I Just Wanna Stop
18 Conversas Paralelas
Notas iniciais
Pov. da Lexi
Abri a porta de casa e me senti mais do que aliviada ao encontrar Cami me esperando. Meu caminho até ali não tinha sido nada fácil. As lembranças dos últimos momentos de Tim, o sofrimento de Davina e a postura insensível de Klaus atormentaram meus pensamentos durante todo o percurso. Ainda não conseguia acreditar que ele tinha sido capaz de tamanha crueldade.
Assim que me viu, Cami levantou-se do sofá.
— Lexi! Finalmente! Graças a Deus você está bem! Onde estão Davina e Josh? E o que aconteceu com Tim? – Me bombardeou de perguntas.
Sem dizer uma única palavra, caminhei até ela, jogando-me em seus braços, começando a chorar.
— Calma... Está tudo bem. Vai ficar tudo bem, eu prometo. – Sussurrou Cami enquanto alisava minhas costas tentando me acalmar.
Estreitei ainda mais meus braços ao redor dela, me permitindo chorar tudo o que eu tinha segurado o dia inteiro. Meu corpo sacudia devido aos soluços e minhas lágrimas encharcavam seu casaco.
Permaneci assim por tempo indeterminado. Quando finalmente consegui me controlar, soltei Cami e me sentei ao lado dela no sofá.
— O que houve? – Indagou preocupada.
— Tim... Ele morreu. Klaus o envenenou. – Contei tentando ao máximo me segurar para não recomeçar a chorar.
— Oh meu Deus! Pobre Davina! Onde ela está? – Procurou saber.
— Eu a deixei no casarão aos cuidados de Rebekah. – Respondi passando a mão pelo rosto.
— E quanto a Josh? – Inquiriu novamente.
— Eu não sei. Acho que ele deve está escondido. – Revelei com pesar, secando uma lágrima teimosa que insistia em descer por minha bochecha. – Foi tão horrível, Cami. O Klaus... Eu nunca mais quero voltar a vê-lo. – Afirmei sem consegui conter o choro por muito tempo. Cami me abraçou de novo.
— Não se preocupe, Lexi. Ele não irá mais machuca-la. Eu não vou deixar. – Garantiu-me ela, beijando meu cabelo.
— Não. Klaus não irá mais me manipular e nem ferir as pessoas que eu gosto porque eu não irei permitir. – Assegurei determinada.
Depois de um tempo, afastei-me de Cami, indo para o meu quarto. Olhei para as malas próximas a cama com um sorriso triste. Teria que reorganizar todo o meu guarda roupa. Tomei um longo e relaxante banho quente, vestindo um pijama qualquer e jogando-me na cama. Eu daria qualquer coisa para que esse dia não tivesse passado de mais um dos meus sinistros pesadelos.
Passei a madrugada inteira fitando a parede sem conseguir dormir. Lembranças da minha conversa com Klaus na noite em que ele havia me revelado sua verdadeira identidade, perturbando meus pensamentos. Por que tinha que ser assim? Será que ele foi sincero ao menos uma vez comigo? Era o que eu me perguntava enquanto recordava-me dos meus momentos com ele.
Quando o dia finalmente amanheceu, obriguei-me levantar. Arrastando-me como um zumbi, caminhei até minhas malas e comecei a desfazê-las. Guardando tudo devidamente em seu lugar. Não tinha conseguido pregar o olho a noite inteira. Estava me sentindo um trapo humano. Após terminar minha tarefa, segui para o banheiro torcendo para que a água fria fosse o suficiente para me despertar pelo menos um pouco.
Vesti a primeira roupa que vi pela frente, pegando meu celular em cima da escrivaninha antes de deixar o quarto. Tinha me esquecido completamente dele por causa dos acontecimentos de ontem. Suspirei pesadamente ao ver a quantidade de chamadas perdidas, todas de Steve. Após escrever um bilhete para Cami, mandei uma mensagem para ele marcando um encontro na praça municipal. Saí de casa sem me preocupar em comer. No meu atual estado, comida era a última coisa na qual eu pensava.
