I Need You
1 Dream come true?
Notas iniciais
365 dias 365 oportunidades, E era assim que estavam meus pensamentos, ano novo, vida nova não é assim que todos dizem? O que chega a ser um total clichê, mas esse ano pra mim seria uma nova vida, pelo menos é o que eu espero. Meu pai me levava ao aeroporto, estava típico dia ensolarado em Vitória, o céu estava límpido, sem nenhuma nuvem. Estava vestida como sempre, blusa social, short e all star, levava comigo apenas uma blusa que meu pai insistiu muito e acho totalmente ridículo porque em Ipatinga faz muito calor. Estava me mudando pra casa da minha mãe, já se faziam 2 anos que eu não a via, por falta de tempo dela, mas sempre que dava ela me ligava, não posso dizer que não sinto falta de uma mãe perto, mas apenas aprendi a suportar e hoje isso se tornou comum, ela iria me buscar no aeroporto.
–Bruna- Meu pai disse acho que pela centésima vez desde que decidi ir para Ipatinga.- Você sabe que não precisa fazer isso, fique aqui comigo.
–Não quero te atrapalhar mais que já estou te atrapalhando, e você sabe os meus motivos.- Disse aumentando o volume do meu fone, o bastante para que Give Your Heart A Break tomasse toda minha audição. Mas pela minha infelicidade foi cortada com meu pai puxando o fone de meus ouvidos.
–Brenda Müller, já te disse o quanto odeio quando você faz isso?- Disse ele parando no estacionamento do aeroporto.
–Já te disse o quanto odeio sua namorada?- “Ou devo chamar o protótipo de piranha assim?” pensei comigo.
–Vamos discutir sobre isso de novo Bruna? Você não entende mesmo não é?- Ele disse pegando minhas malas e então fomos caminhando em direção a sala de embarque.
–Não entendo, e não aceito, mas você sabe o que faz, e você sabe que toda ação tem conseqüências, minha ida pra Ipatinga é só uma das que virão.
Eu e meu pai somos bem parecidos, não fisicamente, mas nós dois temos personalidades fortes, somos Precipitados e impulsivos, não somos de demonstrar afeto.
–Eu te amo.- Disse pegando as malas e me despedindo.
–Te amo filha.
E foi assim, uma simples despedida, pretendia me despedir de tudo, amigos, pai, não queria que fosse assim mas é necessário.
O vôo foi rápido, acordei com a aeromoça falando para apertar os cintos que o avião já estava pousando, minha mãe foi bem receptiva com tudo, assim que desembarquei vi a figura de roupas brancas, cabelos castanhos e olhos esverdeados me esperando, olhava as horas impacientemente, provavelmente estava atrasada para mais um plantão médico.
–Beatriz?
–Bruna, meu amor como você mudou.- Disse ela me abraçando.
–É, e você atrasada para algum plantão?
–Por incrível que pareça não, tirei 2 dias de folga para te mostrar tudo, acho que você não se lembra da cidade não é?- Apenas assenti.
Fomos andando para o carro, colocamos minhas malas no Cruise preto e fomos para casa, no caminho me recordava de certos lugares, de vezes que ela me trazia pra brincar.
–Você está bem com isso tudo?
–Eu to bem- menti convincente.
Liguei o som do carro e You Can't Always Get What You Want e Beatriz aumentou o som, começamos a cantar, dividimos o mesmo estilo de música, ela é uma verdadeira amante do Rock.
–Você tem uma voz bonita Bruna, nunca tinha te visto cantar.
–Não acho não.- Ri
–Chegamos.
Dividimos as malas e ela me guiou até o elevador, subimos até a cobertura, o apartamento era a cara da minha mãe, bonito e requintado, ela me mostrou meu quarto, uma suíte com closets e todas essas coisas.
–Está bom pra você? Desculpa se você não tiver gostado eu te levo pra comprar os móveis novos.- Beatriz parecia apreensiva, ri da sua atitude.
–Está perfeito, é bem melhor que o meu lá de Vitória, mas não precisava de tanto.- Ela se reconfortou.
–Que bom que gostou, vou deixar você arrumando as coisas, tenho que dar só uma passada na policlínica mas já volto.
–Claro.-Sorri
–A Bru,sua prova é amanha espero que tenha estudado.
