I Just Wanna Stop
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Notas iniciais
Pov. da Lexi
Haviam se passado duas semanas desde a partida de Steve. Os primeiros dias foram os mais difíceis. Nem mesmo o consolo de Cami e o apoio de Hayley e Rebekah me impediram de chorar horas a fio. Klaus também estava tentando me ajudar, do jeito dele é claro. E era justamente por ele que eu estava fazendo o possível para superar minha tristeza. Tempos difíceis estavam por vir e eu sabia que meu melhor amigo precisaria de mim inteira para apoia-lo. Entretanto não foi nada fácil. No começo eu não conseguia fazer nada além de chorar, mas aos poucos eu fui me esforçando para me conformar com o que tinha acontecido. Procurei buscar conforto no fato de que Steve estava seguro em algum lugar. E quando cansei de sofrer por algo que não tinha mais volta, eu resolvi me ocupar ajudando o padre Kieran na restauração da igreja. Havia dado trabalho, porém conseguimos apagar qualquer vestígio, pelo menos físico, do incidente com Sean.
Nesse exato momento, eu estava terminando de pentear o cabelo para ir à missa de reinauguração da St. Anne. Assim que acabei, fui até o quarto de Cami ver se ela já estava pronta. Eu estava feliz por ela ter decidido comparecer a missa e mais ainda por ela pretender fazer as pazes de vez com o tio ainda hoje. Não precisei esperar muito, Cami já estava praticamente arrumada. Peguei minha bolsa e saímos de casa. Fomos a pé para igreja. Eu não dirigia meu carro desde a noite que Steve foi embora.
Quando chegamos ao nosso destino, eu tive uma grata surpresa. A St. Anne estava bastante cheia. Imaginei o quanto padre Kieran deveria estar feliz com isso. Sentei em um dos bancos ao lado de Cami e esperei o padre subir no altar. Algum tempo depois do início do sermão, me senti observada. Virei para trás e encontrei o olhar de Klaus. Ele estava sentado na outra fileira de bancos junto com Marcel. Ficamos nos encarando por algum tempo e eu não consegui deixar de sorrir para ele. Klaus retribuiu meu sorriso. Depois de mais alguns segundos, quebrei nosso contato visual voltando a prestar atenção no que era dito pelo padre Kieran.
— Obrigado a todos por virem. Significa mais do que posso dizer. Nos juntamos hoje para a primeira missa da nossa recém aberta igreja. St. Anne finalmente volta a ser o coração da nossa comunidade. Onde podemos congregar unidos. Aqui, agora, nos juntamos para louvar a Deus e agradecer. Os eventos ocorridos em nossa igreja foram trágicos. E essa esperança em nossos corações e a ajuda de muitos benfeitores, que nos permite estar aqui hoje. Então, nos reunimos com o espírito renovado, fortalecido e comprometido com os ideais de paz e amor. Amém. – Discursou o padre.
— Amém. – Repetimos em uníssono.
Quando a missa chegou ao fim, o padre Kieran se encaminhou até a porta da igreja para cumprimentar os fiéis. Cami e eu fomos até ele para parabenizá-lo, entretanto o encontramos conversando com Klaus e Marcel. Assim que nos viram, eles encerraram o assunto que discutiam. Não dei muita importância a isso e me dirigi ao padre Kieran normalmente.
— Parabéns, padre. Foi uma ótima missa. – Elogiei o abraçando.
— Obrigado, Lexi. Fico feliz que tenha gostado. Espero vê-la mais vezes por aqui. – Disse ele quando nos afastamos.
— Farei o possível. – Prometi segurando suas mãos. Após trocar um sorriso com o padre, me afastei um pouco para dar espaço a Cami.
— Queria parabeniza-lo pela reabertura da igreja. – Pronunciou ela trocando um aperto de mão com o tio. – Vejo que não é uma boa hora. Foi bom te ver, Marcel. – Emendou olhando para Klaus e Marcel, ignorando o Híbrido propositalmente.
Mesmo depois de eu ter repetido mil vezes que Klaus tinha apenas atendido a um pedido meu, Cami ainda o culpava pelo ocorrido com Steve.
— Eu já vou indo. Vem comigo, Lexi? – Perguntou depois de alguns segundos. Olhei para Klaus antes de responder.
