Notas iniciais
Hey, sweeties! Desculpem pela demora! Gostaria de agradecer pelos comentários gatíssimos que recebi :P Sobre o capítulo, eu o dividi em duas partes porque ficou muito grande. O próximo será pelo POV. do Klaus. Espero que gostem!

Pov. da Lexi

Acordei com os raios de sol que entravam pela janela do meu quarto. Olhei para o relógio que ficava em cima do criado mudo e me surpreendi ao ver as horas. Já passava do meio-dia. Culpei minha badalada noite com Steve pelo excesso de sono. Ainda com um pouco de preguiça, levantei da cama.

Tirei a roupa e fui para o banheiro. Tomei um longo banho e escovei os dentes. Voltei para o quarto enrolada em uma toalha. Escolhi uma roupa simples para vestir e comecei a me arrumar. Depois de pronta, peguei meu celular, algum dinheiro e deixei o cômodo. Como eu tinha imaginado, estava sozinha em casa. Cami certamente estava no Rosseau´s. Eu não estava com muita vontade de cozinhar, por isso peguei minha chave, saí e tranquei a porta. Comeria alguma coisa na rua.

(...)

Eu caminhava pelas ruas do French Quarter um pouco distraída. Já tinha passado por diversos restaurantes, mas não tinha parado em nenhum deles. Tinha um pressentimento de que deveria seguir em frente toda vez que passava por algum lugar que eu julgava interessante.

Continuei minha busca sem sentido. Não sabia o que estava procurando, mas ainda sim resolvi seguir meus instintos. Atravessei a rua e dobrei em uma esquina. Aquela área não estava tão movimentada quanto à outra. Não me lembrava de ter ido ali antes, por isso dobrei a atenção.

Avistei o que aparentava ser um bar. As vidraças era todas cobertas por escuras persianas, dando ao local um ar sombrio. Só tive certeza de que estava ocupado por causa das vozes e da música que saía lá de dentro. Não me parecia um lugar para alguém como eu frequentar, ainda mais estando sozinha. Segui meu caminho e olhei rapidamente pela porta de vidro quando passei, meramente por curiosidade. Dei mais alguns passos a frente, mas parei ao reconhecer uma figura.

Sem ter certeza de que estava certa, voltei à porta e vi Klaus sentado em frente ao balcão com um copo, que eu podia jurar ser de uísque, em mãos. Permaneci parada o observando. Ele parecia conversar com um rapaz alto, de cabelo escuro e meio cacheado, que estava sentado ao seu lado.

Entrei em um debate interno. Por um lado, eu queria ir até lá e falar com ele. Pedir desculpas pela forma como me despedi ontem. Já por outro lado, estava com vergonha e medo. Vergonha por aparecer do nada e interromper sua conversa e medo porque sabia que quanto mais próxima à ele eu ficasse, menos chances eu teria de voltar atrás caso me arrependesse depois. No fim, minha coragem e o fascínio que o homem dos meus sonhos exercia sobre mim falaram mais alto. Respirei fundo e empurrei a porta, adentrando o local. Minha primeira sensação foi o arrependimento. Eu realmente não deveria estar ali.

O bar por dentro era ainda mais sombrio do que por fora. O ambiente era escuro e pouca luminosidade entrava através das finas frestas das persianas. Alguns casais agarravam-se sem pudor nenhum. Outros estavam tão afundados no pescoço de suas acompanhantes, que pareciam suga-las. Não pude afirmar com certeza, pois esses estavam no canto mais escuro. O lugar era ocupado majoritariamente por homens e os que estavam sozinhos bebiam sentados em mesas, conversando alto entre si. O clima ali era extremamente pesado. Minha avaliação durou apenas alguns segundos. Assim que deram por minha presença, todos viraram sua atenção para mim, deixando claro o quão deslocada eu estava naquele ambiente.