Levei um pouco mais do que uma hora para chegar no local marcado. Steve já estava lá, sentado em um dos bancos, a minha espera. Assim que me viu, ele levantou vindo até mim.
— Lexi! Onde você estava? Te liguei várias vezes ontem... E anteontem. Você sumiu! Fiquei preocupado. – Disse de uma única vez, puxando-me para um abraço. – Está tudo bem? – Perguntou quando nos separamos, me analisando.
— Não. Aconteceram muitas coisas nesses últimos dias, mas o que importa é que eu estou aqui agora. – Respondi alisando seu rosto.
— Não quer me contar o que aconteceu? – Inquiriu me puxando para mais perto. Sua expressão dividida entre preocupação e curiosidade. Balancei a cabeça em negação.
— Tudo o que eu quero é que você me abrace bem forte. – Pedi.
Steve me encarou por alguns segundos, antes de me puxar para seus braços novamente. Somente o fato de tê-lo por perto já fazia com que eu me sentisse melhor. E pensar que eu nunca mais o veria... Espantei esse pensamento espremendo ainda mais meu corpo contra o dele.
— Você não faz ideia do quanto me faz bem. – Sussurrei em seu ouvido.
— E você não faz ideia do quanto é importante para mim. – Afirmou ele com o rosto em meu pescoço.
Por um instante, consegui me desligar dos meus problemas e aproveitar o fato de ter alguém como Steve ao meu lado. Não havia mais espaço para Klaus e suas armações. Naquele momento éramos apenas eu e o garoto pelo qual eu havia me apaixonado, e que a partir de agora eu defenderia com minha própria vida se fosse necessário.
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Havia se passado uma semana desde o fatídico dia que ocasionou a morte de Tim. Durante esse tempo não tive notícias de Klaus e muito menos qualquer contato com ele. Eu me comunicava direto com Rebekah por telefone para saber como Davina estava e até mesmo Hayley. Não tinha coragem de ir até o casarão visitá-las sabendo que encontraria Klaus por lá. Se antes ele protagonizava meus sonhos, agora era o principal responsável pelos pesadelos que me atormentavam noite após noite. E para piorar, ainda não fazia a menor ideia do paradeiro de Josh. E apesar da preocupação, eu tentava me agarrar à esperança de que ele estava em algum lugar seguro, fora do alcance de quem queria machuca-lo.
Cami se esforçava e me incentivava a esquecer de tudo que tinha acontecido e seguir minha vida normalmente, como eu fazia antes de toda essa bagunça sobrenatural. Porém isso era impossível e ela sabia disso tão bem quanto eu. Nada seria como antes, entretanto cabia a mim me manter forte para enfrentar as tempestades que com certeza ainda estavam por vim.
Atendendo ao pedido de Cami para que eu saísse um pouco para me divertir, fui ao Joe. Fazia um bom tempo que eu não ia ali e além da saudade, aquela seria uma ótima maneira de me distrair. E no final das contas, tinha sido mesmo uma boa ideia.
Tomei mais um gole do meu cappuccino enquanto rabiscava no meu caderno de desenho.
— Deseja mais alguma coisa? – Perguntou-me Steve parando ao lado da mesa. Ergui meus olhos para ele.
— Não, pelo menos por enquanto. – Respondi sorrindo fracamente.
— Você está diferente, Lexi. Está triste e calada. – Observou me fazendo encará-lo.
— É impressão sua. Eu me sinto maravilhosa. – Menti me esforçando ao máximo para ser convincente.
Steve me analisou por alguns minutos, suspirando antes voltar a se pronunciar.
— Tudo bem. Me chame se precisar de algo. – Disse saindo.
O observei se afastar em direção a outra mesa e voltei minha atenção ao meu caderno.
Ouvi o sininho que ficava acima da porta da cafeteria tocar, indicando a chegada de mais um cliente. O movimento hoje estava grande, já tinha perdido a conta de quantas vezes tinha escutado aquele som. Totalmente concentrada no meu desenho, continuei o acabamento que fazia. Admito que o resultado final tinha saído um pouco melancólico, entretanto era assim que eu me sentia no momento.
