I Just Wanna Stop
2 Klaus Mikaelson
Notas iniciais
Pov. da Lexi
Caminhei o mais depressa possível para longe do desfile. Assim que consegui sair do meio do tumulto, me enfiei em um dos muitos estabelecimentos do lugar. Eu precisava respirar e acima de tudo, precisava me acalmar.
Só me dei conta de que estava em um bar depois que já tinha desabado em uma das cadeiras das muitas mesas disponíveis. A adrenalina do encontro e a fuga desesperada foram o suficiente para fazer minhas mãos tremerem e meu coração bater acelerado. O bar estava relativamente cheio por isso levou alguns minutos até que eu fosse notada.
— Boa tarde. Gostaria de pedir alguma coisa? – Perguntou-me uma garçonete.
— Sim. Um copo de água. – Respondi. A garçonete me olhou de um jeito estranho e retirou-se em seguida. Menos de dez minutos depois ela voltou trazendo o meu pedido.
— Pronto. – Disse colocando o copo sobre a mesa.
— Obrigada. – Agradeci. Ela foi embora me deixando sozinha novamente.
Peguei o copo e involuntariamente flashes sobre o que havia acontecido com ele até aquele momento surgiram em minha cabeça. Suspirei e o levei até a boca.
Eu sentei em uma mesa no canto mais isolado do bar. Um pouco próximo a porta, porém de costas para a mesma. Já tinha bebido metade da água quando a porta foi aberta novamente. Não me importei, afinal estava em um bar, pessoas entravam e saíam o tempo todo. Mas imagine a minha surpresa quando vi o homem dos meus sonhos sentar na cadeira à minha frente. Congelei no mesmo instante.
Como ele havia me achado? Pensei que o tivesse despistado completamente ao sair do desfile. Antes que me engasgasse, tomei mais um gole de água e botei o copo na mesa. O homem dos meus sonhos me encarava com uma expressão interessada e trazia nos lábios um sorriso que interpretei como sedutor.
— Acho que isto é seu. – Iniciou a conversa pondo um caderno na mesa que eu reconheci imediatamente. Era o meu bloco de desenhos.
— Como você...? – Não consegui concluir a pergunta. Me dei conta de que talvez ele tivesse visto o retrato que eu fiz dele sem nem mesmo conhece-lo.
— Deixou cair há pouco quando esbarrei em você. – Explicou. Por um momento fiquei perdida naquele sotaque totalmente sexy. – Alexandra McCartney, não é? –Indagou.
Meu coração acelerou novamente. Se ele sabia meu nome então, no mínimo, tinha lido a capa do caderno.
— Sim, mas pode me chamar de Lexi. Meu nome foi uma homenagem a minha vó e apesar de gostar muito dela, acho Alexandra formal de mais. – Respondi. O homem dos meus sonhos sorriu de novo.
— Não posso dizer que concordo, mas ainda sim... É um prazer conhece-la, Lexi. Meu nome é Klaus Mikaelson. – Apresentou-se.
Senti um certo alívio. Agora eu finalmente sabia seu nome. Klaus me encarou por alguns minutos e em seguida chamou a mesma garçonete que havia me atendido antes.
— Pois não? – Perguntou a moça.
— Uma dose do seu melhor uísque, love. – Ele pediu. A garçonete anotou em seu bloquinho.
— Deseja mais alguma coisa? – Voltou a perguntar.
Klaus me olhou esperando a resposta. Fiz que não com a cabeça. Ele sorriu torto e verbalizou meus pensamentos.
— Não, apenas o uísque. – Disse ele por fim.
— Só um instante. – Informou a garçonete antes de sair.
Ela foi mais rápida do que quando me atendeu. Deixou o copo na mesa e afastou-se em seguida. Aproveitei a deixa para guardar meu caderno. Notei o olhar de Klaus sobre mim. Ele parecia atento a cada movimento meu.
— Você desenha muito bem. – Comentou tomando um gole da bebida.
Fiquei completamente paralisada. Agora não restava mais dúvida de que ele de fato tinha visto o desenho. Engoli em seco.
— Obrigada. – Falei pegando meu copo de água e o virando de vez na boca.
Klaus recostou-se na cadeira me observando. Terminei a água e devolvi o copo a mesa. Esse parecia ser o momento perfeito para uma nova fuga, no entanto dessa vez não seria tão fácil. Pela expressão de Klaus era óbvio que ele queria respostas, as quais eu não poderia lhe dar.
Klaus tomou outro gole da bebida. Prestando bastante atenção, ele parecia um leão encurralando a presa, somente esperando a melhor hora para atacar. Por trás de todo aquele charme e gostosura, havia um alerta invisível que indicava perigo.
