I Just Wanna Stop
10 Encontro Triplo
Notas iniciais
Pov. da Lexi
Acordei com o som do meu próprio grito. Sentei-me na cama de rompante ainda desnorteada. Meu coração estava acelerado e o suor molhava minha testa. Noite passada, ao invés de sonhar com o elegante e charmoso desconhecido de terno, tive um pesadelo assustador com Klaus.
No pesadelo, seu lindo rosto estava distorcido em algo demoníaco e desconhecido. Veias escuras sobressaíam-se abaixo dos seus olhos, que ao invés de azuis, tinham um sinistro tom de amarelo. Seu sorriso, sempre tão bonito, estava transfigurado de forma medonha por afiadas presas cobertas de sangue. E apesar de aterradora, sua aparência não foi a pior parte do pesadelo. O que me fizera acordar no estado em que me encontrava foi o momento em que ele avançou para me matar. Tudo havia sido tão real que cheguei até mesmo a sentir a pele do meu pescoço ser perfurada por suas presas.
Em uma ação involuntária, passei a mão pelo pescoço. Como era de se imaginar, não havia nada de errado. Afinal, por mais tenebroso que tivesse sido, tudo não passou de um sonho. Um terrível sonho. Balancei a cabeça em negação e me obriguei a levantar da cama. Segui diretamente para o banheiro. Precisava de uma ducha fria para me acalmar e clarear meus pensamentos. Depois de um longo banho, voltei ao quarto e escolhi uma roupa qualquer para vestir. Terminava de amarrar a fita no cabelo enquanto me dirigia à sala. Chamei por Cami, mas não houve resposta. Ela certamente já devia estar no trabalho. Peguei meu celular, minha carteira e minhas chaves, joguei na mochila e saí de casa trancando a porta.
(...)
Andei pelas ruas de New Orleans com um lugar em mente. Iria tomar café da manhã no Joe. Eu não ia lá desde o meu primeiro encontro com Steve e certamente receberia uma bronca do dono do estabelecimento por ter sumido. Cheguei ao meu destino e sorri ao avistar Steve servindo uma das mesas. Abri a porta, fazendo o pequeno sino que ficava acima da mesma tocar, anunciando minha presença. Caminhei até o balcão, cumprimentando Steve no caminho. Ao me ver, Joe abriu um imenso sorriso.
— Ora, ora... Quem é vivo sempre aparece. – Disse enquanto eu sentava em dos bancos em frente ao balcão.
— Como vai, Joe? – Perguntei sorrindo.
— Muito melhor agora. Achei que depois de roubar o coração do meu garçom favorito não a veria tão cedo. – Falou olhando em direção a Steve no outro lado da cafeteria. Tive que rir.
— Até você? Somos apenas bons amigos. – Respondi seguindo seu olhar.
— Algo me diz que por pouco tempo. – Retrucou lançando-me um sorriso cúmplice. Balancei a cabeça em negação, mas acabei sorrindo também.
— E então... Ainda tem aquela maravilhosa torta de morango e chocolate que eu adoro? Porque eu estou com água na boca só de pensar nela. – Indaguei mudando o rumo da conversa.
Eu realmente estava com fome e nada melhor do que chocolate para alegrar o dia, ainda depois de um pesadelo daqueles.
— Para você sempre tem. – Afirmou piscando um olho em minha direção.
Bati palminhas animada e abri um imenso sorriso. Joe riu da minha empolgação e chamou Steve, que não demorou nada para chegar até nós.
— Pois não? – Perguntou se referindo ao patrão.
— Quero que sirva a torta predileta da minha cliente favorita e depois aproveite e faça companhia a ela. – Falou Joe piscando mais uma vez para mim.
— Com todo prazer. – Assentiu Steve sorrindo e olhando em minha direção.
Ri um pouco e desviei meu olhar do seu, meio constrangida. Em matéria de cupido, Joe se daria super bem com Cami.
— Vou para minha mesa então. E além da torta, quero um cappuccino. Hoje quanto mais doce, melhor. – Disse pegando minha mochila e levantando.
