Notas iniciais
Boa noite, my darlings! Eu realmente não sei como começar a me desculpar pelo meu sumiço. Como eu comentei no capítulo anterior, eu tinha cogitado a ideia de desistir da fic. Porém não foi esse o caso. O segundo semestre de 2018 foi um período extremamente complicado para mim por vários motivos. Infelizmente não tive condições de atualizar a história devido a outras demandas que surgiram na minha vida. Eu também sou leitora e sei o quanto é chato quando uma história que a gente gosta e acompanha é interrompida do nada e demora um tempão para ser atualizada. É justamente por isso que eu peço mil perdões a vocês. Agora que minha vida se estabilizou novamente, estou louca para dar continuidade a fic e voltar a interagir com vocês! Eu senti muita falta disso durante o tempo em que fiquei ausente. Agradeço imensamente pelos comentários do último capítulo! Foram absolutamente incríveis!!! Sobre esse capítulo, eu acabei tendo que dividi-lo em dois. Como ele ficou muito grande, com mais de 5000 palavras, achei melhor fazer dessa forma. Eu prometi babado, confusão & gritaria no capítulo anterior, porém devido à divisão, nesse capítulo teremos o início da treta Espero que vocês gostem! E mais uma vez, mil desculpas!!! Sem mais delongas... Good read!

Pov. da Lexi

No dia posterior ao enterro do padre Kieran, decidi procurar Davina. Embora não fizesse muito tempo desde a última vez que nos vimos, aconteceram tantas coisas nesse curto intervalo que parecia que tinham se passado meses. Segui pelas ruas do Cauldron sem me importar com o fato de estar em território “inimigo”. Para o bem e para o mal, minha imagem já estava mais do que associada aos Mikaelson. Praticamente todo mundo com algum conhecimento do sobrenatural em New Orleans sabia que qualquer investida contra mim acarretaria problemas com os Originais. O que era bom, porque me tornava intocável para uns, mas também era ruim, porque me transformava em alvo para outros. Entretanto se tratando das bruxas, eu me sentia mais segura do que ameaçada. Afinal eu duvidava muito que a líder delas, no caso Genevive, apesar de me detestar, tivesse coragem de tentar algo contra mim, pelo menos diretamente.

Quando cheguei ao meu destino, não pude deixar de olhar admirada o ambiente ao meu redor. O “covil” das bruxas era surpreendentemente charmoso. O lugar lembrava uma estufa. Havia velas espalhadas por toda parte. A claridade que entrava através das janelas de vidro e as plantas davam uma aparência agradável ao local.

— O que está fazendo aqui? – A voz irritante de Monique interrompeu meus pensamentos.

Voltei minha atenção para a bruxa e só então me dei conta de que estava no mesmo cômodo que ela, Davina e a outra garota da Colheita, de quem eu nunca lembrava o nome.

— Oi para você também, Monique. – Ironizei fazendo pouco caso dela. – Não que seja da sua conta, mas eu vim ver Davina. – Informei fazendo Monique bufar descontente. A ignorei e sorri para Davina, que me retribuiu com outro sorriso.

— Aqui não é ponto de encontro. Além disso, você é amiga dos Originais. Amigos dos nossos inimigos não são bem-vindos. – Protestou Monique. Ergui minhas sobrancelhas para ela em desafio.

— Sério que você não tem nada melhor para fazer do que nos atormentar ou encher o saco dos outros? Eu imagino o quão deprimente deve ser a sua vida desse jeito. – Retruquei cruzando os braços.

As três me encararam sem reação, mas diferentemente de Davina e a outra menina, Monique logo assumiu uma expressão raivosa e ofendida.

— Você deveria demonstrar mais gratidão. Se não fosse por mim, você não estaria aqui agora. – Cuspiu entredentes.

Não me abalei e isso pareceu irritá-la ainda mais. Monique me lançou um último olhar fulminante antes de sair. A outra garota não demorou a segui-la. Assim que fiquei a sós com Davina, respirei fundo e revirei os olhos.

— Como você aguenta? – Perguntei me aproximando da mesa em que ela estava sentada. Davina balançou a cabeça, dando um meio sorriso.

— Ela não era assim antes. Mas de qualquer forma, eu gostei do que disse a ela. Não é de hoje que Monique está merecendo ouvir essas coisas. – Confidenciou alargando o sorriso.

— Eu sei! – Concordei rindo e sentando na cadeira diante dela. – Agora me fale sobre você. Esses últimos dias tem sido uma montanha russa de emoções para mim. – Comentei mexendo no cabelo.

