Notas iniciais
Aproveitem :D

O barulho das sirenes aumentava a cada segundo, Leonor ainda estava no quarto e espero que não saia até que eu a chame. Vou abrir a porta e, de imediato, os paramédicos emergem num aparato, indico-lhes o caminho e rapidamente socorrem a minha mãe.

Ela já se encontra na ambulância e eu preciso de correr para o quarto.

- Inês? Porquê que aqueles homens estão aqui? Onde está a mama? – questionava a mais pequena, a carinha dela, que normalmente mostrava aquele sorriso mágico, não era mais a mesma ela estava seriamente preocupada:

- A mãe… — tentei explicar, mas não encontrava as palavras certas para lhe explicar o que estava a acontecer. Sentei-me na cama e recomecei – Olha princesa sabes que nunca te menti, e não vai ser agora por isso preciso que sejas muito forte, pode ser? – a expressão dela agora era de confusão, e a preocupação parecia acentuar-se – A mãe está com os médicos que são aqueles senhores que viste. A mama está muito magoada, mas ela vai ficar bem eu prometo – sorri falsamente e ao contrário de mim a minha pequena irmã desatou num choro que não parecia ter fim.

- Não Inês, não pode ser, as mamas não têm dodóis. As mães são muito boas, não podem ter dodóis, elas… não podem… não é justo – Leonor tentava fazer-me perceber, era demasiado difícil para ela entender que o mundo não era justo e que às vezes as coisas más tinham mesmo de acontecer.

- Eu sei princesa, às vezes as coisas são mesmo assim e as mães também podem se magoar, no entanto a nossa mama sabe que nós estamos bem e que nada de mal nos vai acontecer e com isto os dodóis passam sabes? Eles deixam de doer!

- A sério mana? Não estás a mentir-me? – ela desenvasilhou-se dos meus braços e agora mantinha o contacto visual comigo.

- Sim princesa, eu prometo – ela sorriu entre lágrimas e voltou à posição inicial.

- Eu amo-te mana.

- Eu sei princesa, eu sei. E eu também te amo trenguinha.

XXXXXXXXX

- Inês acorda, temos de ir, tu só pensas em dormir! – ainda estava meia atordoada e tinha a minha pequena irmã a saltar sobre a minha cama.

- Queres mesmo ir Nonô?

- Claro que quero. Sabes ainda temos de fazer as sandes, ah e antes que me esqueça um amigo teu ligou e disse que nos vinha encontrar em uma hora.

- Um amigo meu? Sabes o nome dele? – levantei-me mas ela continuava a conversar comigo sentada na cama.

- Ele disse que era Gonçalo.

- OMG, Nonô quando percebes que não podes atender o telemóvel, já te disse tantas vezes.

- Desculpa mana. Porquê que as tuas bochechas estão a ficar vermelhas?

- As minhas bochechas estão perfeitamente bem Leonor, agora por favor vai lavar os dentes e veste-te! — saí a correr do quarto, peguei no telemóvel e percebi que tinha uma mensagem dele.

“ Bom dia, falei com a tua irmã mas para não correr o risco de não seres avisada, estou aí às nove.

Beijos
Gonçalo”

“Nossa” pensei, agora a minha irmã não se vai calar “ai o meu pai!” não, por favor Leonor mantém essa matraca fechada.

- Já estou vestida Inês, já podemos ir? O Gonçalo já chegou? – ela entrou pela cozinha e tirou-me do meu mundinho.

- Ah? Ah Leonor, não eu ainda não estou pronto! Prepara a mala com as coisas que queres levar e depois espera por mim na sala, ela assentiu com a cabeça.

Decidi levar uns calções, tal como a Leonor havia feito, de seguida caminhei para me encontrar com ela na sala no entanto a campainha tocou antes de eu poder fazê-lo.

- Bom dia! – era o Gonçalo em pessoa que se encontrava na minha porta com aquele sorriso magnifico.

- Bom dia – respondi, com um sorriso embora não tão perfeito como o dele.

- É o Gonçalo mana? – a pergunta vinha da sala e antes que eu pudesse responder ela já corria para nós – Olá, eu sou a Leonor, a irmã da tua namorada!

- Nonô!

- Olá eu sou o Gonçalo – ele sentou-se sobre os calcanhares e já não falava para mim, agora os seus olhos pairavam sobre a Leonor – ela não é minha namorada, mas eu gosto muito dela! – ele era perfeito com ela e tenho a certeza que a Leonor estava a adora-lo.

