I Just Wanna Stop
39 Problemas à Vista?
Notas iniciais
Pov. do Klaus
Desde a morte temporária de Alexandra eu me encontrava mais caótico interiormente do que de costume. Todo o sofrimento causado por sua perda, ainda que momentânea, juntamente com o meu rompimento com Rebekah me atingiram mais fundo do que eu esperava. O incidente com Lexi me fez perceber o quanto eu estava envolvido com ela e passado o susto inicial, eu realmente fiquei espantado com a reação que sua morte me provocou. Por isso depois de alguns dias refletindo sobre o ocorrido, cheguei à conclusão de que eu precisava me afastar de tudo, principalmente da causadora da minha inquietação. Eu precisava de um tempo para me refazer dos últimos acontecimentos e reorganizar meus planos. Porém mesmo após um mês, as coisas não estavam saindo exatamente como eu havia planejado. Para começar tinha o meu “relacionamento” com Genevive. Embora nossa aventura tenha começado meio que por acaso, eu logo enxerguei nela, além de uma boa forma de me distrair, uma aliada muito útil num futuro não muito distante, uma vez que ela era a nova representante das bruxas. Entretanto nossa proximidade não me trouxe só benefícios.
Além de ter que aturar a desaprovação e as broncas de Elijah devido ao que Genevive tinha feito com Rebekah enquanto estávamos sob seu poder, meu affair com bruxa também contribuiu para aumentar o meu distanciamento de Alexandra. O que em tese deveria ser algo positivo, mas infelizmente para mim, as coisas não funcionavam desse jeito. Genevive até que era uma fonte interessante de divertimento, porém sua companhia não supria a ausência de Lexi. Mesmo não admitindo, eu sentia falta de tê-la sempre por perto. Isso sem falar que o meu afastamento deu brecha para que Elijah se aproximasse ainda mais da garota. Minha irritação ao ver a união dos dois só aumentava a cada dia. Era como se meu irmão estivesse roubando aos poucos meu lugar na vida de Lexi. E apesar de eu saber que bastava apenas um movimento meu para eu ter toda a atenção da minha melhor amiga de volta exclusivamente para mim, o receio que eu sentia das emoções que ela me provocava, me fazia escolher o caminho mais fácil, me deixando levar pelos encantos de Genevive e ignorando tudo que tirava o meu foco das minhas metas. Além disso, Genevive e Elijah não eram os únicos empecilhos.
Com o retorno de Davina, Lexi tinha mais alguém para dispensar sua atenção e como a bruxinha me odiava, eu não tinha dúvidas de que ela aproveitava seu tempo com Lexi tentando joga-la contra mim. Isso sem mencionar o problema com o padre Kieran. Dada a sua ligação com Cami e ele, a garota revezava com a tutora nos cuidados com o padre enfeitiçado. Ter Lexi tão ocupada assim era bom e ruim pelo mesmo motivo. Sobrava menos tempo para ela me procurar. Porém quando eu não estava pensando em meu dilema com Alexandra, eu estava arquitetando meus próximos passos enquanto pintava. Eu gostava de usar a pintura como uma metáfora para o autocontrole. Um meio para conseguir o que queremos apenas pela força de vontade.
E por mais que Elijah vivesse me atormentando para sair de perto do cavalete e quisesse minha colaboração para tentar unir as facções da cidade, eu tinha meus próprios planos em relação a isso. Com os vampiros e as bruxas em pé de guerra e a possível e promissora ascensão dos lobisomens, agora que eles estavam livres da maldição, eu via neles um grande potencial. Ainda mais se eu levasse em consideração a conexão entre eles e Hayley, o que facilitaria mais as coisas para mim. Não foi por acaso que eu usei a dificuldade de Elijah de harmonizar o Conselho para convencê-lo a dar uma festa que reunisse todas as facções da cidade. Eu tinha grandes planos para esta noite.
Agora, algumas horas depois da minha ideia brilhante, cá estava eu na escada que dava acesso ao segundo andar do casarão observando satisfeito o pátio lotado diante de mim. Eu fui obrigado a reconhecer o acerto de Elijah na organização do evento. Desde os convidados à decoração, aquela festa prometia.
