I Just Wanna Stop
37 Renascimento
Notas iniciais
Pov. do Klaus
Enquanto eu segurava o corpo sem vida de Lexi em meus braços, meu desespero só aumentava. Aquilo não podia estar acontecendo. Eu me encontrava em um estado de negação do qual eu me recusava a sair. Lexi não podia estar morta. Ela não podia me deixar assim. Não agora. Não depois de tudo. Ainda sem querer acreditar, fitei seu rosto extremamente pálido. O aperto em meu peito se tornando ainda maior na medida em que a realidade da situação se abatia sobre mim.
— Não... Não... – Murmurei inconformado examinando seu corpo à procura de qualquer sinal vital, misturando minhas lágrimas ao seu sangue.
Em mil anos, eu nunca tinha me sentido tão perdido quanto agora. Só de pensar que eu nunca mais veria seu sorriso ou escutaria sua voz... Era mais do que eu podia suportar. Todas as vezes que eu havia parado para refletir sobre o quão importante Lexi tinha se tornado para mim, eu sempre me assustava com a resposta. Entretanto somente agora, nessas circunstâncias, que eu realmente me dei conta do quanto ela era essencial para mim. Por mais que antes eu me recusasse a admitir, eu não sabia mais o que seria da minha vida sem ela. Em um estado quase catatônico, peguei Lexi no colo e a levei dali, sem me importar com os olhares curiosos e chocados que eu recebia durante o caminho. Com exceção da garota em meus braços, nada mais tinha relevância para mim naquele momento. Só havia um lugar para onde eu poderia ir.
Depois do que me pareceu ser uma eternidade, eu finalmente cheguei ao casarão. Assim como eu, ele se encontrava completamente vazio. Quando entrei no meu quarto, coloquei o corpo de Lexi sobre a cama com delicadeza, incapaz de conter as lembranças que me atingiram. Embora eu não tenha comentado sobre isso com ninguém, após ter descoberto sobre a traição de Rebekah e ter sido apunhalado por Elijah com a faca de Papa Tunde, mesmo com a dor excruciante proporcionada pelo objeto enfeitiçado, eu conseguia captar tudo o que se passava ao meu redor. Eu me recordava perfeitamente do cuidado de Lexi, apoiando minha cabeça em seu colo e sussurrando um pedido de desculpas em meu ouvido. Do seu carinho em meu cabelo, do calor do seu corpo junto ao meu e de como eu me senti automaticamente melhor somente em tê-la por perto. Entretanto graças aquela maldita bruxa, eu nunca mais teria a oportunidade de sequer conversar com Lexi outra vez.
Subitamente a fúria tomou conta de mim. O turbilhão de emoções em minha cabeça me deixando ainda mais transtornado. Eu precisava extravasar de alguma forma. Sem pensar muito, comecei a descontar meu sofrimento na mobília do quarto. Nem mesmo a faca de Papa Tunde me causou tamanha agonia quanto às lembranças dos meus momentos com Lexi. Cada sorriso, cada olhar, cada abraço, cada palavra... Eu nunca estive tão perto de enlouquecer quanto agora. Todas essas memórias me destruindo ainda mais por dentro, lenta e dolorosamente, de uma forma que eu nem sabia que era possível. Em um curto período de tempo nós tínhamos passado por tantas coisas juntos. Lexi despertou em mim sentimentos que eu jurava ser incapaz de sentir. E nesse exato momento eu me amaldiçoava imensamente por ter permitido que ela o fizesse. A sensação que eu tinha era de que haviam aberto um buraco no meu peito que nem mesmo as minhas habilidades de Híbrido poderiam curar. Após terminar de esgotar minhas forças destruindo mais da metade do quarto, me permiti desabar no chão, encarando o corpo imóvel de Lexi sobre a cama. Se não fosse pelo sangue, eu poderia jurar que ela estava apenas dormindo.
Mesmo sem querer, acabei me lembrando da noite em que finalmente abrimos o jogo um com o outro. Ela me contou sobre seus “dons” e eu lhe revelei uma parte da minha história e minha verdadeira identidade. Naquela ocasião, eu já tinha um apreço especial por ela. Estava amanhecendo e eu precisava ir embora, mas ainda sim, depois de hipnotiza-la para que recuperasse a noite perdida, eu permaneci em seu quarto, a observando dormir por mais alguns minutos. Assim como na noite em que fizemos as pazes definitivamente, após eu me mostrar para ela como nunca tinha feito com ninguém antes. Depois de horas a ouvindo falar sobre si mesma, quando o cansaço enfim a venceu, eu não consegui deixar de admirar o quanto ela parecia angelical enquanto dormia.
