Notas iniciais
Hello, loves! Estava mais do que ansiosa em postar esse capítulo! Desde antes de começar a postar a fic, eu já tinha ele planejado. *---* Eu realmente espero que gostem e que não sintam vontade de me matar no final... E a propósito, também gostaria de me desculpar pelo capítulo ter saído enorme... e.e Gostaria de agradecer pelos comentários divantes de vocês! Adorei cada um deles! *u* Só uma última observação: Eu achei a música Fighter da Christina Aguilera, a cara desse capítulo! Tanto é que a escolhi como trilha sonora para ele. :P Enfim... Sem mais delongas... Boa leitura!

Pov. da Lexi

Escancarei a porta do meu guarda roupa, jogando todas as peças dentro da mala aberta em cima da minha cama. Estava me preparando para ir embora. Minha cabeça se encontrava completamente em branco. Não me lembrava de nada dos últimos dias e me recordava de muita pouca coisa desde que eu cheguei a New Orleans. Tudo o que eu sabia no momento era que Cami queria ir embora e eu me sentia mais do que satisfeita em acatar sua decisão. Não existia nada que me prendesse nessa cidade. Sentei na cama, começando a dobrar as roupas, as organizando direito na mala.

Estava distraída com a minha tarefa até ouvir um grito. Larguei tudo de qualquer jeito e corri para sala em socorro de Cami. Paralisei a soleira da porta ao ver uma menina de cabelos castanhos e olhos azuis próxima a ela. Minha tutora estava com as mãos sobre a cabeça e uma expressão de dor no rosto.

— Quem é você? E o que está fazendo com ela? – Perguntei ainda sem saber como agir. A menina virou-se em minha direção.

— Lexi? Você também foi compelida. Não se preocupe, vou dar um jeito nisso. – Disse a desconhecida erguendo a mão.

No instante seguinte, senti uma dor insuportável tomar minha cabeça. Automaticamente levei minhas mãos até minhas têmporas.

— Me desculpe por isso, mas é necessário. Eu vou ajuda-las. Vai ficar tudo bem. – Ela garantiu e a dor em minha cabeça tornou-se ainda maior.

Desabei de joelhos no chão, gritando. Logo pude ouvir os gritos de Cami se juntando aos meus. Eu não sabia quem era aquela menina. Tudo o que eu queria era que ela fizesse a dor passar.

O dia amanheceu e a menina desconhecida continuava a nos torturar. Em algum momento, ela se apresentou como Davina. Um rapaz, também desconhecido, chamado Josh, apareceu. Não sabia dizer como e nem quando, pois as únicas coisas das quais eu tinha consciência no meu atual estado eram dos meus gritos e da dor excruciante que eu estava sentindo.

— Por Deus! Isso dói! – Berrou Cami não muito distante de mim quando a dor cessou um pouco.

— Sinto muito, Cami. É o único modo de quebrar a hipnose do Klaus. – Disse Davina abaixando-se em frente a ela.

— Eu sei como é. Você vai ficar bem. – Manifestou-se Josh. – E todos esses bilhetes que você fez? Belo modo de lembrar. Bom trabalho. – Acrescentou.

— Eu não faço a menor ideia de quem ou do quê vocês estão falando. – Consegui dizer com certo esforço. Minha cabeça parecia prestes a explodir.

— Estamos nisso a noite toda. Não estou entendendo nada... – Retrucou Cami confusa.

— Mas vocês vão. Vou recuperar suas memórias e desfazer toda hipnose que qualquer vampiro já tenha lhes causado. Quando eu terminar, vocês vão entender tudo. E estarão livres. – Afirmou a garota.

A observei com mais atenção. Apesar de não ter a mínima ideia de quem ela era e das coisas que ela tinha dito até agora não fazerem o menor sentido, eu sentia que podia confiar nela. E o pior de tudo, sentia que ela estava sendo sincera.

