I Just Wanna Stop
48 Desastrosas Descobertas
Notas iniciais
Pov. da Lexi
Eu já tinha perdido a noção de há quanto tempo estávamos ali. Algumas horas antes, eu havia recebido uma ligação de Klaus. Ele queria saber onde eu estava, ou em outras palavras, se certificar que eu estava em segurança. Para não precisar mentir, já que eu não podia lhe contar nossa localização exata, apenas disse que eu e Cami nos encontrávamos bem longe do casarão. Não pude evitar perguntar a respeito da fabricação dos anéis. Senti um calafrio quando o Híbrido me contou que devido a um movimento de Marcel tinha acontecido um imprevisto com as pedras, porém ele havia conseguido contornar a situação com a ajuda de Francesca. Mais uma vez o pedi para ter cuidado, entretanto meu melhor amigo encerrou a ligação logo após afirmar que eu não precisava me preocupar e que tinha uma surpresa esperando por mim no casarão assim que ele tivesse resolvido tudo. Apesar de eu ter ficado curiosa para descobrir do que se tratava a tal surpresa, o envolvimento de Francesca no plano dos anéis me deixou ainda mais inquieta.
Após a breve conversa com Klaus, para tentar esquecer minha aflição, voltei a me concentrar nos documentos deixados pelo padre Kieran. Fiquei abismada ao ler as informações contidas neles. Havia registros sobre várias famílias importantes da cidade e dos integrantes das facções que desde sempre disputaram New Orleans. Os objetos estranhos que tinham naquele espaço eram nada menos que peças muito antigas e enfeitiçadas com magia negra por bruxas poderosas do passado. O padre tinha montado um verdadeiro arsenal mágico ali. Agora eu entendia perfeitamente o interesse de Francesca na chave. Nas mãos erradas, o conteúdo do lugar secreto que o padre Kieran havia construído poderia causar um enorme estrago. As perguntas que não queriam calar eram: Como Francesca tomou conhecimento da existência da chave e se ela realmente sabia que a chave levava até esse lugar.
— Lexi. – Chamou-me Cami, atraindo minha atenção para ela. – Você precisa ver isso. – Completou aparentando perplexidade.
Coloquei os papéis que estava lendo sobre a prateleira a minha frente e me aproximei dela. Havia um conjunto de recortes espalhados de um lado e no outro havia uma árvore genealógica. Cami pegou um dos recortes e me entregou. Nele estava escrito: “Gabriel Correa – Certidão de Nascimento falsa?”. Não entendi de primeira que relevância essa informação poderia ter, entretanto quando minha tutora apontou para árvore genealógica e eu li o nome de Francesca Correa entre os descendentes do tal Gabriel, imediatamente fiquei em alerta. Cami me entregou outro recorte e o que estava escrito nele me impactou de tal maneira que senti meu coração falhar uma batida. “Guerrera – Lobisomens no Quarter?” Fitei Cami com os olhos arregalados.
— Você acha que a Francesca é descendente de lobisomens? – Questionei na expectativa de ela falar que eu tinha entendido tudo errado.
— Ao que tudo indica, sim. Isso explicaria o que ela disse hoje, sobre a família dela estar em New Orleans por muito tempo. – Respondeu minha tutora tão abismada quanto eu.
Mantive meus olhos nos papéis ainda sem saber como encarar aquela descoberta. Talvez não houvesse motivo para pânico. Afinal se um antepassado de Francesca mentiu sobre sua origem, quem garante que ela ou o restante da sua família conhecia a verdade a respeito disso? A probabilidade dela não saber que pertence a uma linhagem de lobisomens era muito grande. Por outro lado, o fato de ela estar envolvida na fabricação dos anéis da lua soava como um alerta dentro de mim. O mau pressentimento que eu estava sentindo desde cedo retornou com força total. Talvez fosse apenas um mero acaso do destino, entretanto minha intuição me dizia o contrário. E eu seria muito burra se não seguisse os meus instintos depois de tudo o que eu vivi nos últimos meses. Sem hesitar, tirei meu celular do bolso e liguei para Klaus. Eu tinha que avisa-lo sobre a verdadeira origem de Francesca. Eu sentia que o conhecimento do Híbrido sobre essa informação podia fazer uma grande diferença no desfecho dos acontecimentos desta noite.