O sorriso radiante que ela abria para mim sempre que nos víamos, me desarmava completamente. Seus abraços, que sempre me pegavam de surpresa, porém me proporcionavam uma paz imensa e uma sensação indescritível de pertencimento. Nossas conversas, que constantemente deixavam claro que ela era muito sábia para sua idade. Suas roupas de adolescente, cujo comprimento sempre me incomodava. Cada mínimo detalhe... Eu sentiria falta de absolutamente tudo nela. Destroçado, me levantei de onde estava e me aproximei da cama, sentando ao lado de Lexi. Por mais que eu tentasse, não conseguia me conformar com a ideia de tê-la perdido. Estava tão imerso em minha dor que quase não percebi a presença de Elijah no quarto.
— Eu imaginei que fosse te encontrar aqui. – Manifestou-se ele quebrando o silêncio.
— Nós falhamos. – Afirmei sem me dar ao trabalho de virar para vê-lo, ignorando sua fala. Meus olhos fixos em Lexi.
— Não dessa vez. – Garantiu num tom firme finalmente me fazendo olha-lo.
Não me importei em esconder as lágrimas que molhavam o meu rosto. Tomando a minha atenção como um incentivo para prosseguir, Elijah retomou sua explicação.
— Eu fiz um acordo com Monique Deveraux. Eu a convenci de que a única coisa que Celeste queria era destruir nossa família e que depois de fazer isso, ela tomaria outro corpo e desapareceria, quebrando sua promessa de usar seu sacrifício para devolver o poder da Colheita de volta para a terra. – Ele contou me deixando curioso para saber como aquela história iria acabar. – E em troca de um dos feitiços da grimório da nossa mãe para testar minha teoria, eu a fiz colocar um feitiço de proteção na Lexi. – Revelou por fim, me deixando completamente perplexo.
Desviei meu olhar para a garota em minha cama totalmente incrédulo. A euforia e a esperança preenchendo o meu peito.
— Ela irá acordar a qualquer minuto. – Anunciou Elijah atraindo novamente minha atenção para si. – E quanto a Celeste, não é mais necessário se preocupar. Eu posso lhe assegurar que dessa vez nos livramos dela para sempre. – Declarou com convicção.
Levei algum tempo para absorver aquelas informações. E quando o fiz, não consegui conter minha felicidade. Eu fui do Inferno ao Céu em segundos. Nada do que eu tinha sentido hoje se comparava ao alívio de saber que eu não havia perdido Lexi definitivamente. Acho que nunca me senti tão exultante em toda a minha longa existência. E mesmo odiando o envolvimento de Elijah com Lexi, naquele momento tudo o que eu podia fazer era demonstrar minha genuína gratidão por ele ter salvado minha preciosa melhor amiga.
— Obrigado. – Agradeci com sinceridade o fitando nos olhos. Meu irmão olhou para Lexi antes de voltar a me encarar.
— Não por isso. – Retorquiu Elijah aparentemente desconcertado. Não consegui identificar as emoções que seu rosto transmitia.
Sem dizer mais nada, após uma significativa troca de olhares, ele saiu do quarto. Assim que me vi sozinho, cravei minha atenção em Lexi à espera do seu retorno. Eu estava contando os segundos para poder admirar seus expressivos olhos azuis de novo.
Quando o que eu mais estava esperando aconteceu, eu quase não consegui acreditar. Lexi acordou de repente. Nitidamente confusa, ela demorou algum tempo para se familiarizar com o lugar em que estava. No exato momento em que seu olhar encontrou o meu, eu senti uma alegria imensurável me dominar. Foi só depois de notar minha presença, que Lexi enfim percebeu que estava coberta de sangue.
— Klaus? O que aconteceu? – Perguntou ainda meio desorientada.
Por um instante, fiquei imóvel. Meu cérebro funcionando no automático enquanto eu processava a ideia de que Lexi estava de volta.
— Sabine fez um feitiço ligando sua vida a dela e depois se matou. – Respondi de pronto, porém logo me arrependi ao ver a reação de Alexandra.
— O quê?! Não... Então eu... – Ela mal conseguiu completar seu raciocínio. O pavor diante da possibilidade de ter se tornado vampira estampado em seu rosto.
Mais uma vez me vi obrigado a agradecer a Elijah pela solução alternativa que ele havia encontrado. A transformação seria um choque muito grande para ela.
— Não. Elijah fez a sobrinha de Sophie colocar um feitiço de proteção em você. Você continua sendo humana. – Apressei-me em tranquiliza-la.
Lexi levou algum tempo fitando o vazio, absorvendo as informações. Eu imaginava a bagunça que devia estar sua cabeça. Quando seus olhos encontraram os meus, eu finalmente entendi o porquê de eu não consegui mais me imaginar sem ela.
