I Just Wanna Stop
36 Morte
Notas iniciais
Pov. da Lexi
Depois do que poderiam ter sido horas, eu finalmente tomei coragem para soltar Klaus. Embora eu não visse o menor problema em ficar abraçada com ele para sempre, nossa conversa ainda não tinha terminado. O que aconteceu hoje foi muito grave e eu precisava me assegurar de que meu melhor amigo havia realmente compreendido a seriedade da situação. Eu não podia deixar os últimos ocorridos passarem assim.
— Você entende a dimensão das suas atitudes hoje, não entende? Por pouco você não destruiu o que ainda resta da sua família e fez algo que te traria um arrependimento absurdo. Como eu já falei antes, a Rebekah errou. Mas você também já errou inúmeras vezes com ela. O melhor que você tem a fazer é perdoa-la e recomeçar sua relação com a sua irmã do zero. – Disse num tom sério, porém brando.
Klaus me escutou atentamente, mas virou o rosto assim que eu acabei de falar. Não fiquei surpresa. Eu já esperava por uma reação como essa da parte dele. Com delicadeza, toquei seu rosto e o fiz me olhar novamente.
— Hey, eu quero que saiba que eu estou orgulhosa de você. – Afirmei o deixando surpreso. – No final, independente de qual tenha sido a razão que te fez parar, você venceu seus impulsos e agiu com algo que seu pai não tinha. Coração. – Concluí colocando minha mão sobre o lado esquerdo do seu peito.
Senti Klaus se retrair com o meu toque. No mesmo instante pensei em recolher minha mão, com medo de ter ultrapassado algum limite, porém o Híbrido a manteve onde estava pondo sua mão sobre a minha. Fixei meu olhar no seu e senti uma espécie de choque percorrer o meu corpo. Sem saber como agir, apenas o deixei guiar minha mão para baixo. Desviei os olhos e pisquei algumas vezes tentando reorganizar meus pensamentos. Ainda segurando minha mão, Klaus manteve seus olhos em mim por alguns instantes, mas logo desviou o olhar, aparentemente tão desconcertado quanto eu.
— Você é nova demais para ser tão sabichona. – Debochou enfim soltando a minha mão, claramente querendo desfazer o clima estranho que havia se instalado entre nós. – Na verdade, você está péssima. – Constatou num tom depreciativo, me analisando da cabeça aos pés.
— Isso é o que acontece quando se passa uma noite inteira vasculhando um cemitério. Por falar nisso, eu tenho que ir. Eu sinto como se fosse desmaiar a qualquer segundo. – Respondi também ignorando o ocorrido de alguns instantes atrás e suspirando de cansaço.
— Você não vai a lugar nenhum nesse estado. O quarto que você ocupou nesses últimos dias está a sua inteira disposição. – Retorquiu ele assumindo sua postura dominadora.
— Mas... – Comecei a protestar, porém fui interrompida.
— Sem discussões, sweetie. Eu posso obriga-la a me obedecer do jeito mais difícil. – Sussurrou em um tom falsamente ameaçador.
Fiquei tentada a desafia-lo, entretanto o sono falou mais alto. Fiz uma expressão de descaso e lhe dei as costas.
— Para onde você está indo? – Procurou saber segurando meu braço e me impedindo de ir adiante.
— Para o meu quarto. – Informei a contragosto. Klaus abriu um sorriso presunçoso, finalmente me libertando.
— Tenha uma boa noite, sweetie. – Desejou ainda sorrindo.
— Boa noite, Klaus. Pense com carinho no que te falei. – Pedi soprando um beijo para ele antes de me retirar.
Eu realmente estava morrendo de sono. Nem sei como consegui chegar até o quarto. Eu não queria refletir sobre os acontecimentos de hoje, porque se eu o fizesse tinha certeza de que entraria em colapso. Tudo o que eu fiz foi me jogar na cama e dormir o sono mais pesado de toda a minha vida. Em um dia só eu tive emoções suficiente para uma vida inteira.
Pov. do Klaus
Depois que Lexi saiu, não consegui me mover um centímetro sequer. Ao mesmo tempo que eu queria ficar sozinho, eu também queria a companhia dela. Entretanto eu tinha plena consciência de que ela precisava de um belo descanso. Por um momento, pensei que teria que carrega-la até o quarto. Lexi parecia prestes a desabar a qualquer instante e eu não podia culpa-la por isso. Eu podia imaginar o quão horrível deve ter sido para ela virar a noite vagando sozinha pelo cemitério, ainda mais com o pavor que eu sabia que ela tinha daquele lugar. Alguns minutos depois, reunindo toda a minha força de vontade, fui para o meu quarto e me servi uma dose de uísque, me obrigando a fazer algo que eu tinha evitado até agora. Pensar sobre hoje.
