Notas iniciais
Good night, lovelies! Peço imensas desculpas pela demora. O capítulo de hoje mostra a visão do Klaus sobre os últimos acontecimentos. Queria agradecer pelos comentários lindíssimos que recebi. Espero que gostem!

Pov. do Klaus

Depois de uma conturbada noite de sono, devido aos recentes acontecimentos, levantei cedo no dia seguinte. Não queria ver Rebekah ou Hayley, por isso deixei a mansão e peguei meu carro. Dirigi para o centro da cidade e fiquei vagando pelas ruas de New Orleans refletindo sobre como deveria agir de agora em diante.

As horas passaram de forma estranhamente rápida. Liguei para Josh e fiquei de encontrar com ele em um dos inúmeros bares da cidade frequentados somente por vampiros, principalmente pelos vampiros novatos ou que não faziam parte do círculo de confiança de Marcel, ou seja, que não tinham anéis do dia.

Cheguei ao local marcado alguns minutos após o telefonema. Sentei em um banco em frente ao balcão e pedi uma dose de uísque. Não demorou muito e Josh surgiu ocupando o banco ao meu lado. Não pretendia falar nada de comprometedor ali, afinal não faltavam testemunhas que poderiam me dedurar para Marcel. Fui o mais discreto possível, fazendo perguntas aparentemente inofensivas. Não que Joshua fosse a pessoa mais sutil do mundo, mas até que ele estava se saindo bem.

Já estava conversando com Josh há algum tempo. O bar permanecia relativamente cheio. Eu estava de costas para a porta, mas mesmo assim, atento à movimentação do local. Ouvi a porta abrir, porém não dei importância. O cheiro que invadiu o ambiente era familiar, no entanto como não havia possibilidades daquela pessoa estar ali nem me dei ao trabalho de virar. Fiz uma pergunta a Josh e ele demorou mais do que o necessário para responder. O encarei e percebi seu olhar fixo em um ponto atrás de mim. Sua expressão era de surpresa e curiosidade. Intrigado, segui seu olhar e tive que me segurar para não saltar da cadeira com o que vi. Alexandra McCartney vindo graciosamente em nossa direção.

Arregalei os olhos no mais puro choque. A cena era tão bizarra que nem parecia real. Lexi estava tão deslocada naquele cenário quanto um gatinho doméstico posto na jaula dos leões. Contemplei seu belo rosto por alguns segundos e depois vasculhei o bar. Os olhares de todos eram perversos e lascivos. Percebi com amargura que minha comparação não podia estar mais certa. Lexi não passava de uma inofensiva e adorável gatinha jogada em uma jaula cheia de predadores famintos e libidinosos. Recompus minha expressão e enrijeci na cadeira, estava me esforçando ao máximo para não esmagar o copo que eu segurava para aplacar um pouco da minha raiva.

Lexi, que mantinha seus olhos nos meus, mordeu o lábio inferior, chamando minha atenção temporariamente para sua boca. Esforcei-me para não pensar besteira. Ela concluiu seu trajeto até mim e parou entre Josh e eu.

— Boa tarde. – Cumprimentou casualmente.

Olhei-a com ceticismo. Será que ela ainda não tinha se dado conta da encrenca em que havia se metido?

— Boa. – Respondeu Joshua educado.

Não falei nada, apenas a examinei. Nunca tinha visto Lexi aparentar tanto a idade que tinha como agora. Calçando tênis e vestida com um short curtíssimo, acompanhado por uma blusinha que trazia a torre Eiffel como estampa, ela parecia mais uma adolescente do que qualquer outra coisa. Os acessórios delicados e o rabo de cavalo despojado, no qual ela matinha o cabelo preso, lhe davam um ar infantil e inocente. No entanto, seus atributos físicos não faziam jus aquela imagem de menininha e nos remetiam a pensamentos impróprios a seu respeito. Quando terminei minha avaliação, senti minha raiva duplicar.

Que diabos Alexandra tinha na cabeça para entrar em um lugar como esse? Pensei quando nossos olhares se encontraram. Ela pareceu perceber meu estado de espírito e desviou sua atenção de mim para Josh.

— Desculpe interromper. Sou Lexi. – Apresentou-se estendendo a mão.

Josh parecia confuso e curioso com a presença de Lexi, mas mesmo assim respondeu.

— Josh. – Disse por fim, apertando a mão da garota.

Observei os dois e vi Lexi sorri para meu acompanhante e o mesmo devolver-lhe um sorriso hesitante. Segurei o copo com mais força.

Eu sabia que Joshua era gay, mas Alexandra não. Não entendia a razão de tanta simpatia com estranhos, ainda mais do sexo masculino. Lembrei-me das apresentações entre ela e Marcel ontem na festa e fiquei ainda mais furioso. Eu já podia sentir o vidro deformando-se em minha mão.

