I Just Wanna Stop

28 Viagem a Mystic Falls


Notas iniciais
Boa noite, mi amores! Depois de uma eternidade eu finalmente consegui dar o ar da minha graça... e.e Seria tarde de mais para dizer que eu sinto muito? Espero que não! Primeiramente peço desculpas pela demora e gostaria de agradecer pelos comentários divíssimos do último capítulo! *-* Espero que o capítulo enorme compense um pouco a demora ;) Sem mais delongas... Good read!

Pov. da Lexi

Alguns dias depois do meu aniversário, Klaus recebeu um telefonema de alguém chamado Damon comunicando sobre a morte eminente de uma tal Katerina, por quem o Híbrido nutria um antigo e profundo desafeto. Segundo o informante de Klaus, Katerina estava em Mystic Falls, a cidade na qual ele residia há alguns meses. E é claro que meu melhor amigo não deixaria esse acontecimento passar em branco. No mesmo dia Klaus anunciou sua pequena viagem e para minha total surpresa me chamou para ir junto. A princípio eu recusei a proposta, mas depois de pensar no estrago que ele poderia fazer e me lembrar do quanto aquela cidade significava para ele, acabei aceitando o convite. Como era de se esperar, Cami foi terminantemente contra ao que ela nomeou como loucura da minha parte. No entanto como eu tinha atingido a maioridade, eu agora era legalmente responsável por mim mesma, o que me dava liberdade de ir e vir como bem entendesse. Steve foi outro que não gostou nem um pouco dessa notícia. Tivemos uma longa e complicada conversa que resultou em uma crise de ciúmes dele e na minha promessa de que não levaria nem mesmo três dias inteiros para voltar.

E embora eu tivesse aceitado ir, não estava de acordo com essa viagem. E era justamente por isso que nesse exato momento eu observava Klaus terminar de se arrumar enquanto eu tentava convencê-lo a desistir dessa ideia absurda.

— Ainda não acredito que você vai fazer isso. Perturbar alguém em seu leito de morte é no mínimo terrível. – Quebrei o curto silêncio mais uma vez tentando dissuadi-lo.

— Você não a conhece. Katerina merece isso e muito mais, porém ela é somente um pretexto. O principal motivo da minha ida até lá é outro. – Respondeu ele arrumando seu casaco preto.

— Qual? – Perguntei confusa e curiosa ao mesmo tempo.

— Caroline. – Revelou sorrindo, erguendo os olhos para mim. Levei um minuto inteiro para me lembrar de quem ele estava falando.

— Caroline? A garota por quem você é apaixonado? – Indaguei com um misto de incredulidade e empolgação. Klaus apenas assentiu. – Eu não acredito! Finalmente vou poder conhecê-la! – Exclamei alegre batendo palminhas, arrancando um lindo sorriso dele.

Agora sim eu realmente estava animada em ir até Mystic Falls. Conhecer a grande paixão do meu melhor amigo seria uma experiência no mínimo incrível.

— Tenho certeza de que vocês se darão muito bem. – Afirmou ele me encarando ainda sorridente. Sorri de volta.

Era nítida a sua ansiedade e sua expectativa em relação a essa viagem e eu torcia do fundo do meu coração para que desse tudo certo.

— Já estão prontos? – Perguntou Rebekah surgindo na porta do cômodo em que estávamos me dando um pequeno susto.

— Já. – Klaus respondeu por nós dois.

— Ótimo. Eu vou buscar o Tyler e saio logo depois de vocês. – Informou ela.

— Você também vai? – Indaguei surpresa. Klaus não tinha me dito nada sobre isso.

— Vou. Digamos que eu também tenha assuntos inacabados por lá. – Declarou misteriosa piscando para mim.

— Assunto esse que atende pelo nome de Matt. Um quarterback colegial com quem minha querida irmãzinha viveu um tórrido romance. – Intrometeu-se Klaus, lançando a Original um sorriso zombeteiro.