As opiniões pareciam bastante divididas ao meu respeito. A maioria dos presentes me olhava de forma maldosa, como tigres que recebem carne fresca. Havia ainda uma pontada de luxuria em cada um deles. As poucas mulheres encaravam-me como se perguntassem que diabos eu estava fazendo ali. Os homens também aparentavam surpresa e curiosidade com minha presença, mas estavam bastante ocupados me comendo de todas as formas possíveis com os olhos.

Pensei em dar meia volta e ir embora, entretanto já estava ali e agora só me restava seguir em frente. Caminhei hesitante em direção a Klaus. Ele era o único que parecia alheio à mim. Tentei ignorar ao máximo os olhares que queimavam em minhas costas.

O rapaz com quem Klaus conversava, quando percebeu que eu ia em direção a eles fixou seu olhar mim e diferente de todos os outros, a única coisa que pude ver em seu rosto foi surpresa e curiosidade. Klaus pareceu notar o estado do companheiro e seguiu seu olhar. A expressão dele ao ver-me foi a mais surpreendente. Seus olhos azuis arregalaram-se em surpresa. Depois de me encarar por alguns segundos, seu olhar percorreu o bar. Klaus se recompôs e assumiu uma postura rígida.

Mordi meu lábio inferior. Se arrependimento matasse, eu já estaria morta. Engoli em seco e completei meu trajeto parando em frente aos dois.

— Boa tarde. – Cumprimentei o mais casual possível.

— Boa. – Respondeu-me o rapaz. Klaus apenas limitou-se a me avaliar.

Ele me olhou dos pés a cabeça e quando seu olhar encontrou o meu, ele parecia irritado. Desviei minha atenção para o rapaz.

— Desculpe interromper. Sou Lexi. – Apresentei-me estendendo a mão. O rapaz me fitava confuso e curioso.

— Josh. – Respondeu por fim, apertando minha mão.

O contato com Josh durou muito pouco para que eu visse alguma coisa, mas pude sentir que ele era uma boa pessoa. Sorri para ele, que retribuiu com um sorriso meio incerto.

Algo além de mim capturou a atenção de Josh e foi então que me toquei que Klaus ainda estava ali. Olhei em sua direção e agora sua expressão parecia beirar a fúria. Um silêncio constrangedor pousou sobre nós três, mas Klaus logo tratou de quebra-lo.

— O que faz aqui? – Perguntou sem rodeios e parecendo nada satisfeito com minha presença.

— Eu... Estava andando por aí, vi você aqui e resolvi entrar. Queria me desculpar por ontem. – Respondi tentando esconder ao máximo meu desconforto com a situação. Klaus fitou-me com descrença.

Mais uma vez tomei consciência dos olhares que recebia e Klaus pareceu ter feito o mesmo. Ele me olhou por um minuto inteiro e depois esquadrinhou novamente o bar, sua postura ainda permanecia hostil. Ele bebeu o que restava em seu copo em um único gole e o colocou sobre o balcão.

— Está dispensado, Josh. Falaremos depois. – Informou. Fiquei ali parada sem entender nada. Josh olhou de Klaus para mim. – E quanto a você, vamos sair daqui. – Completou focado em mim, levantando-se em seguida.

Fiquei tentada a desobedecer, afinal não tinha o costume de aceitar ordens, ainda mais de desconhecidos. Contudo, o modo como ele se pronunciou me fez acreditar que não existia brechas para discussão. Despedi-me de Josh.

— Foi um prazer conhece-lo, Josh. Até mais. – Falei. Algo me dizia que voltaria a vê-lo.

— O prazer foi meu. Até mais, Lexi. – Respondeu desajeitado e ao mesmo tempo simpático.

Sorri uma última vez para ele, que retribuiu, e caminhei para a saída com Klaus atrás de mim. Ainda podia sentir os olhares, mas os ignorei e me vi mais do que aliviada quando finalmente cheguei à calçada. Não demorou muito e Klaus surgiu ao meu lado.

— Nunca mais entre em um lugar como esse. Não é ambiente para alguém como você. – Alertou sério.

Como se eu não tivesse chegado a essa conclusão sozinha. Pensei debochadamente enquanto o encarava.