Apenas assenti e comecei a colocar algumas coisas no lugar, o quarto era grande e a cama era de casal, não sei pra que isso tudo mas Beatriz sempre foi exagerada, depois de arrumar algumas coisas fui conhecer o apartamento, os dois andares eram bem decorados e grandes, depois de ver tudo resolvi dormir, tirei meu pijama das malas e me deitei.
Acordei com o despertador, não me lembro de ter colocado ele pra despertar, mas mesmo assim me levantei, fui em direção a cozinha onde Beatriz já estava tomando café.
–Bom dia.
–Bom dia.- respondi me sentando ao seu lado.
–Sua prova é ás 7:30h, mas temos que está lá 7:00h.- Ela olhou no relógio.
–Tenho 15 minutos?- Peguei uma maça
–Sim.- Me levantei ainda comendo a maça e fui pro meu quarto me arrumar, coloquei a primeira blusa que vi na mala e short, e usei o mesmo all star, amarrei meu cabelo e fiz minha higiene.
–Eu já to pronta.- Disse encontrando ela no corredor.
–Pode ir descendo se quiser.
Fui até a garagem, não demorou muito pra ela chegar, o caminho até a escola não davam nem 3 minutos, daria pra ter ido andando. A escola era grande, tinha vários alunos na porta e entrei, achei minha sala e fiz a prova, fui bem, logo depois fui andando pra casa, dormir, estava cansada. Cheguei em casa e fui direto pro quarto, não almocei, apenas cheguei e deitei.
“Eu estava no meu quarto, acordei e fui trocar de roupa, estava sem shorts apenas roupas intimas e blusa, estava meio desorientada e tomei um susto com o menino que estava na porta.
–Que bonita sua calçinha.- Disse o menino andando pro meu lado.
–É linda sim, e para de olhar Léo!- Eu corria pra abraçá-lo
–Batman- Disse ele cantarolando no meu ouvido.
–Anda solta eu vou colocar uma outra roupa.- Disse saindo de seu abraço.
–Pode deixar que eu espero aqui.- Disse ele rindo e sentando na cama.
Troquei de roupa ali mesmo, sem me importar com ele, depois de pronta ele veio me abraçar de novo.
–Pega seu long, vamos ao parque Ipanema.
–Ta ok, mas antes você tem que me contar o que você queria conversar comigo.- Disse sentado do seu lado na cama.
–Bru, lá no parque, agora vamos.- Ele levanta me puxando.
–Espera meu long.- Eu volto no quarto e o pego.- Cavalinhoo.- Digo pulando em suas costas.”
Acordei, tinha acabado de ter um sonho estranho, mas bom, eu sentia que considerava muito o garoto no qual mencionava no sonho, sem dizer que ele era lindo.
Olhei a hora no celular 16:16, sorri e desci pra comer alguma coisa, depois de comer eu fui ver alguns filmes, não demorou muito pra eu pegar no sono no sofá mesmo.
“ No parque Ipanema.
–Não acredito aprendeu a fazer o Petter Pan.- Disse ele me vendo andar no long e batendo palmas.
–É o que parece, e nem é tão difícil assim. — Disse indo em sua direção.
–É complicado, mas então vamos conversar. — Perguntou ele pegando minhas mãos.
–Claro.
Fomos andando, Léo me direcionava a uma parte menos movimentada do parque, sentamos na grama e ficamos encarando o lago.
–Então... -Fiz sinal para que ele continuasse
–Bru, não sei como te falar isso. — Disse ele rindo.
–Me falar oque? Anda Léo você sabe que eu odeio que me deixem curiosa. — Disse dando um empurrão em seu ombro.
–E como sei, mas então Bru.- Disse ele passando as mãos nos cabelos loiros escuros.-Eu queria te falar que você sabe, eu terminei com a Júlia, você sabe que eu não gostava dela.
–Você já me explicou isso. — o interrompi. — A não Léo você já ta gostando de outra?- Disse rindo e dando um tapa no seu braço.
Ele apenas assentiu.
–Anda fala quem é Léo.
–Você Bru.- E então ele me beijou, me beijou e eu retribui, eu queria isso tanto quanto ele.”
