Notas iniciais
Capítulo fraquinho não ficou nem metade do que eu queria :c
Disfrutem

Cheguei ao porto, é uma cidade bonita. A minha casa tem uma vista fantástica, consigo ver o Douro é tão lindo. A Leonor gosta de, durante a noite, sentar-se em frente à janela e ver os barcos navegarem lentamente pelas águas calmas do rio.

- Inês, olha aquele ali, é tão grande! – ela exclama bastante surpreendida durante uma das noites em que fico junto a ela a observar os barcos.

- Pois é princesa. Nono já reparas-te como as ruas ficam bonitas durante a noite?

- Ficam com muitas luzes, eu gosto muito do Porto é muito bonito – e continuamos a falar durante algum tempo até que ela se começou a recostar em mim, estava a ficar cansada.

- Vamos nanar, amanhã vamos dar um passeio pode ser? – Leonor apenas abanou a cabeça estava demasiado cansada para poder dizer alguma coisa, eu peguei nela e carreguei-a para o quarto. Apesar da casa ser muito grande eu e a Leonor partilhávamos o quarto.

É segunda-feira e, embora eu esteja cheia de sono preciso de me levantar, daqui a cerca de uma hora tenho a minha apresentação na escola. Após um acordar um pouco agitado dirijo-me para a casa de banho, tomo um duche e saio tentando não fazer muito barulho.

O caminho até à escola foi um pouco confuso, não era tão curto quanto isso e quando lá cheguei todos estavam prestes a entrar. A turma era constituída maioritariamente por raparigas, tinha cerca de seis rapazes e dez raparigas. Todos pareciam conhecer-se de anos anteriores. Como tinha chegado um pouco tarde acabei por ter de me sentar ao lado de um rapaz e não sozinha como planeei inicialmente, pelo que percebi era novo também. Podia-se perceber que os olhares pairavam sobre a nossa mesa e tenho a certeza que por minha causa não era.

Recebe-mos algumas instruções e fomos alertados bastantes vezes para o facto de termos exames no final do ano, durante este processo tive que me distrair e olhar para o rapaz loiro que estava do meu lado

- Também és nova? – perguntou meio que atrapalhado depois de perceber que era o centro das atenções

- Sou, venho de Lisboa! – respondi sem dar muita atenção ao assunto.

- A sério eu também, chamo-me Gonçalo e não estou habituado a ter tanta gente a olhar para mim – tive de olha-lo, isto dito por ele fazia-o parecer algo convencido apesar de ser verdade.

- Rapaz novo bonito é normal teres as atenções todas para ti – não me acredito que disse isto, agora já é um pouco tarde para voltar atrás mas não demasiado tarde para a minha cara mudar de cor.

- Obrigado, acho eu – ele sorriu e tivemos autorização para sair. A saída foi um pouco agitada, todos pareciam ter pressa, talvez fossem aproveitar uma boa tarde de praia, a última tarde de praia.

Quando cheguei a casa encontrei um silêncio incomum, nem a minha mãe nem a Leonor estavam, achei que era uma boa oportunidade para ir até o computador, tirar algum tempo para mim.

Mais tarde um barulho da fechadura a abrir ecoou pela casa, dirigi-me à porta de entrada do meu quarto e como esperado a Leonor correu para mim

- Olá mana, fui com a mãe à minha nova escola e comprei uma mochila. E tu onde foste marota, quando acordei não estavas aqui – comentou agora um pouco triste – nem me acordaste para podermos tomar o pequeno-almoço juntas!

- Oh nono, não fiques assim, podemos fazer isso em muitos outros dias, eu também tive de ir à minha escola nova.

- Então agora tens de ir ver televisão comigo, deve estar a dar os ursinhos carinhosos – e lá fomos para mais uma sessão de cinema infantil.

Depois do almoço aproveitei para ir dar uma volta pelas redondezas, e como de costume comprei um gelado para a Leonor com o resto de dinheiro que ainda tinha no bolso.

Em casa novamente entreguei o doce à Leonor e os olhos dela brilharam como nunca, era tão giro vê-la ter reações daquelas.

Primeiro dia de escola aqui vou eu, podia estar mais entusiasmada confesso mas não é fácil quando tens de te levantar às seis da manhã (ossos do oficio). A minha primeira aula da manhã é às oito e vinte com a minha diretora de turma e também era minha professora de português. Mal entramos na sala a fomos encaminhados para a parede do fundo para que stora pudesse definir os lugares, sinceramente parecia-mos uma turma da primeira classe e vendo pelos risos que andavam pelo ar parece que não sou a única com esta opinião. Fui das primeiras ao qual foi atribuído um lugar, o meu era logo na primeira carteira mesmo encostada à da stora, só de pensar que ia ter de lá ficar durante todas as aulas.