— Não. Vou ficar mais um pouco. – Afirmei dando um passo em direção ao meu melhor amigo.
Cami assentiu, saindo em seguida. O padre Kieran tentou chama-la, porém foi em vão. Virei-me para Klaus e Marcel.
— Não esperava encontra-los aqui. – Comentei os analisando.
— Ora, sweetie. Somos cidadãos devotos, tínhamos que vim. – Ironizou Klaus dando um dos seus típicos sorrisos. Revirei os olhos para ele e me voltei para Marcel.
— Como vai, Marcel? – O saudei.
—Vou bem, Lexi. E você? – Falou simpático.
— Estou bem. Na medida do possível. – Respondi me recordando de Steve.
Nesse momento, o celular de Klaus tocou, chamando nossa atenção.
— Sim, Diego. O que você tem para mim? – Indagou Klaus ao atender a ligação. – Se importaria de explicar? – Prosseguiu ele após um breve intervalo.
Seja lá qual foi a informação que Diego deu a ele, deixou Klaus preocupado. Assim que desligou o telefone, ele se virou para Marcel, o intimando a ir embora.
— Eu vou com vocês. – Me prontifiquei. Não queria ter que me afastar dele tão cedo.
Klaus pareceu ponderar por um tempo, mas decidiu me deixar acompanha-los. Me despedi do padre Kieran e segui com ele e Marcel até o casarão. Chegando lá, encontramos alguns vampiros no pátio, incluindo Diego, ao redor de algo. Quando cheguei mais perto e vi o que eles tanto encaravam, acabei sentindo uma pequena vertigem.
O corpo de Papa Tunde jazia no chão dentro de um circulo branco com alguns símbolos desenhados. O terno branco que ele vestia estava manchado com o seu próprio sangue. Não demorou muito e Elijah se juntou a nós, examinando o cadáver.
— Quer alguma coisa, irmão? Uma lente de aumento, um cano, talvez? – Debochou Klaus.
— Tem uma teoria para compartilhar, Niklaus? – Rebateu Elijah silenciando o irmão.
— Quando as bruxas ameaçavam alguém, matavam uma galinha e deixavam na porta. – Contou Marcel.
— Essa é uma galinha bem grande e ameaçadora, não acha? – Questionou Elijah se referindo ao corpo.
— Papa Tunde derrotou Rebekah facilmente, quase nos pegou também. – Lembrou Klaus apontando para si e Marcel. – Se ele era para ser a grande ameaça contra nós, por que deixa-lo morto na nossa porta? – Quis saber.
Nos entreolhamos em silêncio. Essa era a pergunta que não queria calar. E o pior de tudo é que algo me dizia que eu não gostaria nem um pouco de descobrir a resposta.
— Como vocês estão animados. – Manifestou-se Rebekah surgindo em nosso campo de visão. – Escutem, uma garota literalmente explodiu de um túmulo hoje durante a excursão da Sabine pelo cemitério. Era a Monique Deveraux. – Informou.
— O quê? – Perguntou Klaus sem acreditar no que tinha ouvido.
— A sobrinha da Sophie ressuscitou? – Inquiri incrédula. A Original assentiu para mim antes de continuar.
— Os turistas acharam que era ensaiado, mas as bruxas comemoraram como se fosse um milagre. – Garantiu Rebekah.
— Talvez seja. A esperança estava perdida, mas uma garota da colheita ressuscitou. É assim que traremos a Davina de volta. Matando quem pegou o lugar dela. – Discorreu Marcel.
Senti meu coração dar um solavanco de esperança. Nós poderíamos salvar Davina! Nem tudo estava perdido afinal.
— Eu tenho uma teoria de quem pode ser... – Intrometeu-se Hayley descendo as escadas. Ela trazia a montagem dos desenhos feitos por Davina que formavam o rosto da ex-namorada de Elijah. – Celeste. Quer dizer, tem que ser. Davina tentava nos falar. Ela estava desenhando a Celeste. Estava nos avisando que um grande mal estava vindo. – Opinou nos mostrando o desenho. Fui obrigada a concordar com Hayley. Era coincidência demais.