Acordei com Beatriz me chamando perguntando se eu já tinha olhado o resultado.
–Que horas são?- Perguntei me espreguiçando e coçando os olhos.
–Já são 2:30 e você ainda ta dormindo.- Disse ela indo em direção ao quarto.
–Não to dormindo não, acordei. — Gritei pra ela.
Subi tomei um banho fiz todas as minhas higienes Necessárias, peguei meu notebook, e entrei no site da escola, coloquei meu email e senha.
“Para: Bruna.Müller@hotmail.com
É com prazer que comunicamos que a Aluna Bruna Müller que irá cursar o 1° ano do Ensino Médio foi aceita em nossa instituição, qualquer dúvida esclareça com a secretária, a matricula deverá ser efetuada o mais rápido possível, é essencial a presença da aluna e do responsável na reunião que acontecerá dia 30 de janeiro. O início das aulas aconteceram dia 1 de Fevereiro, atenciosamente, Diretoria”
–Beatriz eu passei. — Disse chegando na porta do seu quarto.
–Parabéns filha, agora eu tenho que ir pro plantão, beijos. — E assim Beatriz saiu do quarto.
–Obrigada. -Disse indo pro meu quarto.
E é nele que tenho passado uma boa parte do tempo, apenas escrevendo alguma coisa em meu diário, lendo alguns livros, ou apenas deitada. Não tenho amigos enquanto as aulas não começam então fico sozinha.
I'm at a payphone trying to call home,all of my change I spent on you,where have the times gone, baby it's all wrong,where are the plans we made for two…
Payphone começou a soar no quarto, meu celular estava tocando, atendi sem ao menos olhar no identificador, já era rotina.
"-Oi.
–Oi Princesa.- Já sabia quem era.
–Oi Matheus.
–Porque você não me disse que iria mudar, ao caso você não disse pra ninguém. — Já sabia a bronca que iria tomar então apenas ouvi.- Não atende o celular, que isso Bruna? Você sabe como está a nossa situação, e você sabe que conversamos, e o que decidimos?.
–Decidimos que iremos ficar juntos Matheus, eu sei, me desculpa, eu vou em Vitória pelo menos 1 vez em 2 mêses.
–Estamos bem não estamos?- Sabia que Matheus estava apreensivo.
–Eu é que te pergunto Matheus. Nós estamos bem, porque você sabe que depende de você.
–Por mim, Bruna você sabe, mesmo que tenha demorado 4 anos, eu sou melhor amigo, você minha melhor amiga, eu te amo Bru.
–Eu te amo Matheus.
–Então nada pode impedir a gente, mas eu não entendo porque você não aceita namorar comigo Bruna.
–Nós já conversamos sobre isso Matheus.- Disse o cortando.
–Você não quer nada sério agora.- Disse ele tentando imitar minha voz
–Imitação fracassada.- Disse rindo, querendo ou não Matheus é o único que consegue me fazer rir nas piores horas.
–Bru eu tenho que desligar, você sabe to indo ali andar de long, beijos Princesa, te amo.
–Tchau Math, Te amo.
–Te espero."
Desliguei o telefone, não sabia se queria continuar com o Matheus, não acreditava que aquilo duraria muito tempo ou apenas daria certo, mesmo eu estando em Vitória. Matheus é meu melhor amigo, desde 4 anos atrás, ainda me lembro do dia em que nos conhecemos, condomínio novo, meu pai e minha mãe ainda estavam juntos, e tinha o vizinho, o menino moreno bagunceiro que era meu melhor amigo, mas depois de tudo que passamos, nós começamos algo a mais que a amizade, algo como amizade colorida. Eu amo Matheus, mas nunca amei ninguém intensivamente igual em filmes de romances onde a mulher sente borboletas na barriga, ou sobe aquele pé quando o casal se beija, eu acho isso um tremendo clichê. Como os meninos me dizem sou uma Ogra, então acho que é por isso que eu não me apaixono, eu sou uma pessoa fria, não me orgulho disso mas acho melhor do que ser aquela pessoa intensiva demais, que se machuca demais, isso tudo é apenas a minha proteção. Matheus é emotivo, intensivo, grudento, e eu não gosto disso, mas me sentia bem perto dele, e sei que se não tivéssemos esse tipo de relação eu tinha perdido a sua amizade, Matheus se afasta das meninas que o rejeitam, ele acha melhor assim e eu acho ridículo essa atitude.
