Notas iniciais
Good evening, my sweethearts! Olha só que voltou depois de um (mais ou menos) breve intervalo??? Eu mesma! Peço desculpas pela demora! Esse capítulo realmente levou mais tempo do que o normal para ser escrito devido as peças que a vida adora me pregar kkkkkkk Gostaria de fazer um agradecimento especial para a lindíssima Gi47 pela sua maravilhosa recomendação!!! Eu simplesmente AMEI! Muitíssimo obrigada!!! De verdade!!! Fiquei hipermegasuper feliz ao ler cada palavra! Eu dedico esse capítulo a você! ♥♥♥ Gostaria também de agradecer imensamente pelos comentários gatíssimos do último capítulo! Adorei saber que assim como eu, vocês também ficaram muito felizes com o retorno da Barbie Klaus! ♥ Espero que o tamanho desse capítulo ajude a compensar vocês pela demora :D Sem mais delongas... Good read!

Pov. da Lexi

Continuei a encarar Rebekah como se ela fosse uma miragem. Fazia algum tempo que ela não me mandava notícias. E devido aos acontecimentos que ocasionaram sua partida, eu não esperava revê-la pessoalmente tão cedo. Entretanto apesar da minha imensa surpresa em tê-la diante de mim, exibindo seu característico sorriso que lembrava vagamente Klaus e mais bonita, como se isso fosse possível, do que eu me recordava, eu não podia estar mais feliz em vê-la. Principalmente considerando o fato de ela ter salvado a minha vida. Embora tenha parecido uma eternidade, passaram-se apenas poucos segundos antes de eu me desvencilhar do Híbrido e correr em direção a vampira Original.

— Rebekah! – Exclamei alegre a abraçando com força. Ela retribuiu meu gesto com a mesma intensidade. – Ainda não acredito que você está aqui! – Emendei ao me afastar para poder olha-la.

— Nem eu acredito. Mas estou feliz por ter vindo. Ao que parece, não perdi o meu timing para fazer grandes entradas. – Respondeu com sua natural espontaneidade. Foi impossível não sorrir.

Estávamos tão empolgadas com a nossa reunião que quase nos esquecemos da presença de Klaus. Quando voltamos nossa atenção para o mais velho, o encontramos do mesmo jeito que antes. Ele permanecia paralisado, nos observando em aparente estado de choque. Troquei um olhar um tanto preocupado com Rebekah, porém antes que alguma de nós duas se dirigisse ao Híbrido, passos foram ouvidos através do corredor. Não demorou muito para que Hayley e Elijah surgissem em nosso campo de visão.

— Rebekah? – Disseram quase que ao mesmo tempo, tão surpresos quanto eu havia ficado ao vê-la.

A vampira abriu um dos seus sorrisos maravilhosos para eles, logo sendo abraçada pelo Original de terno e em seguida pela lobinha. Me senti mais do que aliviada ao me certificar que Hayley estava completamente ilesa. Como eu havia imaginado, Klaus e Elijah jamais permitiriam que ela se machucasse.

— Como soube o que estava acontecendo aqui? Quando você chegou? – Indagou o Original mais velho para a irmã caçula, verbalizando as perguntas que eu tinha certeza que todos queriam fazer.

— Não temos tempo para isso agora. Genevive, Francesca e seus irmãos estão mortos, porém ainda nos restam outros inimigos a combater. – Pronunciou-se Klaus pela primeira vez desde o aparecimento súbito de Rebekah. Seu tom de voz deixava claro que a matança para ele ainda não havia acabado.

Novamente a tensão preencheu o ambiente. Eu tinha ficado tão alegre com a volta de Rebekah que por alguns minutos me esqueci do terror que estava sendo esta noite até ela surgir.

— Vamos eliminar todos os envolvidos no plano sórdido de Francesca e Genevive, e qualquer um que represente uma ameaça para nós. – Sentenciou o Híbrido com uma determinação que me causou arrepios que nada tinham a ver com medo. Talvez tenha sido o modo como ele me olhou ao proferir a última parte.

