I Just Wanna Stop
33 Segredos do Passado
Notas iniciais
Pov. da Lexi
Após a notícia bombástica dada por Elijah, nós voltamos para o French Quarter. Quando chegamos ao casarão o Original explodiu com os demais vampiros. Ele queria ajuda para procurar os irmãos e parecia abalado com os últimos acontecimentos. Eu não podia julga-lo. Eu estava tão ou mais preocupada do que ele. A lembrança do meu último abraço com Klaus não saía da minha cabeça. Se eu soubesse o que iria acontecer, com certeza não teria me afastado dele. Minha única esperança era conseguirmos encontra-lo o quanto antes ou então eu acabaria enlouquecendo. Devido às circunstâncias, Elijah achou melhor eu passar a noite no casarão mesmo. Segundo ele, seria mais seguro para mim. Não contestei. Ele já estava com problemas demais para eu me tornar mais um. Enquanto eu pegava algumas roupas emprestadas com Hayley, pude finalmente questiona-la sobre Jackson. Pelo que ela me contou, o lobisomem fazia parte da história que a própria nem sabia que tinha. Até prometidos um ao outro em casamento os dois haviam sido por suas famílias. Era engraçado imaginar esse tipo de aliança sendo feita em pleno século XXI. Principalmente se levarmos em consideração o fato de ambos fazerem parte da realeza do povo deles.
Depois de conseguir me distrair minimamente durante minha conversa com Hayley, me acomodei em um dos inúmeros quartos desocupados e resolvi ligar para Cami. Ela certamente devia estar preocupada comigo. Porém falar com ela só me deixou ainda mais aflita. Como se não bastasse tudo que tinha acontecido nas últimas horas, ainda descubro que o padre Kieran havia sido enfeitiçado com o mesmo feitiço que Sean. Quando desliguei o telefone, tudo que eu consegui fazer foi me encolher na cama e chorar. Eu daria qualquer coisa para ter Klaus comigo agora. Eu não iria suportar se algo acontecesse com ele ou Rebekah e muito menos podia deixar que Cami perdesse o único familiar que ela tinha de forma tão trágica. Eu estava me sentindo completamente perdida. Sem nenhuma ideia do que fazer.
Passei a noite inteira em claro. Foi impossível dormir. Nem mesmo o cansaço causado pelo estresse do dia anterior foi o suficiente para me fazer cochilar um minuto que fosse. Assim que me troquei, fui à procura de Elijah, mas ele já tinha saído. Mesmo sem fome, acompanhei Hayley no café da manhã e fiquei com ela esperando por alguma novidade. Estávamos no quarto dela quando ouvimos Elijah nos chamar.
— Lexi! Hayley! – Gritou ele de um lugar próximo.
Após nos entreolharmos brevemente, fomos ao encontro do Original. Ele estava em uma das salas do segundo andar. Adentramos o cômodo notando a presença de Marcel.
— Elijah, você encontrou... – Começou Hayley, no entanto acabou se interrompendo.
— Alguma coisa...? – Emendei completando a frase anterior.
Eu e Hayley paralisamos por alguns segundos ao nos deparar com Elijah sem camisa. Trocamos um breve olhar uma com a outra antes de voltarmos a encarar o Original. Aquela visão sem dúvidas havia nos pego desprevenida. Limpei a garganta, meio constrangida, numa tentativa de recuperar o foco.
— E então? Descobriu algo? – Perguntei ansiosa.
— Sophie está morta. Segundo a sobrinha dela, Monique, sua morte foi uma casualidade da guerra. – Contou Elijah.
Senti o choque percorrer meu corpo. Eu não era tão próxima a Sophie, mas eu a conhecia. Foi impossível não me comover com essa notícia.
— O que é isso? – Indagou Hayley após um curto silêncio se referindo às várias palavras tatuadas pelo tórax e pelos braços do Original.
— Preciso que façam uma lista desses nomes. Por favor. – Pediu ele.
Mais uma vez troquei um olhar com Hayley. Mesmo um pouco desconcertada, caminhei até Elijah junto com a morena.
— Tudo bem. – Murmurou ela enquanto nos aproximávamos.
Quando paramos diante dele, foi impossível não percorrer seu corpo com os olhos. Inclusive, tivemos que rodeá-lo. As frases na verdade eram nomes femininos.
— Sabine? Elijah, o que é isso? – Voltou a questionar Hayley quando notou o nome “Sabine Laurent” escrito no antebraço esquerdo dele.
— Acredito que são os nomes das mulheres que Celeste habitou nos últimos dois séculos. – Informou.
— É chamado de devinette. – Manifestou-se Marcel trazendo blocos de papel e canetas. – É antigo, tipo um enigma. Usam para ensinar as crianças. Resolva-o e ele desaparecerá. – Completou entregando os objetos a Hayley e a mim.
— Por quê? Qual é o sentido? – Quis saber Hayley.