Para o meu azar, meu melhor amigo não atendeu. Tentei mais algumas vezes, porém não obtive sucesso. Liguei para Elijah e Hayley também, uma vez que o que eu tinha para contar a Klaus também era pertinente para eles. Principalmente para Hayley. Eu me lembrava da nossa conversa durante o cortejo fúnebre do padre Kieran, onde ela me perguntou sobre Francesca e eu me comprometi a repassar para ela qualquer coisa que eu descobrisse a respeito da empresária. Entretanto infelizmente nenhum dos dois atendeu meus telefonemas. Suspirei derrotada encarando a tela do celular. Agora não me restava alternativa além de ir até o casarão. E eu tinha plena ciência de que Klaus não gostaria nem pouco da minha visita.
— Eu tenho que ir. – Falei enquanto guardava o aparelho no bolso da minha calça.
— Ir? Para onde? – Interpelou Cami confusa.
— Para o French Quarter. Eu preciso contar ao Klaus o que descobrimos sobre Francesca. – Expliquei caminhando em direção à passagem no armário. Cami me seguiu.
— Não pode deixar isso para amanhã? Você mesma me disse que ele te proibiu de ir até lá hoje. – Argumentou minha tutora.
— Não. Amanhã pode ser tarde demais. – Retruquei virando para olha-la.
— Tarde demais para que? – Indagou a loira mais velha intrigada.
— Eu não sei. – Respondi sincera. – Mas eu não quero pagar para ver. Você sabe tão bem quanto eu que nunca é uma boa ideia ignorar meu sexto sentido. – Emendei a fazendo assumir uma expressão apreensiva.
— Tenha cuidado. – Pediu segurando minha mão.
— Não se preocupe. Eu ficarei bem. Por favor, não saia daqui. E me ligue caso faça outra descoberta importante. – Orientei antes de soltá-la e me encaminhar para fora do apartamento.
Após sair do prédio não demorei muito para alcançar meu carro. Enquanto dirigia, um calafrio percorreu meu corpo. Involuntariamente pisei mais forte sobre o acelerador. Eu tinha certeza de que quanto antes eu chegasse ao casarão, melhor. Algo me dizia que a verdadeira origem de Francesca era apenas a ponta de uma perigosa trama. Pelo o que Klaus havia me dito, os anéis trariam uma grande vantagem aos lobisomens, uma vez que eles não precisariam mais passar pela dor da transformação e muito menos depender da lua cheia. Segundo meu melhor amigo, com os anéis os lobos apenas usufruiriam dos benefícios da sua espécie. Se Francesca soubesse disso e da sua verdadeira linhagem, talvez seu plano fosse conseguir os anéis para si de alguma forma.
Com esses pensamentos em mente, percorri o caminho até o meu destino num tempo menor do que eu esperava. Após parar meu carro em frente ao casarão, apressei-me em adentrar o pátio. Não me surpreendi ao encontrá-lo vazio. Segui até a escada que levava ao segundo andar. Pretendia subir, entretanto mudei de ideia ao ver a responsável pela minha visita falando com alguém no celular há poucos metros de distância. A observei por alguns minutos antes de decidir ir até ela. Eu realmente não esperava me deparar com Francesca, no entanto essa podia ser a oportunidade perfeita para que eu descobrisse as suas verdadeiras intenções fazendo uso dos meus estranhos “dons”. Alcancei Francesca no mesmo momento em que ela encerrou a ligação.
— Você? – Indagou surpresa ao notar minha presença.
— Oi, nos vimos no Rosseau’s mais cedo. – A cumprimentei tentando parecer simpática e ignorando o seu assombro. – Onde estão todos? – Perguntei olhando ao redor matutando sobre como colocaria minha ideia prática.
Francesca me analisou antes de se manifestar. Ela ainda não parecia totalmente recuperada do seu espanto com a minha aparição repentina.
— Estão reunidos cuidando de... Assuntos importantes. – Começou a responder, mas hesitou no final. Provavelmente ela não sabia sobre o meu conhecimento dos anéis e estava em dúvida se devia me dar informações a respeito.
Achei melhor colocar algumas cartas na mesa e deixar claro que eu estava mais a par da situação do que ela imaginava.