— Estou impressionado, irmão. – Admiti admirado olhando as pessoas dançando há alguns metros.
— Agora só preciso impedir que se matem. – Retrucou ele com os olhos no pátio.
— Então, para o seu bem, que seja uma noite muito chata. – Afirmei dando um sorriso torto e erguendo minha taça de champanhe.
Elijah brindou comigo, também erguendo sua taça. Tomei um gole da bebida antes de me retirar, o deixando sozinho. A noite só estava começando.
Voltei para varanda e fiquei observando a movimentação abaixo de mim. Inconscientemente comecei a procurar por Lexi em meio à multidão. Elijah havia comentado comigo que ela viria, porém eu tinha minhas dúvidas quanto a isso. Depois da nossa breve indisposição ontem, eu estava ansioso para revê-la. Com exceção do dia anterior, fazia algumas semanas que não nos víamos. Eu realmente sentia falta de passar um tempo com ela. Estava tão absorto em minha busca, que quase não percebi a aproximação de Genevive.
— Procurando a sua amiguinha? – Questionou num tom irônico andando até mim com uma taça de champanhe em mãos. Virei-me para olhá-la.
— Não me diga que você tem ciúmes da Lexi, love. – Insinuei divertido.
— E eu tenho motivos para isso? Ela é apenas uma garotinha. Somente acho curiosa a relação de vocês. – Respondeu nem um pouco convincente.
— Eu posso te garantir que é uma relação bem diferente da que temos. – Afirmei com um meio sorriso. De fato. Meu relacionamento com Lexi não tinha nada a ver com o que existia entre mim e Genevive.
— Eu sei que sim. Mas achei que eu seria sua distração essa noite, assim como nas outras. – Declarou me analisando.
— E você é. – Confirmei segurando seus ombros. – Prometa que não vai mais pensar sobre isso. – Pedi a encarando com um sorriso. Não demorou muito para que a bruxa me correspondesse com outro sorriso.
Ainda me divertindo internamente com a situação, me inclinei para ela e dei um beijo em seu rosto. Quando me afastei, vi que tinha alcançado meu objetivo. Porém antes que Genevive pudesse reagir, vi Jackson subindo as escadas que levavam para o segundo andar. Sem perder tempo, deixei Genevive e segui o lobisomem. Estava na hora de pôr o meu plano em ação. Cheguei ao meu quarto bem a tempo de impedir que Jackson tocasse na minha pintura inacabada, cuja tinta ainda estava fresca.
— Estou feliz que tenha aceitado meu convite. – Me pronunciei atraindo sua atenção. O lobisomem virou-se para mim.
— É aqui que o grande Klaus Mikaelson diz algo irônico e quebra meu pescoço? – Indagou ele sério.
— Não vim te matar. Vim te oferecer um presente. – Declarei.
— Com toda a bondade do seu coração de vampiro? – Ironizou ainda na defensiva.
— Nossos corações são mais parecidos do que imagina. Antes de eu evoluir, meu coração era de lobisomem. – Retruquei. – Conheço o seu poder. Conheço o seu fardo. Vim para fazer o seu fardo desaparecer. – Atestei sorrindo.
— Quer me transformar em um híbrido. – Deduziu Jackson. – Coloco minha matilha em primeiro lugar. E não comprometerei a linhagem da minha família me tornando um parasita vampiro sedento por sangue. – Repudiou a ideia.
— Esse orgulho... Esse senso de lealdade. É por isso que eu ainda não quebrei seu pescoço. – Confessei enquanto me aproximava dele.
— Se não vai me matar, o que você quer? – Perguntou curioso.
— Só quero devolver a cidade que foi tirada de vocês. É irônico o suficiente para você? – Inquiri o encarando.
— Por que eu confiaria em alguém que conspira pelas costas do próprio irmão? – Retorquiu o lobo passando por mim. Aproveitei para ir até o meu cavalete.
— Não estou tentando estragar o plano de Elijah. Estou apoiando a visão dele. – Disse enquanto retirava o excesso de tinta do quadro. – Vampiros destroem vidas para sobreviverem, as bruxas já estão praticamente mortas, mas os lobos prosperam porque o poder deles vem da união familiar. Quero a segurança dessa união para o meu filho. – Completei voltando a olha-lo.