Rebekah o encarou com deboche e em seguida sorriu amavelmente para mim, dando meia volta e nos deixando a sós novamente. Olhei de modo interrogativo para Klaus, porém ele limitou-se a erguer as sobrancelhas com o cinismo ainda estampado no rosto.

— Vamos? – Chamou-me poucos instantes depois. Assenti com a cabeça saindo junto com ele.

Não havia ninguém no pátio. Deduzi que os vampiros estavam espalhados pela cidade cumprindo as ordens dadas pelo Híbrido ao meu lado. Segui com Klaus até o carro dele e me acomodei no banco do carona. Não demorou muito e já nos encontrávamos do outro lado do rio Mississipi. Klaus parecia perdido em pensamentos enquanto dirigia e eu estava entretida com a paisagem e com a música que ecoava de fundo. Eu tinha tomado a liberdade de ligar o rádio há alguns minutos e para minha alegria agora estava tocando Breakeven do The Script. Eu simplesmente amava essa música.

Continuei com minha atenção voltada para a janela apreciando o momento good vibes. Desde que tinha descoberto a verdadeira razão de Klaus querer ir até Mystic Falls, eu estava com um ótimo pressentimento. Senti o olhar dele sobre mim e virei-me para olha-lo também.

— O que foi? – Perguntei querendo saber o porquê de ele estar me observando.

— Nada. – Respondeu vagamente desviando os olhos para estrada. Dei de ombros.

— Por que a Rebekah não veio com a gente? – Procurei saber estranhando a ausência da Original.

— Porque ela tinha umas pendências para resolver, mas o carro dela está logo atrás do nosso. – Informou ele indicando o espelho retrovisor.

Acenei com a cabeça em sinal de entendimento e a apoiei próxima à janela.

— Não vejo a hora de chegarmos. – Comentei sorrindo.

— Eu também, sweetie. – Concordou abrindo um sorriso.

O encarei por alguns minutos e fechei meus olhos imaginando como seria conhecer a tão famosa Caroline. Eu sinceramente desejava que nós duas nos déssemos muito bem.

(...)

Algumas horas depois, enfim pude avistar a placa de boas vindas da cidade. Acabei cochilando um pouco durante o caminho. Diferente de New Orleans, Mystic Falls era, aparentemente, pequena e pacata. Eu admirava a paisagem completamente encantada com tudo que eu via. Por alguma razão desconhecida, eu senti uma grande empatia por esse lugar. Quando chegamos a uma área deserta e próxima a floresta, Klaus finalmente estacionou o carro e eu não hesitei em descer. Ele me seguiu e poucos minutos depois o carro de Rebekah parou atrás do dele. Esperamos ela nos alcançar e adentramos a floresta.

— Pronto. Chegamos à propriedade dos Salvatore. – Anunciou o Híbrido abrindo os braços, me fazendo olhar ao redor curiosa.

— O que faremos agora? – Questionou a Original aproximando-se de nós.

— Ouvi dizer que Matt está com problemas. Por que não vai socorrê-lo enquanto eu encontro Caroline? – Sugeriu Klaus, me lembrando da conversa que ele tinha tido mais cedo com o tal de Damon.

— Boa ideia. – Aprovou Rebekah sorrindo para nós antes de literalmente sumir das nossas vistas.

Klaus voltou sua atenção para mim. Ele iria dizer alguma coisa, mas eu o interrompi. Eu sabia que Caroline estava em algum lugar por ali e que ele estava doido para vê-la. Não seria eu a atrapalhar esse momento.

— Vá atrás dela. – Ordenei me referindo a Caroline. Ele me encarou por alguns segundos parecendo em dúvida sobre me deixar sozinha ali. – Não se preocupe, eu vou esperar no carro. – O tranquilizei.

Klaus abriu um sorriso ao qual eu não pude deixar de retribuir.

— Boa sorte. – Desejei antes de ele partir.

Embora eu quisesse muito conhecer sua grande paixão, aquele era um momento apenas dos dois e eles precisariam de privacidade para se entender melhor. Isso sem falar que se Klaus fosse acompanhar o meu ritmo humano levaria horas para encontrar sua amada.