— Não sabia que já nos conhecíamos. – Atacou novamente. Dessa vez ele deixou seu copo na mesa e inclinou-se em minha direção.
— Talvez seja porque não nos conhecíamos até este momento. – Retruquei evasiva. Klaus apoiou os cotovelos na mesa ficando ainda mais próximo.
— Vamos, sweetie. Só estou curioso em saber por qual motivo tem um retrato meu no seu adorável caderno de desenho. – Inquiriu.
Já estava com uma resposta na ponta da língua, mas algo em seus olhos azuis mudou completamente a minha fala.
— Sonhei com você. – Respondi.
A expressão dele mudou de desconfiança para surpresa. Um sorriso divertido surgiu em sua face.
— Ora, ora. E há alguma razão especial para isso? – Questionou novamente.
— Não que eu saiba. – Admiti. Klaus afastou-se voltando a se recostar na cadeira.
— Bem... Parece que eu tenho um interessante e envolvente mistério em mãos. – Comentou pegando o uísque enquanto me encarava como se apreciasse a mais bela e enigmática obra de arte.
Nesse momento, recuperei o controle sobre minhas ações. Eu estava um pouco confusa, mas ainda sim tinha certeza de que aquela era a chance perfeita para ir embora. Peguei minha bolsa.
— Ah... Muito obrigada pelo caderno. Foi um prazer te conhecer, mas tenho que ir. – Falei levantando.
— Disponha, sweetie. E o prazer é todo meu. – Retorquiu sorrindo torto.
Fiquei alguns segundos o encarando. Antes que me deixasse levar por aquele sotaque e pelo charme, deixei uma nota de dez dólares na mesa, por conta da água (a garçonete que fizesse bom proveito do troco), e saí dali. Até o instante em que cruzei a porta, senti seu olhar ardendo em minhas costas.
(...)
Dessa vez eu fui direto para casa. Minha cabeça estava a mil. Eu não conseguia tirar Klaus da cabeça e quanto mais eu pensava nisso, mais eu tinha a sensação de que estava completamente ferrada a partir de agora.
Assim que cheguei fui direto para o banheiro. Precisava de uma chuveirada urgente. Depois do banho, troquei de roupa e fui preparar o jantar. Cami logo chegaria e eu precisava de algo para ocupar a mente.
— Que merda foi aquela? – Perguntei a mim mesma enquanto virava as panquecas. Apesar dos meus esforços, o Mikaelson não parava de atormentar meus pensamentos.
Soltei o cabo da frigideira e me apoiei na pia. A simples menção do sobrenome dele fez um calafrio tomar meu corpo. Eu não tinha prestado atenção antes, mas agora sentia que esse pequeno detalhe faria uma imensa diferença mais adiante.
Não tive tempo para remoer o assunto. Ouvi o barulho da porta sendo aberta. Cami enfim havia chegado.
— Lexi? – Chamou enquanto acendia a luz da sala.
— Estou aqui! – Gritei em resposta. Em poucos minutos ela surgiu na cozinha.
— Hum... O cheiro está ótimo! – Elogiou bisbilhotando as panelas. – Como foi o seu dia? – Perguntou em seguida dando um beijo em minha bochecha.
— Você não iria acreditar. – Respondi misteriosa desligando o fogão.
Pov. do Klaus
A rua principal estava bastante movimentada por causa do desfile então segui para um beco e subi no telhado de uma casa bem a tempo de ver Alexandra entrando em um bar. Sorri com a cena. Ela foi rápida, tenho que admitir, mas não o suficiente. Desci do telhado e fui para o bar.
Logo que entrei pude avistá-la. Ela estava de costas para mim sentada em uma das mesas próximas a porta, ou seja, há poucos metros do meu alcance. Caminhei em sua direção e sentei na cadeira a sua frente. Pela segunda vez naquele dia eu parecia ter pego ela de surpresa. Sua expressão ao ver-me foi no mínimo engraçada. Com um copo, que percebi no mesmo instante ser de água, na boca, Alexandra só faltou se engasgar. Ela ficou alguns minutos me encarando com os olhos arregalados, mas logo se recompôs. Tomou mais um gole de água, como que para se acalmar, e depois colocou o copo na mesa. Entendi que aquela era minha deixa para começar o que tinha vindo fazer aqui.
— Acho que isto é seu. – Principiei a conversa pondo seu caderno na mesa.
Outra vez vi o choque percorrer seu rosto. Era óbvio que ela tinha reconhecido.