Por sorte a mesa que eu mais gostava, na verdade eu a ocupava tanto que já chegava a considera-la minha, estava vazia. Joguei a mochila sobre a cadeira ao meu lado e me sentei próxima à vitrine. Adorava olhar o movimento e ver as pessoas passando. Já estava perdida em pensamentos quando um prato com uma generosa fatia de torta e uma xícara de bebida fumegante eram postos a minha frente na mesa. Sorri. Steve arrastou a cadeira a minha frente e sentou.
— Aqui está, madame. – Anunciou empurrando o prato e a xícara em minha direção.
— Obrigada. – Agradeci antes de começar a comer.
— Fiquei preocupado ontem. Você não me ligou e nem mandou uma mensagem dizendo que já tinha chegado em casa. – Comentou.
— Sinto muito por isso. Estava com uma dor de cabeça infernal. Tomei alguns remédios e apaguei completamente. Nem consegui esperar Cami chegar. – Justifiquei tomando um gole do cappuccino em seguida.
— Você me pareceu estranha durante o Festival. Quer dizer, depois daquele momento em que você saiu do Rosseau’s e ficou algum tempo lá fora, você voltou diferente. Um tanto confusa, talvez. – Prosseguiu dessa vez analisando-me.
Pensei na noite passada e meu agradável encontro com Klaus me veio imediatamente à cabeça, seguido pelo sonho macabro que por coincidência, ou não, também tinha sido com ele. Um estranho arrepio percorreu meu corpo.
— Não me recordo muito bem. Tudo estava maravilhoso até minha cabeça começar a doer, fora isso não houve nada de diferente. – Menti. Klaus e meus enigmáticos sonhos não eram assuntos para eu dividir com Steve.
— Se você diz... – Deu de ombros. Agradeci mentalmente por isso. – Eu andei pensando... Você vai estar livre amanhã à noite? – Inquiriu parecendo nervoso.
— Estou. Por quê? – Falei já curiosa.
— Eu... Bem, eu queria convidá-la para sair amanhã. Podíamos marcar algo mais tranquilo dessa vez, como um jantar... Isso é claro se não tiver nenhum problema para você. – Explicou aparentemente constrangido. Segurei-me para não rir. Cada vez mais eu me surpreendia com ele.
— Eu adoraria. – Foi a única coisa que eu disse antes de receber um imenso sorriso de Steve e voltar a saborear minha deliciosa torta de chocolate.
(...)
Depois de sair do Joe, fui dar uma volta pela cidade. Havia tantas coisas em que pensar. Andei a esmo pelas ruas parando em uma pequena praça. Sentei em um dos bancos e coloquei minha mochila sobre a mesa, a abrindo logo em seguida. Peguei meu caderno de desenho e tirei as folhas soltas de dentro dele. Comecei a rabiscar e antes que me desse conta, estava desenhando Klaus. Mas não o Klaus que eu conhecia. O rosto que ganhava forma no papel era o mesmo que tinha assombrado meu pesadelo na noite anterior.
Já estava finalizando os últimos detalhes do desenho quando uma forte brisa espalhou meus papéis, os fazendo voarem e com eles alguns dos meus desenhos, inclusive os do charmoso misterioso de terno. Levantei-me desesperada e corri para tentar recuperá-los. Para minha sorte, ficaram todos espalhados pelo chão. Abaixei para pegar os papéis e vi outra pessoa fazer o mesmo.
— Obrigada. – Agradeci ao desconhecido enquanto terminava de recolher os desenhos.
Ergui os olhos minimamente e tudo que consegui ver foi alguém vestido em um elegante terno. Prendi a respiração por um instante, mas logo me obriguei a relaxar. Esses sonhos malucos estavam me deixando paranoica. Peguei o último papel e fiquei de pé sendo acompanhada pelo estranho.
— Muito obrigada. Não imagina o quanto me custaria perder esses desenhos. – Agradeci com a visão embaçada pelo cabelo, que tinha ido parar em meu rosto graças ao vento.
— Não se preocupe. Eu não fiz nada que qualquer outra pessoa não fizesse. – Uma voz máscula e sensual respondeu em tom gentil.
Sorri, transferindo os papéis para uma única mão, tirando finalmente o cabelo do rosto para enxergar o meu salvador. Senti o sangue gelar em minhas veias ao ver outro dos meus sonhos em carne e osso bem a minha frente. O susto foi tamanho que quase soltei as folhas novamente.