— Eu posso imaginar... Sinto muito pelo padre Kieran. – Disse Davina me prestando solidariedade.

— Eu também. Mas Cami e eu estamos conseguindo seguir em frente com o apoio uma da outra. – Garanti com um leve sorriso.

— Fico feliz em saber disso. Quanto a mim, não tenho muito que dizer. Fora Monique e a minha falha tentativa de contatar Tim, nada demais aconteceu. – Contou brincando distraidamente com uma rosa que estava sobre a mesa.

— Como assim “tentativa falha de contatar o Tim”? O que você fez? – Questionei curiosa.

— Eu fiz uma espécie de sessão espírita com a ajuda da Abigail. – Respondeu. Levei algum tempo para lembrar que Abigail era o nome da outra garota da colheita. – Como era de se esperar, Monique se manifestou contra a ideia. Ela falou que era bobagem e que apenas bruxas falsas faziam isso para impressionar turistas. Não levei em consideração a opinião dela e prossegui. – Continuou parecendo perdida em pensamentos.

— E aí? O que aconteceu? – Indaguei interessada no final da história. Davina pareceu despertar com a minha pergunta.

— Nada. – Atestou de um jeito estranho.

Olhei para ela com mais atenção. Davina parecia estar me escondendo alguma coisa. Iria insistir no assunto, porém ela foi mais rápida.

— Você e o Klaus continuam amigos? Ainda não entendi o porquê de ele ter me dado o feitiço do anel do dia... Mesmo que a intenção dele seja duvidosa, pelo menos serviu para deixar Josh feliz. Agora ele pode ir para qualquer lugar, a qualquer hora. – Mencionou sorrindo a última parte, mudando completamente o rumo da conversa.

— Sim... Nós continuamos amigos. – Confirmei vendo seu sorriso sumir. Eu sabia o quanto era difícil para ela aceitar esse fato e compreendia perfeitamente suas razões. – Eu também ainda não sei por que Klaus fez isso. No dia da Fete des Benedictions eu fiquei justamente para questionar essa atitude dele, mas com aquela confusão que rolou no final da festa eu esqueci completamente. – Expliquei suspirando em seguida.

Lembrar os meus momentos com Klaus naquela noite sempre me causava arrepios, principalmente quando eu me lembrava do que aconteceu naquele beco.

— Por falar em Josh, por onde ele anda? Temos que combinar algo para fazer juntos. Eu simplesmente amo passar um tempo com vocês. – Dei continuidade à conversa, desviando os meus pensamentos de Klaus.

Permaneci ali com Davina por um bom tempo. Era muito bom estar na companhia dela. Rimos bastante lembrando a última vez em que saímos com o Josh. Ele com certeza é a pessoa mais engraçada e alto astral que eu conhecia.

Depois de ficarmos horas resenhando sobre os nossos momentos mais engraçados envolvendo Josh, eu finalmente me dei conta de que já estava ali há muito mais tempo do que pretendia. Me despedi de Davina com um abraço apertado e a promessa de nos revermos em breve. Estava me sentindo feliz. Davina era uma amiga muito querida. Nossos momentos juntas sempre me faziam bem.

Estava perdida em meus pensamentos quando percebi a presença de Genevive. Enquanto eu estava de saída, ela tinha acabado de chegar. Automaticamente o sorriso que até então eu tinha no rosto se desfez.

— Lexi. Que surpresa encontra-la aqui. – Cumprimentou-me aparentando estar realmente surpreendida por me ver.

— Eu vim visitar Davina. Mas já estou indo embora. – Respondi simplesmente, passando por ela em seguida.

Apesar do que ela havia feito por Hayley, minha antipatia por Genevive era maior do que qualquer coisa. Não tinha a menor intenção de permanecer em sua companhia.

— Sabe... No início, eu não entendia o fascínio que Klaus sente por você. – Pronunciou às minhas costas fazendo com que eu paralisasse no lugar. – Mas agora... É até bem óbvio. – Prosseguiu enquanto eu virava para encará-la.

Eu sabia que a melhor decisão que poderia tomar naquele momento era continuar meu caminho para fora dali e deixar a bruxa falando sozinha. A última coisa que eu devia fazer era dar ouvidos as palavras venenosas de Genevive. Entretanto minha curiosidade sobre o que ela tinha a dizer era mais forte do que a minha parte racional. A vadia ruiva sabia perfeitamente que qualquer assunto que envolvesse o Híbrido Original tinha minha total atenção.