— Como você...? – Indagou surpresa sem concluir a frase.
— Deixou cair há pouco quando esbarrei em você. – Respondi. – Alexandra McCartney, não é? – Perguntei em seguida.
Ouvi seu coração acelerar quando pronunciei seu nome. Eu a estava conduzindo perfeitamente até aqui para minha armadilha.
— Sim, mas pode me chamar de Lexi. Meu nome foi uma homenagem a minha vó e apesar de gostar muito dela, acho Alexandra formal de mais. – Falou. Não consegui conter um sorriso. Aquela garota a cada minuto ficava mais interessante.
— Não posso dizer que concordo, mas ainda sim... É um prazer conhece-la, Lexi. Meu nome é Klaus Mikaelson. – Me apresentei observando sua reação.
Ao contrário do que eu pensei, ela não expressou nenhuma das emoções que imaginei. Como, por exemplo, reconhecimento e medo. A encarei confuso por alguns minutos, mas continuei o plano. Chamei uma garçonete.
— Pois não? – Perguntou a moça assim que estava ao meu lado.
— Uma dose do seu melhor uísque, love. – Pedi. A garçonete anotou em seu bloquinho.
— Deseja mais alguma coisa? – Voltou a perguntar.
Olhei para Lexi esperando por uma resposta e ela balançou a cabeça em negação. Um sorriso torto surgiu em meu rosto com sua atitude. Perguntei-me se ela já tinha bebido algo com álcool na vida.
— Não, apenas o uísque. – Respondi enfim a garçonete.
— Só um instante. – Ela informou antes de sair.
Menos de cinco minutos depois, meu pedido foi atendido. Enquanto pegava o copo, observei Lexi guardar o caderno. Eu analisava todos os seus movimentos.
— Você desenha muito bem. – Comentei tomando um gole da bebida.
Mais uma vez vi a surpresa e o choque em seu rosto. Agora a brincadeira começava a esquentar. Ela já estava ciente de que eu sabia sobre o desenho.
— Obrigada. – Respondeu pegando o copo de água e o virando de vez na boca, em um ato claro de nervosismo.
Recostei-me a cadeira, a observando. Quando terminou a água, Lexi devolveu o copo a mesa. Ela parecia completamente perdida, sem a menor ideia do que fazer. Já eu, por outro lado, sabia perfeitamente. Tomei outro gole da minha bebida. Meu cordeirinho estava exatamente onde eu queria e pronto para o abate.
— Não sabia que já nos conhecíamos. – Falei indo direto ao ponto. Deixei meu copo na mesa e me inclinei em sua direção.
— Talvez seja porque não nos conhecíamos até este momento. – Retrucou de forma evasiva. Apoiei meus cotovelos na mesa ficando ainda mais próximo.
Confesso que já estava quase convencido que ela falava a verdade. Em nenhum momento ela demonstrou medo, o que deixava ainda mais evidente que não tinha noção de com quem estava lidando. Ou então, era burra o suficiente para não me temer.
— Vamos, sweetie. Só estou curioso em saber por qual motivo tem um retrato meu no seu adorável caderno de desenho. – Inquiri usando a hipnose.
— Sonhei com você. – Respondeu simplesmente.
Minha expressão mudou de desconfiança para surpresa e um sorriso divertido surgiu em meu rosto. Quer dizer então que eu protagonizava os sonhos da adorável Lexi?
— Ora, ora. E há alguma razão especial para isso? – Questionei realmente curioso.
— Não que eu saiba. – Afirmou. Afastei-me voltando a me recostar na cadeira.
— Bem... Parece que eu tenho um interessante e envolvente mistério em mãos. – Divaguei pegando o uísque enquanto a encarava.
Lexi agora representava um belo enigma. Tinha certeza de que ela não era uma bruxa, afinal em mil anos de vida aprendi a reconhecer bruxas quando via uma. Lobisomem e vampira estavam totalmente fora de cogitação. Então, o que essa simples humana possuía de especial? Pensei enquanto Lexi se recuperava da compulsão. Ainda um pouco confusa ela pegou a bolsa.
— Ah... Muito obrigada pelo caderno. Foi um prazer te conhecer, mas tenho que ir. – Falou levantando.
— Disponha, sweetie. E o prazer é todo meu. – Retorqui em um tom sedutor sorrindo torto.
Ela me encarou por alguns segundos, deixou uma nota de dez dólares na mesa e saiu apressada. A observei até o momento em que passou pela porta. Por alguma razão eu tinha gostado daquela garota. E o fato dela representar um pequeno mistério me atraía ainda mais.