Em todos esses anos de existência, eu nunca me imaginei vivendo uma situação como essa. Eu me encontrava um verdadeiro caos por dentro. Os últimos acontecimentos haviam me abalado de forma indescritível. A descoberta da traição de Rebekah e Marcel foi demais para mim. Eu podia esperar qualquer coisa da minha irmã, menos o que ela fez. Ter conspirado com Marcel, a quem eu considerava como um filho, pelas minhas costas e ter chamado Mikael para me expulsar da cidade, ou pior, para me matar, como eu acreditava, estava muito além de qualquer desavença que já tenhamos tido. Saber disso estava doendo mais do qualquer coisa que eu já tenha sofrido até hoje. Por muito tempo, Rebekah foi a única que sempre ficou comigo. E embora eu nunca tenha demonstrado, eu sempre reconheci isso. E eram justamente essas lembranças que tornava tudo mais difícil. Minha própria irmã, minha doce irmãzinha, havia planejado me matar. E por um motivo tão fútil, seu patético e proibido amor por Marcel.
E mesmo que eu jamais fosse admitir, eu me perguntava até que ponto esse ato de extrema deslealdade tinha sido minha culpa. Apesar das minhas atitudes radicais e até mesmo cruéis, eu nunca quis o mal de Rebekah. Muito pelo contrário. Eu sempre quis protege-la. Talvez eu não tenha escolhido a melhor maneira de fazer isso, mas ainda sim, não justificava o que ela tinha feito. Ela sabia tão bem quanto eu o que Mikael significava para mim. Ter invocado ele para tentar me afugentar foi a pior forma de traição que ela poderia ter usado. Por essa razão, hoje eu quase fiz algo que eu nunca pensei que faria: Matar minha própria irmã.
Eu realmente cheguei a cogitar tomar essa atitude extrema, mas no último minuto, graças à intervenção da Lexi, eu voltei atrás. A interferência da garota havia sido providencial. Sua bravura ao se colocar na frente de Rebekah para protegê-la e a autenticidade das suas palavras me paralisaram por tempo suficiente para que eu reavaliasse minha decisão. A verdade é que eu não suportaria perder nenhuma das duas. Apesar dos pesares, Rebekah era minha irmã, sangue do meu sangue. Estávamos danificados demais para continuarmos juntos, mas isso não me impedia de deixa-la livre para ir atrás da sua tão sonhada felicidade. E quanto a Lexi... Eu nem sabia explicar o quão importante ela tinha se tornado para mim. Essa conversa que tivemos há pouco, só deixou ainda mais evidente o quanto eu estou ligado a ela. E isso me assusta. Até poucos meses atrás, eu nunca havia vivenciado uma relação como a nossa. E quanto mais eu refletia sobre esse assunto, mais eu temia as possibilidades que passavam pela minha cabeça.
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Poucos dias depois da partida de Rebekah, as coisas não estavam muito melhores. Elijah, com o meu total consentimento, exilou Marcel do French Quarter, cortando nossa relação com ele na frente de vários vampiros. Por mais supreendente que possa parecer, eu não tive coragem de matá-lo, então deixei que meu irmão cuidasse da situação. E para minha surpresa, Elijah quase se saiu tão bem quanto eu. Marcel agora era oficialmente um inimigo dos Mikaelson. Considerando o que ele tinha feito, esse castigo até que foi pouco. O que devia me preocupar mesmo é o fato de Hayley ter se mudado para o Bayou. Por alguma razão, a ex-amante de Elijah havia retirado a maldição dos Crescentes e agora a lobinha estava aproveitando para recuperar o tempo perdido com sua querida família. Obviamente essa mudança seria temporária. Nenhum filho meu nascerá num pântano. Mas por enquanto eu não via problemas em deixa-la curtir um pouco sua matilha. Até porque eu tinha planos para esses lobos futuramente.
Enquanto eu meditava sobre essa questão, acabei me dando conta do pátio completamente vazio. Depois que Elijah expulsou Marcel, e consequentemente os demais vampiros, com exeção das visitas de Lexi, nós dois éramos os únicos moradores do casarão. Chegava a ser deprimente. Todo o esforço para recuperar o nosso lar tinha sido em vão. No final, não havia uma família para ocupar este lugar.
— Pensando na vida, Niklaus? Espero que tenha começado a deixar sua melancolia de lado para se preocupar com o que realmente importa. – Verbalizou Elijah interrompendo minhas divagações. Eu estava tão distraído que nem percebi sua presença.