— Eu posso parar se vocês quiserem. – Ofereceu compassiva. Troquei um olhar com Cami.

— Não. Não pare. Eu quero me lembrar de tudo. – Assegurou Cami.

— E eu também. – Concordei determinada em ir até o fim, independente de onde isso tudo fosse me levar.

Davina ficou de pé novamente e recomeçou o que estava fazendo antes. Meus gritos e os de Cami voltaram a preencher a sala. Apesar de querer, não sabia se conseguiria aguentar até o final.

— Vocês vão se sentir como se um peso diminuísse. – Incentivou Davina nos dando um pequeno intervalo e abaixando-se novamente a nossa frente.

— E suas pesquisas vão começar a fazer mais sentido. – Emendou Josh deixando uma pasta no chão próxima a Cami.

Quando a mão dele entrou em contato com a luz do sol que passava pela janela, ele pareceu se queimar e recolheu a mão depressa.

— Prometo que assim que o mundo parar de me caçar encontrarei o feitiço do anel. – Garantiu Davina virando-se para ele.

— Eu sei. Não se preocupe com isso agora. – Josh a tranquilizou.

Cami pegou um dos papéis que estavam na pasta e o analisou com cuidado.

— Eu me lembro porquê fiz isso. Eu encontrei uma foto de Klaus e Marcel em 1919. – Contou Cami.

Pela primeira vez desde que Davina havia aparecido, o nome “Klaus” significou alguma coisa para mim. Flashes de um homem loiro e de olhos azuis enchiam minha mente.

Eu o conhecia.

Com dificuldade, Cami se ergueu e sentou-se no sofá. Permaneci onde estava sem forças para fazer nada além de tentar organizar as lembranças que começavam a surgir.

— Klaus me obrigou a sair com Marcel... Para espioná-lo. – Prosseguiu Cami.

Marcel... Eu também o conhecia.

— Foi o que ele disse ontem, antes de me fazer esquecer. Estou me lembrando. – Completou.

Nesse momento, as memórias da noite anterior me atingiram como um raio. Klaus tinha vindo até aqui e me compelido a ir embora. E fez a mesma coisa com Cami.

— Vamos recuperar mais? – Davina indagou sentando ao lado dela no sofá.

— Vamos. Eu quero me lembrar de tudo. – Respondi e Cami assentiu em concordância.

Davina acenou que sim com a cabeça e segurou o rosto de Cami entre suas mãos. Minha tutora parecia se esforçar ao máximo para não gritar. Seu rosto estava banhado de suor e lágrimas.

— Aguente firme, Cami. E assim que acabarmos será a sua vez, Lexi. – Disse Davina.

Consenti resignada. Agora mais do que nunca eu precisava me lembrar de tudo que tinha acontecido desde a minha chegada nessa cidade.

(...)

Passei a mão sobre o rosto, limpando o sangue que escorria do meu nariz. Depois de uma intensa tortura mental, eu finalmente havia recuperado minhas lembranças. Todos os meus momentos com Klaus... Elijah, Marcel, Rebekah, Hayley, Davina, Josh, Steve... Absolutamente tudo que eu tinha vivido nos últimos meses assombrando meus pensamentos de forma clara e aterradora. Como Klaus teve coragem de fazer isso comigo? E como se não bastasse, eu não era a única a ser manipulada e usada por ele. O desgraçado também usava e abusava de Cami pelas minhas costas. Eu não conseguia nem descrever o que sentia no momento. Raiva, desprezo, decepção...

Após colocarmos tudo em pratos limpos, tanto eu quanto Cami nos recolhemos aos nossos quartos. Ao entrar no meu e ver as malas ainda por fazer em cima da cama fiquei com muito mais raiva. Como alguém podia brincar com a vida de outra pessoa desse jeito? Escolhi uma roupa qualquer que ainda estava sobre a cama e depois de um longo banho, me troquei e fui para a cozinha, me juntando a Cami, Davina e Josh. Davina me entregou um copo do que parecia ser chá. Notei que Cami também já tinha um copo igual ao meu em mãos.