Jackson se encontrava parado no mesmo lugar em que eu estive há poucos minutos, de braços cruzados me avaliando. Fui até ele.
— A verdade dolorosa é que... Os vampiros são o oposto da união. – Aleguei parando diante dele.
— Então, depois de mil anos, está pronto para abraçar a outra metade da sua família? Talvez essa outra metade não te queira. – Falou em tom de desafio. Não me abalei.
— Vão querer, quando voltarem para o Quarter. – Assegurei passando por ele e indo em direção à antiga mesa que havia ali.
— Tem um plano para fazer isso acontecer? – Interpelou interessado, me acompanhando.
— Minha mãe era uma bruxa muito poderosa. Eu a vi fazer vários objetos mágicos, mas a posse mais preciosa dela era esse anel. – Contei lhe mostrando o objeto em questão. – Eu não o via há mil anos, até que apareceu pendurado no pescoço de um lobisomem. Um descendente direto do meu pai biológico. Acredito que ela deu esse anel a ele, como forma de libertá-lo. – Prossegui.
— Como? – Jackson quis saber.
— Anéis do dia protegem vampiros contra o sol. Então por que não um anel da lua, para proteger os lobisomens da maldição? – Expliquei. – Pense nisso... Sem mais ossos quebrados, ou perder o controle da besta interior. – Propus.
— O que eu tenho que fazer? – O lobo cedeu, fazendo justamente a pergunta que eu queria ouvir.
Eu enxergava nos lobos um grande potencial, sobretudo como ferramenta para o meu domínio definitivo da cidade e também para a proteção da minha filha.
Depois de contar mais detalhes dos nossos próximos passos para a fabricação do anel, dispensei o lobisomem. Apesar da sua insubordinação, Jackson era exatamente o que eu precisava no momento. Satisfeito com o resultado da nossa conversa, não demorei a retornar a varanda. O fiz bem a tempo de vê-lo dançando com Lexi. Surpreendi-me negativamente com a cena. Eu nem sabia que eles se conheciam. Observei os dois intrigado, sem gostar nem um pouco do que via. Me atentei a conversa deles e me senti um pouco melhor ao descobrir que seu principal assunto era Hayley. Senti um certo alívio ao ver o lobisomem interromper a dança para ir até Hayley.
Aproveitei que Lexi estava sozinha para admira-la. Ela estava ainda mais linda do que de costume. Seu vestido delicado e curto, e até mesmo a bonita tiara que ela usava no cabelo, lhe dava um ar de inocência e sensualidade ao mesmo tempo. Combinação que só ela conseguia ter. Porém o encanto foi quebrado assim que notei a aproximação de Elijah. Vê-lo tirá-la para dançar me incomodou profundamente. Incômodo esse que só cresceu na medida em que eu os assistia.
— Parece que você finalmente encontrou sua amiguinha. – Manifestou-se Genevive se fazendo presente. – Quem diria... Nunca imaginei que a Lexi fizesse o tipo do Elijah. Achei que ele se interessasse por mulheres maduras. Mas pelo visto, a beleza juvenil dela deve tê-lo atraído. Até que eles formariam um casal interessante não acha? Eles ficam bem juntos. – Comentou com um prazer venenoso explícito em cada palavra.
Não respondi. Limitei-me a aumentar o aperto que eu fazia na grade da varanda. A fala da bruxa ecoava em meus pensamentos despertando uma terrível queimação em meu interior. Parecendo se divertir com a minha reação, Genevive deu um beijo em meu rosto, assim como eu havia feito com ela mais cedo, e saiu, deixando-me sozinho novamente. Lá embaixo, Alexandra e Elijah continuavam dançando como estivessem em um conto de fadas. Não suportei continuar vendo aquilo. Mais uma vez Elijah parecia querer roubar o que é meu. Disposto a acabar com essa cena ridícula, fui até os dois e interrompi a dança. Por um segundo achei que Elijah mostraria alguma resistência, mas para o bem dele, isso não aconteceu. Assim que ele se afastou, tomei seu lugar.