Tentei desviar o rumo dos meus pensamentos para o que realmente importava naquele instante.

— Você está certo. Porém não podemos deixa-las desprotegidas. – Alegou Elijah referindo-se a mim e Hayley.

— Você vem comigo. – Decretou Klaus apontando para o moreno. Antes que o Original pudesse protestar, o Híbrido surpreendeu a todos ao se voltar para Rebekah. – Você ficará com Lexi e Hayley. Mate qualquer um que ousar entrar aqui. – Ordenou encarando a vampira com a expressão séria.

Rebekah, apesar da surpresa gerada pela atitude do irmão, limitou-se a assentir. Klaus repetiu o gesto dela, fazendo um maneio positivo com a cabeça. Embora ele tenha nos dado as costas logo depois, essa breve interação entre os dois nos permitiu ter um vislumbre da cumplicidade fraterna que eles partilharam durante tantos séculos. Após nos lançar um sorriso reconfortante, Elijah o seguiu. Ficamos apenas as três.

— E então... O que fazemos agora? – Questionei um tanto aflita.

— Literalmente sentar e esperar. Não há muito que possamos fazer, a não ser é claro colocar o papo em dia enquanto aguardamos o retorno deles. Os conhecendo como eu conheço, e com a segurança de vocês em jogo... New Orleans amanhecerá banhada em sangue. – Respondeu Rebekah fazendo Hayley e eu nos entreolharmos.

Acatamos o conselho da loira e nos acomodamos no pátio. Ela se serviu uma dose de uísque enquanto eu e a mamãe loba nos limitamos a assisti-la.

— Como descobriu o que estava acontecendo? – Perguntou Hayley, retomando o questionamento feito por Elijah.

— Eu tenho minhas fontes. – Garantiu misteriosa, dando de ombros. – Você não achou que eu realmente acreditava quando me dizia que estava tudo bem, não é? – Interpelou a Original apontando para mim.

Abri um sorriso sem graça para ela. Sempre que nos falávamos durante o seu “exílio”, eu omitia os problemas que envolviam a cidade.

— Não queria preocupa-la. – Me justifiquei lançando-lhe um olhar de desculpas.

— Eu já imaginava algo assim vindo de você, honey. Eu teria que ser muito ingênua para acreditar que estava tudo as mil maravilhas por aqui. Eu conheço essa cidade desde a época da sua fundação. Paz não é algo que dura muito em New Orleans, principalmente quando minha família está envolvida de alguma forma. – Declarou sentando-se entre nós duas em um dos degraus da escada. Permanecemos em silêncio por alguns instantes refletindo sobre suas palavras.

— Agora é sua vez, Lexi. Como você descobriu o real plano de Francesca e Genevive? – Inquiriu Hayley me tornando o centro das atenções.

Levei um minuto pensando sobre como eu responderia àquilo sem falar sobre o lugar secreto do padre Kieran. Afinal a existência daquele lugar era um segredo que não pertencia só a mim.

— Eu usei os meus “dons”. Dei um jeito de segurar a mão da Francesca... Fingi que estava passando mal. – Revelei parte da verdade.

— Nik tinha razão. Esses seus poderes são mesmo muito úteis. E você foi muito esperta, Lexi. – Elogiou-me Rebekah com um sorriso.

— Se não fosse por você... Deus sabe o que teria acontecido conosco. – Murmurou Hayley referindo-se a ela e a filha enquanto acariciava a barriga.

Senti um calafrio só de imaginar como tudo poderia ter terminado em um verdadeiro desastre caso eu não tivesse conseguido avisar Klaus a tempo.

— Bom... E se não fosse por Rebekah, talvez eu não estivesse aqui agora. – Lembrei dando um olhar agradecido a vampira.

— Como assim? O que houve? – Preocupou-se a morena.

— Um dos seguranças da Francesca conseguiu escapar e me fez de refém. Eu tinha uma arma apontada para minha cabeça quando Rebekah apareceu num passe de mágica e me salvou. – Contei fazendo o possível para não reviver o sentimento de pânico que eu havia experimentado na ocasião.

