I ♥ My Big Sister!
3 Capítulo 3
Notas iniciais
As primeiras semanas de escola foram passando, o grupo onde eu estou incluída é simplesmente fantástico, a Ana é uma das melhores alunas da turma, assim como eu e a Filipa. As pessoas que o constituíam já não eram as mesmas do início do ano, eramos menos mas em parte era melhor assim! Todos os intervalos eu o Gonçalo, a Filipa e o Carlos, o namorado dela, a Ana e o Pedro, que não são namorados mas bem que podiam ser, ficamos juntos.
— Eih Inês, espera por mim, preciso de falar contigo! – eu virei-me para encarar a Ana que gritava na entrada do portão da escola.
- Despacha-te, fiquei de me encontrar agora com o Gonçalo parece que está a fazer de vela – ao ouvir o meu comentário ela apenas sorriu de uma maneira provocativa e eu só consegui levantar a sobrancelha em resposta.
- Pois, o Gonçalo – disse ela ofegante quando chegou à minha beira – tem mesmo de acontecer alguma coisa entre vocês está a ficar tão estranho o clima.
- ahahahah – eu ri histericamente – olha quem fala, o clima entre ti e o Pedro tornou-se insuportável, vocês andam em filmes à que? Meses? Por isso não fales de mim.
- Vamos esta conversa tornou-se estranha!
Realmente pensei que iria ser terrível ter de deixar todos os meus amigos e vir para o porto, mas inacreditavelmente estou a adorar cá estar. As amizades que tenho feito por aqui são muito recentes confesso, mas são aquelas relações que as pessoas arriscam a dizer que são para sempre.
Ao contrário do que se passava na escola, as coisas em casa não podiam estar piores, eu mal consigo entrar em casa, sempre que o faço ou tento fazer, pequenos flashes do meu pai a levantar a mão e a tentar bater na Leonor aparecem na minha cabeça. Foi realmente um dia complicado na escola, eu apenas entrei em casa e pensei em recompensar a minha pequena irmã pela tarde perdida, o que eu não esperava é que o meu pai fosse estar de tal maneira mal-humorado que fosse capaz de fazer o que fez.
- olá desaparecida – ela disse-me quando eu cheguei a casa, beijei-a e segurei a sua pequena mão na minha.
- olá princesa, desculpa a mana teve de ir estudar a escola está a ficar muito difícil, desculpa mesmo não te ter ido buscar à escola como prometi!
- oh Inês não há problema realmente – eu já sabia o que se ia seguir – agora vais compensar-me com uma enorme dose de ursinhos carinhosos – e pronto não tive escolha, naquele dia eu não pensava duas vezes se aparecesse uma oportunidade para compensa-la, eu sabia o quanto ela gostava e disfrutava do pouco tempo que estávamos juntas.
Ao chegar à sala em vi o meu pai no sofá, estava descontraído mas parecia estar mais interessado descansar do que em ver televisão propriamente, dirigi-me ate ele segurando a mão da Leonor, sem tentar perturbar demais pedi para assistir a um pouco de TV com a Nonô.
- Pai, eu e a Leonor queríamos ver um pouco de televisão, eu não pude ir… — ele interrompeu de imediato.
- Eu quero lá saber, não vez que quem está a ver televisão sou eu, então faz-me um favor leva-me essa pirralha para o quarto e vê se a pões a estudar que isso é que é importante.
- És um bruto e eu odeio-te – foi a vez da Leonor intervir, ela era uma criança, não tinha a noção de muitas coisas que dizia, mas ela não queria provocar o que viria a acontecer.
- Tu quê? Eu sou teu pai disso não te esqueças e tu podes chorar berrar que não vou mudar a minha decisão.
- Tu não és meu pai nunca mais – ele levantou-se, e berrou com ela tão alto que ela só conseguiu esconder-se por trás de mim.
- Eu sou o vosso pai, eu sou quem manda aqui em casa, eu decido o que vemos nesta e em qualquer outra televisão. Se tu me odeias o problema é teu eu só quero que estudes e me faças poder mostrar aos outros que as minhas filhas são boas alunas agora ide para lá para dentro senão…
- Senão o quê? Vai bater nela, vai bater em mim? Vai fazer o que diga lá – eu já não consegui guardar o que estava preso na garganta, este nó já estava a tornar-se insustentável – Você tornou-se na pior pessoa do mundo, você sempre foi amado nesta casa, no entanto a partir do momento que cruzou aquela porta completamente bêbado e fez o que fez com a MINHA mãe você tornou-se em um autêntico animal, tornou-se em alguém a quem já não posso chamar de pai tornou-se num estranho que por acaso vive na mesma casa que eu. – ele explodiu assim como eu.