Ainda andei por algum tempo antes de perceber a furada na qual eu estava metida. Bati uma das mãos contra a testa ao me dar conta da minha idiotice. Eu estava em uma floresta desconhecida, sozinha e completamente perdida. Amaldiçoando-me internamente, prossegui pelo caminho a minha esquerda procurando o local onde havíamos deixado o carro. Depois de caminhar por tempo indeterminado, avistei um casal alguns metros à frente. Fiquei em dúvida sobre o que fazer e antes que eu decidisse, eles também me viram.

— Hey! O que faz aqui? – Perguntou-me o garoto. Ele era alto, malhado, tinha o cabelo e os olhos castanhos e parecia ter no máximo uns dezessete anos. Ele era bem gato.

Não tive outra reação a não ser olhar para os lados, tentando pensar em algo para sair daquela situação.

— Eu... Eu me perdi. – Gaguejei dando alguns passos para trás.

— Quem é você? – Foi a vez da garota que estava com ele perguntar. Ela era morena, tinha o cabelo curto e castanho, olhos verdes e parecia ter a mesma idade que eu. Ela também era muito bonita.

— Meu nome é Lexi. – Respondi um pouco mais tranquila. Alguma coisa me dizia que eu podia confiar neles.

— Lexi? – Repetiu o garoto trocando um olhar com sua acompanhante.

— Há algo errado? – Indaguei estranhando a reação dos dois.

— De forma alguma. – Apressou-se em dizer a garota. – E a propósito, eu me chamo Bonnie e ele é o Jeremy. – Apresentou-se em seguida.

O nome deles me parecia vagamente familiar. Tentei me recordar de onde os conhecia, mas não consegui. Só sabia que tinha algo ver com Klaus.

— Você está sozinha? – Questionou Jeremy. Levei um minuto para responder.

— Não. Eu estava com alguns amigos, mas acabei me separando deles. – Contei mexendo no cabelo.

— Você está perdida? – Deduziu Bonnie.

— Creio que sim. – Afirmei com um sorriso sem graça. Os dois se entreolharam novamente.

— Também estávamos procurando um amigo nosso, mas uma amiga já foi resgatá-lo. Podemos ajuda-la a achar os seus, se quiser. – Ofereceu Jeremy.

— Não precisa. Meu celular está sem sinal, seria inútil tentar encontra-los. Preciso de algum lugar em que o sinal pegue. – Inventei uma desculpa.

Apesar de estar mesmo perdida, eu não podia contar nem com Klaus e nem com Rebekah nesse momento. Tudo o que eu precisava era achar os carros ou então de um lugar no qual pudesse espera-los.

— Venha conosco. A mansão Salvatore não é muito longe daqui e lá eu tenho certeza de que seu celular vai funcionar. – Convidou-me Bonnie.

Intercalei o meu olhar entre eles. Até onde eu sabia, Salvatore era o sobrenome de dois dos desafetos que Klaus tinha nessa cidade. Mesmo com certo receio, resolvi seguir minha intuição e ir com eles. Matar um pouco do tempo na tal mansão era uma opção melhor do que continuar perdida na floresta. E também, ninguém tinha conhecimento da minha ligação com o Híbrido Original.

— Então, Lexi, você é nova na cidade? – Procurou saber Jeremy. Andávamos lado a lado, sendo que ele estava em uma ponta, eu na outra e Bonnie no meio.

— Não. Só estou de passagem. – Informei.

— Você veio de onde? – Inquiriu Bonnie.

— New Orleans. – Respondi simplesmente. Não pude deixar de notar o olhar que eles trocaram entre si.

— Você deu sorte de ter nos achado. Essa floresta não é muito segura. – Comentou Jeremy num tom misterioso.

— Por que não? – Perguntei com curiosidade. Mais uma vez ele trocou um olhar com Bonnie.

— Digamos que tem muitos predadores por aqui. – Disse soando sombrio.

Em minha cabeça só consegui ligar a palavra “predadores” aos seres sobrenaturais que eu sabia que viviam nessa cidade.