— Você está bem? Ficou pálida de repente. – Perguntou aparentando preocupação. Esforcei-me ao máximo para obrigar minha voz a sair.
— S-sim... E-eu só... – Gaguejei sem sequer conseguir terminar a frase.
— Tem certeza de que está tudo bem? – Insistiu.
O charmoso estranho de terno continuava a me encarar. Sua expressão dividida entre preocupação e desconfiança.
— Sim, sim. Eu estou ótima... – Menti novamente, mas interrompi minha resposta ao ver que ele ainda segurava alguns dos meus desenhos. E o pior de tudo, ele segurava um dos desenhos que eu havia feito dele.
Senti meu coração acelerar de forma descompassada dentro do peito. Qual a possibilidade de um raio cair duas vezes no mesmo lugar? Questionei mentalmente, lembrando-me de como havia conhecido Klaus.
— Mais uma vez obrigada. – Falei praticamente arrancando os papéis da mão do desconhecido.
— Não por isso. – Disse olhando-me com estranheza. Certamente ele estava achando que eu era louca.
O charmoso de terno me encarou brevemente antes de me dar as costas e começar a se afastar. Um nervosismo ainda maior tomou conta de mim. Não podia deixa-lo ir sem ao menos descobrir seu nome.
— Hey! – Gritei o fazendo virar em minha direção. Ele já estava há alguns passos de distância. – Desculpe-me, mas acabei de lembrar que também estou indo para esse mesmo lado. Importa-se se eu te acompanhar? – Perguntei na maior cara de pau.
O desconhecido me analisou por um tempo, mas depois deu de ombros. Voltei onde tinha deixado minhas coisas e joguei tudo na mochila de qualquer jeito, apressando o passo para alcança-lo.
— Você deve estar achando que eu sou maluca, mas, apesar de me comportar como uma às vezes, eu juro que sou normal. – Pelo menos nesse sentido. Concluí internamente. – E a propósito, meu nome é Lexi. Quer dizer, Alexandra. Porém prefiro que me chamem pelo apelido. – Tagarelei recebendo um meio sorriso como resposta.
— Me chamo Elijah. – Apresentou-se.
— Nome diferente, porém bonito. – Pensei alto. Elijah sorriu novamente.
Andávamos lado a lado e vez ou outra eu o olhava de relance. Em uma dessas espiadelas, vi que ele também me encarava.
— Desculpe minha indelicadeza, mas já nos conhecemos? Tive a impressão de que você ficou... Surpresa ao me ver. – Observou. Engoli em seco.
— Foi impressão sua. Não me recordo de tê-lo visto antes. – Respondi. A não ser nos meus sonhos. Completei mentalmente. Elijah franziu o cenho. Ele parecia em dúvida entre acreditar em mim ou não.
— Você é daqui mesmo de New Orleans? – Procurou saber.
— Não. Me mudei para cá há pouco tempo. E você? – Devolvi a pergunta, aproveitando para tentar descobrir mais sobre ele.
— Também estou aqui há pouco tempo. Vim resolver assuntos de família. – Disse em um tom diferente.
Virei meu rosto para olhá-lo e acabei pisando em falso. Quase cai, no entanto Elijah foi mais rápido e segurou meu braço de forma firme.
— Está tudo bem? – Questionou ainda bem próximo. Seu rosto há poucos centímetros do meu.
Por um segundo me senti a pessoa mais sortuda do mundo. Quem mais sonhava com homens extremamente bonitos e misteriosos e tinha a sorte de vê-los se materializar dessa maneira em sua vida? Até onde eu sabia, eu era a única. Acabei levando mais tempo do que o necessário para responder.
— Estou. – Falei encarando seus lindos olhos castanhos. Elijah retribuiu meu olhar, mas logo soltou meu braço, afastando-se de mim. Caminhamos mais alguns minutos em silêncio. Já estávamos em frente à esquina da Bourbon Street.
— Creio que nos despedimos aqui. – Informou Elijah parando na calçada. Fiz o mesmo.
— Foi um prazer conhecê-lo e desculpe qualquer coisa. – Afirmei sincera.
— O prazer foi meu, Lexi. Até outro dia, quem sabe. – Despediu-se seguindo pela rua principal.
O observei partir e depois segui na direção oposta. Só havia um lugar para o qual eu queria ir no momento. Minha casa.
(...)