- Eu não te admito eu sou o teu pai quer queiras quer não – eu tentei protestar e ele só teve tempo de me levantar a mão.
- Vá, vá então dê, falta a coragem é? – ele passou das ameaças à real, eu apenas senti ele marcar a mão na minha cara, mas para dizer a verdade doeu mais por dentro, ele magoou todos nós, eu não sei como cheguei a pensar que ele poderia estar a mudar.
- EU ODEIO-TE COM TODAS AS MINHAS FORÇAS, odeio-te com tudo o que sou – as lágrimas escorriam-me pela face, eu peguei o meu telemóvel, pousado na mesa de jantar, e saí, saí sem pensar em mais ninguém. Posso jurar a qualquer um que a minha irmã é a pessoa que mais amo no mundo, mas este foi o meu momento, eu não consegui nem podia pensar em ninguém, pela primeira vez em 14 anos eu realmente precisei de me colocar em primeiro.
O choro não queria acalmar, ele apoderava-se de mim a cada minuto que passava, as minhas pernas pediam para eu parar, o meu corpo pedia por uma pausa, o meu corpo pedia por tudo menos por aquilo que aconteceu. Sentei-me num banco perto de um pequeno riacho, precisava de um tempo, de espaço. O meu telemóvel marcava as oito e meia, eu marquei o número da Ana e pedi por tudo para ela não estar a estudar no entanto ela não atendeu.
Quando estava pronta para guardar o telemóvel e retomar a casa ele vibrou, o Gonçalo estava a ligar-me:
- Diz
- Estou a incomodar? – a voz dele era suave e mostrava o seu espirito sempre animado.
- Não, precisas de alguma coisa? – ao contrário da dele, a minha voz saia rouco e ainda se podiam notar os soluços do choro que à breves minutos marcava presença.
- Eu… — ele parou, percebeu que algo se passava, ele sempre percebia – Inês está tudo bem?
- Não… — oh porcaria, tudo estava mal mas ele não necessitava de saber – desculpa está, dia cansativo, só isso.
- Por muito que não queiras eu percebo que tudo está errado. Eu comi mais cedo, amanhã é sábado e como consigo ouvir o vento presumo que estejas fora de casa. Então Inês onde estás? – ele era o que ele era, aquela pessoa perfeita que estava sempre lá.
- Gonçalo, está tudo bem realmente eu apenas pensei em tirar um tempo para mim, vim até o parque não te preocupes estou bem – eu precisava de tentar.
- Não saias daí, estou agora a pegar as chaves, encontramo-nos em dez minutos – antes que eu pudesse protestar ele desligou. Eu queria sorrir e agradecer por me terem dado a conhecer alguém como ele, afinal era sexta-feira e ele estava a sair de casa apressadamente para poder vir ter comigo, para me vir fazer sorrir, ele conseguia sempre fazer-me sorrir.
Dez minutos depois eu encontrei-me com um Gonçalo preocupado, os fortes olhos azuis dele não mostravam qualquer tipo de pena. Nós caminhamos até bem perto do riacho para que eu pudesse descansar o meu corpo sobre as grades, ele começou:
- Estás bem?
- Não, mas não gosto de preocupar ninguém, muito menos chatear os meus amigos com isto – ele pousou a mão no meu queixo e fez-me encontrar os olhos dele. A sua expressão mudou radicalmente, já não mostrava aquele sorriso acolhedor que eu adorava, mostrava agora uma preocupação extrema, ele notou as marcas no meu rosto.
- Eih, o que se passou?
- O meu pai… — mas antes que eu pudesse continuar as lágrimas voltaram, eu tentei com tudo não chorar, mas a dor era enorme e tornou-se impossível.
- Está tudo bem – ele pousou a mão no meu ombro e depois deslizou-a pelo meu braço, puxou-me para um abraço tão forte tão reconfortante. Dizer que era muito bom não era suficiente, eu aconcheguei a minha cabeça no peito dele e conseguia ouvir o coração, ele passava a mão nas minhas costas e com a outra massajava o meu cabelo, eu só desejei poder ficar ali para sempre.
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