Desviei os olhos do caderno ao ver um prato com uma grande fatia de torta de chocolate com cobertura de morango ser posto a minha frente. Foi impossível não sorrir. Eu adorava essa torta, ela era a minha preferida.
— Steve... – Comecei erguendo o rosto para agradecer sua gentileza, porém me deparei com uma pessoa bem diferente. – Klaus?! – Exclamei espantada.
— Soube que essa é a sua favorita. – Disse de forma dócil apontando a torta. O encarei com a expressão fechada.
— O que está fazendo aqui? – Inquiri sem rodeios.
— Te fazendo um pequeno agrado. – Respondeu simplesmente.
— Eu não quero nada que venha de você. – Retruquei rispidamente. – Como saberei que não está envenenada? –Perguntei com ironia, olhando do prato para ele.
Como resposta, Klaus endureceu sua postura.
— Eu jamais faria isso. – Afirmou sério.
— Eu não tenho tanta certeza. – Discordei me endireitando na cadeira para analisa-lo melhor. – Afinal, para você tudo é uma questão de interesses não é mesmo? Seus interesses, para ser mais específica. – Concluí debochada.
Klaus trincou os dentes, em uma clara tentativa de controlar a raiva, e puxou a cadeira a minha frente, sentando-se sem a minha permissão.
— Eu não vou dizer que me arrependo, porque se o fizesse estaria mentindo. Davina representava uma ameaça e ainda representa. Eu quis sim mata-la e acabei usando Timothy para isso, mas eu jamais quis envolve-la. Tanto é que eu cuidei para que fosse embora com Cami. Era o melhor para a segurança de vocês. – Discursou. Balancei a cabeça em negação, me recusando a acreditar que tinha mesmo acabado de escutar aquilo.
Fechei meu caderno e joguei tudo de qualquer jeito dentro da bolsa. Eu não queria ficar nem mais um segundo na presença dele. Deixei o dinheiro da conta na mesa e levantei para ir embora, porém Klaus segurou meu braço.
— Aonde vai? – Perguntou me encarando.
— Para longe de você. E caso eu ainda não tenha sido clara o bastante, agora vou dizer com todas as letras: Eu. Não. Quero. Mais. Vê-lo. – Declarei livrando meu braço do seu aperto, entretanto Klaus tornou a segurar meu braço, também se pondo de pé.
Antes que o Híbrido dissesse alguma coisa, Steve apareceu puxando-me para ele.
— Há algum problema aqui? – Perguntou encarando Klaus, que por sua vez o encarou de volta com ar de superioridade e descaso.
Imediatamente senti meu coração acelerar dentro do peito. Ter os dois no mesmo ambiente me fazia entrar em pânico. Não podia deixar que Klaus machucasse Steve.
— Que lindo. O valente príncipe em defesa da sua amada. – Zombou Klaus.
Steve deu um passo à frente enquanto Klaus o analisava com um sorriso irônico. Espalmei as mãos sobre o peito de Steve, o restringindo.
— Está tudo bem. Ele é apenas um conhecido. – Menti tentando acabar com aquela situação o mais rápido possível.
Para meu desespero, Klaus aproximou-se, parando a centímetros de distância.
— Ouça sua namorada, Steve. – Disse enfatizando a última parte e pondo a mão sobre o ombro dele, olhando para mim de forma penetrante. – Deixe-nos a sós. – Completou o hipnotizando. Steve obedeceu.
O observei se afastar e me voltei para Klaus, perplexa. O encarei por alguns segundos antes de me encaminhar para a saída. Ele me seguiu.
Assim que alcançamos a rua, virei-me para ele acertando em cheio um tapa em seu rosto.