Larguei minha mochila em um canto qualquer do quarto e me deixei cair sobre a cama. Meus pensamentos a mil por hora. Eu tinha conhecido o charmoso estranho de terno e pelo menos já sabia seu nome. Elijah... Sorri ao me lembrar dele. Havíamos ficado pouquíssimo tempo juntos, mas eu já simpatizava, e muito, com ele. Elijah passava uma serenidade e uma confiança impressionantes, embora no fundo dos seus lindos olhos castanhos houvesse muitos mistérios.
Essa era uma coisa que ele tinha em comum com Klaus. Ambos pareciam deixar apenas uma pequena parte de si exposta na superfície enquanto escondiam todo o resto no mais profundo abismo. Um bom observador percebia isso nitidamente em seus olhos. E ao pensar em Klaus, o pesadelo também me veio à cabeça. Senti um estranho aperto no peito ao me recordar desse assunto.
Peguei o celular em meio aos travesseiros e abri a lista telefônica. Minha vontade era ligar para Klaus, mas me contive. Não queria aborrece-lo. Afinal ele com certeza devia ter coisas muito mais importantes para fazer do que dar atenção a uma adolescente desocupada feito eu. Fiquei remoendo se ligava ou não, até a sensação estranha em meu peito vencer a vergonha. Disquei o número dele e esperei chamar. Depois de cinco toques a ligação caiu na caixa postal. Acabei agradecendo a Deus por isso.
— Klaus, sou eu... Lexi. Só liguei para saber como você estava. Gostei muito de ontem. Se estiver livre, podíamos nos encontrar mais tarde. Quando puder... Me liga. – Encerrei a mensagem e desliguei a chamada. Me sentia um tanto ridícula, mas algo me dizia que eu precisava encontra-lo ainda hoje.
Levantei da cama e tirei a blusa e o sapato que eu usava, ficando apenas de sutiã e short. Fui para a sala e liguei o rádio bem alto. Como dizia minha falecida mãe, nada melhor do que uma boa faxina para ocupar a mente. Prendi o cabelo em um coque e comecei a limpar a casa. Estava sozinha mesmo, então não precisava me preocupar com a forma que estava vestida. Comecei a dançar ao som de Hot N’ Cold da Katy Perry enquanto varria a casa. Desnecessário dizer que a cena era no mínimo cômica.
Depois de deixar a casa brilhando, abaixei um pouco o volume do rádio e fui tomar banho. Voltei ao quarto com o cabelo completamente molhado. A primeira coisa que fiz foi pegar o celular. Vi que tinha recebido uma mensagem e fiquei mais do que aliviada ao descobrir que era de Klaus.
Como vai, sweetie? Recebi sua mensagem e infelizmente não tenho como te ligar agora. Estou ocupado cuidando de alguns assuntos. Também apreciei muito a noite de ontem e se quiser repetir a dose, fique à vontade para me encontrar na esquina da Toulouse Street às 21:00 p.m.
Atenciosamente, Klaus.
Senti um arrepio percorrer meu corpo após terminar de ler a mensagem.
Por mais irracional que pudesse parecer, eu estava com medo de encara-lo depois daquele pesadelo horrível. Sem falar que algo dentro de mim me dizia que esse encontro mudaria completamente minha relação com ele, se é que podíamos chamar o que tínhamos de relação. Por outro lado, uma intuição ainda mais forte me dava forças para ir ao encontro de Klaus. Algo aconteceria essa noite e apesar dos possíveis riscos, eu estava disposta a descobrir o que era.
Encontro confirmado. Até mais.
Lexi.
Enviei a resposta e em seguida joguei o celular na cama, indo até o guarda roupa procurar o que vestir. Ainda faltava um bom tempo até chegar a hora do tão aguardado encontro.
(...)
Cheguei a Toulouse Street na hora marcada. New Orleans durante a noite, pelo menos nas principais ruas e avenidas, conseguia ser ainda mais animada do que durante o dia. Deixei um bilhete para Cami, para não preocupa-la quando chegasse do trabalho e não me encontrasse em casa.
Os minutos foram passando e nada de Klaus aparecer. Comecei a andar de um lado para o outro, tomada pela impaciência. Fiquei o tempo todo com o celular em mãos e depois de uma hora de atraso, ainda não havia nenhum sinal de vida da parte dele. Decidi aguardar mais um pouco. Provavelmente ele devia ter tido algum imprevisto.