— Celeste me obrigou a escolher entre vocês e meus irmãos. Agora, ela está zombando de mim com esse jogo infantil. Quanto mais tempo o jogo dura, mais eles sofrem. Para achar Niklaus e Rebekah, precisamos decifrar esse enigma. A solução está entre esses nomes. – Explicou Elijah. Levei um minuto inteiro para absorver sua fala.
— O nome ao lado da Sabine, Annie Lafleur. – Apontou Marcel. – É a bruxa que foi banida, um ano atrás. Posso descobrir por que. – Emendou.
— Isso é ótimo! Não temos tempo a perder. – Lembrei já começando a escrever os nomes.
Quando finalmente terminei e Hayley também, Elijah se vestiu novamente e se preparou para sair com Marcel em busca das pistas.
— Eu também vou. – Afirmei me colocando a frente dos dois, interceptando o caminho.
— Não sei se é uma boa ideia. – Opinou Marcel olhando de mim para Elijah, como se esperasse pela decisão dele.
— Você ficará aqui com Hayley, em segurança. Prometo mantê-las informadas por telefone. – Decretou Elijah passando por mim antes que eu pudesse protestar.
Marcel o seguiu, me deixando para trás completamente indignada. Mesmo contrariada, me juntei a Hayley na pesquisa de cada nome. Até descobrimos um nome relacionado à família dela. Alguém da linhagem de Sophie que provavelmente teria sido a bruxa responsável por amaldiçoar os lobos do Bayou.
Para meu alívio, não demorou muito para que Elijah entrasse em contato conosco. Segundo ele, estávamos no caminho certo para desvendar o tal enigma. E apesar da minha procura desesperada por qualquer coisa que viesse a nos ajudar, o fato dele ter escolhido salvar a mim e Hayley ao invés dos irmãos não saía da minha cabeça. Depois de refletir um pouco sobre o assunto, cheguei à conclusão de que Elijah havia optado por resgatar Hayley e que eu apenas estava incluída no pacote, uma vez que estávamos juntas. Não era de hoje que eu tinha percebido um certo clima entre eles. E particularmente, eu adoraria ver um romance entre os dois.
(...)
Algumas horas mais tarde, Elijah e Marcel enfim retornaram ao casarão. Os nomes haviam desaparecido do corpo do Original, o que simbolizava que tínhamos descoberto a resposta. O problema é que não fazíamos ideia do que ela significava. Por isso, nesse exato momento, eu estava em pé ao lado de Hayley enquanto ela digitava no notebook o nome dito por Elijah. Examinei a tela a minha frente, apontando para uma foto tirada em 1919. Hayley abriu a imagem, exibindo um grupo de enfermeiras em frente à fachada de um imóvel.
— Nós encontramos... – Começou Hayley ao notar a presença de Elijah, porém ele a interrompeu.
— Vocês estavam certas sobre a bruxa Deveraux. – Confidenciou num tom baixo.
Antes que eu ou Hayley pudesse fazer algum comentário, Marcel adentrou o recinto.
— Descobriu algo sobre Clara, a bruxa misteriosa? – Interrogou ele também se aproximando do notebook.
— Não muito. – Respondi um pouco desanimada. – Ela era enfermeira no sanatório Fleur-de-lis. – Acrescentei.
— Você a reconhece? É a de cima, a segunda da direita. – Inquiriu Hayley se referindo ao Original, mostrando a foto.
— Não a reconheço. – Negou Elijah. – Marcel. – Interpelou em seguida, entretanto o vampiro já havia se afastado.
Foquei minha atenção em Marcel e percebi que ele parecia nervoso.
— Marcel? Preciso lembra-lo que Klaus e Rebekah estão por aí sofrendo? Se sabe de algo... Fale. – Impôs Elijah. Após uma breve hesitação, Marcel finalmente se pronunciou.
— No sanatório. É onde irá encontra-los. – Garantiu.
— Tem certeza? – Perguntei já esperançosa.
— Como você sabe? – Indagou Hayley curiosa.
— Só sei. – Desconversou ele.
— Como você sabe? – Insistiu Elijah desconfiado.
Dessa vez a hesitação de Marcel durou mais tempo. Aquela altura, eu já estava certa de que boa coisa não sairia dessa história.
— Se eu estou certo... Precisa saber exatamente onde está se metendo. – Ele revelou confirmando minhas suspeitas. – Fizemos uma coisa, Rebekah e eu. Acho que as bruxas estão usando isso contra ela. É algo que você não vai gostar. – Confessou encarando Elijah.
Senti um péssimo pressentimento. Seja lá qual fosse o segredo dele e de Rebekah, algo me dizia que essa descoberta traria graves consequências.
— O que vocês fizeram? – Questionou Elijah.
— Nós fomos os responsáveis pela vinda do Mikael. – Admitiu Marcel.
Precisei de algum tempo para processar essa informação. Nem nas minhas piores hipóteses eu podia imaginar tamanha catástrofe. Pelas lembranças de Klaus, eu tinha plena consciência de tudo que Mikael, seu pai para todos os efeitos, representava para ele. Eu não conseguia nem pensar no que ele faria quando essa revelação chegasse a seus ouvidos.