— É... Eu sei. Basta eu me ausentar por alguns meses e o caos se instaura nessa família. Por mais que eu tente, vocês não conseguem viver sem mim. – Declarou a Original num tom convencido e irônico.

Hayley e eu nos olhamos e em seguida encaramos Rebekah. Foi impossível não sorrir. Apesar do pouco tempo em que nos conhecíamos, a afeição que existia entre nós três era realmente forte e verdadeira. Entretanto nosso lindo momento de amizade foi interrompido pelo surgimento de cinco vampiros. Rebekah foi a primeira a se colocar de pé. Por puro reflexo, a lobinha e eu a imitamos.

— Olha só... Temos visitas. – Debochou Rebekah descendo os poucos degraus que nos separavam do pátio. Permaneci onde estava junto de Hayley. Segurei seu braço como forma de apoio. A aparição desses vampiros tinha nos pego de surpresa.

Os homens se aproximaram, posicionando-se um ao lado do outro no centro do pátio, há apenas poucos metros de distância. Rebekah manteve-se a nossa frente, bloqueando o acesso a escada.

— Certamente vocês vieram por causa dos meus irmãos. Como já devem ter percebido, eles não estão em casa. Mas não se preocupem. Eles me deixaram instruções muito claras a respeito de intrusos. – Assegurou a Original antes de partir para o ataque.

Em resposta, os vampiros arreganharam os dentes e lançaram-se a luta também. A despeito da sua desvantagem numérica, Rebekah não demorou a derrotar seus oponentes. Dois dos vampiros tiveram suas cabeças separadas do corpo enquanto os outros terminaram com os corações arrancados. Tudo aconteceu tão rápido que quase não tivemos tempo de ter medo.

— Até que foi divertido. Só quero saber quem é que vai limpar essa bagunça depois. – Disse Rebekah despreocupadamente olhando ao redor e abrindo um sorriso gracioso para nós em seguida.

Troquei um olhar incrédulo com Hayley. Sem consegui me conter, comecei a rir. Sem dúvida meu riso despropositado era efeito do choque causado pela situação. Mas por incrível que pareça, as meninas me acompanharam. Embora eu não soubesse definir o que sentia naquele momento, eu tinha uma certeza. De fato, as coisas não eram as mesmas sem a caçula dos Mikaelson.

(...)

As horas se passaram indistintamente. Pela claridade que iluminava o pátio, era fácil constatar que já se tratava de um novo dia. Hayley, Rebekah e eu estávamos acomodadas no mesmo degrau de ontem. Ficamos a noite toda ali, aguardando o retorno de Klaus e Elijah. Graças a Deus o incidente com os vampiros foi o último contratempo que enfrentamos. Não houve outra invasão e tudo o que nos restou fazer foi esperar. E no meu caso, me perder em meus próprios pensamentos. Assim que me recuperei do meu ataque de riso quase histérico, praticamente desabei sentada.

Fora a euforia provocada pelo regresso de Rebekah, os acontecimentos dessa noite que parecia não ter fim eram no mínimo perturbadores. Mais uma vez em um curto intervalo de tempo, eu tinha corrido um risco real de morte. Um movimento em falso... E o disparo daquele gatilho seria fatal. O olhar de Klaus enquanto ele me encarava naqueles instantes de puro horror era algo que eu provavelmente jamais esqueceria. Tirando o medo de morrer, a ideia de que eu nunca mais poderia estar com ele... Vê-lo sorrir... Ou simplesmente escutar sua voz... Foi o que mais me aterrorizou durante aqueles minutos angustiantes e intermináveis. Por mais que eu me recusasse a admitir até para mim mesma, meus sentimentos pelo Híbrido a cada dia revelavam-se bem mais profundos e complexos do que mera amizade.