— Primeiro o Papa Tunde retorna para o acerto de contas. Depois o atentado contra a Lexi. Agora, sua amante morta voltou. – Relatou Klaus indicando Elijah. – Não são bruxas atacando vampiros. Estão declarando guerra contra nós. – Anunciou sério.
Fiquei alguns minutos sem saber o que pensar. Era muita coisa para minha cabeça. A única ideia clara em minha mente se referia a Davina. Ainda não sabia por onde começar, mas eu faria o que fosse preciso para trazê-la de volta.
Enquanto os demais continuaram a discutir o assunto, eu subi para uma das salas do segundo andar. Não estava mais aguentando ficar no mesmo lugar que o corpo de Papa Tunde. Ver aquilo me fazia lembrar que poderia ser Steve ali. As bruxas estavam se mostrando cada vez mais perigosas. Só de imaginar o risco que Steve correu na mão delas me dava um nó na garganta. Sem ter o que fazer, peguei um lápis e um papel e comecei a desenhar para me distrair.
Quando terminei, encarei o desenho encontrando um retrato bem realista de Steve. Seria impossível esquecê-lo em tão pouco tempo. Ele era o meu principal refúgio do sobrenatural e tínhamos vivido muitos momentos felizes juntos. Steve foi uma das primeiras pessoas que eu conheci nessa cidade.
— Você está bem? – Perguntou Klaus ao entrar no cômodo, me pegando de surpresa.
— Estou. – Respondi desviando minha atenção do desenho para ele.
Klaus me observou por alguns segundos, mantendo seu olhar na folha de papel em minhas mãos. Percebendo o incomodo dele diante daquilo, coloquei o retrato sobre a mesinha de centro. Ele se manteve calado por mais alguns minutos, fitando o desenho, antes de voltar a se manifestar.
— Rebekah levará Hayley para a casa da plantação. Achei que seria bom para você acompanha-las. – Disse finalmente olhando para mim. Pelo seu tom de voz, estava nítido que aquilo era mais uma ordem do que uma sugestão.
— E quanto a Cami? – Questionei. Eu não podia simplesmente me isolar em um lugar afastado sem avisá-la.
— Não se preocupe. Eu cuido disso. – Afirmou convicto.
Permaneci calada, o analisando. Eu sabia o motivo dele fazer tanta questão de que eu acompanhasse as meninas. Apesar de ele não querer demonstrar muito, sua preocupação com a minha segurança era evidente. Ainda sem dizer nada, me aproximei dele e o abracei. Klaus se manteve estático por alguns segundos, mas logo envolveu seus braços ao meu redor.
Durante o nosso abraço tive um mau pressentimento. Involuntariamente, apertei mais meu corpo contra o dele. Ficamos desse jeito por tempo indeterminado. Quando nos afastamos, fitei seu rosto.
— Por favor, tenha cuidado. – Pedi sabendo o quão impulsivo ele poderia ser. E a atual situação da cidade exigia cautela. Klaus abriu um sorriso mínimo, colocando suas mãos em meus ombros.
— Não sou eu que tenho que ter cuidado. De qualquer forma, você estará segura. – Respondeu olhando em meus olhos.
Desviei o olhar, balançando a cabeça. Talvez ele estivesse certo e fosse mesmo tolice da minha parte me preocupar com um ser imortal como ele, mas ainda sim, não havia como eu não me preocupar. Afinal, ele era meu melhor amigo. Abri a boca para retrucar, porém Elijah apareceu.
— Só vim avisar que Rebekah e Hayley já estão prontas para ir. – Pronunciou nos avaliando.
Dei outro abraço em Klaus como despedida e troquei um breve sorriso com Elijah antes de sair, os deixando sozinhos. Encontrei Hayley e Rebekah já fora do casarão, me esperando. Entrei no carro e esperei Hayley dar a partida. Apesar dos pesares, eu sabia que acabaria me divertindo estando com elas.
(...)
O percurso até a antiga casa do governador foi preenchido por música e conversas aleatórias. Como eu tinha previsto, a companhia delas estava me fazendo muito bem. Eu já quase tinha me esquecido das minhas preocupações. Assim que Hayley estacionou, descemos do veículo. A mansão estava exatamente como eu me lembrava. Parecia ter se passado uma vida desde a minha primeira e única ida ali.
