. Ninguém conseguia arrancar a culpa de tê-la ignorado, de tê-la esquecido por dias, por meses. Fazia meses que a maioria deles não lembrava que ela estava lá, sentada no bar olhando para eles, esperando que eles voltassem a falar com ela, voltassem a notá-la — mas nenhum deles percebia que era isso que a loira gostaria.
Todos de cabeça baixa notaram quando Makarov parou de falar e permitiu que as lágrimas lhe molhassem a face, assim como muitos que estavam lutando contra as mesmas.
Happy e Carla consolavam Wendy. A pequena azulada estava um pouco mais a frente de todos, chorando desesperadamente, ela havia visto quando tudo aconteceu e se culpava por não ter impedido, se culpava por não ter ajudado sua nakama que ela tanto amava.
Levy estava desolada — havia perdido a melhor amiga, a única que sempre esteve lá para ajudá-la. Estava aos prantos de joelhos bambos, sabia que não se aguentaria em pé, e foi o que aconteceu... Assim que o pequeno mestre acabou de falar, a azulada sentiu o chão fugir e somente encontrou-o novamente quando sentiu os joelhos baterem neles.Juvia, que estava ao lado da pequena McGarden, passou o braço nos ombros da amiga, a acolhendo num abraço e a mesma somente colocou a cabeça perto da outra azulada. Ambas sentiam-se muito mal, elas também haviam ignorado Lucy.
Pouco importavam-se com as pessoas envolta delas, ambas só deixavam que todo aquele sentimento fosse levado com as lágrimas.
Ninguém realmente as culpava, todos sentiam vontade de fazer o mesmo, talvez alguns menos e talvez outros mais, mas somente as duas tinham coragem de fazerem aquilo, pois elas precisavam daquele momento e ninguém se atreveria a atrapalhá-las.
Gray não lutava mais contra as lágrimas, se deixava levar pelo momento. O moreno sentia vergonha de si mesmo. Ele não acreditava que havia se esquecido dela, ela era como uma irmã mais nova que precisava de proteção — tal proteção que ele não deu quando ela mais necessitou.
Três garotas saíram do meio das pessoas, com flores arroxeadas nas mãos.
A morena foi a primeira a colocar acima da lápide, as lágrimas nos olhos era muitas. Ela também era uma das que haviam ignorado a loira — a garota que a ajudou no exame Classe-S e a única que a mostrou que ela era mais do que a mesma pensava de si. Para a Cana, a Heartfilia era uma verdadeira amiga, mas essa amizade, infelizmente, a morena não conseguiu retribuir.
A segunda foi a albina mais velha. Mirajane foi uma das únicas que não "se esqueceu" de Lucy, mas a mesma se julgava por não ter feito nada. Ela sempre encontrava Lucy na mesma situação no bar: com uma feição entristecida e com suspiros sendo ouvidos de poucos em poucos minutos; mas ela simplesmente acreditava quando a loira dizia que estava bem e, mesmo a albina sabendo que era o contrário, ela nunca ajudou a amiga.
Colocando as flores na lápide, ela desabou em lágrimas, abraçando a morena e não se importando com a plateia.
A terceira foi a ruiva.Ela estava plantada em frente a lápide, as lágrimas já descontroladas pela face, os soluços começando e o chão lhe fugindo.
Erza foi uma das primeiras a se esquecer de Lucy, esquecer da nakama que sempre a apoiou nos momentos difíceis, aquela que sempre estava nos momentos felizes e embaraçosos. Assim que colocou as flores na lápide da amiga, os joelhos foram de encontro ao chão, os soluços descontrolados e o desespero quase tomando conta. Erza não queria acreditar que a nakama a havia deixado, não queria... Por mais que visse a realidade, ela simplesmente queria poder voltar no tempo e mudar as coisas.
Sentindo dois pares de braços lhe abraçando pelos ombros e algo quente nos ombros, ela ouvia os soluços de Cana e Mira se misturarem com os seus.
Depois que as três se levantaram, uma nova pessoa foi até lá, ajoelhando-se em frente a lápide, sussurrou:
— Sumimasen. – foi a única palavra que conseguiu sair da boca de Lisanna antes dela começar a chorar novamente.
Ela e Lucy não eram próximas, eram mal conhecidas. Elas nunca tiveram a chance de realmente conversar, mas a albina se sentia mal, acreditava que a culpa da morte da loira, em partes, era sua.
— Arigato, Lucy.
♠ ♠ ♠
Depois de algum tempo, todos já começavam a ir embora.
Os corações cheios de culpa e as lágrimas ainda rolando, deixavam o lugar mais triste, porém esvaiam-se aos poucos.
As únicas pessoas ainda presentes eram Erza, Makarov, Gray, os Exceeds, Levy e Gajeel.
Cada um ainda em silencio, envoltos por pensamentos, os mesmos de minutos ou horas atrás.
Erza pensava que nunca mais poderiam conversar barbaridades.
Makarov nunca poderia mais dar uma noticia importante para a filha.
Gray nunca mais poderia entrar pela lareira e assustar Lucy enquanto ela pensava alto.
Happy nunca mais poderia chamar Lucy de esquisita.
Levy nunca mais poderia compartilhar segredos e pedir por mais um capítulo da história da loira.
Gajeel nunca mais poderia irritá-la chamando-a de bunny girl.
Todos levantaram a cabeça e olharam rapidamente para a lápide quando ouviram alguém mexendo nela.
O rosado retirava as flores e lutava contra a realidade.
Todos somente assistiam enquanto Gray e Gajeel o impediam de continuar com aquele show. O garoto somente não queria encarar a realidade dolorosa.
— Sore we hontoo node wanai. – Natsu gritava com todas as forças.
Por mais algum tempo, os dois morenos acalmavam o rosado. Quando os dois o soltaram, a ruiva foi a primeira a tentar consolá-lo.
Abraçando o menino rosado em pé, a ruiva sussurrava:
— Nobadizu hinandesu... – ela sussurrava mais para si mesma que para ele, tentando se convencer disto. – Nobadizu hinandesu.
O garoto deu uma leve risada, afastando os braços da ruiva. Sob os olhos de todos, o garoto começa a ir embora, mas antes de sumir da visão de todos, sussurra:
— Watashi no seidesu.
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