— Os anéis já começaram a ser feitos? Pode me levar até eles? Eu preciso falar com o Klaus. – Disse a surpreendendo novamente.
— Por aqui. – Ela pronunciou após alguns segundos me estudando. Seu desconforto com o meu aparecimento era visível. Tive a impressão de que ela me dispensaria se pudesse.
Quando Francesca se virou para um corredor, eu a segui. Não me lembrava de já ter me aventurado naquela área em específico, entretanto não era isso que me preocupava no momento. Eu precisava tocá-la. Só assim saberia a verdade sobre suas intenções. Como ela estava vestida com uns dos seus terninhos femininos, o único jeito seria segurar sua mão ou provocar algum contato com o seu rosto. Sem muitas alternativas, percebi que teria que usar um velho truque de quando eu era criança.
— Ai! – Exclamei alto após darmos alguns passos, fazendo com que ela olhasse para mim.
— O que foi? – Inquiriu alarmada ao me ver escorada a parede.
Fechei os olhos por alguns instantes e respirei mais lentamente para tornar minha atuação mais crível. Francesca se aproximou de mim e eu aproveitei para agarrar sua mão de maneira desesperada, exatamente como alguém em busca de apoio em meio a um mal estar.
— Eu não sei... Não estou me sentindo muito bem. – Menti ainda segurando a mão dela. – Se importa? Tenho medo de não conseguir me manter de pé caso eu a solte. – Afirmei indicando nossas mãos unidas.
— De forma alguma. – Ela respondeu forçando um sorriso.
Francesca claramente não estava gostando da situação na qual eu a havia colocado. Tenho certeza de que se não fosse a minha relação com os Mikaelson, ela não se mostraria tão prestativa, mesmo que contra a vontade.
Aceitei a sua ajuda para caminhar de bom grado. Enquanto era guiada por ela, me concentrei nos flashes do seu passado recente que surgiam em minha cabeça. Conforme as memórias iam avançando, quase passei mal de verdade. O caso era muito pior do que eu tinha pensado. Mais uma vez eu tinha a responsabilidade de impedir uma grande desgraça. Porém para isso, eu precisava falar com meu melhor amigo imediatamente.
Ao alcançarmos o fim do corredor, dobramos a esquerda. Alguns metros à frente, um grupo de homens estava diante de uma porta. Foi fácil reconhecer os seguranças de Francesca, pois além de tê-los visto pela manhã no Rosseau’s, eles empunhavam armas e aparentemente estavam guardando a entrada do que deveria ser uma sala. Quanto aos demais homens presentes, só os reconheci graças as memórias de Francesca. Até onde eu sabia, aqueles eram seus irmãos e estavam mais do que cientes do seu plano sórdido.
Caminhamos até eles. Seus seguranças se movimentaram com a nossa aproximação, porém Francesca fez um movimento de cabeça para eles e os brutamontes voltaram a suas posições anterior com uma postura mais relaxada. Os irmãos dela, por sua vez, nos olhavam com uma interrogação estampada na testa. Francesca lançou um olhar tranquilizador a eles e seguimos até a porta. Antes que ela a abrisse, soltei sua mão. Murmurei um breve agradecimento, assegurando que já me sentia melhor. Quase suspirei de alívio ao me distanciar alguns passos dela. Agora que eu já tinha conseguido as informações que eu precisava, tudo o que eu queria era vê-la pagar pelas coisas que ela pretendia fazer. Quando Francesca finalmente abriu a porta da sala, eu deixei que ela entrasse primeiro.
— Meu povo disse que o Marcel está vindo. E está trazendo amigos. – Informou num tom urgente recebendo um suspiro exasperado como resposta, provavelmente de Klaus.
— Mantenha a Hayley segura. – Escutei o Híbrido dizer.
Adentrei a sala no mesmo instante em que Klaus se virou para porta. Sua expressão compenetrada deu lugar ao choque assim que ele registrou a minha presença. Entretanto em uma fração de segundos, seu rosto já tinha sido tomado pela fúria.
— Alexandra. O que está fazendo aqui? – Interpelou num tom irado.
