I ♥ My Big Sister!
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Parecia que tudo em torno de nós havia mudado, o abraço era tão forte, era tão reconfortante e eu durante alguns minutos senti-me completamente protegida, em um mundo só meu no qual todos sorriam, a tristeza era inexistente. Ele estava a abraçar-me, o Gonçalo realmente estava com os braços à minha volta, ele realmente estava a aconchegar-me junto ao peito, isto é inacreditável:
- Melhor? – ele sussurrou ao meu ouvido.
- Sim, obrigado! – os soluços já tinham passado tudo o que eu queria no momento era apenas ficar ali, saber que sou amada.
- De nada, sabes que eu estou aqui sempre que precisares, não quero que voltes a tentar afastar-me! – ele afastou-me para que eu possa olha-lo nos olhos.
- Eu… desculpa, não queria preocupar-te não é nada de mais a sério já está tudo bem!
- Se não estiver vai ficar – eu podia vê-lo sorrir até ao momento que ele me puxou de volta para os seus braços. Como poderia eu dizer que não a esta situação? Como poderia fingir que não gostava? Simplesmente não podia!
O mundo não era prefeito, não era feito de sorrisos, na verdade o meu mundo mostrava essencialmente lágrimas. Todos podem sorrir, fingir que tudo está bem, todos podem ignorar o que sentem, todos podem enganar os que os rodeiam até um certo ponto, o ponto em que a vontade de dizer a verdade supera qualquer felicidade proveniente da mentira, o momento em que chorar sabe melhor do que qualquer sorriso o momento em que todos nós somos realmente quem somos!
- É, eu realmente espero que sim, obrigado pelo teu tempo! Está a ficar tarde e embora eu esteja a adorar cá estar acho que ambos precisamos de voltar… — oh porcaria. Realmente era perfeito estar ali em volto dos braços dele, mas daí ate ser dito vai uma enorme viagem. Ele libertou uma gargalhada junto ao meu ouvido.
- Ainda bem que pude proporcionar-te algo de bom! Concordo, no entanto se precisares espero que não hesites em ligar-me, de acordo?
- Sim e obrigado de novo – ele sorriu e assentiu com a cabeça. Afastei-me e quando me preparava para voltar ele envolveu o braço em torno da minha cintura fazendo o caminho junto a mim.
- A tua casa não é assim tão longe, se não te importares gostava de poder acompanhar-te – “sim sim eu quero mesmo, só não me deixes agora!” Ia pensando durante o caminho, era realmente ótimo tê-lo ali.
- Não acho que seja necessário, mas se insistes eu não me importo de todo!
O caminho até casa passou mais depressa como eu nunca pensei que passaria. O que menos queria era voltar a entrar naquela casa, queria poder ficar ali envolta dele, queria poder sorrir, queria poder rir de todos as suas brincadeiras, eu queria ser a pessoa feliz que sou quando estou com ele.
- Acho que posso fazer o resto do caminho sozinho – estávamos a metros de distância da minha casa, eu não podia ouvir o meu pai protestar por eu estar com alguém à noite, simplesmente não poderia ouvir o meu pai durante os próximos dias seria demasiado doloroso.
— Tens a certeza, não me importo de levar-te até lá – eu parei e pensei antes de responder. Não queria que ele soubesse que é por causa do meu pai, eu não ia preocupa-lo mais do que já tinha feito.
- Sim – respondi finalmente – eu… Assim podes ir direto para casa, não precisas de ir dar uma volta enorme. Obrigado a sério foi muito importante para mim saber que estavas aqui!
- Eu não vou insistir. Espero que fiques bem, avisa-me quando chegares – eu ri, estava a tentar ser paternal comigo?
- Kay, eu vou ligar papá! – Ficámos ali a rir durante algum tempo! – Eu tenho mesmo de ir. Ficarei bem não te preocupes mais. – ele concordou com a cabeça e inclinou-se para pressionar um beijo no canto dos meus lábios. Era difícil responder a isto quando as borboletas invadiam o meu estomago e as minhas pernas tremiam com medo do próximo passo!
- Até amanhã! – ele mostrou aquele sorriso mágico de novo e caminhou na direção oposta da minha.
Quando cheguei a casa encontrei a Leonor sentada na minha cama, tinha os olhos no chão e ainda parecia mais triste do que eu!
- Oi princesa!
- Olá Inês, onde estavas? Estou à tua espera por mais de uma hora! – ela disse-me enquanto levantava a cabeça! Eu baixei-me para poder olha-la nos olhos.
- Eih princesa está tudo bem? – ela começou a chorar sobre o meu ombro e eu tive de me esforçar para não cair quando ela se envolveu em mim. – Pronto eu já estou aqui, podes contar-me! Pronto está tudo bem!
- O pai… ele – não, ele não podia ter magoado o meu pequeno tesouro. Se algo tivesse acontecido com ela enquanto estive fora eu jamais me perdoaria muito menos a ele! – Quando tu saíste ele começou a ralhar bem alto e a mama veio ver o que se passava, ela ralhou mais forte e ele bateu muito nela, eu… eu só consegui fugir, eu chamei por ti tão alto quanto eu podia, mas tu não vinhas!
- Eu já estou aqui meu amor, já passou. Desculpa, eu sinto muito! – eu nem reparei que as lagrimas corriam pelo meu rosto, eu tinha lutado com tudo para que não acontecesse mas estava a ser difícil de mais – onde está a mãe e o pai?
- Eu ouvi o pai berrar e a dizer que ia embora e depois a porta bateu. Acho que ele saiu, mas eu estava aqui a tentar esconder-me por isso não sei de ninguém – ela soluçava nos meus braços e eu não sabia o que fazer.
- Kay, princesa vamos fazer assim, vais lavar os dentes e vestir o pijama enquanto eu vou ver se a mãe precisa de alguma coisa!
- Kay – ela saltou do meu colo e logo correu para a casa de banho.
Eu percorri a casa e nenhum sinal ao do meu pai ou da minha mãe, no entanto havia um sítio que eu não tive coragem suficiente para conseguir entrar, na sala. Apenas me ocorreu que tinha de faze-lo pela Nonô e mais cedo ou mais tarde iria ser necessário.
Abri a porta e o que eu esperava aconteceu, a minha mãe estava no chão praticamente porta, o chão à volta da cabeça estava cheio de sangue, ela não parecia a minha mãe, ela não parecia uma pessoa real. Corri para ela antes que fosse tarde demais, verifiquei se tinha pulso e sim tinha fraco mas ainda podia senti-lo:
- Mãe, mãe por favor acorda – a minha voz estava fraca e o medo estava a apoderar-se de mim, eu não podia perde-la, não agora.
- I.. Inês – ela respondeu, ela estava consciente pelo menos isso.
- Mãe, pronto vai ficar tudo bem, vou chamar uma ambulância, tudo vai correr bem mãe eu prometo – sorri e provavelmente foi as ultimas palavras que ela ouviu antes de ficar inconsciente!
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