— Vocês precisam ingerir verbena para não serem mais hipnotizadas. – Nos informou.

Encarei o líquido esverdeado antes de beber. A conversa entre mim e Klaus quando voltávamos do Bayou vindo a minha cabeça. Ele sabia que existia algo para impedir a hipnose e ainda sim, não me contou. É claro que ele não diria. De que outra forma ele me obrigaria a fazer suas vontades sem pestanejar? Pensei com sarcasmo.

Virei o copo na boca, tomando tudo de uma vez. Assim que acabei, estendi o copo para Davina para que ela o enchesse novamente. A partir de hoje tomaria litros diários de verbena se essa fosse a maneira de me manter a salvo das manipulações de Klaus e qualquer outro vampiro.

— Hey, Cami... Você não tem... Sangue humano na sua geladeira, tem? – Perguntou Josh atraindo nossa atenção.

— Pelo amor de Deus, toma. – Ofereceu Davina estendo o pulso em direção a ele enquanto Cami e eu apenas observávamos a cena.

Ela se aproximou de Josh e o mesmo segurou seu pulso, porém antes que ele a mordesse, ela se afastou. Seu rosto adquirindo uma expressão estranha e o olhar tornando-se vago.

— Davina? – Chamou Cami preocupada levantando da cadeira. Também me aproximei.

— Alguém está praticando magia. Estão tentando me encontrar. – Respondeu ela. Nos entreolhamos assustados.

— Então temos que fugir. – Afirmou Cami.

— O quê?! – Exclamei virando-me para encara-la.

— Não podemos continuar aqui, Lexi. Estamos todos em perigo. O melhor que temos a fazer é ir embora daqui. – Disse Cami.

— Mas... Eu não posso ir embora. Tem o Steve e também... Se sairmos da cidade vamos fazer exatamente o que Klaus queria. – Argumentei.

— Eu sei, Lexi. Mas o que está em jogo aqui não é a vontade do Klaus e sim nossa segurança. Eu lamento muito pelo Steve, porém fugir é o melhor a ser feito. – Rebateu Cami em um tom que encerrava a conversa.

Mesmo contrariada, fui obrigada a concordar. Voltei ao meu quarto e terminei o serviço que tinha começado horas antes. Poucos minutos depois minhas malas já estavam prontas.

— Não tem como sair do Quarter. Todos estão a minha procura. As bruxas, Marcel, Klaus. – Alertava Davina enquanto olhávamos Cami andar de um lado a outro do quarto arrumando suas coisas.

— Meu tio saberá o que fazer. – A tranquilizou Cami.

Pela primeira vez no dia, senti uma ponta de esperança. Lembrava-me da conversa que tinha tido com o padre Kieran ontem. Ele era um homem muito justo e sensato. Com certeza saberia o que fazer.

— Cami... – Chamou Davina.

— Ele deve saber o que se passa. – Continuou Cami, sem se importar.

— Pare. – Pediu Davina.

— Só se ele estiver hipnotizado. – Prosseguiu a loira.

— Ele sabe. – Disse Davina enfim conseguindo a atenção dela.

— Do que está falando? – Questionou Cami parando o que fazia.

— Ele sabe. – Repetiu Davina. – Ele trabalha para Marcel. São praticamente amigos. Já os vi conversando. Ele sabe de tudo. – Emendou com pesar.

Olhei para Cami chocada. Até o padre Kieran? Pensei com incredulidade. Ela retribuiu ao meu olhar, tão aturdida quanto eu.

— Não. Ele me diria se as bruxas tivessem enfeitiçado meu irmão. – Negou Cami voltando a arrumar sua mala. Josh e Davina se entreolharam. – Ele sabe? – Inquiriu encarando os dois.

— Cami... – Começou Davina, porém minha tutora a interrompeu.