— Eu achei que teria que te arrastar aos trancos e aos barrancos. – Disse Rebekah se referindo a Hayley. Para ela a lobinha tinha concordado fácil demais em sair do French Quarter.
— Pois é, todos querem proteger eu e o bebê, certo? – Ironizou Hayley.
— Estou do seu lado lembra? Qual é o problema? – Questionou a loira estranhando o comportamento de Hayley.
— Hoje será lua cheia, Rebekah. – Respondeu com um suspiro.
— E daí? Está grávida. Não pode se transformar. – Insistiu a Original.
— Sim, mas eu queria convidar algumas pessoas para cá. – Ela revelou fazendo com que eu e Rebekah nos entreolhássemos.
— Claro. Todos os bravos lobos americanos estarão peludos e afiados hoje e seus parentes amaldiçoados serão... – Começou Rebekah e Hayley a interrompeu.
— Humanos, mas só por algumas horas e não serão novamente até a próxima lua cheia então... Pedi ao Josh para levar meu recado a Eve no Bayou. – Contou.
— Josh?! – Exclamei chocada. – Ele ainda está em New Orleans? – Perguntei alegre. Desde a morte de Tim que eu não tinha notícias dele.
— O Josh não morreu ainda? Bom para ele. Amo histórias de sobrevivência. – Afirmou Rebekah sorridente, no entanto sua expressão mudou ao ver um homem desconhecido sair de dentro da mansão com um carrinho de entrega em mãos. – Quem diabos é esse? – Inquiriu.
— Barris lá trás, certo? – Orientou Hayley virando-se para o homem.
— Certo... Acho que não pediria permissão para uma bebedeira. – Zombou a Original cruzando os braços.
— Vocês me querem segura, ótimo. Farei o que me disserem. Serei a donzela na torre de vidro. Mas essa é a única noite que poderei ver minha família. Você pode me dedurar, me mandar ir para o quarto ou me ajudar a fazer uma grande festa. – Propôs Hayley com um sorriso travesso.
Voltei-me para Rebekah a espera da sua reação. Como eu imaginava, não demorou muito para que ela sorrisse também.
— Okay. Mas se vamos mesmo dar uma festa, a Lexi vai precisar de uma roupa emprestada. Esse seu modelito meigo e casto não se encaixa nesse contexto. – Proferiu Rebekah virando-se para mim. Lancei lhe um olhar atravessado como resposta, arrancando risadas dela e de Hayley.
Após essa breve discussão, enfim entramos na casa, conduzindo as pessoas contratas por Hayley na organização da festa. Não demorou muito para anoitecer. Depois que todos os ajudantes foram embora, nós fomos nos arrumar. Como havia dito mais cedo, a Original me emprestou algumas roupas dela. Como vestíamos o mesmo número, as peças serviram perfeitamente em mim.
Pouco antes de a lua cheia atingir o seu ápice no céu, estava quase tudo pronto. Hayley foi até a parte de trás da casa, estender roupas no varal para seus parentes se vestirem após a transformação enquanto eu e Rebekah ficamos cuidando da comida. Para minha surpresa, ela até que cozinhava bem. Nesse exato momento, estávamos na cozinha. Ela próxima ao fogão, mexendo em uma das panelas enquanto eu cortava algumas frutas no balcão.
— A propósito, eu tenho que parabeniza-la, Lexi. Você realmente merece minha admiração por ter conseguido a proeza de fazer o Klaus se importar com alguém além dele mesmo em mil anos. – Comentou depois de algum tempo em silêncio, me surpreendendo. Levei um minuto inteiro para absorver sua fala.
— Isso não é verdade. Seu irmão te ama e você sabe disso. Ele apenas tem uma péssima maneira de demonstrar. – Discordei desviando minha atenção da travessa que eu estava montando para ela.
— A forma como você o defende é impressionante. E o jeito como ele age com você... Por incrível que pareça, quando eu os vejo juntos, volto a acreditar que talvez ainda haja esperança para o Klaus. – Declarou me encarando.