Além disso, as cenas de extrema violência que eu havia presenciado não passaram em branco. Embora eu já convivesse com os Mikaelson por um período considerável, ainda não era comum para mim, e eu duvidava muito que se torne algum dia, assistir às pessoas morrendo. Principalmente de maneira tão brutal. A visão dos corpos mutilados dispersos pelo pátio era aterradora e facilmente poderia ser inclusa em um filme de terror. Ademais apesar de eu estar segura, com nada menos do que uma Original como guarda costas, e saber que Cami também estava a salvo, eu não podia dizer o mesmo sobre Davina ou Josh e isso me preocupava.

Klaus tinha saído daqui disposto a exterminar qualquer um envolvido no plano de Genevive e Francesca ou que nos representasse algum tipo de ameaça. Mesmo estando ciente que Davina e Josh não se encaixavam em nenhuma dessas categorias, eu conhecia o Híbrido o suficiente para saber o quão longe ele poderia levar sua paranóia. Isso sem considerar o desafeto que existia entre ele e Davina e o fato de ela ser uma bruxa. Ou então o fato de Josh ser um dos “vampiros do Marcel”. E por falar em Marcel... Ele era outro que também me causava preocupação. Pouco antes de eu sair da sala onde os anéis estavam sendo fabricados, Francesca disse que Marcel estava pronto para atacar o casarão com seus “amigos”. Se isso for verdade, as chances de Klaus e Elijah o terem interceptado são imensas. E caso isso tenha acontecido, meu receio era que os irmãos Mikaelson não tenham poupado à vida de Marcel. Por mais que estivesse rezando internamente por um milagre, eu não me surpreenderia se o Híbrido incluísse os três na sua lista de execução.

Mesmo exausta fisicamente por passar a madrugada acordada e sentada ali, minha mente não me permitia descansar. Enquanto eu havia apoiado a cabeça no corrimão da escada, Rebekah usou seus braços e joelhos como apoio. Já Hayley seguiu o meu exemplo e também se escorou na grade do corrimão que havia ao seu lado. Estávamos preocupadas e ansiosas demais aguardando Klaus e Elijah para preencher o ambiente com as conversas divertidas que costumamos ter. Cada uma de nós estava reclusa em suas próprias reflexões. Eu praticamente já contava os segundos para que eles chegassem logo. Eu precisava de notícias. E ainda que eu soubesse que os dois juntos eram praticamente invencíveis, eu não conseguia deixar de me inquietar com a demora deles. O medo de que algo ruim tivesse acontecido crescia a cada minuto. Estava tão absorta, que me sobressaltei quando a voz de Rebekah quebrou o silêncio.

— Finalmente! – Deixou escapar se levantando e dirigindo sua atenção para a entrada.

Endireitei minha postura enquanto seguia o seu olhar. Um suspiro involuntário de alívio escapuliu de mim quando Klaus e Elijah surgiram em nosso campo de visão. A primeira coisa que eles pareceram notar foi a confusão de corpos espalhados pelo chão. Não tardou muito para que eles voltassem seus olhos para nós. Quando fitei o rosto de Klaus e percebi que ele também me encarava, senti algo se agitar dentro de mim. Talvez fosse a alegria de revê-lo. Ou talvez... Tive minha ponderação interrompida ao notar a presença de Marcel, Josh e Davina logo atrás dos Mikaelson. Não consegui esconder minha surpresa. Por um momento, achei que estava delirando.

— Josh? Davina? Marcel...? – Murmurei me colocando de pé e indo até eles.

Após trocar um breve e caloroso abraço com Marcel, me voltei para Davina e Josh e os abracei como se nunca mais fosse poder fazer isso de novo.

— Vocês estão bem? – Inquiri ao me afastar minimamente para poder examina-los. O vampiro e a bruxa se entreolharam de modo tenso por um instante.

— Estamos. – Assegurou Davina mirando algum ponto atrás de mim com uma expressão desconfiada.

Virei-me para descobrir o que ela tanto olhava e encontrei Klaus nos observando com uma feição ininteligível. Ao perceber que eu o havia flagrado, o Híbrido desviou sua atenção para a irmã.