- Acho que vocês são namorados – ele balançou a cabeça de forma negativa e sem eu perceber muito bem porquê ela deixou de sorrir – mas vocês deviam ser, ela gosta de ti e tu gostas dela, não percebo o que é preciso mais.

- Sabes às vezes as coisas são mais complicadas do que aquilo que é suposto serem, nós grandes às vezes somos os melhores a complicar – ele sorriu e piscou o olho levemente para ela.

- Acho que não quero ser grande, os grandes são complicados e burros! – eu e o Gonçalo rimos do comentário.

- Um dia vais ser grande princesa – baixei-me para ficar da altura deles – mas não é por seres grande que tens de ser complicada. Por vezes é preciso muito mais do que gostar, uma relação não se baseia em amor, é amizade fundamentalmente, é as pessoas apoiarem-se nas piores e nas melhores situações minha, quando cresceres perceberás – tentei mostrar à minha irmã a essência das coisas, mas ela ainda é uma menininha não espero que vá perceber o que eu disse.

- A tua irmã – o Gonçalo apoiou-me no meu discurso – agora posso saber o teu nome? Acho que já podemos ir – assenti com a cabeça.

- Chamo-me Leonor, mas as pessoas que gosto muito chamam-me Nonô – ela olhou para ele e sorriu – podes chamar-me Nonô se quiseres porque eu gosto de ti – ele deu uma gargalhada e passou-lhe a mão na cabeça.

- Tudo bem Nonô, eu acho que posso chamar-te o que quiseres e também gosto de ti és divertida – caminhamos juntos até ao parque, lá encontramo-nos com a Catarina, ela estava acompanhada pelo Pedro, claro que está acompanhada por ele, e por um rapaz mais pequeno, pelo tamanho aparenta ter a idade da Leonor talvez mais velho.

- Olha Nonô, esta é a minha amiga Catarina e este é o Pedro – Leonor sorriu para eles.

- Vês mana, eles são namorados, tu e o Gonçalo também podiam ser – “cala a boca Leonor”.

- Na verdade nós não somos namorados, somos só bons amigos, prazer em conhecer-te Leonor – a mais pequena sorriu.

- Vocês também são daqueles adultos complicados não é? – Catarina olhou para mim confusa.

- Esquece, longa história – Catarina riu.

- Olha, já agora quero apresentar-vos o Ângelo – Leonor interrompeu logo.

- É o teu irmão?

- É uma história complicada Leonor, ele não é filho dos meus pais mas eu gosto dele como se ele fosse meu irmão de sangue. Ele é o meu irmãozinho mesmo que não seja tao real.

- Fogo vocês adultos são mesmos estranhos – Ângelo agarrou a mão dela e falou.

- Também acho, vamos brincar no parque. Mana podemos? – Catarina olhou para mim e ambas assentimos.

- Eles parecem dar-se bem – a outra rapariga do grupo comentou.

- Parece mesmo que sim.

XXXXXXXXX

No parque Ângelo e Leonor encontravam-se sentados na caixa de areia a fazer construções.

- Gostas do Pedro? – foi a menina que rompeu o silêncio.

- Sim, ele é muito simpático e brinca comigo. Acho que a minha irmã gosta dele e gostava que eles fossem namorados, namorados a sério não como eles são agora.

- Eu percebo, a minha irmã e o Gonçalo é igual. Os adultos podem ser burros, burros, burros – o menino riu.

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- Tu és uma menina muito engraçada. Se eu fosse grande como eles eu iria querer ser o teu namorado, mas não faria como eles, é uma perda de tempo – a menina sorriu e beijou-o na cara. No parque os maiores riam da imagem dos mais pequenos, era realmente uma figura adorável.

- Eles são tão fofos – expliquei.

- São mesmo, e descomplicados – comentou o Gonçalo.

- Gostava de poder ser como eles – continuei, sem segundas intenções, apenas uma conversa normal.

- Sinceramente Inês, começo a concordar com a tua irmã, porque que complicamos? – corei e olhei-o nos olhos.

- O que queres dizer com isso? – ele não desviou o olhar, apenas sorriu e fez-me corar cada vez mais. Sabia perfeitamente o que ele queria dizer, mas mergulhar fundo em algo que eu acho que é incerto poderá trazer-me problemas, para mais com o que se passa com a minha mãe.

- Eu… — tentei continuar, mas um nó estava formado na minha garganta.

- Eih Inês, eu percebo, está tudo bem. As coisas complicadas também são divertidas e disso eles não sabem – piscou para mim e aumentou o sorriso, se é que isso era possível.

Notas finais
O que acharam?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.