Conversamos bastante durante o curto trajeto. Bonnie e Jeremy fizeram uma espécie de interrogatório comigo, ao qual eu respondi tendo o cuidado de não me comprometer. E embora estivesse há pouquíssimo tempo com os dois, eu já sentia uma forte simpatia por ambos. Quando chegamos à mansão, fiquei impressionada com a beleza do lugar.

— Nossa! – Exclamei admirada olhando ao redor.

— É bonito mesmo. Espere só até você ver por dentro. – Falou Jeremy sorrindo simpático. Meu encantamento não tinha passado despercebido por ele e Bonnie.

Os acompanhei, adentrando a mansão e de fato eu fiquei ainda mais maravilhada. A decoração da sala na qual nos encontrávamos era simplesmente incrível.

— Eu disse que você ia gostar. – Brincou Jeremy ao passar por mim em direção a um dos sofás enquanto eu permanecia paralisada próxima à porta.

— Fique a vontade. – Disse Bonnie em um tom gentil, parada ao meu lado.

Sorri para ela e me caminhei até o sofá de frente para o que Jeremy tinha ocupado. Não demorou muito e Bonnie sentou-se ao lado dele. Eu podia apostar que eles formavam um casal. E um muito bonito por sinal.

— Vocês moram aqui? – Não me contive em perguntar.

— Não, mas passamos muito tempo aqui. – Respondeu Jeremy.

— Essa casa pertence aos irmãos Salvatore. Está a gerações na família deles. – Completou Bonnie.

— Deve ser muito legal viver aqui. – Afirmei ainda fascinada.

— Bem, não podemos reclamar de tédio. – Garantiu Jeremy trocando um meio sorriso com Bonnie.

— Onde eu moro também não. – Deixei escapar me lembrando dos rolos em que havia me metido desde que esbarrei em Klaus.

— New Orleans é meio longe. O que você e seus amigos vieram fazer aqui? – Sondou Jeremy.

— Viemos visitar uma pessoa, mas como eu já disse, acabamos nos perdendo no caminho. – Contei uma meia mentira. Nenhum dos dois pareceu se convencer completamente.

— Foi realmente muita coincidência termos nos encontrado. – Murmurou ele.

— Ou talvez tenha sido destino. – Discordou Bonnie num tom enigmático, me encarando. Senti um arrepio percorrer meu corpo.

— Talvez. – Repeti desviando meu olhar do dela.

Ficamos em silêncio. Enquanto eu analisava o ambiente ao meu redor, eu podia sentir a atenção dos dois voltada para mim.

— E então? O que faremos com relação a seus amigos? – Indagou Jeremy depois de algum tempo.

— Agora que meu celular já está com sinal, é só aguardar alguma notícia deles. – Respondi dando de ombros.

— E o que você pretende fazer até lá? – Perguntou Bonnie.

— Não faço a mínima ideia. – Falei com sinceridade.

Ambos se encararam e antes que pudessem dizer alguma coisa, a porta foi aberta por um garoto, muito gato, diga-se de passagem. Ele alto, loiro, forte e tinha olhos azuis.

— Matt! – Exclamaram juntos ao se darem conta da presença do recém-chegado.

— Você nos deu um susto, cara! Fico feliz que você esteja bem. – Disse Jeremy.

— Cadê a Caroline? – Interpelou Bonnie.

— Eu não sei. Achei que ela estivesse aqui com vocês. – Esclareceu Matt aparentando confusão.

— Então quem te tirou do cofre? – Interrogou Jeremy.

— Vocês não vão acreditar. Foi a Rebekah. – Matt revelou com um imenso sorriso.

Enquanto Jeremy e Bonnie ficavam boquiabertos com a notícia, eu tentava organizar meus pensamentos.

Pelo que eu pude entender esse Matt que se encontrava há alguns passos de distância de mim era o mesmo Matt de Rebekah. E a julgar pelo brilho de felicidade nos olhos dele, o encontro dos dois havia sido maravilhoso. Quanto a Caroline, se fosse a mesma Caroline que eu estava pensando que era, eu só podia interpretar o seu aparente “sumiço” como um sinal de que ela estava com Klaus.