— O que houve aqui depois que saímos? – Questionou num tom grave.

Rebekah que até então estava presa em uma troca de olhares com Marcel, voltou seu foco para Klaus com certa dificuldade.

— Esses idiotas apareceram sem ser convidados. Os tratei ao melhor estilo Mikaelson, como podem ver. Eles foram os únicos a tentarem invadir a fortaleza. – Relatou a Original indicando os corpos no chão.

— E vocês? Como foi? – Interrogou Hayley referindo-se a Klaus e Elijah.

— Não há mais com o que se preocupar. Niklaus e eu neutralizamos as possíveis ameaças a esta família. – Garantiu Elijah trocando um olhar soturno com o irmão. Por algum motivo, senti um calafrio percorrer o meu corpo.

Posteriormente a fala do Original mais velho, o pátio imergiu em um pesado silêncio. Havia muitas perguntas a serem feitas. Muitos pontos a serem esclarecidos. Porém ninguém parecia ter coragem para iniciar os questionamentos. Pelo menos não na frente de todos.

— Honestamente, eu adoraria levar essa discussão adiante. Contabilizar os estragos e etc... Mas agora que o pior já passou a única coisa eu consigo pensar é na minha cama. – Alegou Hayley amenizando um pouco o clima.

Tive que sorrir. Ela era mesmo dura na queda. Se eu mal me aguentava em pé, não fazia ideia de como ela conseguia.

Aparentemente a atitude de Hayley deu a deixa que todos precisavam. Enquanto a mamãe loba subiu a escada, sendo seguida logo depois de maneira não tão discreta por Elijah, Klaus voltou sua atenção para Rebekah. A Original que novamente estava perdida em uma intensa troca de olhares com Marcel, ao perceber o foco do Híbrido sobre si, enrijeceu sua postura. Rebekah ainda fitou Marcel uma última vez antes de se encaminhar para fora do casarão. Klaus foi logo atrás, após lançar um olhar penetrante ao vampiro.

Por um momento, temi o fato de os dois saírem sozinhos. Entretanto algo me dizia que Klaus não faria nada contra a irmã. Eu torcia para que eles tivessem uma conversa franca e conseguissem se entender. Marcel, por sua vez, nos deu um sorriso um tanto vacilante antes de ir para um dos cômodos adjacentes ao pátio. Sobramos apenas eu, Davina e Josh. Não consegui resistir ao impulso de abraça-los novamente.

— Estou tão feliz que vocês estão bem! – Exclamei enquanto soltava Davina.

— Nós também! Pode ter certeza! – Disse Josh no seu típico tom cômico não intencional.

— Ainda não consigo entender por que o Klaus nos poupou. Principalmente a mim. Monique e Abigail estão mortas. – Comentou Davina.

A descoberta de que Monique e a outra menina da Colheita tinham morrido me causou certo choque. Porém imaginar que elas tinham participação no plano sórdido de Genevive me fez superar rapidamente esse sentimento.

— Você sabia que Genevive planejava sacrificar a filha dele? – Perguntei mesmo já conhecendo a resposta.

— Não. Ela, Monique e Abigail não confiavam em mim por causa da minha relação com Marcel e até mesmo com você. Mas mesmo que elas tivessem me contado, eu jamais compactuaria com algo assim. Eu não sou um monstro. – Garantiu Davina com sinceridade explícita em cada palavra.

Limitei-me a encará-la cheia de admiração e orgulho. A jovem bruxa era sem dúvidas uma das pessoas mais honesta que eu conhecia.

— Acho que isso responde a sua indagação. – Repliquei com um sorriso me referindo ao seu comentário sobre Klaus.

— Talvez. Mas e quanto ao Josh? – Insistiu olhando brevemente para o vampiro.

— Eu não sei. Vai ver ele gosta do meu senso de humor. – Arriscou Josh dando de ombros.

Davina apenas o encarou. A expressão dela era no mínimo engraçada. Não consegui segurar a risada.