— Obrigada pela preocupação. – Rebati. – Não queria te atrapalhar, apenas queria me desculpar por ter saído daquele jeito da festa e como já o fiz... – Completei dando de ombros no final.

Maldita hora em que inventei de ir até ali. Resmunguei mentalmente.

— Até mais, Klaus. – Despedi-me.

Senti meu estômago roncar. Só agora tinha me dado conta de que estava morrendo de fome. Dei as costas à Klaus e comecei a andar. Já tinha pagado mico o suficiente por hoje.

— Espere! – O ouvi me chamar. Virei para olhá-lo. – Não ouviu minha resposta, sweetie. – Falou com um sorriso debochado nos lábios.

— O quê? – Perguntei sem entender à que ele se referia.

— Ainda não disse se aceitava ou não suas desculpas. – Esclareceu. O encarei chocada.

Além de cara de pau, ele estava se revelando bipolar. Ergui minhas sobrancelhas esperando que ele prosseguisse. Klaus andou até mim e parou poucos passos a minha frente. Ele me analisou por um momento e seu sorriso debochado deu lugar a um sorriso de canto extremamente sedutor.

— Aceito suas desculpas, sweetie... Se aceitar comer alguma coisa comigo, agora. – Propôs num tom instigante. Precisei de um segundo para ter a resposta.

— Feito. – Respondi sem hesitar.

Apesar do nosso pequeno conflito anterior, eu estava mesmo morrendo de fome e não podia negar que ter a companhia dele, mesmo que por poucas horas, parecia no mínimo interessante. Klaus, que assim como eu parecia avaliar a situação, alargou ainda mais o sorriso. Recomecei a andar e ele fez o mesmo. Não pude evitar sorrir. Aquela situação toda era no mínimo inusitada.

(...)

Klaus e eu voltamos para a avenida principal e entramos em um dos muitos restaurantes da região. Sentamos em uma mesa no fundo do estabelecimento. Já estávamos ali há meia hora e enquanto eu comia, Klaus me observava com um ar contemplativo. Ao contrário de mim, ele não havia pedido nada.

— Não foi esse o combinado. Achei que nós dois iríamos comer. – Observei quebrando o silêncio.

— Não estou com fome. – Retorquiu dando de ombros.

Não disse nada, apenas voltei minha atenção para meu prato. Eu sabia que Klaus estava atento a cada movimento meu, porém procurei não pensar muito nisso. Entre uma garfada e outra, senti inesperadamente seu olhar em minhas pernas. Ergui meus olhos há tempo de pega-lo em flagrante.

— Algo errado? – Indaguei curiosa por sua resposta.

— Na verdade, estava refletindo sobre a sociedade moderna de consumo. Vocês, mulheres, pagam cada vez mais caro por roupas com cada vez menos pano. – Respondeu simplesmente me deixando sem palavras.

Tudo aquilo apenas para criticar o comprimento do meu short?

— Essa é a beleza do século XXI e seus avanços. Roupas com palmos a menos e destruição, mortes e guerras a mais. – Falei irônica. Klaus deu um sorrisinho.

— Pensei que me responderia com algo do tipo "O que é bonito é para ser mostrado". – Comentou.

— Isso não é muito meu estilo, mas também funciona. – Rebati me sentindo a última brisa do deserto.

Klaus riu com a minha resposta e não pude deixar de ficar maravilhada. Suas adoráveis covinhas apareceram com o gesto, o deixando ainda mais lindo. Quando percebi que o encarava igual a uma idiota, voltei a comer e fiquei quieta até terminar. A garçonete que havia nos atendido voltou para recolher para o prato e perguntou se queríamos mais alguma coisa. Pedi um sundae de chocolate com bastante calda.

Assim que a garçonete voltou com meu pedido, bati palma animada e passei a língua sobre os lábios como uma criança gulosa. Klaus me observava com uma sobrancelha arqueada e um olhar divertido, um tanto quanto malicioso.

— Você é diferente das outras garotas da sua idade. Até onde eu sei, vivem de dieta. – Afirmou me fazendo rir.