Antes que eu pudesse ter qualquer reação, Lexi extinguiu a pouca distância entre nós me abraçando com força. Não demorei nem mesmo um segundo para retribui-la. Eu era incapaz de descrever o tamanho do meu júbilo naquele momento. Era assim que eu gostaria de mantê-la para sempre. A salvo em meus braços. O som provocado pelas batidas ainda irregulares do seu coração era o único a preencher o ambiente. E também era o único que eu gostaria de escutar por um bom tempo. Sentir o calor do seu corpo, sentir o seu cheiro... Enfim, me certificar de que aquilo era real e que Lexi estava bem. Perfeitamente segura sob meus cuidados. E no que dependesse de mim, eu não pretendia solta-la nunca mais.
Depois do poderiam ter sido horas, Lexi fez de menção de se afastar. Lentamente a liberei do meu aperto. Embora sua expressão transmitisse certa calma, ainda era possível perceber o quanto ela estava abalada. Principalmente após ela desviar sua atenção para sua blusa arruinada.
— Rebekah deixou a maioria das roupas dela aqui. Eu vou pegar algumas delas para você enquanto você um toma banho. – Sugeri no tom mais suave que eu consegui.
Quanto antes Lexi começasse a superar os últimos acontecimentos, melhor. Achei que livra-la dos vestígios físicos da sua “morte” era um bom início.
Lexi limitou-se a assentir de forma breve, acatando meu conselho. Mesmo contra minha vontade, levantei da cama e saí do quarto, a deixando sozinha. Como havia dito, fui até o quarto antes ocupado por Rebekah e peguei algumas das inúmeras peças que se encontravam em seu guarda roupa. Quando retornei ao meu quarto, Lexi não estava mais a vista. Escutei o barulho do chuveiro ligado e coloquei as roupas de Rebekah sobre a cama. Retirei-me dos meus aposentos novamente e terminei dando de cara com Elijah na varanda.
— Como ela está? – Indagou ele assim que me viu.
— Bem... Levando em conta as circunstâncias. – Respondi num tom ameno. Elijah acenou com a cabeça em sinal de compreensão.
Ficamos em silêncio apenas encarando um ao outro. Eu queria agradecê-lo novamente, porém meu orgulho me impedia. E apesar de eu não ter falado nada, eu sabia que Elijah podia ler meu rosto assim como eu lia o dele. No momento em que ouvimos aproximação de Lexi, imediadamente redirecionamos nossos olhares para ela. Quando Lexi finalmente surgiu em nosso campo de visão, não pude deixar de reparar em seu cabelo molhado.
Lançando um breve olhar para mim antes de seguir em frente, Lexi andou até Elijah e parou diante dele, o abraçando. Meu irmão foi pego completamente de surpresa tanto quanto eu. Olhando para mim com a hesitação estampada no rosto, ele retribuiu ao abraço, aparentemente embaraçado. Mesmo que não tenha demorado, aquela cena me provocou péssimas emoções.
— Obrigada. – Murmurou Lexi quando se separaram.
— Boa parte do que aconteceu foi minha culpa. Eu não me perdoaria caso você viesse a morrer por nossa causa. – Elijah retorquiu.
Assisti àquilo com um crescente incômodo. Embora eu estivesse muito grato a Elijah pelo que ele havia feito, isso não significava que eu tinha mudado de opinião sobre a relação entre ele e Lexi. Eu ainda detestava vê-los juntos.
— E antes que eu me esqueça, eu tenho uma surpresa para você. – Anunciou Elijah diretamente para ela, acendendo meu interesse.
— O que? – Inquiriu Lexi curiosa, porém antes que Elijah pudesse falar, outra voz se fez presente.
— Lexi? – Chamou a pessoa atraindo nossa atenção.
Quase não acreditei em meus olhos quando me virei e vi Davina parada no meio do corredor. A jovem bruxa parecia assustada e confusa.
— Davina? – Lexi deixou escapar incrédula. Um imenso sorriso se abrindo em seu rosto logo em seguida.
Em uma velocidade inacreditável, ambas encurtaram o espaço que as separava, se abraçando com lágrimas nos olhos. Troquei um breve olhar com Elijah antes de voltar a observá-las. Apesar de eu não sentir nenhuma estima especial por Davina, eu estava feliz com sua volta por causa de Lexi. Eu sabia o quanto ela tinha sofrido com a morte da bruxinha. E depois de tudo que aconteceu hoje, uma das minhas principais prioridades agora era a segurança e a felicidade de Alexandra. Independentemente do custo.

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