— O Klaus é um dos seres mais antigos do mundo. E um dos mais poderosos também. Sua má fama de cruel e sanguinário percorre o mundo há séculos. Muito tempo antes de nós duas existirmos. – Proferiu caminhando até mim. Franzi o cenho, sem ter a menor ideia de onde ela queria chegar com aquilo. — Já você... É apenas uma menina. Não sabe nada sobre a vida ainda. Encantadora, ingênua, pura... Tão linda e vulnerável. – Sussurrou Genevive enquanto andava em círculo ao meu redor.

Por mais que eu estivesse me esforçando para não deixar transparecer, o tom de voz da bruxa e a sua proximidade eram perturbadores.

— Os opostos se atraem. Porém não se engane, Lexi. O Klaus nunca tocará em você. Para ele você não passa de algo belo e frágil que precisa ser mantido atrás de um vidro para não quebrar. – Concluiu parando a minha frente, olhando em meus olhos e tocando meu cabelo, o colocando atrás do meu ombro.

Fiquei sem reação. A bruxa por sua vez, vendo o efeito devastador que suas palavras me causaram, sorriu para mim antes de se afastar.

Levei um minuto inteiro para recuperar a capacidade de me mover. Completamente atordoada, lancei um último olhar perplexo a Genevive, que ainda sorria, e finalmente consegui fazer o que eu devia ter feito desde o começo.

Assim que alcancei a rua, forcei minhas pernas a se moverem em direção ao meu carro. Eu ainda me encontrava em estado de choque. Eu realmente não devia ter ficado para escutar Genevive. As coisas que ela disse... E a forma como ela disse... Abalaram-me mais do que eu podia imaginar. Por mais que eu quisesse, eu não conseguia deixar de me questionar. E se ela estiver certa? E o pior de tudo é que eu não entendia porquê essa possibilidade me incomodava tanto.

Desde o princípio eu quis me tornar alguém especial para Klaus e depois de tudo o que nós passamos juntos, era bem nítido que eu alcancei meu objetivo. Mais até do que eu achava ser possível. Entretanto a maneira sórdida como Genevive colocou esse fato e, por mais que me negasse a admitir, principalmente a parte sobre Klaus jamais tocar em mim, me atingiu de um jeito inesperado.

Completamente atordoada e disposta a esquecer desses pensamentos e dessa maldita conversa, finalmente cheguei ao meu carro. Por pura coincidência, ou não, assim que entrei no veículo, meu celular, que eu tinha largado sobre o banco do carona, começou a tocar. Desviei minha atenção para o aparelho e vi o nome do meu melhor amigo estampado na tela. Ignorei o celular e liguei o carro. Eu não tinha a menor condição de falar com Klaus agora.

O celular tocou mais algumas vezes enquanto eu dirigia, porém continuei a ignora-lo. Eu estava conduzindo o carro no automático. Quando dei por mim, percebi que estava percorrendo um caminho muito familiar, mas que eu não fazia há algum tempo. Um sorriso involuntário surgiu em meu rosto ao avistar a cafeteria do Joe. Estacionei próximo ao estabelecimento e saí do carro deixando o celular exatamente onde estava.

Com tudo que aconteceu recentemente, eu não tive cabeça para pensar em nada que não envolvesse o sobrenatural. Só agora estando ali, que eu me dei conta do quanto eu sentia falta daquele lugar. Segui para a porta ainda sorridente. Seria ótimo me recordar do tempo em que monstros não passavam de fábulas.

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Depois da minha ida a cafeteria do Joe, me senti mais leve. Foi muito bom revê-lo. E embora nossa conversa a respeito do meu “sumiço” e o de Steve tenha sido incômoda para mim devido ao fato de eu ter que mentir e relembrar os tristes acontecimentos que ocasionaram a partida do garoto, surpreendentemente falar sobre ele não me abalou tanto quanto eu achei que fosse. As boas lembranças foram as que mais prevaleceram. Apenas senti uma espécie de nostalgia pelos momentos que passamos juntos e curiosidade em saber por onde ele anda e o que ele estaria fazendo atualmente. Foi maravilhoso voltar a sentar na minha mesa de sempre e comer uma fatia da minha torta favorita. O tempo na cafeteria me ajudou a refletir sobre o quanto minha vida havia mudado em tão pouco tempo. Me fez muito bem recordar da época em que a única coisa anormal na minha vida eram os meus estranhos “dons”.