— Sou diferente em muitos aspectos. – Confirmei lembrando dos meus "dons".

— Realmente. – Concordou inclinando-se para frente, apoiando os cotovelos na mesa. – Tem quantos anos, Lexi? – Perguntou.

— Dezessete. – Respondi de pronto.

Klaus agora sorria abertamente. Parecia se divertir com alguma piada interna. Seu olhar sobre mim se tornou mais intenso. Envergonhada, desviei os olhos para minha sobremesa e comecei a saboreá-la. O sundae estava mesmo divino, no entanto não era isso o centro dos meus pensamentos. Ainda podia sentir Klaus me observando e imaginei o quanto devia parecer boba.

— Você também não me parece nada velho. – Apontei não querendo sair por baixo.

Para minha surpresa, tudo que consegui foi arrancar outra risada dele. Dessa vez o som me pareceu sombrio e irônico. Ele se inclinou ainda mais em minha direção, como se fosse me confidenciar um segredo, e instintivamente também fiz o mesmo, deixando apenas alguns centímetros de distância entre nossos rostos.

— As aparências enganam, sweetie. – Sussurrou. Seu olhar estava fixo no meu. – Nunca se esqueça disso. – Completou com um sorriso que me fez arrepiar.

O encarei por um tempo, tentando ler as entrelinhas daquela declaração. Estava claro que havia um duplo sentido, mas não conseguir identificar quais eram. Ficamos ali, apenas nos olhando por tempo indeterminado. Um querendo desvendar os mistérios do outro. Quando tomei consciência da intensidade da situação e de nossa proximidade, me afastei recostando-me na cadeira.

Tudo parecia muito surreal. Eu ali sentada diante do homem que perturbava meus sonhos há meses e tendo um bate-papo casual pra lá de estranho. Voltei a tomar meu sundae ainda sobre o olhar crítico e desconcertante de Klaus. Dei-me conta de que até aquele momento a conversa girava em torno de mim. Não sabia se teria outra chance igual a essa e por isso resolvi aproveitar a ocasião.

— Sabe, não é engraçado como sempre acabamos nos esbarrando? – Comentei.

— Não sei se engraçado é a palavra certa... Acho que curioso seria mais adequada à situação. Me pergunto o porquê de tantas coincidências. – Respondeu olhando-me enigmático.

Sua resposta foi bem mais profunda do que eu esperava. Fiquei surpresa em saber que compartilhávamos as mesmas dúvidas. Por mais estranho que possa parecer, eu estava gostando da companhia de Klaus mais do que eu imaginei.

— Está com seu celular aí? – Perguntei.

Klaus me encarou surpreso pela mudança brusca de assunto. Seu olhar estava atento e até mesmo um pouco desconfiado, mas mesmo assim ele retirou o aparelho do bolso de sua calça jeans.

— Poderia me emprestá-lo por um minuto? – Pedi o mais doce possível.

Klaus estreitou os olhos e ponderou por um tempo. Ele parecia dividido entre a curiosidade e a cautela. No fim a curiosidade falou mais alto, pois ele me entregou o celular.

Sob o olhar minucioso de Klaus, peguei o meu próprio celular e salvei seu numero em meu aparelho, fazendo o mesmo com o dele em seguida. Depois de salvar meu número na agenda de Klaus, devolvi seu celular e o encarei satisfeita.

— Pronto. Agora não precisamos mais depender do destino. – Falei dando-lhe meu melhor sorriso.

Ele me encarou incrédulo por um minuto. Klaus verificou o celular e depois fixou seu olhar em mim. Com exceção de surpresa, não consegui decifrar os outros sentimentos expressos em seu rosto. Continuei sorrindo em sua direção.

Eu tinha consciência de que havia dado um grande passo e apesar da sensação de perigo, no fundo eu sentia que estava no caminho certo. Eu sempre soube que o homem dos meus sonhos, se um dia ele aparecesse, mudaria minha vida. E agora que ele estava bem aqui, sentado à minha frente, estava na hora de descobrir se essa mudança seria para melhor ou não.

Notas finais
Comentem! Beijos