Enquanto dançava com Lexi, não me contive em provoca-la. Era bom, talvez até demais, estar com ela. Embora a recente proximidade dela com Elijah me irritasse imensamente, o modo como ela me olhava e as reações que eu despertava nela eram únicas, e isso me tranquilizava de certa forma. Nossa ligação era profunda demais. Não seria fácil substitui-la ou quebra-la. Além disso, agradava-me ver os efeitos que eu causava nela. Em especial agora. Estávamos muito próximos depois de eu tê-la puxado para mim, após um rodopio. O som das batidas descompassadas do coração de Lexi, o sangue correndo mais rápido por suas veias e o seu nítido embaraço com a situação me divertiam. Estava ansioso para descobrir qual seria o próximo reflexo dela, porém um forte estrondo ecoou pelo ambiente, atraindo a atenção de todos.
Interrompemos a dança e nos viramos em direção ao barulho. Automaticamente me coloquei a frente de Lexi. Ao que parecia, Diego tinha atirado um dos lobisomens contra uma mesa cheia de taças. O lobisomem mal tinha se posto de pé e o vampiro partiu para cima dele. O lobo revidou e acabou prensando Diego contra a parede, mas antes que pudesse fazer alguma coisa, Elijah o afastou de Diego, prensando o rosto do lobo contra uma mesa. Limitei-me a observar. Finalmente algo para tornar a noite mais interessante.
— Isto acaba agora. Não vou perguntar de novo. – Sentenciou meu irmão ainda com o lobisomem sob o seu poder.
— Vai terminar mesmo. – Concordou Jackson com uma estaca apontada para o coração de Diego, o mantendo na parede.
A festa inteira havia parado para assistir o desfecho dessa briga.
— O que está te impedindo? Mate-o. – Manisfestou-se Hayley se tornando o centro das atenções, me fazendo olha-la com surpresa. – Vá em frente, Elijah. Mate-o. Não é como se ele não merecesse morrer. – Prossegiu ela aproximando-se deles.
Lexi deu um passo à diante, porém eu a impedi de prosseguir segurando seu braço. Não queria que ela se envolvesse.
— Você não deveria intervir? – Questionou-me Francesca. Ela havia assumido a liderança da facção humana devido ao estado do padre Kieran.
Eu estava tão distraído com Lexi que nem notei sua presença.
— Por quê? A festa está ficando interessante. – Dei de ombros com minha característica ironia.
Recebi um olhar atravessado de Lexi, entretanto ela logo voltou sua atenção para Hayley e eu fiz o mesmo.
— Afinal foi o Oliver que entregou Rebekah para as bruxas poderem tortura-la. Mas não foi Diego que liderou um massacre de lobisomens no mês passado? E as bruxas amaldiçoaram os lobisomens enquanto os humanos permitiram. Então quando pensa melhor, todos aqui merecem morrer. – Discursou Hayley. Eu não podia deixar de admitir que havia lógica no seu argumento.
— Está querendo dizer algo? – Atalhou Elijah a encarando.
— Eu quero dizer, Elijah, que se não pudermos aprender a viver juntos, se nossas famílias não puderem criar um tipo de comunidade, então qual é o sentido? Matem um ao outro e acabem logo com isso. – Discursou a lobinha.
Abri um sorriso impressionado quando Elijah soltou o tal Oliver e Jackson afastou-se de Diego. A intervenção de Hayley havia sido brilhante. Ela havia amadurecido muito desde que nos conhecemos. A convivência com sua família estava fazendo bem a ela.
— Será que podemos conversar? – Perguntou-me Lexi num tom sério, interrompendo meus pensamentos.
Embora eu tenha estranhado sua mudança súbita de humor, a guiei diretamente para o meu quarto. Assim que entramos no cômodo, retirei meu paletó e andei até o meu quadro inacabado, parando diante do cavalete.
— Você não vai mais voltar para a festa? – Ela quis saber parando próxima a mim.
— Por que eu deveria? Agora que a confusão acabou, tudo o que tinha de interessante naquela festa está bem aqui. – Respondi afrouxando à gravata e olhando para ela brevemente antes de pegar um pincel.