Achei melhor não contar a Klaus sobre o diálogo com Genevive. Não queria que ele fosse tirar satisfação com a bruxa por minha causa e muito menos que tivesse mais um motivo para me infernizar por causa do meu suposto ciúmes. Mesmo que eu não gostasse nenhum pouco da ideia, a vadia ruiva era peça fundamental no plano do Híbrido. E por mais que eu sentisse um mau pressentimento com relação a essa ideia, preferi me manter quieta por hora. Eu queria ter certeza de que não estava confundindo o meu asco por Genevive com algum problema realmente relacionando com a confecção dos anéis da lua.

Mesmo após alguns dias desde minha conversa, se é aquilo poderia ser chamado assim, com Genevive, eu não tinha conseguido esquecer o que ela havia me dito. Entretanto procurei me manter focada em outras coisas. Esses últimos dias para mim haviam representado a calmaria antes da tempestade. Pelo que Klaus tinha me dito, ele pretendia fabricar os anéis hoje. Ele resolveu manter sua decisão de usar Genevive para realizar essa tarefa. Segundo o Híbrido, tudo ocorreria exatamente como o planejado. Porém meu sexto sentido continuava não concordando com isso. Além de um pesadelo envolvendo muito sangue na noite anterior, a sensação de que coisas ruins estavam para acontecer não me deixavam ter a mesma confiança que Klaus no sucesso do seu esquema.

Como forma de me ajudar a controlar minha ansiedade, fui com Cami para o Rosseau’s. Até pensei em passar o dia no casarão, porém meu melhor amigo praticamente me proibiu de ir lá hoje. Depois do ocorrido no Bayou, ele havia se tornado ainda mais protetor comigo. Como aparentemente mais uma vez o casarão seria palco de uma guerra, Klaus fez questão de manter bem longe de lá. E apesar de eu entender perfeitamente suas razões, isso não diminuía o aperto em meu peito e nem a minha imensa vontade de estar com ele no momento.

Suspirei derrotada colocando mais uma garrafa de bebida em uma das prateleiras que ficavam atrás do balcão. Estava organizando aquela parte quando percebi uma movimentação estranha. Virei-me para a entrada do estabelecimento bem a tempo de ver uns caras de terno, que mais pareciam brutamontes, expulsando todos que estavam no bar.

— O que estão... – Começou a indagar Cami, porém foi interrompida pela aparição de Francesca.

— Tentei ser boazinha. – Disse ela passando pelas pessoas que saíam.

— Quem você pensa que é? – Inquiriu Cami cruzando os braços. Ela claramente estava indignada com aquela invasão repentina.

— Sou a nova dona desse lugar. Não faz muito tempo, mas posso dizer que foi barato. As coisas não são as mesmas desde Sophie Deveraux. – Respondeu Francesca indo até Cami.

Reparei que um dos seguranças dela havia trancado a porta. Não tinha mais ninguém ali dentro além de mim, minha tutora, a bandida tirada à empresária e os gorilas dela. Por um instante, cheguei a temer pela minha segurança e a de Cami. A loira mais velha parecia compartilhar da minha preocupação.

— Olha, não quero problemas... – Cami tentou amenizar a tensão que preenchia o ambiente.

— Não me importa o que você quer. Vamos falar sobre o que eu quero. – Cortou Francesca.

— Certo, a chave do meu tio. – Chutou Cami. – Disse que a usaria para proteger os inocentes da cidade. Parece meio irônico por causa do seu trabalho. – Alfinetou minha tutora.

— Sou uma mulher de negócios que nunca foi condenada. E como líder da facção humana, a chave é minha. – Rebateu Francesca assumindo um tom de ameaça ao pronunciar a última parte. – Dei-lhe tempo para seu luto. Agora o tempo acabou. – Intimou.

— Entendi. Deixe eu encontrar a chave que eu não tenho. – Cami mentiu.

— Minha família está nessa cidade há muito tempo, Cami. Há mais tempo que a sua. E descobrimos que é difícil viver aqui se não tiver nenhum amigo. Eu gostaria de ser sua amiga. Então vou te dar até amanhã. Depois disso, não serei tão amigável. – Garantiu Francesca.

Ela que até então tinha ignorado a minha presença, voltou-se para mim pela primeira vez desde que havia chegado.

— Você ainda não está completamente sozinha, Cami. Mas pode ficar em breve. São tempos difíceis. Nunca se sabe o que pode acontecer. – Disse sorrindo para mim, olhando para Cami logo em seguida.

Após perceber que tinha atingido o seu objetivo de deixar Cami com medo, Francesca saiu acompanhada pelos seus seguranças. Assim que eles sumiram das nossas vistas, saí de trás do balcão e fui até Cami, sendo abraçada por ela com força.