Duas horas mais tarde, cansei de esperar e segui a passos curtos pela rua. Embora estivesse decepcionada por ter levado um cano e com a falta de consideração de Klaus em me avisar que não poderia mais vir, não pude deixar de me preocupar pensando no que poderia ter acontecido com ele.
Dobrei em uma esquina pouco movimentada e levemente familiar. Apesar de ter estado ali apenas uma vez e de carro, reconheci o caminho que levava ao casarão de Marcel. Segui em frente, esforçando-me para lembrar com mais clareza do lugar. Já que estava ali mesmo, não me custava nada fazer uma visita a Davina. E como Marcel era seu tutor, ela certamente morava com ele. Algumas ruas depois, me vi em frente ao mesmo lugar em que havia ocorrido a Masquerade Gala.
Diferentemente da última vez que estive ali, estava tudo muito quieto e vazio. O casarão parecia até desabitado. Me arrependi de ter ido ali, afinal tinha feito a viagem em vão. Adentrei o corredor que levava ao portão. Fui seguindo com passos silenciosos. Já estava pensando em voltar quando ouvi vozes.
— Uma lei da natureza que não muda, Marcel, é que o forte sempre rouba do fraco. — Escutei alguém dizer.
Paralisei completamente ao reconhecer essa voz. Ela pertencia a Klaus. Instigada pela curiosidade, continuei seguindo pelo corredor. Notei que o portão estava aberto e ainda indecisa se devia prosseguir ou não, entrei.
— Se fosse tão forte não fugiria de New Orleans como uma menininha todos aqueles anos atrás. – Outra voz, que eu reconheci como sendo de Marcel, respondeu.
O pátio estava escuro. Avistei Marcel, de costas para mim, parado mais a frente, olhando para um ponto acima dele. Segui seu olhar e vi Klaus em pé no parapeito da varanda. Arregalei ainda mais os olhos ao vê-lo pular de onde estava e acertar Marcel com um soco que o jogou longe.
— Está brincando de rei com essas crianças por muito tempo. – Disse Klaus encarando Marcel, que se recuperou rápido do golpe, ficando de pé. – Não me confunda com um de seus aduladores, Marcel. Posso pegar Davina quando eu quiser. – Completou aproximando-se do moreno.
Marcel avançou nele de forma incrivelmente rápida, mas acabou indo ao chão atingido por algo que eu sequer consegui ver.
— Mas o quê... – Arquejou Marcel, caído no chão.
Contrariando tudo que eu achava ser possível, Elijah aparentemente se materializou ao lado dele.
— Perdoe-me, Marcel. Se alguém vai ensinar uma lição ao meu irmão... Serei eu. – Informou virando-se para Klaus.
Nesse momento, me dei conta do que tinha acertado Marcel. Fora Elijah. Minha cabeça estava a mil por hora e não consegui evitar que um sussurro chocado escapasse da minha boca.
— Irmão? – Indaguei sem acreditar em tudo o que tinha visto e ouvido até agora. Minha fala pareceu chamar a atenção dos três e instantaneamente lamentei por ter aberto a matraca.
— Lexi?! – Exclamaram em uníssono, encarando-me tão surpresos quanto eu. Permaneci calada exibindo a melhor cara de paisagem que eu possuía.
— Vocês a conhecem? – Perguntaram Elijah e Marcel ao mesmo tempo.
— De onde a conhece, Elijah? – Retorquiu Klaus.
Enquanto os três se encaravam, obriguei-me a sair do torpor e tentar dar o fora de fininho, porém tive meus planos frustrados por Klaus.
— Isso não vem ao caso agora. A questão é: O que faz aqui, Alexandra? E como sabia onde me encontrar? – Inquiriu Klaus aproximando-se de forma perigosa.
Engoli em seco ao me dar conta de que talvez meu pesadelo não tivesse sido apenas um simples sonho. Recuei alguns passos sob o olhar feroz dele.
— Algo me diz que você não foi sincera comigo esse tempo todo, sweetie. – Disse de forma ameaçadora.
De modo geral, eu não era de usar palavras de baixo calão, mas diante dessa situação só me veio uma expressão a mente.
Puta merda!

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