— Meu Deus... Ele sabe. – Afirmou com uma expressão consternada sentando-se na poltrona.

Fui até ela, pondo a mão em seu ombro como forma de apoio. Também estava me sentindo extremamente decepcionada.

— Vocês precisam sair daqui, agora. – Nos lembrou Josh. – De avião, de trem, de carro, tanto faz. Levem meu carro. Está nas docas, te mando o endereço. – Completou em seguida.

— Salve seu número no celular da Cami. – Orientou Davina. – O Quarter está sem energia. Precisaremos ir a pé. E o sol está demorando a se pôr. – Concluiu angustiada encarando Josh.

— Não chore. – Ele pediu e Davina o abraçou.

— Nos encontramos assim que anoitecer. – Assegurou ela.

— Não se preocupe comigo. Só não deixem te encontrarem. – O vampiro replicou e Davina assentiu.

— Eu ouvi no Rosseau’s que hoje haverá um festival em homenagem as Casket Girls. Podemos usar isso a nosso favor. Podemos fantasia-la, Davina. – Falou Cami retomando nossa atenção.

— Essa é uma ótima ideia, mas... – Iniciou Davina e eu completei.

— Falta a fantasia. Não se preocupem, eu cuido disso. Tem algumas lojas de roupa aqui perto. Eu volto em meia hora. – Informei saindo sem dar tempo para que eles contestassem.

O relógio estava correndo e para nosso azar, ele não estava a nosso favor.

(...)

Seguíamos pela rua apinhada de gente. A festa em homenagem as Casket Girls conseguiu causar mais comoção na cidade do que o Festival de Música. Enquanto Cami e eu estávamos com roupas normais, Davina usava um vestido bem ao estilo da comemoração e uma máscara escura que escondia seu rosto. Já havia anoitecido.

Depois de nos despedirmos de Josh e Davina trocar de roupa, combinamos que ligaríamos para ele para avisar o local do encontro. No final de tudo, ainda resolvemos levar apenas a bolsa de viagem de Cami. Afinal, três mulheres em pleno festival carregadas de malas com certeza seria uma cena que atrairia atenção. Além do mais, tudo o que viéssemos a precisar poderíamos comprar depois com a herança dos meus pais.

— Tem gente por todo lugar. – Comentou Davina olhando ao redor.

— Continue andando. Ninguém sabe que é você. – Cami a tranquilizou.

— Cami... – Chamou Davina ao mesmo tempo em que estancamos no lugar.

Alguns metros à frente, em meio à multidão, avistamos Klaus. Um arrepio percorreu meu corpo. Pela primeira vez desde que o tinha conhecido, não senti nada de bom ao vê-lo.

— Precisamos sair dessa rua. – Ordenou minha tutora.

Sem precisar de um segundo aviso, dobramos em uma esquina, deixando a movimentação da rua principal e a figura atordoante de Klaus para trás. Cami nos guiou até a igreja, que ao contrário do resto da cidade, estava vazia e silenciosa. Assim que entramos, Davina tirou a máscara.

— Deveríamos ir andando. Temos que esperar mais? – Ela perguntou.

— Um pouco, e vou verificar se o caminho está livre. – Respondeu Cami. Davina assentiu.

Enquanto ela andava em direção ao altar, sentei-me em um dos bancos, perdida em pensamentos e lembranças. Ouvi o celular de Cami tocar não muito longe.

— Josh, desculpa não ter atendido. – Disse atraindo minha atenção e a de Davina. – O quê?! – Ela exclamou alguns segundos depois colocando o celular no viva voz.

— Não queria te dizer, mas eu conheço o Klaus. Se Davina não aparecer, ele matará o Tim. – Contou Josh.

Eu queria poder discordar, mas eu também conhecia Klaus o suficiente para saber que Josh tinha razão.

— Pensaremos em algo. – Garantiu Cami numa tentativa de acalmar Davina. – Volte para o Quarter. Fique escondido. Mandaremos um SMS com algum plano. – Ela orientou Josh desligando o telefone em seguida.