Muitas vezes eu quis terminar, mas terminar algo que nem começou, mesmo assim eu ainda queria continuar, e assim já se passaram 6 meses, 6 meses de amizade colorida com meu melhor amigo.
Pensando nas memórias antigas, relembrando de alguma coisa, me peguei lembrando do sonho, do sonho com o menino, Léo seria o nome dele? Eu apenas queria conhecê-lo, mas será possível sonhar com uma pessoa que você nunca viu, eu tenho certeza que isso não é da minha imaginação.
Me levantei da cama e fui em direção do chuveiro, tomei outro banho, como Ipatinga é quente, e amanha será a reunião na escola, pedi para que Beatriz fosse fazer minha matricula, e assim espero que ela tenha feito.
Comecei a ler alguns de meu gibis antigos, de super heróis eu amo, peguei um do lanterna verde, e comecei a ler, e assim acabei dormindo de novo.
Dessa vez não sonhei, nada, apenas nada, a reunião seria as 2 horas, e eu me levantei 12:00, desci e encontrei Beatriz na cozinha almoçando.
–Almoça rápido, e vai se arrumar, porque a reunião é 2 horas.
–Eu sei eu sei, eu me arrumo rápido.
–Mas se arruma, a Bruna, comprei uma bolsa linda pra você, da Victor Hugo.
–Eu não uso bolsas.- Disse rindo.
–Mas tinha que usar, você é uma menina.- Beatriz estava contrariada
–Eu sou uma menina mas não uso bolsas, se quiser pode comprar uma mochila nova pra mim, porque eu to precisando pra levar as coisas da minha guitarra.
–Olha seus dedos Bruna, estão com calos.- Disse ela pegando meus dedos e quase os colocando em meus olhos.
–Se você souber de alguma corda de violão que não dá calo, pode me falar.- Disse rindo de suas expressões.
–Suas cutículas e suas unhas estão horríveis, eu vou marcar uma manicure pra você.
–Pode marcar mas eu não vou, não vai adiantar nada, olha vai sair tudo, você sabe, so estou esperando a minha guitarra e meu violão chegarem aqui.
–Pode ter certeza que até o meio do ano você estará como uma verdadeira menina, uma menina delicada.- Comecei a rir
–Para com isso, agora deixa eu subir pra me arrumar.
–Mas, você nem almoçou.
–E nem vou, não to com fome.
–Daqui a pouco ta raquítica, cuidado com Bulimia dona Bruna.
–Pode deixar dona Beatriz.
–Mãe, me chama de mãe.
–Claro Beatriz.- Subi as escadas correndo e rindo.
–Daqui a pouco cai e corta o queixo, a meu Deus. — Ouvi ela falando lá da cozinha.
As vezes Beatriz era extremamente enjoada com essas coisas de beleza, e ela sabe que ela não tem a filha de vestidinho rosinha que brincava de casinha, eu nunca fui dessas coisas, eu sou dessas que quando perguntavam o que preferiria eu dizia roça a gente ia pro sitio eu subia em árvores, pulava no lago, chegava suja de barro em casa, eu digo que vivi.
Mas ela achava que era só infância até eu pedi meu primeiro skate, com ele quebrei muitas coisas na casa do meu pai, outras vezes eu estava jogando futebol com Matheus dentro de casa e acabei enfiando meu pé dentro de uma bola de vidro que ficava na mesa de centro, levei uns bons pontos.
Terminei de me arrumar e desci.
–Linda, maravilhosa Beatriz?- Disse dando uma volta na sua frente.
–Bruna, calça Jeans, blusa o que ta escrito nessa blusa? E tênis, Meu Jesus que coisa suja.
–Tênis sujo é tênis bonito, agora vamos.
–Vamos.
Chegamos na escola, estava com muitos carros na frente, chegamos e fomos entrando na sala de palestras, quando eu entrei eu não acreditei, acho que meus olhos estavam mais arregalados que aquele macaco do vídeo, nem sei se é macaco, mas era ele, o menino que eu estava sonhando, o Léo, e ele parecia tão surpreso quanto eu.
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