— Nunca mais ouse se aproximar dele. – Ameacei lançando lhe um olhar fulminante. Klaus sustentou meu olhar, também furioso. Ele estava possesso de raiva, certamente por causa da minha agressão. – Não me interessa quem ou o que você é. Mexa com as pessoas que eu gosto de novo e prometo que o farei se arrepender amargamente do maldito dia no qual nos conhecemos. – Emendei sem esperar ele responder.
Ajeitei a alça da minha bolsa e andei sem olhar para trás. Dobrei em uma viela próxima, deixando o Híbrido Original paralisado na calçada.
(...)
Era a primeira vez que eu me aventurava naquela parte da cidade. Lojas e mais lojas com a palavra “vodu” no nome estendiam-se diante de mim. Se eu tivesse passado por ali alguns meses antes, iria jurar que toda aquela alusão à bruxaria e elementos sobrenaturais não passavam de crendices e bobagens. Todavia, agora eu tinha consciência de que o Cauldron* era mesmo repleto de bruxas e histórias verdadeiras.
Respirei fundo para tomar coragem antes de finalmente entrar em uma das lojas. Depois do meu desagradável encontro com Klaus, a única coisa na qual eu pensava era em uma forma de proteger Steve. Dar um jeito de torna-lo imune a hipnose me pareceu uma boa forma de deixa-lo menos vulnerável. E foi justamente esse pensamento que me levou até ali. Precisava de verbena urgente.
Adentrei o estabelecimento e olhei ao redor, analisando o ambiente. De modo geral, apesar do ar esotérico e místico, o lugar até que era agradável. Sem consegui conter minha curiosidade, saí bisbilhotando por toda a loja.
— Posso ajudar? –Questionou uma voz feminina não muito longe.
Recuperando-me do susto, virei em direção à voz e me surpreendi ao encontrar uma mulher me encarando. Ela devia ter no máximo uns trinta anos. Tinha a pele morena, cabelos cacheados castanhos e olhos também castanhos.
— Me desculpe. Não tive a intenção de assustá-la. – Disse em seguida ao ver minha reação.
— Tudo bem, eu só... Você trabalha aqui? – Perguntei mudando de assunto.
— Não. Essa loja é de uma minha amiga, Katie, mas adoraria ajuda-la se fosse possível. – Ofereceu simpática.
A analisei por alguns segundos. Eu tinha a vaga impressão de já tê-la visto antes, porém não fazia ideia de onde e nem quando. E apesar da amabilidade da desconhecida, algo me dizia que havia algo de errado com ela e não era apenas o fato de que provavelmente ela fosse uma bruxa.
— Eu preciso de verbena, por acaso você teria essa erva aqui? – Confidenciei em um tom baixo.
A mulher arregalou os olhos, desmanchando o sorriso.
— Sim. Eu tenho. – Respondeu caminhando até uma prateleira. – Desculpe a intromissão, mas para que precisa de verbena? – Inquiriu remexendo em alguns fracos.
— Para proteger uma pessoa. – Revelei a contra gosto.
A desconhecida parou o que fazia, virando-se para me olhar. Depois de me analisar por alguns minutos, ela se deslocou até o outro lado da loja.
— Supondo que a pessoa em questão não tenha os mesmos conhecimentos que você sobre essa cidade, eu a aconselharia a presenteá-la com isso. – Disse por fim, mostrando-me inúmeros colares e pulseiras. Aproximei-me dela, franzindo o cenho em confusão sem entender como aquilo poderia me ajudar. – Todos eles contém verbena. Enquanto os estiver usando, estará segura. – Explicou parecendo ler meus pensamentos.
Olhei dela para os objetos. Então quer dizer que não era preciso necessariamente ingerir a verbena para se proteger da hipnose? Essa era uma ótima novidade para mim.
— Obrigada. – Agradeci ainda impressionada com a informação, admirando um dos colares.
— Não há de que. E a propósito, meu nome é Sabine. – Apresentou-se.
— E o meu é Lexi. – Falei a olhando de forma breve, ainda entretida com a nova descoberta.
Procurei em meio às pulseiras e achei uma perfeita para Steve. Feita aparentemente de couro, ela era discreta e muito charmosa. Tinha certeza de que ele iria adorar.