— Preciso ir. – Disse Davina já pronta para sair.

— Davina, espere. – Pediu Cami segurando seu braço.

— Não posso deixar Tim morrer. – Afirmou decidida.

— Isso não vai acontecer. Não iremos deixar. – Me manifestei segurando sua outra mão. Davina me encarou por um segundo, assumindo uma expressão preocupada.

— O que houve? – Indagou Cami por nós duas.

— As bruxas. – Ela respondeu no exato momento em que quatro mulheres vestidas de preto e com capuz entram na igreja.

Em uma reação instintiva, Cami nos puxou para trás, colocando-se a nossa frente. As bruxas repetiam palavras em uma língua desconhecida. Elas estenderam a mão e uma forte dor de cabeça me fez cair de joelhos. Quando a dor passou, olhei para o lado e vi Cami desacordada no chão.

— Não! – Gritou Davina virando-se novamente para as bruxas.

Um pequeno terremoto pareceu atingir a igreja quando Davina ergueu as mãos fazendo as quatro mulheres flutuarem. Com mais um gesto, Davina pareceu quebrar os pescoços delas, abaixando a mão e fazendo com que elas caíssem desacordadas.

Davina voltou-se para Cami. Ainda fraca, me arrastei até minha tutora para verificar se ela estava bem. Para meu alívio, Cami estava apenas desmaiada. Depois de chegar à mesma conclusão que eu, Davina levantou e virou-se em direção a saída.

— Aonde vai? – Perguntei mesmo já sabendo a resposta.

— Vou salvar Tim. – Respondeu me dando as costas.

— Não pode ir sozinha. – Argumentei tentando ficar de pé e impedi-la. Davina me ignorou e continuou andando.

— Eu ficarei bem. – Disse sem se virar.

— Davina, por favor... Davina! – Gritei ao vê-la deixar a igreja.

Sem saber o que fazer, continuei parada onde estava tentando recuperar minhas forças e pensar em algo. Depois do que poderiam ter sido horas, engatinhei até a bolsa de Cami, pegando seu celular e discando o número de Josh. Ele atendeu a ligação no segundo toque.

— Alô, Cami? O que aconteceu? Acabei de encontrar Davina e... – Começou ele, porém o interrompi.

— Josh, sou eu. Lexi. Cami e eu estamos na igreja. Um grupo de bruxas nos atacou e Cami está inconsciente. Eu não consegui segurar Davina. – Contei de modo rápido.

— Eu estou na esquina da Toulouse Street, se quiser eu posso... – Informou.

— Não saia daí. Eu irei encontra-lo. – O interrompi novamente. Desliguei o telefone e o coloquei de volta na bolsa. Com esforço, me coloquei de pé e olhei uma última vez para Cami. – Me perdoa, Cami. Eu sinto que algo muito ruim está para acontecer e eu preciso impedir que mais gente inocente se machuque. – Sussurrei antes de sair.

Deixei a igreja e fui atrás de Josh. Não demorei a encontra-lo, mas para minha surpresa ele não estava sozinho.

— Rebekah?! – Indaguei parando próxima a eles.

— Lexi?! O que faz aqui? – Retorquiu ela tão surpresa quanto eu.

— Estou tentando salvar uma amiga. – Falei séria.

— Se essa sua amiga se chama Davina, então creio que temos o mesmo objetivo essa noite. Como eu costumo dizer, nós garotas temos que permanecer unidas. – Respondeu. Troquei um olhar com Josh.

Poucos minutos depois, estávamos a caminho do casarão que agora pertencia a Klaus. Enquanto eu contava o que Klaus tinha feito comigo a Rebekah, ela nos explicava seu plano para salvar Davina. Eu praticamente tive que correr para conseguir acompanhar os passos sobrenaturalmente rápidos dela e Josh.