Joshua notou meu pequeno acesso de fúria e voltou sua atenção para mim, fazendo com que Alexandra seguisse seu olhar e lembrasse da minha existência. Nos encaramos em silêncio, mas não durou muito. Já estava sem paciência.

— O que faz aqui? – Inquiri olhando diretamente para Alexandra. Não imaginava nenhum motivo plausível para que ela se arriscasse tanto em um local como esse.

— Eu... Estava andando por aí, vi você aqui e resolvi entrar. Queria me desculpar por ontem. – Respondeu gaguejando um pouco no início fazendo me fita-la com descrença. Então eu era o motivo de ela ter ido até ali?

A encarei por um minuto inteiro e depois corri meu olhar pelo bar. Alexandra continuava a ser o centro das atenções e isso não estava me agradando nem um pouco. Terminei com o uísque que havia em meu copo com um gole só e o deixei sobre o balcão.

— Está dispensado, Josh. Falaremos depois. – Informei abruptamente. Joshua olhou de mim para a garota a seu lado. – E quanto a você, vamos sair daqui. – Completei focado nela, levantando em seguida.

Usei o tom de Híbrido Original com ela, ou seja, aquele que ninguém ousa desafiar. Para meu contentamento, ela não protestou.

— Foi um prazer conhece-lo, Josh. Até mais. – Falou despedindo-se do mais novo amigo, a julgar pela sua expressão.

— O prazer foi meu. Até mais, Lexi. – Respondeu Joshua com seu jeito desajeitado e carismático ao mesmo tempo.

Depois de uma troca de sorrisos, finalmente Alexandra se dirigiu a saída e eu, mais do que do que satisfeito, a segui. Quando estávamos fora do bar, fui para seu lado.

— Nunca mais entre em um lugar como esse. Não é ambiente para alguém como você. – Alertei sério. Não gostava de imaginar o que poderia acontecer caso a situação se repetisse, mas sem minha presença para defendê-la se fosse necessário.

Me repreendi mentalmente por tal pensamento. Desde quando eu me importava com adolescentes sem senso de autopreservação e noção de perigo?

— Obrigada pela preocupação. – Rebateu. – Não queria te atrapalhar, apenas queria me desculpar por ter saído daquele jeito da festa e como já o fiz... – Completou dando de ombros no final. Fiquei chocado com seu atrevimento. – Até mais, Klaus. – Finalizou.

Antes que ela me desse às costas, ouvi a barriga de Lexi roncar e tive uma ideia para prolongar meu tempo com ela.

— Espere! – Chamei. Ela virou-se para mim. – Não ouviu minha resposta, sweetie. – Falei com um sorriso zombeteiro nos lábios.

— O quê? – Indagou confusa.

— Ainda não disse se aceitava ou não suas desculpas. – Esclareci fazendo com que ela me encarasse incrédula.

Já que ela teve o trabalho de me procurar apenas para se desculpar pelo ocorrido na festa, não tem porquê eu não tirar proveito disso e limpar de vez sua consciência. Pensei com ironia.

Lexi me encarava com as sobrancelhas erguidas, esperando o que eu faria a seguir. Andei até ela e parei a poucos passos de distância. Dei um meio sorriso.

— Aceito suas desculpas, sweetie... Se aceitar comer alguma coisa comigo, agora. – Propus de forma persuasiva. Para minha surpresa, ela respondeu imediatamente.

— Feito. – Respondeu segura de si, fazendo-me alargar ainda mais meu sorriso.

Quem sabe nessas próximas horas que passaríamos juntos, eu conseguisse descobrir um pouco mais sobre o encanto e o mistério que a envolvia. Lexi voltou a andar e eu a acompanhei. Consegui vislumbrar um breve sorriso em seu rosto. Aquilo seria no mínimo interessante.

(...)

Fomos para a avenida principal e entramos em um dos muitos restaurantes da região. Sentamos em uma mesa no fundo do estabelecimento. Já estávamos ali há meia hora. Não pedi nada para mim, fiquei entretido admirando Lexi.

— Não foi esse o combinado. Achei que nós dois iríamos comer. – Observou quebrando o silêncio.

— Não estou com fome. – Retorqui dando de ombros.

Não estava mentindo. Não sentia a menor fome no momento, pelo menos não da mesma coisa que ela. Lexi não fez nenhum comentário e voltou sua atenção para seu prato. Enquanto a encarava, não pude deixar de contemplar suas pernas lindamente torneadas. Lexi percebeu minha indiscrição e olhou-me curiosa.

— Algo errado? – Perguntou.

— Na verdade, estava refletindo sobre a sociedade moderna de consumo. Vocês, mulheres, pagam cada vez mais caro por roupas com cada vez menos pano. – Respondi de modo simples.

Eu poderia ter lhe dado várias respostas, mas queria provocá-la. E fiquei feliz ao ver que tinha a deixado momentaneamente sem palavras. Se eu tivesse alguma relação mais próxima com ela, suas roupas com certeza seriam alvo de discussão.