Eu não soube o que dizer. Fiquei paralisada retribuindo o seu olhar até darmos conta da presença de alguém. Viramos para a pessoa em questão e encontramos um cara alto, loiro, forte e completamente nu parado na porta da cozinha. Arregalei os olhos trocando um breve olhar com Rebekah, que parecia tão chocada quanto eu, antes de voltar a fitar o desconhecido que caminhava calmamente até nós.
— Peço perdão... Esperávamos alguém mais vestido. – Verbalizou Rebekah por nós duas.
— Você é um deles, não é? Um Original. – Deduziu o estranho referindo-se diretamente a ela, encostando-se na parede há poucos passos da gente.
— Sim. Você deveria falar isso com mais respeito. – Afirmou Rebekah. – Suponho que esteja procurando a Hayley. – Emendou.
— Ou eu posso conversar com vocês. – Sugeriu olhando rapidamente para mim. – Sou o Oliver. Ainda não sei seus nomes. – Apresentou-se se aproximando ainda mais. E embora ele tivesse me incluído na conversa, estava claro que seu interesse ali era a vampira.
— Sou Rebekah. – Disse ela tão embaraçada quanto eu com aquela situação.
— Lexi. – Praticamente murmurei. Aparentemente eu tinha perdido minha capacidade de falar.
Oliver abriu um sorriso para nós, fazendo eu e Rebekah nos entreolharmos novamente. Após um curto silêncio constrangedor, ela resolveu chamar a dona da festa.
— Hayley, a festa vai começar! – Gritou sem graça.
Aproveitei a intensa troca de olhares entre os dois e virei novamente para o balcão tentando recuperar o fôlego depois da chegada abrupta de Oliver. Um pouco antes de Hayley aparecer, ele já tinha ido se vestir. Ainda fiquei algum tempo na cozinha com Rebekah. Assim que terminamos com a comida, seguimos para o fundo da casa, onde a festa estava acontecendo. Me distanciei de Rebekah para servir alguns dos lobos. Enquanto o fazia, avistei Oliver, já devidamente vestido, a tirando para dançar. Não pude deixar de sorrir diante da cena. A Original parecia feliz e os dois ficavam muito bem juntos.
Eu ainda estava assistindo os casais dançando quando um cara muito bonito chamado Jackson me abordou perguntando por Hayley. Conversei com ele tempo o suficiente para considera-lo uma boa pessoa. Depois de percorrer o local inteiro com os olhos a procura da mamãe loba, sem encontra-la, sugeri a ele que a procurasse dentro da mansão. Quando Jackson se foi, comecei a interagir com os demais lobisomens.
(...)
As horas foram se passando sem eu perceber. Estava mesmo me divertindo até o momento em que Hayley apareceu bastante preocupada, querendo saber de Rebekah. Foi então que eu me dei conta de que eu não fazia ideia de onde ela estava. A última vez que eu a tinha visto, ela ainda estava dançando com Oliver. Tentamos acha-la pela redondeza, mas não encontramos nenhum sinal dela.
Já sentindo um mau pressentimento tomando conta de mim, segui Hayley para dentro da mansão. Jackson estava conosco. Ela me explicou rapidamente que havia alguma coisa errada e que provavelmente tinha dedo das bruxas naquilo. Enquanto ela telefonava para Elijah, continuamos a procurar Rebekah pela casa.
— Elijah, está acontecendo algo com as bruxas. – Informou Hayley assim que ele atendeu a ligação.
Não sei qual foi a resposta de Elijah, porém a expressão de Hayley tornou-se alarmada. Ela foi em direção a uma das portas, mas um forte vento a fechou.
— O que está acontecendo? – Perguntou Jackson confuso.
— É uma armadilha. Não fiz nenhum acordo com as bruxas. – Respondeu Hayley.
— O quê? – Exclamou Jackson surpreso.
Aquela altura do campeonato eu tinha certeza de algo muito ruim estava para acontecer. Hayley continuou a falar com Elijah. Ela tentou abrir a porta, porém o fogo, surgido do nada, a impediu.
— Elijah, é um feitiço. Estão nos prendendo. – Informou antes de deixar a ligação de lado.
De repente o fogo começou a tomar conta de tudo. Corremos para sala, mas a porta também se fechou. Em poucos minutos estávamos cercados por altas labaredas. Todas as portas estavam fechadas magicamente.
— Nós temos que sair daqui. – Balbuciou Hayley assustada.