A distribuição dos lugares continuou, o lugar ao meu lado continuava vazio até que o Gonçalo, aquele rapaz que conheci na apresentação, começou a fazer piadas e a stora disse imediatamente:

- Estás no nono ano não andas aqui a brincar. Quero ficar de olho em ti, vais ocupar o lugar lá na frente – ó meu Deus, isto não me pode estar a acontecer, com tantas raparigas na turma a probabilidade de ser um rapaz a sentar-se ao meu lado é mais do que reduzida e ainda por cima não foi um rapaz foi o rapaz.

- Tenha calma stora, ali mesmo à sua frente? – a stora levou aquilo como uma pergunta de retorica, ele apenas pegou na mala e sentou-se.

A primeira aula da manhã decorreu com normalidade, estou mais do que desabituada a esta rotina. Quando o toque da campainha soou todos saíram com companhia exceto eu, ao que parece o meu “amigo” de Lisboa simpatizou com todos rapidamente.

Já que a próxima aula seria na mesma sala eu optei por ficar por perto, sozinha, ou pelo menos eu pensava que sim:

- Eih, não fiques aí sozinha – eu levantei a cabeça para encarar uma rapariga um pouco mais baixa do que eu, cabelo comprido, não exageradamente comprida, e com um sorriso que fazia saltar a vista de qualquer um – sou a Catarina junta-te a nós, vou apresentar-te o resto das pessoas.

Chegamos perto de um grupo que se encontrava perto da porta da sala:

- Malta, vou apresentar-vos a…- A rapariga parou quando se apercebeu que não sabia o meu nome. Eu sorri e completei.

- Inês prazer! – todos sorriram de volta para mim e eu rapidamente me habituei ao grupo que agora me acompanhava em todos os intervalos.

Mais tarde, já em casa, tive de ajudar a Leonor com umas letras que ela não conseguia fazer. Às vezes penso como é possível fazer aquilo por crer e não por ser obriga, por exemplo em um trabalho de casa, quem me dera ter a vontade dela e o gosto que ela tem por as coisas é tão estranho quando me imagino no lugar dela.

- Mana – disse ela agora com um tom de voz mais elevado, acho que já devia ter chamado o meu nome mais vezes.

- Diz Leonor, já acabas-te?

- Estás na lua Inês, já chamei por ti tantas vezes e nunca respondes-te. Como correu o teu dia na escola? – eu adorava quando ela fazia isto, quando ela se fazia passar por minha mãe, fazia as perguntas que são feitas normalmente por uma mãe e não por uma irmã, muito menos uma irmã mais nova.

- Desculpa estava meia distraída, correu muito bem e o teu dia como foi?

- Ah tu a mim não me enganas! – ela saiu a correr do quarto a gritar por toda a casa – A INÊS TEM UM NAMORADO, a Inês tem um namorado.

- Pirralha cala a boca sim? Quem te ouvir até vai pensar que é verdade, ai já me estás a aborrecer – ela começou a rir sem conseguir parar.

- Ah afinal é verdade – ia dizendo entre risos – arranjas-te um namorado logo no primeiro dia de aulas.

- Para trenga, não é nada disse, na verdade eu fiz muitos amigos hoje mas nada de namorados. Agora se me fazes um favor vamos comer sim?

O jantar correu bem, exceto a parte em que a minha mãe começou a fazer perguntas sobre quem era o namorado de que a Leonor tinha falado e eu logo a repreendi por aquela brincadeira parva.

Por acaso nessa noite antes de adormecer dei por mim a pensar no que acontecera durante a tarde, na brincadeira estúpida da Leonor e veio-me à cabeça a minha primeira conversa com o Gonçalo. Gonçalo que estupidez, como poderia estar a associa-lo aquilo, não tinha nada a ver mas mesmo nada, ele era provavelmente o rapaz mais popular da turma, como iria ele olhar para mim… Olhar para mim? Lá estou eu com os pensamentos estúpidos outra vez, para quê que eu queria que ele olhasse para mim? Para Inês, para mesmo, vamos dormir antes que a tua cabeça seja invadida por um amontoado de pensamentos estranhos.

Notas finais
Opiniões ?