— Eu vou ficar com essa. – Anunciei com a pulseira em mãos, direcionando minha atenção para Sabine.
— É linda. – Elogiou sorrindo. – Por que não escolhe algo para você também? – Sugeriu indicando os colares.
Acatei seu palpite, remexendo nos colares. Não conseguia me decidir sobre qual pegar. Estava completamente distraída quando uma voz familiar, surpreendentemente próxima, chamou minha atenção.
— Se me permite dar uma opinião, creio que esse daqui seja mais apropriado. – Disse Elijah me fazendo pular de susto e olhar em sua direção chocada.
Como sempre, ele estava vestido com um elegante terno e me encarava com uma expressão dividida entre divertimento e cautela. Em sua mão esquerda ele exibia um colar simples que possuía uma linda pedra rosa como pingente.
— O que você está fazendo aqui? –Indaguei após recuperar minha voz. Era a segunda vez que eu fazia essa pergunta a um Original em menos de duas horas.
Elijah desmanchou o sorriso torto, parecendo pensar bem antes de responder.
— Não tivemos a oportunidade de nos falarmos desde o dia no Bayou e nosso último encontro foi um tanto... Tumultuado. – Respondeu. Suspirei pegando o colar da sua mão e o analisando com cuidado.
— Se veio falar sobre seu irmão, já vou logo avisando que perdeu seu tempo. – Alertei voltando a olhá-lo.
— Lamento, mas é justamente sobre ele que eu queria conversar com você. – Informou sério.
Revirei os olhos, balançando a cabeça em negação. Decidida a ignorá-lo, voltei-me para Sabine. Quase tinha me esquecido dela.
— Eu vou levar esse aqui. – Afirmei mostrando o colar escolhido por Elijah a ela. Eu realmente tinha gostado dele.
Sabine olhava de mim para Elijah com uma expressão perplexa no rosto. Parecia que a presença dele ali a impressionava e muito.
— E então, quanto eu te devo? – Questionei depois de um tempo tentando recuperar sua atenção.
— Nada. É por conta da casa. – Respondeu ela, ainda com os olhos fixos no Original.
— Eu não posso aceitar... – Protestei, porém Elijah me interrompeu.
— É muita gentileza sua. – Agradeceu por mim, segurando meu braço. – Agora será que podemos ir a algum lugar mais reservado para conversamos? – Perguntou baixinho, em meu ouvido. Foi impossível não sentir um arrepio.
Apesar de querer distância de Klaus, não havia motivos para querer me afastar de Elijah também. Não foi ele que me manipulou e quebrou minha confiança.
— Obrigada por tudo, Sabine. E desculpe-me pelo incomodo. – Agradeci novamente, soltando-me do aperto sutil de Elijah.
Sabine forçou um sorriso em minha direção, assentindo com a cabeça. Seu humor parecia ter mudado bruscamente desde que Elijah havia aparecido.
Ainda intrigada, peguei o colar e a pulseira e segui o Original para fora da loja. Caminhamos lado a lado em silêncio até chegarmos a uma pequena praça.
— Obrigado por ter aceitado conversar comigo e desculpe-me por minha abrupta abordagem. – Manifestou-se Elijah, iniciando a conversa.
— Sem problemas. Na verdade, eu também te devo desculpas. Você não tem nada a ver com o aconteceu entre mim e o Klaus, então... – Expliquei, dando de ombros no final.
Elijah sorriu, mas logo voltou a ficar sério. Ele hesitou antes de falar novamente.
— Eu sei que esse é um assunto delicado para você, mas precisamos conversar sobre meu irmão. O que aconteceu aquele dia no casarão... – Ele começou, porém o interrompi.
— Como eu já disse antes, eu não quero falar sobre isso. E se era esse o assunto da nossa conversa, já podemos encerrá-la por aqui. – Afirmei o encarando séria.
Depois do que tinha acontecido mais cedo, a última coisa que eu queria no mundo era falar sobre Klaus.