— Klaus sabe que Josh não representa uma ameaça para ninguém. Não teria porquê matá-lo. – Afirmei ainda sorrindo.

— E desde quando ele precisa de motivo para matar alguém? – Retrucou Davina.

— Nisso ela tem razão. – Concordou Josh.

Não tive outra reação a não ser reconhecer a derrota. Eu não tinha contra argumentos para aquilo.

— Seja como for... O importante é que vocês estão aqui. Sãos e salvos. – Sentenciei segurando suas mãos e conseguindo arrancar um sorriso de Davina.

— Tudo bem. Não quero pensar muito sobre isso agora. Se não se importa, eu vou falar com o Marcel. Embora ele também tenha sido poupado, ele perdeu quase todos os vampiros. – Disse a bruxinha depois de alguns minutos.

Assenti com certo pesar. Eu entendia a preocupação dela. Marcel era um líder muito apegado aos seus seguidores. Devia mesmo estar sendo difícil para ele. E como os dois tinham uma relação praticamente de pai e filha, ninguém melhor do que ela para lhe passar algum conforto naquele momento. Josh resolveu acompanha-la.

— Estarei lá em cima, caso precisem de mim. – Informei antes de me direcionar a escada. Enquanto Josh e Davina foram ao encontro de Marcel, eu fui para o meu quarto.

Só a imagem da cama que surgia em minha cabeça, já me fazia suspirar. Tudo o que eu queria era me jogar nela e dormir pelos próximos meses. Entretanto ao adentrar o cômodo, fui surpreendida pela visão do quadro que Klaus havia comprado para mim semanas antes do meu aniversário na exposição de arte contemporânea em que eu o levei, pendurado na parede, bem acima da cabeceira da espaçosa cama de casal. Eu tinha uma vaga noção do quão burocráticas eram as transações que envolviam obras de arte, contudo eu não imaginei que fosse demorar tanto. Quase havia me esquecido desse lindo presente que Klaus tinha me dado.

— Então essa era a surpresa... – Pensei alto me recordando do que o Híbrido tinha falado durante o telefonema enquanto eu ainda estava no local secreto do padre Kieran.

— Sim. Eu não sabia que era tão complicado adquirir obras de arte nos dias de hoje. Ele chegou ontem pela manhã. – Klaus respondeu me fazendo pular de susto.

Eu estava tão distraída admirando o quadro que nem notei sua presença. Respirei fundo uma vez para acalmar meus batimentos cardíacos. Klaus posicionou-se ao meu lado. Mantivemos nosso olhar fixo na fascinante pintura colorida.

— Obrigada. – Agradeci me referindo ao objeto na parede. Naquela época não me passou pela cabeça quanto esse presente tinha custado, mas eu podia apostar que não foi nada barato.

Ele permaneceu em silêncio. Aparentemente, o Híbrido tinha dificuldade em lidar com agradecimentos.

— Como foi a conversa com Rebekah? – Perguntei depois de alguns minutos, sem conseguir conter minha curiosidade. Klaus levou um tempo para se pronunciar.

— Mais fácil do que eu imaginei que seria. – Proferiu num tom enigmático. – Eu permiti que ela fique em New Orleans... Se assim ela desejar. – Acrescentou mais ameno.

Não pude deixar de sorrir. De alguma forma, eu sabia que eles acabariam se acertando. Apesar de todos os erros cometidos por ambos, o amor que um sentia pelo outro era incondicional.

— Não preciso nem dizer o quanto me deixa feliz ouvir isso. – Aleguei sem diminuir o sorriso. – Inclusive, quero aproveitar para te agradecer por ter poupado Davina e Josh. – Emendei num tom mais suave.

— Sabe que eu não me importo com eles. – Afirmou com uma naturalidade desconcertante. Pela primeira vez desde que ele havia chegado, virei meu rosto para olha-lo.

— Então por que...? – Não consegui concluir a frase.

— Por você. – Disse simplesmente também me encarando e fazendo meu coração falhar uma batida. – Quase tudo que eu tenho feito ultimamente é por você. – Prosseguiu olhando em meus olhos.