Limitei-me a encara-lo. Eu não estava com paciência para seus sermões sobre minhas responsabilidades agora. Ele parecia disposto a insistir no assunto, porém um cheiro conhecido de ervas e incenso chegou até nós. Era um cheiro típico de bruxa. Troquei um olhar com Elijah, assumindo uma postura defensiva. Não demorou muito para que a figura de Sabine surgisse em nosso campo de visão, adentrando o pátio.
— Celeste?! Como você tem coragem de aparecer aqui, depois de tudo o que você fez? – Inquiriu meu irmão encarando a bruxa com descrença.
— Não é óbvio? Ela quis adiantar sua sentença de morte. – Afirmei num tom ameaçador pronto para ataca-la.
Sabine, que matinha uma postura altiva e parecia muito segura de si, abriu um imenso sorriso.
— Na verdade, eu vim dar a minha cartada final contra vocês. E antes que resolvam fazer algo comigo, sugiro que me escutem com bastante atenção. Do contrário, vão se arrepender amargamente. – Ela advertiu mantendo seu sorriso diabólico.
Tentei avançar nela, mas fui impedido por Elijah. No primeiro instante, não entendi sua atitude. Entretanto logo percebi que ele estava sendo cauteloso. E levando em consideração tudo o que essa maldita bruxa já tinha feito, era mesmo melhor ouvir o que ela tinha a dizer antes de quebrar seu pescoço.
— Vá direto ao ponto. – Exigiu Elijah impaciente.
— Por acaso vocês lembram daquele triste episódio em que algumas bruxas sequestraram o namoradinho da Lexi apenas para conseguir um pouco do sangue dela? – Perguntou debochada.
Nesse momento, eu senti toda a minha fúria ser substituída pelo medo. Elijah também pareceu impactado com o significado dessa informação. Permanecemos em silêncio, esperando ela continuar.
— Eu fui a responsável por isso. Usei o sangue da Lexi para ligar a vida dela a minha. Logo, o que acontecer comigo, também acontecerá com ela. O problema é que eu já enjoei desse corpo. – Prosseguiu Sabine com um prazer sádico estampado no rosto. Levei um minuto inteiro para absorver sua fala.
— O que você quer dizer com isso? – Indaguei torcendo para que eu tivesse entendido tudo errado.
— Por mais que eu tenha me divertido e muito com este corpo, eu acho que já está na hora de trocar. Eu até cogitei a ideia de tomar o corpo da Lexi. Afinal, ela seria a hospedeira perfeita. Bonita, saudável, jovem... Mas então eu pensei melhor sobre esse assunto e vi nela uma ótima maneira de me vingar de vocês dois. – Respondeu a bruxa nos analisando. – A Lexi é boa demais. Ela jamais aceitaria se tornar uma vampira e precisar se alimentar de sangue para sobreviver. No entanto... Por outro lado, essa pode ser a única forma de salvá-la. – Emendou nos encarando com uma expressão triunfante.
– Onde você quer chegar, Celeste? – Questionou Elijah num tom grave.
— É muito simples, Elijah. Vocês têm até o pôr do sol para decidir se deixarão a pobre e inocente Lexi morrer junto com este corpo ou se irão lhe dar seu sangue e corrompê-la, a transformando em uma de vocês. – Sentenciou Sabine.
— Você não pode estar falando sério... – Murmurei sem querer acreditar no que eu tinha acabado de ouvir.
— O que você ganha fazendo isso? – Interpelou Elijah tentando dissuadi-la.
— O sofrimento de vocês. – Ela retrucou de imediato. – De qualquer forma vocês irão perdê-la. Se a deixarem morrer, a culpa e o remorso os atormentarão para sempre. Entretanto se a transformarem contra sua vontade, terão que conviver com o ódio dela eternamente. – Assegurou voltando a exibir seu sorriso vitorioso.
— Celeste, eu lhe imploro. Esqueça a Lexi. Seu problema é comigo e com Niklaus. Deixe a garota em paz. – Elijah argumentou.
— Lamento, Elijah, mas foi o seu modo de agir com ela aquele dia na loja da Katie que chamou a minha atenção. A partir dali que eu comecei a observa-la. Imagine que grata surpresa eu tive ao descobrir que aquela ingênua garotinha não estava envolvida somente com um Mikaelson, mas sim com dois. – Confessou divertida.
Lancei um olhar fulmimante para meu irmão. Eu não sabia a qual ocasião Sabine estava se referindo, porém eu me perguntava que diabos ele tinha feito exatamente para causar o interesse da bruxa.