— Eu vi o que aconteceu na cafeteria. – Comentou Elijah, me fazendo mudar de expressão.
— O quê? – Inquiri sem ter certeza de que tinha entendido certo.
— Eu vi a discussão entre você e o Klaus em frente aquela cafeteria. – Repetiu com mais clareza. Arregalei os olhos. – Niklaus tem estado mais instável do que o de costume nesses últimos dias. E embora ele não tenha dito nada, tenho certeza de que o desentendimento de vocês é uma das principais causas do seu atual estado de espírito. – Completou.
Continuei calada apenas o encarando. Estava tentando absorver o que ele tinha dito. Será que ele estava mesmo me dizendo que Klaus estava com a consciência pesada?
— Meu irmão nunca foi de ficar remoendo algo por muito tempo. Ele sempre trata de eliminar sua fonte de inquietação ou, na melhor das hipóteses, tenta resolvê-la. Eu imaginei que ele a procuraria e por isso resolvi segui-lo. Eu acompanhei tudo de longe e por pouco não precisei intervir. – Contou fazendo uma breve pausa antes de prosseguir. – Eu realmente admiro sua coragem, Lexi. Mas para o seu próprio bem, eu lhe peço que tenha mais cuidado. O que você fez hoje... Niklaus já matou pessoas por muito menos e essa é a segunda vez que você o enfrenta desse jeito. – Concluiu em tom grave.
Mudei o peso do meu corpo de um pé para o outro, cruzando os braços a frente do peito.
— Então você acha que ele pode me matar? – Indaguei com um tom de voz mais irônico do que assustado.
— Sinceramente? Não sei. Klaus tende a ser bastante imprevisível em certas ocasiões. A questão é: não o provoque. E, por favor, não o agrida fisicamente. Você não faz ideia do quanto meu irmão pode ser violento. – Aconselhou. Refleti por alguns minutos antes de me pronunciar.
— Eu agradeço a sua preocupação. E fique tranquilo, contanto que seu irmão não me provoque, ficará tudo bem. – Retorqui.
— Eu creio que não tenha entendido a gravidade da situação. – Alertou ele preocupado.
— Sim, eu entendi. O que eu quero dizer é que eu não pretendo me aproximar o suficiente dele para termos qualquer contato que seja inclusive discussões. – Expliquei desvaindo meus olhos para o meu colar.
Elijah suspirou se aproximando de mim. Voltei a olhá-lo e ele estendeu a mão em minha direção.
— Permita-me. – Pediu referindo-se ao colar.
Depois de ponderar por alguns segundos, o entreguei a ele, que se posicionou atrás de mim para coloca-lo em meu pescoço. Joguei o cabelo para frente do meu ombro para facilitar seu trabalho. Quando terminou, Elijah afastou-se, ficando diante de mim novamente.
— Obrigada. – Agradeci tocando o pingente em meu pescoço. – Era só isso? – Perguntei em seguida, me referindo a nossa conversa.
Após me analisar por algum tempo, ele finalmente respondeu.
— Sim. Eu espero que sua indisposição com Niklaus não afete nossa relação. E antes que eu me esqueça... Tenha muito cuidado com as bruxas. Em geral elas nunca são boas. – Advertiu tocando meu ombro, antes de passar por mim.
Nesse momento me atentei para um detalhe que, até então, eu não havia percebido.
— Você me seguiu? – Questionei virando para ele. Apesar da interrogação, a frase estava mais para uma afirmativa.
Elijah parou onde estava, parecendo ocultar um sorriso, com uma das mãos dentro do bolso.
— Eu tenho que ir. Tenha um bom dia, Lexi. – Despediu-se me dando as costas e voltando a se afastar.
Ergui as sobrancelhas, ainda atônita, sacudindo a cabeça algumas vezes para clarear os pensamentos. Tinha saído de casa hoje com a intenção de me distrair, entretanto voltaria com a cabeça ainda mais cheia. Por mais que eu quisesse, ao que parecia, eu não conseguiria me desvencilhar do sobrenatural tão cedo.

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