— Rebekah? O que ela faz aqui? – Estranhou Jeremy.

— De alguma forma ela ficou sabendo que eu estava em apuros e veio me salvar. Mas não precisam se preocupar, ela me garantiu que partirá ainda hoje. – Explicou Matt fazendo o garoto e Bonnie trocarem um olhar aliviado. Ao que parecia, Rebekah não era muito querida.

Observei os três e foi então que eles pareceram se lembrar da minha existência.

— Quem é ela? – Perguntou Matt olhando de mim para o casal a sua frente.

— O nome dela é Lexi. A achamos perdida na floresta enquanto procurávamos por você. – Bonnie respondeu.

Matt me analisou por um segundo, meio em dúvida, mas logo estendeu a mão para me cumprimentar.

— Prazer, como você já deve ter percebido, meu nome é Matt. – Apresentou-se com um sorriso simpático.

— O prazer é meu. – Retribui ao aperto também sorrindo. Consegui ver pouquíssimas coisas antes que ele soltasse minha mão.

— Você é nova na cidade? – Ele indagou sentando ao meu lado.

— Não. Estou apenas de passagem. Eu meio que me perdi dos meus amigos e agora estou aqui, aguardando algum sinal de vida deles. – Expliquei minha situação. Matt assentiu.

— Então? O que fazemos agora? – Questionou ele depois de um breve silêncio.

— Não sei. O que podemos fazer aqui de divertido para matar o tempo? – Retruquei abrindo um dos meus melhores sorrisos. Apesar da curta convivência, eu realmente tinha gostado deles.

Os três se entreolharam. Matt foi o primeiro a se manifestar.

— Sabe jogar truco? – Inquiriu abrindo um sorriso animado. Limitei-me a responder com a cabeça.

Pouco minutos depois, estávamos imersos no jogo, nos divertindo como se nos conhecêssemos a um bom tempo. Minha parceira de jogo era Bonnie enquanto os garotos formavam uma dupla. Por alguma razão desconhecida, eu me sentia extremamente bem estando com eles.

(...)

Já tinha anoitecido e eu ainda me encontrava na sala de estar da mansão Salvatore na companhia de Matt, Bonnie e Jeremy. A essa altura, nosso pequeno campeonato de truco já tinha acabado há algumas horas, no entanto a nossa interação estava cada vez melhor. Eu já podia dizer com toda convicção do mundo que eles seriam ótimos amigos. Era uma pena morarmos tão distantes uns dos outros. Me distraí tanto graças a companhia deles, que nem lembrava mais o motivo pelo qual eu estava ali.

Estávamos rindo de mais uma história contada por Matt sobre um jogo do seu time da escola quando uma garota muito bonita abriu a porta. Ela era loira, tinha os olhos azuis e aparentava ter a minha idade. Mesmo nunca tendo a visto pessoalmente, não demorei muito para reconhecê-la graças as memórias de Klaus. A garota era ninguém mais, ninguém menos, que Caroline. Não pude deixar de notar quando ela retirou uma folha do cabelo.

— Onde você estava? – Perguntou Matt enquanto ela aproximava-se de nós.

— Na floresta. Eu me perdi. – Caroline respondeu fechando sua jaqueta até o pescoço. Não pude deixar de sorrir com o jeito dela. Certamente ela estava com Klaus até agora. – O que estamos fazendo? – Indagou em seguida, sentando na poltrona ao lado do sofá no qual Jeremy e Bonnie estavam.

— Estamos fazendo companhia para Lexi. – Informou Jeremy atraindo atenção dela para mim.

— Assim como você, ela também se perdeu na floresta. – Emendou Matt.

— Desculpe, eu não tinha reparado você aí. Eu sou Caroline. – Se apresentou.

— É um prazer conhece-la. – Repliquei com um sorriso sincero. Mesmo parecendo meio desconcertada, ela me retribuiu sorrindo de volta.

Fiquei feliz por finalmente poder conhecê-la. E a empatia que eu senti por ela só me deixou ainda mais animada. Ela e meu melhor amigo formariam um belo casal.