Jackson pegou o banco do piano e arremessou contra a janela de vidro. Infelizmente não adiantou. O banco se partiu e o vidro permaneceu intacto. Permaneci paralisada próxima a Hayley observando o fogo se espalhar ainda mais. Estávamos presos em uma armadilha perfeita e sem escapatória.
A fumaça começou a nos sufocar e Hayley se ajoelhou no chão tossindo muito. Caí de joelhos ao seu lado para ampara-la, afinal ela estava grávida. Minha prioridade era ajuda-la. Jackson pegou a manta que cobria o piano e derrubou a água do jarro de flores que estava em cima do mesmo no pano e o entregou para Hayley.
— Aqui. Respire por isso. – Instruiu ele cobrindo a boca da morena com a manta.
O calor e a fumaça estavam se tornando insuportáveis. Não havia saída. Hayley continuava tossindo muito e eu também não estava muito melhor do que ela. Eu já sentia meus pulmões arderem quando um estrondo chegou até nossos ouvidos. Um vulto, que eu reconheci ser Elijah pouco depois, invadiu a sala e retirou a mim e a Hayley de dentro da mansão numa fração de segundos. Elijah nos deitou no chão, há alguns metros de distância da casa. Tanto Hayley quanto eu continuamos tendo uma crise de tosse.
— Onde está Rebekah? – Ele indagou sobressaltado.
— Não sei. Saiu com algum deles. – Hayley conseguiu dizer com dificuldade, se referindo aos lobos. Elijah pareceu refletir por um segundo. Ele estava prestes a ir em busca da irmã quando Hayley o chamou. — Elijah, meu amigo está lá dentro. – Noticiou ela como um pedido.
O Original nos analisou por alguns instantes. Ele parecia dividido entre salvar Jackson e ir atrás de Rebekah. No momento seguinte, Elijah voltou para a mansão. Não demorou muito para que ele retornasse com Jackson. Após se certificar de que Hayley e eu estávamos bem, ele foi atrás de Rebekah.
Levamos algum tempo para nos recuperar. A casa continuava pegando fogo. Minha cabeça estava um verdadeiro caos. Estava muito preocupada com Rebekah e com Klaus também. Algo me dizia que meu melhor amigo também estava em apuros. Meu único consolo naquele momento era saber que Hayley e o bebê estavam bem.
— Eu preciso ir. A lua. – Anunciou Jackson chamando nossa atenção. Olhamos para o céu e constatamos que a lua cheia já estava quase sumindo.
— Escute, Jackson... Quero agradecer por me proteger, não apenas hoje. – Agradeceu Hayley.
— Sonho em te encontrar desde pequeno. Mas jamais imaginei que seria assim. – Ele respondeu antes de virar-se para ir embora.
— Espera. – Hayley pediu segurando seu braço, o fazendo olhá-la. – Não vou parar até achar como quebrar a maldição. Prometo. – Garantiu recebendo um breve sorriso do lobisomem antes de ele partir, nos deixando sozinhas.
Notei um clima entre eles e me senti meio perdida. Não sabia qual a história dos dois, mas tinha certeza que Hayley não se importaria de me contar mais tarde. Quando Elijah retornou, ele enfim nos esclareceu o que estava acontecendo.
— Então Celeste e Sabine são a mesma pessoa? – Inquiri perplexa. – Isso explica o interesse que ela tinha na minha relação com você. – Comentei me lembrando das inúmeras perguntas que ela me fez durante o nosso tour pelo Cauldron.
Essa descoberta também justificava o motivo de eu sempre sentir algo estranho em relação a ela.
— Sim. Ela voltou em busca de vingança. E agora Niklaus e Rebekah estão sob o poder dela. – Afirmou Elijah me fazendo dar um passo para trás.
— Como é que é? – Questionei rezando internamente para eu ter entendido errado.
Minha cabeça estava a ponto de explodir. Eu me sentia completamente desnorteada. Era muita coisa para digerir em tão pouco tempo. Só de imaginar que Klaus estava em perigo junto com Rebekah meu coração falhava. Eu não conseguia nem suportar a ideia dele sendo machucado. Meu maior desejo no momento era ter meu melhor amigo ali comigo. Totalmente a salvo.

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