— Ah... Doce Alexandra. Esse será apenas o primeiro dos nossos muitos encontros. – Falei para mim mesmo pegando meu uísque e terminando com o resto da bebida em um gole só.
Deixei uma nota de cem na mesa e saí do bar em seguida. Agora eu tinha outros problemas para resolver.
(...)
Cheguei à casa em que moraria a partir de hoje com Hayley e Elijah. Não era a nossa antiga casa, mas sim a mansão que pertenceu ao governador na época em que vivemos aqui. Ela era afastada o suficiente para nos garantir segurança, sem falar que serviria bem aos nossos propósitos.
Entrei tirando o casaco que vestia. Larguei o casaco em cima de um dos móveis. A casa estava uma bagunça, a maioria dos móveis ainda estava coberta com lençóis brancos. Cheguei bem a tempo de pegar uma conversa entre Elijah e Hayley. Encostei-me a soleira da porta com os braços cruzados.
— O nobre Elijah sempre cumpre suas promessas. – Falei anunciando minha presença. Eu me referia a Hayley, confirmando a fala de Elijah, que prometeu sempre protegê-la.
Os dois me encararam por um momento e Elijah tomou a palavra perguntando-me sobre como andavam os meus planos com Marcel.
— Está feito? – Indagou.
— Na verdade está. Tudo funcionou de forma perfeita. E eu continuo sendo bem acolhido no French Quarter. – Respondi sorridente. Desencostei-me da parede e andei em sua direção. – Minha única preocupação são essas bruxas insolentes. – Prossegui. Eu não confiava em nenhuma delas, principalmente em Sophie.
— Creio que elas são de confiança. – Contrariou-me Elijah. – Elas me entregaram Hayley, apesar de não contarem tudo o que sabiam. Está óbvio que Marcel tem algo que elas precisam. Elas não o querem morto e tenho certeza de que há um motivo para isso. – Raciocinou.
Essa era uma das coisas que eu gostava em meu irmão. Ele quase sempre tinha uma resposta para tudo e sua inteligência era realmente admirável. Entretanto ele também possuía fraquezas, as quais poderiam por meus planos em risco. Eu tinha algo em mente, e apesar de me desagradar, era a solução para o meu problema no momento. Acompanhei Elijah até um dos outros cômodos da casa.
— Além da arma secreta que ele usa para controlar as bruxas, Marcel reuniu um pequeno exército de vampiros. – Comentou enquanto puxava o lençol de uma cadeira. – Trabalhando juntos, podemos acabar com eles. – Concluiu jogando o pano no chão.
— E Rebekah? Já cansou de fazer bico e virá se juntar a diversão? – Perguntei querendo saber qual o posicionamento da nossa temperamental irmã caçula. Elijah suspirou antes de responder.
— Ela deixou claro o seu desinteresse. – Afirmou num tom calculado.
— Deduzo que seja por eu tê-la empalado e a jogado num caixão. Ou talvez, ela não compartilhe a sua crença de que eu possa ser salvo. – Retruquei irônico. Com o passar dos séculos nossa família só se tornou cada vez mais danificada.
— Rebekah ainda pode nos surpreender. – Ele rebateu. Como sempre a defendendo. – Afinal, todos juramos o mesmo voto. – Concluiu se referindo ao nosso famoso pacto de muito tempo atrás. Sempre e para sempre. Foi o que nos prometemos. Mas a cada década isso ia se deteriorando.
— Espero que ela fique bem longe. – Falei me servindo de uísque. – No meu desejo de recuperar esta cidade, de roubar de Marcel a bruxa que ele mais estima, eu percebi uma grande vulnerabilidade. – Prossegui. Elijah me ouvia com atenção enquanto ajeitava algumas coisas. Andei até ele. – Uma grande fraqueza que Marcel poderia explorar.
— E qual seria? – Perguntou me olhando.
— Você. – Respondi apunhalando seu coração com uma das minhas adagas mergulhadas em cinzas de carvalho branco.
Essas adagas eram a única coisa que podia empalar um Original e para minha sorte não funcionavam em mim por causa da minha parte lobisomem. Segurei Elijah, enterrando ainda mais a adaga. Mantive seus olhos nos meus.
— Me perdoe, meu irmão. Não há poder no amor. Misericórdia o torna fraco. Família o torna fraco. – Discursei enquanto a adaga fazia efeito. – Se vou vencer esta guerra, terei que agir sozinho. – Terminei segurando o corpo inerte de Elijah em meus braços.
Eu já havia planejado o que faria a seguir. Meu caminho estava livre e agora as coisas seriam feitas do meu jeito.
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