— Calma. Ela só queria te intimidar. Ela sabe que eu sou amiga dos Originais. Jamais tentaria algo contra mim. Não sabendo que teria que enfrentar os Mikaelson. – Afirmei para tranquiliza-la, porém não surtiu muito efeito.

— Mais do que nunca precisamos descobrir o que essa chave abre. Eu já consegui decifrar o que dizia na caixa. É mesmo um enderenço. E nós vamos lá agora. – Sentenciou Cami após me soltar. A aflição em rosto era nítida.

Sem querer contraria-la, a ajudei a organizar o que faltava e a segui até o endereço que o padre Kieran havia deixado. Dessa vez foi ela quem dirigiu, já que era ela que sabia o caminho. Alguns minutos depois, Cami estacionou meu carro em frente a um pequeno prédio. Estávamos em uma parte da cidade na qual eu não me lembrava de já ter ido. No momento em que entramos no prédio, logo fomos recebidas por um senhor. Cami nos apresentou brevemente e não demorou muito para que ele começasse a nos guiar escada acima.

— Obrigada por vir. Não sabia que meu tio tinha esse lugar até a leitura do testamento. – Cami puxou assunto.

— Esse prédio é da minha família há séculos. Seu tio nos ajudou a restaura-lo depois do Katrina. Pensei que havia ficado com o quarto para ter espaço. De qualquer forma, não fiz perguntas. – Contou o senhor. Subimos apenas dois lances de escada. – O padre K. era tão bom quanto dizem. Meus pêsames. – Falou com sinceridade quando paramos diante da porta.

Cami assentiu enquanto eu me limitei a dar um sorriso triste. O senhor, o qual eu tinha esquecido nome, porém tinha quase certeza de que começava com “L”, enfim destrancou a porta. Porém antes que ele a abrisse, Cami o parou.

— Importa-se se nós entrarmos sozinhas? – Perguntou minha tutora com um amável sorriso.

O senhor fez que não com a cabeça e logo se afastou, deixando apenas nós duas. Troquei um olhar com Cami e logo em seguida ela girou a maçaneta, finalmente abrindo a porta. Nos deparamos com um espaço relativamente pequeno. Havia duas janelas, uma mesa quadrada de madeira, com duas cadeiras, e uma geladeira. Fechei a porta atrás de mim, por ter sido a última a entrar, enquanto Cami colocava sua bolsa sobre a mesa. Nos entreolhamos sem saber o que fazer. Não havia nada ali. Fui até as janelas durante o tempo que Cami abria a geladeira. A única coisa que ela encontrou lá dentro foram duas garrafas de cerveja. Decepcionada, Cami pegou uma delas.

— Aqui está o tesouro perdido. – Ironizou abrindo a cerveja e tomando um gole.

Continuei a minha busca por algo suspeito, reparando em uma porta que até então não tínhamos prestado atenção. Sem conter a minha curiosidade, a abri. Tinham roupas lá. Mexi nas roupas e vi que a “parede” do suposto closet tinha um tipo de cruz feito com fita adesiva.

— Cami, olha só o que temos aqui. – A chamei para que ela também visse.

A loira mais velha ficou admirada com a descoberta. Ela deu duas batidinhas na madeira do fundo do closet. O som emitido pelo punho de Cami contra a madeira só serviu para confirmar as nossas suspeitas de que aquele armário tinha um fundo falso. Mexemos nela até conseguirmos arrasta-la para o lado.

Tanto eu quanto Cami ficamos de boca aberta ao ver que aquele armário dava para um cômodo com estantes repletas de arquivos antigos, livros e objetos desconhecidos. Havia fotos em preto e branco tiradas há não sei quantas décadas atrás. Troquei um olhar fascinado com Cami. Parecia que tínhamos sido transportadas para outra época. Interrompemos a nossa incursão ao encontrarmos uma caixa em uma das prateleiras com uma etiqueta com os dizeres “Para Cami” escritos nela. Cami pegou a caixa e não demorou nada para abri-la. Ficamos espantadas com a quantidade de papel que ela continha. Dividimos os arquivos e começamos nossa leitura. Finalmente descobriríamos o que significava aquilo tudo.

Notas finais
E então? O que acharam dessa "conversa" entre a Lexi e a Genevive? E o que será que a Lexi e a Cami vão descobrir nesse lugar secreto? Comentem!!!! Estou morrendo de saudades!!!!!! XOXOXOXOXOXOXO