Desviei meu olhar brevemente dele para o cenário diante de mim. Não me prendi aos detalhes da decoração da sala, embora ela fosse muito charmosa. Mantive minha atenção às expressões igualmente surpresas de Elijah, Hayley e Genevive. Era mais do que nítido que nenhum deles esperava me ver naquele momento. Foquei meus olhos em Genevive e senti um arrepio percorrer meu corpo ao ver um círculo branco com alguns símbolos desenhados contendo pequenas pedras pretas salpicadas com sangue no centro dele, em cima da grande mesa em frente à bruxa. Senti uma pontada de alívio ao constatar que o feitiço ainda não havia terminado. Pois se estivesse, meu melhor amigo não estaria de pé me encarando com toda a sua pose intimidadora de Híbrido Original.
Poucos segundos haviam se passado desde a pergunta de Klaus. Francesca fez menção de respondê-lo, porém eu me adiantei. Ignorei completamente o seu atual estado de espírito.
– Eu preciso falar com você. É urgente. – Garanti o fitando nos olhos de uma maneira que eu sabia que ele não recusaria.
Depois de me examinar por alguns instantes, ainda raivoso, Klaus bufou e veio até mim, segurando o meu braço.
— Continue. – Ordenou para Genevive antes de me guiar com impaciência para fora da sala.
Antes de ser praticamente arrastada por Klaus, não pude deixar de trocar um olhar com a ruiva. Aquela provavelmente seria a última vez que nos veríamos e para o meu espanto eu não consegui lamentar nem um pouco esse fato.
— Achei que tivesse dito que não a queria aqui hoje. – O Híbrido me repreendeu irritado, tornando seu aperto mais firme enquanto passávamos pelos homens de Francesca.
— Eu preciso te contar algo. É muito importante. – Retruquei séria, o fazendo parar de andar e me fitar de maneira inquisitiva. – Aqui não. – Sussurrei ao notar que nos encontrávamos há poucos passos dos seguranças e dos irmãos de Francesca e que eles prestavam atenção na nossa conversa.
Klaus lançou um breve olhar desconfiado para eles antes de me pegar em seus braços e usar sua super velocidade para nos distanciar alguns bons metros dos ouvidos atentos.
— Pronto. O que é tão importante? – Questionou meio debochado ao me colocar no chão. – Espero que tenha um bom motivo para... – Começou seu sermão, contudo eu o interrompi.
— A fabricação dos anéis da lua é uma grande armadilha. A utilização do seu sangue nos anéis ligará você às pedras. Elas irão enfraquecê-lo sempre que algum lobo usar os anéis. Francesca e Genevive estão tramando contra você. Francesca é descendente de lobisomens. Ela pretende usar os anéis em benefício próprio, os roubando para ela e seus irmãos. Já Genevive pretende entregar Hayley as bruxas, para que sacrifiquem a filha de vocês. – Despejei tudo de uma vez. Não tínhamos mais tempo a perder.
A expressão de Klaus tornou-se incrédula. Eu já esperava por uma reação como essa da parte dele. Até porque a gravidade do que eu havia compartilhado com ele era muito grande.
— Como você descobriu isso? – Perguntou num tom reflexivo. Pela sua cara, ficava óbvio que ele não estava duvidando de mim. Ele estava apenas processando as informações que tinha recebido.
— Eu dei um jeito de segurar a mão da Francesca. Tive acesso às memórias dela. – Expliquei sem entrar em detalhes sobre como eu tinha conseguido tocar na aspirante a lobisomem.
Klaus permaneceu me encarando em silêncio por um momento. Eu sabia que ele ainda estava assimilando o que eu tinha lhe dito. Embora não tivesse passado nem um minuto inteiro, eu me encontrava ansiosa. Tinha medo que Genevive concluísse o feitiço e que a situação fugisse do controle de alguma maneira. Apesar de Hayley estar com Elijah, nenhum dos dois tinha conhecimento sobre a real ameaça que Francesca e Genevive representavam. Para o meu alívio, não demorou muito para que o Híbrido saísse dos seus pensamentos. A mudança na postura de Klaus foi sutil, porém perceptível. Principalmente para mim que o conhecia tão bem. Seu ar contemplativo foi substituído pela postura irredutível e letal que havia lhe rendido sua fama de assassino impiedoso e sanguinário.
— Fique aqui. – Decretou de forma que não abria brecha para questionamento. – Eu vou resolver isso. – Assegurou antes de sumir do corredor.