– Bom... Agora que meu recado está dado, lembrem-se que vocês não tem um prazo muito longo. Faltam poucas horas para o sol se pôr e vocês tem uma difícil decisão pela frente. Vai ser uma pena eu não estar aqui para ver as consequências da escolha de vocês. – Debochou Sabine olhando para o relógio em seu pulso antes de nos dar as costas.
Minha vontade era de tortura-la de todas as maneiras possíveis, mas infelizmente eu não podia. Completamente possesso de raiva, peguei a primeira coisa que eu vi, no caso uma mesa, e atirei contra a parede.
— Isso é tudo culpa sua! Se você não tivesse se aproximado da Lexi nada disso estaria acontecendo! – Vociferei voltando minha cólera para Elijah.
— Você quer mesmo discutir sobre quem é o culpado, Niklaus? Preciso lembra-lo quem foi o responsável pela primeira morte da Celeste? Razão pela qual ela retornou mais de duzentos anos depois em busca de vingança e diposta a destruir nossa família. – Ele rebateu, suspirando logo em seguida. – Não é hora para isso. Temos que achar uma solução. – Completou recuperando a calma.
— Não podemos transforma-la. – Declarei o encarando com seriedade.
— A deixaremos morrer então? – Objetou ele.
— Não! – Sibilei.
— Então o que faremos? – Insistiu meu irmão.
— Eu não sei. – Admiti aflito.
Eu me sentia totalmente encurralado. Nunca me passou pela cabeça a ideia de transformar Alexandra. Eu nunca quis modifica-la. Eu não conseguia nem imaginar alguém como ela se tornando alguém como eu.
— Temos que encontrar outra saída, Elijah. Nenhuma dessas opções é viável. – Assegurei o encarando.
— Eu vou atrás da Celeste. Vou tentar convence-la a desistir dessa loucura e desfazer o feitiço. – Informou ele já em movimento. – E quanto a você, esteja preparado para tudo. – Aconselhou antes de sair.
Assim que me vi sozinho, liberei toda a minha ira destruindo tudo que estava ao meu alcance. Eu não queria acreditar que isso estava acontecendo. Maldita bruxa! O que eu não daria para poder arrancar sua cabeça agora mesmo? Há muito tempo eu não me sentia dessa maneira. Completamente incapaz. E eu quase tinha me esquecido do quão terrível é essa sensação.
Sem saber o que fazer, eu deixei o casarão e comecei uma busca desesperada pela única pessoa que eu queria ver naquele momento. Após várias ligações não atendidas, resolvi procura-la nos lugares em que ela costumava ficar. Depois de ir até sua casa e encontra-la vazia, fui até a única pessoa que podia me ajudar. Quando cheguei ao Rosseau’s não demorei a reconhecer Cami atrás do balcão servindo alguns clientes. A última vez que tínhamos nos visto foi na reinauguração da igreja. Minha relação com ela não tinha evoluído tão bem quanto minha relação com Lexi. Percorri meu olhar brevemente pelo recinto e não achei nenhum sinal de Alexandra. Me desloquei até o balcão.
— O que você está fazendo aqui? – Inquiriu Cami assim que notou minha presença.
— Onde está a Lexi? – Respondi com outra pergunta, afinal eu estava com pressa.
— Aconteceu alguma coisa? Não faz muito tempo, seu irmão também esteve aqui procurando por ela. – Desconfiou a bartender.
Precisei de alguns segundos para assimilar essa notícia. O que Elijah ainda queria com a Lexi a essa altura dos acontecimentos? Faltava menos de uma hora para o fim da tarde. O tempo dele para persuadir Sabine estava acabando e o prazo para salvar Alexandra também.
— Onde ela está? – Repeti minha interrogação.
— Na praça municipal. – Cami revelou por fim. – Eu só quero que você saiba que se algo acontecer com a Lexi por sua causa, eu arrumarei um jeito de te fazer pagar. – Prometeu olhando nos meus olhos.
Desviei meu olhar do dela quase que instantaneamente. Se Cami soubesse o que estava se passando, com certeza ela me odiaria para sempre. Sem perder tempo, me distanciei dela, saindo do bar logo em seguida.
Tive que me controlar para não usar minha velocidade sobrehumana em público. Para variar, as ruas estavam cheias. Quando finalmente cheguei ao meu destino, foi fácil encontrar a razão da minha ida até ali. Avistei Lexi sentada de cabeça baixa sob a sombra de uma árvore com seu caderno de desenho apoiado sobre os joelhos enquanto ela rabiscava no papel. Por um momento, eu não consegui fazer nada além de contempla-la. Com sutileza, me aproximei dela parando ao seu lado. Lexi estava tão concentrada que nem percebeu minha presença.