— Esperem aqui. – Ordenou quando chegamos à entrada do casarão. Mesmo sem querer, acabei obedecendo. Josh andava de um lado para o outro, completamente inquieto.

— Não se preocupe. Não importa o que aconteça essa noite, eu não vou deixar ninguém te machucar. – Afirmei olhando para ele. Josh parou onde estava encarando-me com um sorriso.

— Obrigado. Mas não quero que enfrente Klaus por minha causa. Já basta Davina com essa ideia suicida. – Disse assumindo um tom preocupado.

— Eu te devo uma, Josh. Você me alertou e eu não quis ouvi-lo. – Retruquei me lembrando do nosso encontro nas docas. Ele abriu a boca para dizer algo, porém a fechou novamente. Sua expressão tornando-se apreensiva.

— Vamos. – Chamou indicando o casarão. Presumi que Rebekah deveria ter lhe dado o sinal para que entrássemos.

Segui lado a lado com Josh até o pátio. Davina estava mais ao centro, com Rebekah a sua frente. Não pude deixar de notar Marcel, Klaus e Elijah caídos próximos a elas. Assim que se deu conta da nossa presença, Davina virou em nossa direção.

— Josh! Lexi! O que estão fazendo? Saiam daqui! – Exclamou horrorizada.

Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, Rebekah atravessou o pátio em sua velocidade vampírica, agarrando Josh pelo pescoço.

— O que está fazendo? – Questionou Josh com dificuldade.

— Rebekah, não! – Implorei temendo por Josh.

— Se eu fosse Klaus, arrancaria a cabeça do Josh e alimentaria um vigia, e isso seria o fim do seu amigo... – Discursou ela olhando para Davina, ainda segurando Josh.

Depois do que me pareceu uma eternidade, ela finalmente o soltou. Josh curvou-se com a mão no pescoço em busca de ar. Me aproximei dele, tentando de alguma forma ajuda-lo.

— Mas machucar pessoas é algo tão banal de fazer, assim como Klaus ter hipnotizado o violinista no telhado. – Prosseguiu Rebekah, me fazendo olhar para cima e ver Tim a pelo menos cinco metros de altura do chão. – Enquanto sou muitas coisas, com certeza não sou meu irmão. – Concluiu fitando Davina.

Afastei-me um pouco de Josh quando ele se recuperou, focando minha atenção em Tim.

— Tudo bem, Timothy. Desça, ninguém irá lhe machucar. – Assegurou Rebekah.

— Ele disse que eu não podia descer. – Respondeu o garoto. Não precisava ser um gênio para saber que “ele” era Klaus.

— Então não desça, bobinho. Sou a única esperta aqui? Pule. – Sugeriu a loira como se essa fosse a ideia mais brilhante do mundo.

Rebekah caminhou até Tim, parando abaixo do local em que ele estava. Hesitante, Tim ajeitou seu violino, o segurando com mais força, e fez o que Rebekah disse. Ela o pegou antes que ele tocasse o chão. Tim olhou para cima assustado e depois para Rebekah. Quando ele virou, Davina veio até ele, o abraçando.

— Davina... Como fez tudo isso? Como eu cheguei até aqui? – Ele perguntou ainda assustado quando se afastaram.

— Explicarei tudo, prometo. – Comprometeu-se Davina. Tim assentiu antes de abraça-la novamente.

Rebekah, Josh e eu apenas admiramos a cena. Os dois eram tão fofos juntos. Quando voltou a se separar de Tim, Davina dirigiu sua atenção a Rebekah.

— Por que está fazendo isso? – Inquiriu.

— Parece que é você quem está segurando todas as cartas, mas não sabe em quem confiar. Só provei que pode confiar em mim. Agora gostaria de te mostrar outra coisa. Não irá demorar. Pode trazer seus amigos – Disse Rebekah andando a nossa frente. Nos entreolhamos antes de segui-la.