Retribui seu olhar ainda sem saber como reagir. Sua declaração mexeu comigo de um jeito inexplicável. Vi naquele momento a oportunidade perfeita para tirar a limpo um assunto que me incomodava há dias.

— A última vez que estive com Genevive, antes da noite passada... Ela me disse algo a seu respeito que ficou martelando na minha cabeça. – Contei recebendo como resposta uma expressão de dúvida da parte dele. – É verdade que você me enxerga como algo frágil, Klaus? Algo que precisa ser mantido atrás de um vidro para não quebrar? – Inquiri usando as palavras exatas que a bruxa tinha me dito.

Ele me analisou por alguns segundos, mas logo desviou os olhos para o chão. Sua postura denunciava o seu nervosismo. Minha pergunta o havia desarmado por completo. Seguindo o impulso que eu costumava rejeitar, esqueci a razão e deixei minhas emoções assumirem o controle dos meus atos.

— Eu não quero que me mantenha atrás de um vidro... Eu quero que você me toque. – Sussurrei reduzindo a pouca distância que existia entre nós a míseros centímetros.

Quando o olhar de Klaus encontrou o meu, meu coração só faltou saltar do peito. A intensidade com que ele me encarava era tão forte que eu senti como se uma descarga elétrica percorresse meu corpo. Por um instante, sua atenção voltou-se para minha boca e em um movimento rápido, Klaus colou nossos corpos e atacou meus lábios em um beijo afoito. Completamente dominada por aquele sentimento até então desconhecido, cedi passagem para sua língua, entrelaçando meus dedos em seu cabelo.

Klaus parecia querer me devorar naquele beijo. Sua língua explorava cada cantinho da minha boca de forma sensual e dominadora. Seu aperto em minha cintura era febril e possessivo. Eu nunca senti o que estava sentindo agora com ninguém. Enquanto eu me esforçava para acompanhar seu ritmo exigente, ele parecia satisfazer um desejo reprimido. Numa fração de segundos, tive minhas costas pressionada contra a parede. As mãos de Klaus desceram para minhas coxas dando impulso para que eu enlaçasse minhas pernas em seu quadril.

Continuei a beija-lo. Abracei seu pescoço ao mesmo tempo em que ele deslizava uma de suas mãos pela lateral do meu corpo e a outra permanecia firme em minha cintura. Quando o ar se fez necessário, interrompi o beijo para recuperar o fôlego. Klaus manteve seu rosto bem perto, tornando nossas respirações ofegantes praticamente uma só. Tendo o ali tão próximo, com um brilho nos olhos que nunca tinha visto e com os lábios levemente inchados, respirar parecia uma grande tolice. Nos fitamos por alguns instantes e de repente a expressão do Híbrido mudou. Ele parecia ter despertado de um sonho.

Klaus me colocou de volta no chão com extrema delicadeza. Ainda com a feição atordoada, ele se afastou de mim, ficando há alguns passos de distância. Antes que eu pudesse falar qualquer coisa, notei a figura de Davina parada na porta do quarto.

— Interrompi algo? – Questionou intercalando seu olhar entre mim e Klaus com desconfiança.

Sem conseguir pronunciar uma palavra sequer, assisti o Híbrido deixar o quarto completamente aturdido.

— O que será que deu nele? – Perguntou Davina ao entrar no cômodo, estranhando o modo apressado que Klaus passou por ela.

E foi naquele exato momento, enquanto eu tinha os olhos curiosos de Davina sobre mim, que a ficha caiu. Eu tinha acabado de beijar o meu melhor amigo. E para o meu desespero, eu não me arrependia nem um pouco de tê-lo feito.

Notas finais
FINALMENTE!!!! E então??? O que acharam??? PS: Sou só eu? Ou vocês também conseguem escutar um coro de Aleluia? kkkkkkkkkkk Comentem!!!!! Estou morrendo de saudades!!!! XOXOXOXOXOXOXOXO
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.