Achei melhor obedecê-lo. Conhecendo ele como eu conhecia, minha presença apenas iria distraí-lo, o que consequentemente o atrapalharia. Sem falar que eu não fazia a mínima questão de assistir a carnificina que aconteceria. Por mais que eu não gostasse de Genevive e Francesca, eu não tinha o menor desejo de vê-las morrer. Ainda mais de forma tão violenta. Continuei onde estava, praticamente imóvel. Não havia muito que eu pudesse fazer. Menos de dois minutos após Klaus me deixar sozinha, o som de tiros e gritos chegaram até mim.
Fui dominada pela tensão. Assustada, recuei alguns passos. Talvez fosse melhor eu sair dali. Esperar o desfecho disso no pátio ou até mesmo no meu quarto me parecia bem mais agradável. Eu tinha certeza de que nada aconteceria com Hayley. Klaus e Elijah iriam protegê-la. Eu não queria escutar aqueles barulhos e muito menos imaginar o que se passava no final daquele corredor. Com essas resoluções em mente, dei as costas à gritaria e segui em direção ao pátio. Estava tão absorta nas imagens que se formavam involuntariamente na minha cabeça, a respeito do acontecia há alguns metros, que só me dei conta de que alguém corria em minha direção tarde demais.
Ainda de costas, senti o meu corpo ser puxado contra outro de maneira brusca. O desconhecido me segurou por trás, mantendo um dos seus braços firmemente ao redor do meu pescoço. Antes que eu pudesse reagir, senti o metal frio de uma arma em contato com a minha têmpora direita. O homem nos virou na direção que levava a sala abruptamente. Embora não pudesse ver o seu rosto, a julgar pelo seu terno escuro e pela arma, eu tinha certeza de que se tratava de um dos seguranças de Francesca. Nesse mesmo instante, Klaus apareceu com o rosto e as roupas sujas de sangue. Ao vê-lo, meu agressor aumentou o aperto em meu pescoço.
— Para trás! – Gritou recuando um passo e me arrastando com ele. Pelo seu tom de voz, ele parecia completamente apavorado.
O pânico tomou conta de mim. Fixei meus olhos no rosto do Híbrido. O semblante dele transmitia o mais puro terror. Nós dois sabíamos que se o gatilho fosse puxado, não haveria nada que ele pudesse fazer para me salvar. Com o olhar cravado em mim, Klaus arriscou dar um passo para frente. Em resposta, o homem pressionou a arma com mais força contra a minha cabeça.
— Parado! Não se mexa ou eu atiro! – Ameaçou novamente me apertando mais ainda.
Klaus ficou estático. Quase não suportei olha-lo. O desespero e a impotência estampados em seus olhos eram tão dolorosos para ele quanto para mim. Caso eu sobrevivesse, prometi a mim mesma que jamais seria responsável novamente por colocar aquela expressão em seu rosto. Vê-lo daquela forma me deu vontade chorar. Eu não queria morrer. Eu queria poder abraça-lo e não soltar nunca mais.
Inesperadamente, numa fração de segundos, o aperto em meu pescoço começou a afrouxar e a pressão da arma contra minha têmpora diminuiu. Sem pensar duas vezes, num verdadeiro ato impulsivo, me desvencilhei do meu agressor e me joguei em direção a Klaus. O Híbrido imediatamente me acolheu em seus braços de forma protetora. Ainda sem entender o que estava acontecendo, olhei para o segurança de Francesca bem a tempo de vê-lo deixar sua arma cair. O objeto produziu um ruído metálico ao se chocar com o chão. Em seu peito, no lugar onde deveria estar o seu coração, surgiu uma mancha de sangue. Não acreditei nos meus olhos quando seu corpo sem vida tombou diante de nós e atrás dele, Rebekah, em toda a sua glória e beleza, segurava o órgão recém-arrancado. Por um momento, cheguei a pensar que estava delirando. Contudo quando ergui os olhos para Klaus e vi que ele encarava a garota à sua frente tão estupefato quanto eu, me convenci de que aquela cena era mesmo real.
— Pelo visto, eu faço mais falta do que eu imaginava. – Disse Rebekah largando o coração e abrindo um dos seus típicos sorrisos.
Fale com o autor