Mais uma vez tive o prazer de ouvir sua respiração se desregular. Sorri para mim mesmo ainda encarando o quadro, refletindo sobre o que estava faltando nele. Apesar de estar curioso para saber o que Lexi tinha para conversar comigo, no momento sua companhia era o suficiente.
— O que você pretende com os lobisomens? E por que está conspirando com eles pelas costas do Elijah? – Seu questionamento direto atraiu minha atenção instantaneamente. Virei para ela com o choque estampado no rosto.
— Como descobriu sobre isso? – Indaguei sem conseguir esconder minha surpresa.
— Eu vi flashes da sua conversa com o Jackson enquanto dançava com ele. – Respondeu cruzando os braços diante do peito.
Eu devia ter imaginado que seus singulares dons eram os responsáveis por essa descoberta inconveniente. A encarei por alguns instantes, a analisando com seriedade. Esse não era o tipo de assunto que eu gostaria de dividir com ela.
— Sem segredos, lembra? – Me recordou se referindo ao nosso juramento de amizade.
Continuei em silêncio decidindo se contava ou não. Embora eu realmente não quisesse falar sobre isso com ela, agora que ela já sabia, não fazia mais sentido manter segredo. Era em horas como essa que eu me perguntava como foi que eu me permiti me envolver tanto com a garota a minha frente. Com um suspiro derrotado, me rendi abrindo o jogo com Lexi. Contei a ela todos os meus planos para os lobisomens.
— E é isso. Eu pretendo dar os anéis da lua a eles em troca de apoio quando eles voltarem a viver no Quarter. E é claro que eu pretendo usar essa aliança para beneficiar minha filha. – Concluí minha explicação voltando minha atenção para os pincéis novamente.
Pela expressão de Lexi, estava clara a sua desaprovação. Com certeza o que a incomodava era o fato de ter que esconder isso do seu querido Elijah. Tentei conter minha irritação diante deste pensamento.
— Espero que saiba que tudo que foi dito nessa conversa não deve sair daqui. O que significa que você terá que manter segredo sobre isso até mesmo com o Elijah. O que provavelmente vai ser muito difícil para você, já que estão tão próximos. – Falei sem conseguir conter o tom ácido em minha voz na última parte.
Não me virei para ver sua reação e me surpreendi ao vê-la do meu lado, fitando-me com a feição séria.
— Não se preocupe. Eu não vou falar nada. Mesmo não concordando com sua atitude, eu jamais trairia sua confiança. – Afirmou me fazendo encara-la. Eu nunca iria me acostumar com as sensações que ela me provocava. Principalmente quando agia assim. – Mas eu sinceramente acho que você devia compartilhar essa história com seu irmão. Ele não merece que você aja pelas costas dele. – Completou seu discurso, acabando com o momento.
Senti a raiva me dominar de novo. Eu já estava farto dessa cumplicidade que parecia ter surgido entre os dois.
— Pobre Elijah. Sempre sendo vítima das conspirações do seu traiçoeiro irmão bastardo. – Debochei me controlando para não quebrar o pincel em minha mão.
Mais uma vez voltei minha atenção para o quadro, entretanto antes de fazê-lo, pude ver Lexi balançando a cabeça em negação. Achei melhor me manter em silêncio para que não acabássemos discutindo. Iria recomeçar a pintar, porém Lexi segurou minha mão, impedindo o meu ato. Voltei-me para ela sem entender o que ela pretendia.
— Sabe, apesar de eu achar que você tem muito talento e de eu adorar te ver pintando, eu creio que temos uma dança para terminar. – Disse simplesmente, daquele jeito que sempre me desarmava por completo. Involuntariamente acabei sorrindo.
Embora eu nunca fosse admitir, eu amava o fato de ela sempre querer ficar bem comigo.
Lexi pegou o pincel da minha mão e o colocou junto com os outros. Depois disso, ela voltou a ficar na minha frente. Posicionei minhas mãos em seu quadril enquanto ela apoiou as suas em meus ombros. Não demorou muito e estávamos nos movendo no ritmo da música que chegava até nós. Enquanto dançávamos, as palavras de Genevive ecoaram em minha cabeça. Automaticamente aumentei o meu aperto ao redor de Lexi. Não havia a menor possibilidade de a bruxa estar certa. Eu garantiria isso.

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