Rebekah nos fez adentrar ainda mais no casarão. Depois de passarmos por alguns corredores vazios e escuros, Rebekah virou a esquerda nos levando a um novo corredor, só que dessa vez bem menor e iluminado à luz de velas. Com um mau pressentimento, continuei a seguindo.

Ao chegarmos à entrada, ela deixou que Davina e eu entrássemos primeiro. Foi impossível não sentir um embrulho no estômago. O lugar ao qual Rebekah tinha nos levado só podia ser descrito da seguinte forma: frio e tenebroso. Haviam pessoas enterradas em todo o lugar, inclusive nas paredes. Mas o pior de tudo é que elas estavam vivas. Eu olhava para aquilo horrorizada, assim como Davina e Tim.

— Não se preocupe, não estão mortos de verdade... Só estão famintos e... Não estou ajudando. – Divagou Josh.

Ele também segurava uma lamparina e estava mais atrás com Tim. Davina e eu ainda andávamos pelo lugar, olhando ao redor, completamente estarrecidas.

— Acha que meu irmão é terrível? Marcel aprendeu com o melhor. É assim que ele trata seus amigos que o traem. O que essas pobres almas fizeram não é pior do que o Josh fez. Thierry, por exemplo. – Explanou Rebekah indicando um homem somente com o rosto e as mãos de fora da parede. – Ele era o amigo mais confiável do Marcel. Klaus o enganou para quebrar uma das regras do Marcel. Marcel sabe disso, mas ainda sim o mantem preso aqui dia após dia sofrendo. – Completou.

Tanto eu quanto Davina havíamos nos aproximado para ver de perto o pobre Thierry. Ele era um rapaz bonito, porém sua aparência não estava das melhores e sua pele possuía um estranho tom acinzentado.

— Isso é loucura. – Pronunciou-se Tim.

— Por que está dizendo isso? – Indagou Davina a Rebekah.

— Porque precisa saber com quem está lidando, em quem pode confiar. E isso serve para você também, Lexi. – Respondeu Rebekah olhando de Davina para mim.

— Vai ficar tudo bem. – Afirmou Tim aproximando-se. Ele tinha uma garrafa de água em mãos. – Digo, você vai ficar bem. Tome, beba algo. – Ofereceu estendendo a garrafa para Davina.

Como eu estava mais próxima dele, peguei a garrafa de sua mão com a intenção de repassá-la a Davina. Porém ao tocar na garrafa, flashes de Klaus jogando alguma substância, a qual identifiquei como sendo veneno, na água, me fez deixa-la cair imediatamente.

— Lexi? – Chamaram-me Davina e Rebekah ao mesmo tempo.

— O que aconteceu? – Perguntou Rebekah.

— Está envenenada. – Revelei apontando a garrafa no chão. Davina olhou para Tim apavorada.

— Você não bebeu, não foi? – Inquiriu indo até ele. Tim não precisou responder. Ele começou a passar mal no instante seguinte. – Tim! – Exclamou Davina jogando-se ao lado dele no chão.

Desesperada, também fiz o mesmo. Eu não podia deixar que ele morresse.

— Tim! Tim, fala comigo! – Pedi tentando mantê-lo consciente.

— Foi Klaus. Ele me fez fazer isso. Não sabia o que estava fazendo até você falar. – Respondeu-me com dificuldade. Senti o aperto em meu peito aumentar.

— Está tudo bem. Vai ficar tudo bem. – Tentei tranquiliza-lo. Enquanto Davina mantinha-se ao meu lado desesperada. Rebekah e Josh assistiam impotentes. O garoto inclinou-se para trás, deitando de costas.

— Tim? – Chamou Davina, porém ele não respondeu.

— Precisamos fazer alguma coisa! – Exclamei já sentindo o desespero começando a me sufocar.

— Talvez sangue de vampiro resolva. – Sugeriu Rebekah aproximando-se de nós.

Josh mordeu seu pulso e abaixou-se próximo a Tim tentando fazê-lo beber seu sangue, no entanto não adiantou. Já era tarde demais.