— Essa é a beleza do século XXI e seus avanços. Roupas com palmos a menos e destruição, mortes e guerras a mais. – Falou irônica me surpreendendo e arrancando de mim um sorrisinho.

— Pensei que me responderia com algo do tipo “O que é bonito é para ser mostrado”. – Provoquei novamente.

— Isso não é muito meu estilo, mas também funciona. – Rebateu petulante. Não consegui conter a risada.

Nesse curto período com Lexi, estava me divertindo mais do que em muitos anos. Notei seu olhar sobre mim, mas não fiz nenhum comentário. Ela voltou a comer, dessa vez em silêncio. Quando a garçonete que havia nos atendido voltou para recolher para o prato, perguntou se queríamos mais alguma coisa e Lexi pediu um sundae de chocolate com bastante calda.

Assim que a garçonete retornou com a sobremesa, ela bateu palma e passou a língua sobre os lábios. Foi uma reação espontânea e inocente, mas ainda sim de uma sensualidade digna da personagem Lolita do escritor Vladimir Nabokov. Decidido a ignorar as semelhanças entre Lexi e a ninfeta do livro, resolvi puxar assunto.

— Você é diferente das outras garotas da sua idade. Até onde eu sei, vivem de dieta. – Afirmei a fazendo rir.

— Sou diferente em muitos aspectos. – Confirmou misteriosa.

— Realmente. – Concordei inclinando-me para frente, apoiando os cotovelos na mesa. – Tem quantos anos, Lexi? – Perguntei mesmo já tendo ideia da resposta.

— Dezessete. – Disse prontamente fazendo um sorriso largo se formar em meu rosto. Eu estava certo na minha dedução.

Dezessete aninhos... Tão nova e tão bonita. Apesar da maturidade e do atraente corpo, Lexi ainda era uma criança, como diria Elijah. Uma criança muito envolvente, para ser sincero. Refleti. Observei Lexi tomar seu sundae e ela inesperadamente ergueu os olhos para mim.

— Você também não me parece nada velho. – Apontou como se fosse o fato mais óbvio do mundo.

Mais uma vez me vi rindo de algo dito por ela, entretanto agora havia um toque de humor negro. Ela não podia ser mais ingênua e estar mais errada em sua constatação. Inclinei-me ainda mais em sua direção, como se estivesse prestes a lhe contar um segredo, e Lexi fez o mesmo, deixando uma distância mínima entre nossos rostos.

— As aparências enganam, sweetie. – Sussurrei com os olhos fixos nos seus. – Nunca se esqueça disso. – Completei sorrindo sinistramente. Lexi manteve seu olhar em meu rosto.

Ficamos ali, nos olhando por tempo indeterminado. Eu queria ver através daqueles olhos azuis tanto quanto ela parecia querer ver através dos meus. Só me dei conta da intensidade da situação quando ela quebrou o contato visual, afastando-se e sentando recostada na cadeira.

— Sabe, não é engraçado como sempre acabamos nos esbarrando? – Comentou. Pensei bem antes de responder.

— Não sei se engraçado é a palavra certa... Acho que curioso seria mais adequada a situação. Me pergunto o porquê de tantas coincidências. – Respondi sincero e ao mesmo tempo enigmático.

Isso era algo que realmente me intrigava. Essa relação que eu tinha com Lexi não era normal de forma alguma. Havia algo de especial nessa garota, no entanto eu ainda não sabia dizer o que era.

— Está com seu celular aí? – Perguntou me pegando de surpresa.

Olhei-a atento e desconfiado, mas mesmo assim peguei o aparelho no bolso da minha calça jeans. Não sabia o que ela pretendia, mas resolvi pagar para ver.

— Poderia me emprestá-lo por um minuto? – Pediu com a voz suave.

Estreitei meus olhos e analisei a situação. Lexi possuía um grande poder de persuasão. Aquele olhar doce e puro devia fazer milagres. E apesar de ter pesado bastante em minha decisão, não foi somente sua expressão angelical e encantadora que me convenceu. Queria ver onde ela queria chegar e por isso entreguei-lhe o aparelho. Observei atentamente ela pegar o próprio celular e mexer no mesmo. Não demorou muito e foi a vez do meu. Quando terminou o que quer que tenha feito, ela devolveu-me o aparelho encarando-me satisfeita.

— Pronto. Agora não precisamos mais depender do destino. – Falou enquanto um sorriso genuíno iluminava seu rosto.

Ainda incrédulo e curioso, desviei meu olhar de Lexi para o celular e fui para o que achei a opção mais provável. Abri minha agenda e encontrei seu número gravado nela.

Fixei meu olhar na garota a minha frente com um misto de emoções estampado nele. Lexi permanecia sorrindo e ao encará-la senti uma sensação boa e estranha ao mesmo tempo. Apesar disso não consegui evitar ter pensamentos sombrios. Seja qual fosse sua intenção, ela não fazia a menor ideia de onde, e principalmente com quem, estava se metendo.

Notas finais
Comentem! Beijos