— Bonito desenho. – Elogiei chamando sua atenção.
Quando ela ergueu seus cristalinos olhos azuis em minha direção e abriu um daqueles sorrisos que por mais que eu nunca fosse admitir, me aqueciam por dentro, senti um mar de emoções se agitando dentro de mim.
— O que está fazendo aqui? Achei que não nos veríamos hoje. – Falou ainda sorrindo.
— Eu não tinha nada para fazer, então pensei: Por que não aproveitar o meu precioso tempo livre com minha melhor amiga? – Menti descaradamente me sentando ao seu lado.
Talvez o certo fosse eu lhe contar o que estava acontecendo, mas eu não tinha coragem suficiente para isso. Ainda mais que eu até agora não tinha decidido o que fazer.
— Devo me sentir honrada por isso? – Perguntou com aquele ar atrevido que eu adorava, erguendo uma das sobrancelhas.
— De certo que sim. Este é um privilégio que eu concedo para poucos. – Gracejei a fazendo rir.
Mais uma vez me peguei a admirando. Lexi era linda. Principalmente quando ela sorria daquele jeito. Eu nunca pensei que fosse possível encontrar tantas virtudes em uma pessoa só. Isso obviamente até eu conhecê-la. Lexi era especial em todos os níveis que alguém poderia ser. Ela tinha uma luz interior que era capaz de iluminar qualquer coisa, inclusive alguém tão sombrio quanto eu.
— Aconteceu alguma coisa? Eu estou te achando meio estranho. – Ela observou assumindo uma expressão preocupada quando percebeu o modo como eu a estava encarando.
Não consegui responder. Eu não queria mentir para ela, mas também tinha medo de lhe contar a verdade e ouvir da sua própria boca que ela preferia morrer a se tornar alguém como eu.
— Você está me assustando desse jeito. Aconteceu algo? Você sabe que pode contar comigo independente de qualquer coisa, não sabe? – Insistiu pousando uma mão sobre minha perna e deixando o caderno de lado.
Em um impulso, a puxei contra o meu corpo, a abraçando. Poucos meses atrás, se me dissessem que eu me envolveria com alguém como ela a esse ponto, eu afirmaria com todas as letras que essa era a maior insanidade que eu já tinha ouvido em toda a minha longa existência. Entretanto agora, me lembrando de todos os momentos que eu tinha vivido com Alexandra, eu finalmente tomei uma decisão.
Eu a faria beber meu sangue a força se fosse necessário, mas eu não podia perdê-la. Não definitivamente. Mesmo que ela passasse a me odiar, eu teria a eternidade inteira para consquistar seu perdão. Com certa urgência, eu me afastei dela e segurei o seu rosto, a obrigando a me olhar.
— Eu preciso que você confie em mim. – Pedi a fitando com firmeza.
— Klaus, o quê...? – Ela começou a perguntar, porém foi interrompida por outra voz feminina.
— Esse não é o pôr do sol mais encantador que vocês já viram? – Olhei em direção a voz e me surpreendi ao ver Sabine em pé há poucos passos de distância. Ela mantinha o mesmo sorriso sádico de mais cedo.
Me ergui em um pulo. Lexi também se levantou e por puro reflexo, a mantive atrás de mim.
— Eu realmente odeio ter estragado essa cena tão linda, mas o prazo de vocês acabou, Klaus. Espero que tenha feito sua escolha sabiamente. – Zombou ela tirando uma faca do bolso e levando até o pescoço. Por um segundo o choque e o medo me paralisaram completamente. — Eu sinto muito, Lexi. – Murmurrou Sabine lançando um olhar de pena para a garota antes de cortar a própria garganta.
— NÃO! – Gritei me virando para Lexi bem a tempo de vê-la com a mão no pescoço enquanto o sangue escorria manchando sua blusa branca.
Eu me recusava a acreditar que aquilo estava acontecendo. Segurei o seu corpo com o máximo de delicadeza que eu pude enquanto ela desfalecia em meus braços.
— Não... Não! Lexi, por favor! Fica comigo! – Implorei mordendo meu pulso e dando para ela beber, porém infelizmente já não adiantava mais. Seu coração não estava mais batendo.
Não consegui ter outra reação além de me comportar como o animal ferido que eu era no momento. Mais uma vez eu tinha conseguido destruir a melhor coisa da minha vida.

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