— Não! – Gritou Davina começando a chorar, jogando-se sobre o peito do amado.

Tremendo, afastei-me dos dois, virando meu rosto para direção oposta, também sem conseguir engolir o choro. Aquela era uma das cenas mais tristes que eu já tinha presenciado.

— Tim, por favor, acorde. Abra seus olhos. Por favor... Não me deixe sozinha. Tim! – Os lamentos de Davina chegavam até mim como verdadeiras facadas no peito.

Antes que pudesse me controlar, já estava soluçando tanto quanto ela. Ficamos incontáveis minutos ali. Em um dado momento, Davina desmaiou. Seu emocional completamente em frangalhos.

Deixamos o corpo de Tim aos cuidados de Josh. Rebekah levaria Davina de volta ao casarão e eu sem dúvida as acompanharia. Peguei a garrafa com a água envenenada e saí junto com ela. Até porque, depois de tudo que tinha acontecido hoje, eu mais do que merecia um acerto de contas com certo Original.

(...)

Adentrei o pátio a frente de Rebekah. A loira trazia no colo uma Davina ainda desacordada. Vê-la naquele estado me enfureceu ainda mais. A morte de Tim já havia me revoltado o suficiente, mas dar de cara com o responsável por tudo de ruim que tinha acontecido até aquele momento me fez enxergar vermelho. Klaus estava parado no centro do pátio. Alguns passos atrás dele, encontravam-se Marcel e Elijah. Sua expressão ao me ver transparecia a mais pura surpresa. Avancei em sua direção, jogando o resto da água envenenada em seu rosto.

— Como pôde? – Gritei possessa de raiva atirando a garrafa, agora vazia, no chão.

Ele não respondeu. Parecia completamente em choque com a minha atitude e os demais presentes pareciam sentir o mesmo.

— Por que você fez isso? – Voltei a perguntar empurrando seu peito. – Você o matou! Quase matou Davina e podia ter me matado também! Por que fez isso, Klaus? Você matou um inocente! – Acusei brigando com as lágrimas que queriam descer por meu rosto, porém não permitiria. Não seria fraca diante dele. Não mais. – Você usou Cami, Josh e até mesmo Tim! Não fez o mesmo com Davina porque ela não permitiu. Mas o temido e poderoso Híbrido Original não deixa nada barato. Já que ela não lhe seria útil, qual a necessidade de mantê-la viva, não é mesmo? – Indaguei com ironia.

Klaus abriu a boca para dizer alguma coisa, mas logo a fechou. Sua expressão estava grave.

— Você me usou, Klaus. Eu fui sincera com você, confiei em você. Mas você nunca se importou, não é? Eu fui mesmo muito idiota em pensar que podíamos ser amigos. – Desabafei com decepção.

Ele não reagia as minhas palavras, apenas mantinha-se parado, ouvindo tudo o que eu tinha a dizer, encarando-me de forma impassível. Para ele, eu não devia passar de uma arma ou uma peça sem importância em seu jogo e que não servia mais.

— Você me dá nojo. Eu te odeio. – Afirmei o encarando com desprezo.

Marcel e Elijah, ainda no mesmo lugar de antes, nos observavam com uma mistura de incredulidade e cautela. Lancei lhes um último olhar de pura decepção e dei meia volta, parando diante de Rebekah. Ela também me olhava em choque, porém pude ver admiração em seu rosto.

— Por favor, cuide dela. – Pedi desviando meus olhos dos seus para o rosto adormecido e abatido de Davina.

Sem esperar uma resposta, depositei um suave beijo na testa de Davina e continuei meu caminho para fora dali. Eu nunca mais queria ter nada a ver com Klaus. Queria apenas chegar em casa e esquecer sua existência completamente.

Notas finais
E então? O que acharam? Só tenho algo a dizer: Klexy nunca mais será a mesma coisa... Comentem! Beijos!