Antes que alguém pudesse dizer alguma coisa, dois homens entraram na sala. Um deles tinha cabelo preto e olhos azuis e o outro tinha cabelo castanho e olhos verdes, ambos eram extremamente bonitos.

— Já tomamos quatro garrafas de uísque hoje? – Interpelou o de olhos verdes, mas logo se calou ao notar minha presença.

— Quem é a top model? – Questionou o de olhos azuis me analisando com desconfiança. Abri a boca para responder, porém Bonnie foi mais rápida.

— Essa é a Lexi. – Disse simplesmente.

— Lexi? – Repetiu o de olhos verdes.

— Há algo errado com o meu nome? – Inquiri confusa.

— Não. É que esse era o nome da minha melhor amiga. – Justificou fazendo um arrepio percorrer meu corpo.

— Eu sinto muito. – Murmurei sentida por ele. Mesmo sendo um completo estranho para mim, ele me parecia ser uma boa pessoa.

Ficou um clima meio pesado no ar. A menção a outra Lexi pareceu perturbar a todos, principalmente o belo rapaz de olhos verdes. Involuntariamente, me vi perdida em uma troca de olhares com ele. Por algum motivo desconhecido, ele me transmitia uma sensação de familiaridade incrível.

— Onde está a Elena? – Procurou saber Caroline quebrando o silêncio.

— Está lá em cima com a Katherine. – Falou o de olhos verdes desviando sua atenção para ela.

— Em seu último ato de misericórdia com a biscate. – Completou o de olhos azuis num tom debochado.

— Damon! – O de olhos verdes o repreendeu.

Observei o cara de olhos azuis com mais atenção. Damon... Então havia sido ele o responsável pela vinda de Klaus até aqui.

— Sem estresse, Stefan. – Retrucou Damon para o de olhos verdes.

Não demorei muito para ligar os pontos. Por pura coincidência, ou não, o destino tinha me colocado cara a cara com os famosos irmãos Salvatore.

— Agora... Voltando ao que interessa... Onde a encontram? – Inquiriu Damon apontando para mim.

— Na floresta enquanto procurávamos por Matt. – Respondeu Jeremy.

— Olha só... Essa cidade está cada vez mais interessante. Não é todo dia que saímos para procurar um ajudante de garçom e encontramos uma angel da Victoria’s Secret.* – Ironizou Damon servindo-se uma dose de uísque.

Não pude deixar de me sentir lisonjeada e envergonha ao mesmo tempo com seu comentário.

— Obrigado pela parte que me toca, Damon. – Rebateu Matt contrariado.

— Disponha. – Alfinetou Damon, erguendo o copo em direção a ele, como se fizesse um brinde. Matt revirou os olhos.

Analisei Damon com mais atenção e percebi que ele fazia o mesmo comigo. Alguma coisa no jeito sarcástico dele me lembrava vagamente de Klaus. Tinha certeza de que se eu ficasse mais alguns dias, ou até mesmo semanas aqui, nos tornaríamos bons amigos. Na verdade não só ele, como todos os presentes.

Stefan resolveu se pronunciar para por fim ao breve silêncio que havia se formado novamente, mas antes que ele pudesse falar, a porta foi aberta por Tyler, o garoto que tinha sequestrado Hayley. Ele largou a sacola que segurava próxima a porta.

— Tyler? – Proferiu Caroline aparentemente chocada.

— Rebekah mandou lhe dizer que eu sou seu presente de despedida. – Disse ele a Matt, indo até o mesmo. – Oi, Care. – Emendou virando-se para Caroline.

— Olá. – Ela retribuiu sem graça, desviando o olhar do dele logo em seguida.

Tyler voltou sua atenção para Matt, que havia levantado para abraça-lo. Nesse exato momento, senti meu celular vibrar como um louco no bolso do meu casaco. O peguei e vi o nome de Klaus piscando na tela. Levantei atraindo o olhar de todo mundo.

— Finalmente meus amigos resolveram dar notícias... Eu preciso ir. – Anunciei ainda com o celular em mãos.