— Passei um século pensando em como nosso pai nos achou. No erro estúpido que cometemos, destruímos o único lugar que chamávamos de lar. Sabia que eu cheguei a me culpar, Marcellus? – Desabafou Elijah aproximando-se de Marcel.
No instante seguinte, ele o segurou pelo pescoço e o prensou na parede do cômodo adjacente. Corri junto com Hayley para não perdê-los de vista.
— Elijah! – Chamamos ao mesmo tempo, numa tentativa de detê-lo.
— Klaus te tratou com um filho. – Acusou o Original aumentando o aperto. – E Rebekah...
— Eu a amava. Ainda amo. Nós só queríamos ficar juntos, mas isso nunca aconteceria com Klaus por perto. – Assegurou Marcel. – Mas acho que não sabe nada sobre isso, não é? – Concluiu com certa ironia, o que fez Elijah o soltar.
— Quando Niklaus souber a verdade, ficará furioso. Não deixarei minha irmã sofrer por isso. – Atestou Elijah possesso.
— Então precisamos encontra-lo antes que ele saiba a verdade. – Declarou Marcel.
— Eu vou com vocês. – Anunciei já me posicionando ao lado de Elijah. Agora eu iria de qualquer jeito. Mais do que nunca, eu precisava estar ao lado meu melhor amigo.
— Dessa vez é melhor deixa-la ir. Ela poderá ser muito útil para ajudar a conter o Klaus se necessário. – Marcel ponderou.
— Tem razão. – Concordou Elijah. – Você virá conosco. – Determinou me levando para fora junto com ele.
Praticamente corri para acompanha-los. Entramos no carro de Elijah e não demorou muito para que ele desse partida no veículo.
Durante o percurso, um turbilhão de emoções e pensamentos me afligia, entretanto o centro de tudo era um só: Klaus. Por mais que eu estivesse rezando para que conseguíssemos chegar até ele antes que descobrisse a verdade, eu não sabia se seria capaz de esconder dele algo tão sério. O conhecimento dessa traição com certeza o abalaria profundamente. E a sua família também.
Quando o carro finalmente parou, estávamos em uma parte da cidade na qual eu nunca tinha ido. O sanatório parecia em ruínas. E o fato de já ter escurecido tornava o lugar ainda mais sinistro.
— Devíamos nos dividir no prédio. Vou para um lado e você para outro. A Lexi vem comigo. – Mandou Elijah.
Sem perder tempo, subimos a escada que levava até a entrada do prédio. Assim que coloquei os meus pés naquele lugar, senti um calafrio. Marcel seguiu para a direita enquanto Elijah e eu fomos pela esquerda.
O sanatório por dentro conseguia ser mais horripilante do que por fora, principalmente no estado de deterioração que ele se encontrava. O silêncio absoluto contribuía ainda mais com a sensação de que eu estava em um cenário de filme de terror. Automaticamente me aproximei mais de Elijah.
— Obrigada por ter me salvado. Imagino o quanto deve ter sido difícil para você escolher. – Agradeci retomando um dos assuntos que tinham me importunado mais cedo.
— Não há o que agradecer. Hayley iria morrer no incêndio junto com o filho do meu irmão. E você... Não havia escolha. – Sentenciou ele me pegando completamente de surpresa.
Não consegui pensar em nada para dizer depois disso. Continuamos andando pelos corredores inóspitos em busca de algum indício de Rebekah ou Klaus e ainda não tínhamos achado nada até Elijah, de repente, ficar estático por alguns segundos.
— O que foi? – Perguntei apreensiva.
— Acho que eu ouvi algo. Veio daquela direção. – Respondeu ele apontando para o fim do saguão.
Imediatamente apertamos o passo. Quando nos deparamos com uma escadaria, por alguma razão que eu tinha até medo de saber, Elijah sumiu usando sua velocidade vampírica. Tomando isso como um péssimo sinal, o segui correndo o mais rápido que minha condição humana permitia.
Cheguei ao local onde eles estavam bem a tempo de ver Elijah apunhalando Klaus com a faca do Papa Tunde enquanto Rebekah e Marcel, caídos em lugares opostos, observavam perplexos. Paralisei onde estava completamente em choque.
— Vão. Vocês dois corram para o mais longe possível. – Ordenou Elijah para Marcel e Rebekah.
Marcel se levantou e ajudou Rebekah a fazer o mesmo. O estado da Original era deplorável. Ela estava muito debilitada e precisou usar Marcel como apoio.
— Corram! – Gritou Elijah para apressá-los.
Quando os dois passaram por mim, lancei um breve olhar preocupado para eles. Enquanto eles saíam, fui até os outros dois.
— Elijah... O que você fez? – Inquiri ajoelhando-me ao lado dele fitando Klaus horrorizada.
— Foi necessário. – Justificou-se me fazendo encara-lo.
As coisas estavam bem piores do que eu imaginei. Eu não conseguia nem cogitar qual seria o final de tudo isso. Eu só rezava para que eu pudesse ajudar de alguma forma e principalmente para que eu não estivesse prestes a presenciar a destruição de uma família.

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