— Já? – Indagou Matt.

— Como assim? – Questionou Jeremy quase ao mesmo tempo.

— Pode ficar aqui se quiser... E seus amigos também. – Ofereceu Stefan me examinando.

— Obrigada por tudo. Foi realmente um prazer conhecer todos vocês, mas eu preciso ir. – Agradeci guardando o celular, que continuava vibrando, no bolso. Acenei para eles e caminhei até a porta.

— Hey! – Ouvi me chamarem e virei. – Voltaremos a te ver algum dia, Srtª. Misteriosa? – Inquiriu Damon me encarando com as sobrancelhas arqueadas.

Não pude deixar de sorrir. Todos me encaravam com expectativa, aguardando minha resposta.

— Quem sabe? – Dei de ombros acenando uma última vez e saindo da mansão. Acabei rindo. A cara de interrogação deles diante da minha despedida tinha sido hilária.

Mesmo com o breu da noite, tentei refazer o mesmo trajeto que tinha feito horas antes com Bonnie e Jeremy. Meu celular ainda vibrava, mas eu queria me certificar que estava longe o bastante para não ter minha conversa com Klaus ouvida pelos vampiros da mansão.

Alguns minutos depois que eu adentrei a floresta, meu celular parou de vibrar. Eu quase não enxergava um palmo diante do meu nariz. Já estava prestes a tirar meu aparelho do bolso para telefonar para Klaus quando um vulto surgiu a minha frente. Abri a boca para gritar, porém uma mão me impediu. Não demorei a reconhecer o Híbrido Original me encarando com uma feição séria.

— Onde você estava? – Perguntou retirando sua mão da minha boca.

— Que susto! Você quer me matar? – Exclamei levando a mão ao peito sentindo meu coração bater descompassado.

Klaus limitou-se a me encarar com a mesma expressão de antes.

— Você disse que ia esperar no carro. Te procurei por toda a parte. Rebekah não deu por sua falta porque pensou que você estivesse comigo, o que obviamente não aconteceu. – Esbravejou. Apesar da sua aparente irritação, eu sabia que esse era o jeito dele de mostrar que tinha se preocupado comigo. Não consegui conter um sorriso diante dessa conclusão.

— Cadê a Rebekah? – Questionei querendo mudar de assunto.

— Está nos esperando onde você disse que estaria. – Ironizou cínico. Revirei os olhos.

— Como foi com a Caroline? – Interpelei curiosa. Klaus abriu um imenso sorriso.

— Digamos que foi bem melhor do que eu tinha imaginado. – Disse num tom malicioso me fazendo lhe dar um tapa fraco no braço, rindo em seguida.

Começamos a andar novamente pela floresta e vira e mexe eu tropeçava em alguma raiz de árvore, o que me fez enlaçar o meu braço ao de Klaus em busca de apoio.

— Você ainda não respondeu a minha pergunta. Onde esteve? – Voltou a perguntar depois de algum tempo, me encarando.

— Quando eu te contar, você não vai acreditar. – Respondi sorrindo num tom misterioso.

Klaus ergueu uma das sobrancelhas em minha direção. Limitei-me a balançar a cabeça.

Não demorei a abrir o jogo com ele. Não preciso nem dizer que Klaus ficou furioso ao saber que eu passei a tarde inteira na mansão Salvatore e principalmente que eu havia conhecido os proprietários. E o fato de eu ter apreciado e muito a experiência, pareceu irrita-lo ainda mais. Não entendi muito bem sua reação, mas não me importei. Eu estava certa sobre essa viagem. Apesar dos contratempos, foi realmente maravilhosa, sobretudo pelas novas amizades que eu tinha feito. Novas amizades... Talvez eu devesse mesmo voltar a Mystic Falls algum dia.



Notas finais
* Espero que assim como o Capitão América, vcs tenham entendido a referência :D Kkkkkkkkkkkk PS: Qual a opinião de vocês se, por acaso, em algum momento da fic, a Lexi fosse passar uma temporada em Mystic Falls? Então, o que acharam? Comentem! XOXOXOXOXOXO