Notas iniciais
Hello, my dears! Antes mais nada, queria me desculpar pela demora. Por mais que eu tente, eu nunca consigo cumprir o prazo estabelecido por mim mesma :/ Mas... Enfim! Tenho um comunicado importante para fazer. Esse capítulo, infelizmente, será o último do ano. Eu irei viajar e o lugar pra onde eu vou não tem internet T.T e eu também não tenho certeza de quando eu irei voltar, então... Considerem esse capítulo enorme o meu presente de Natal e uma pequena compensação pela demora ^-^ Agradeço imensamente pelos comentários maravilhosos de vocês! Agora... Sem mais delongas... Good read!

Pov. da Lexi

Depois da minha “estranha conversa” com Elijah, achei melhor voltar para casa. Os encontros com os irmãos Mikaelson já tinham preenchido minha cota de confusão e fortes emoções do dia. Para minha sorte, Cami estava trabalhando então pude me trancar em meu quarto e refletir sobre o que tinha acontecido. Elijah e Klaus eram como os dois lados de uma mesma moeda. Tão diferentes e ainda sim tão parecidos...

Por um lado estava indignada com a cara de pau do Híbrido. Mas, por outro lado, também estava surpresa com sua atitude de me procurar e tentar fazer as pazes, ainda que do seu jeito torto e completamente revoltante. Entretanto, isso estava longe de ser o suficiente. Afinal, ele me usou, usou Cami, que é o mais próximo que eu tenho de uma família, tentou matar Davina e foi o responsável pela morte Tim. Sem falar que por causa dele, Josh estava foragido. Não seria uma fatia torta ou um dos seus sorrisos irresistíveis que me faria perdoa-lo.

Quanto a Elijah, estava confusa com sua aproximação repentina. Sua preocupação comigo, embora inesperada, aparentava ser verdadeira. Mas, apesar de sentir uma grande empatia por ele, não estava certa de que me envolver ainda mais com outro Original, com exceção de Rebekah, fosse uma boa ideia. Não queria ficar entre Klaus e ele, e muito menos que o nobre Elijah agisse como uma espécie de ponte para tentar me reconciliar com seu irmão. Até porque, depois do que eu fiz hoje, tinha certeza de que a última coisa que Klaus iria querer era reatar nossa “amizade”.

Quando anoiteceu, Cami finalmente chegou do trabalho. Acabei não contando a ela sobre Klaus e Elijah. Achei melhor não preocupa-la com isso. Jantamos juntas e eu menti, inventando uma história qualquer quando ela me perguntou sobre como havia sido meu dia.

Antes de dormir, vi que tinha recebido várias ligações de Steve. Achei melhor não retornar, queria conversar com ele pessoalmente. Ao invés de ligar de volta, mandei uma mensagem marcando um encontro amanhã. Por mais que não pudesse lhe contar tudo, tentaria pelo menos lhe explicar algumas coisas, somente as mais inofensivas obviamente. Até porque, eu sabia melhor do que ninguém o quanto podia ser nocivo se envolver com o sobrenatural.

xXXx

Acordei de supetão, sentando na cama ainda com a respiração descompassada. Havia tido um pesadelo horrível e dessa vez não tinha nada a ver com Klaus. Tinha a ver com Davina. Algo muito ruim estava para acontecer e eu não fazia a menor ideia do que seria. Passei a mão pelo cabelo, tentando me acalmar. Era em momentos como esse que eu me amaldiçoava por ter “dons” tão imprecisos.

Antes que o desespero tomasse conta de mim, levantei com intenção de pegar um copo de água na cozinha, porém assim que coloquei os pés no chão, um tremor sacudiu a casa. Completamente assustada, corri para fora do quarto procurando por Cami. Para o meu desespero, ela já tinha saído.

Sem saber o que fazer e tendo a certeza de que esse... Terremoto tinha a ver com o meu pressentimento, voltei para o meu quarto. Pensei que um banho frio me faria pensar com mais clareza, no entanto isso não me ajudou muito. Sentindo um aperto cada vez maior no peito, comecei a me arrumar. Pretendia entregar a pulseira a Steve ainda hoje. Assim que terminei de vestir a blusa, ouvi meu celular tocar. O peguei em cima da cama e me surpreendi ao ver um número desconhecido. Ainda desconfiada, atendi a ligação.

— Alô? – Pronunciei instantaneamente.

— Lexi, sou eu. Elijah. Peguei seu número com Rebekah, espero que não se importe. – A voz conhecida do outro lado da linha se identificou.

— Elijah? Aconteceu alguma coisa? – Indaguei sem conseguir conter a surpresa. Ele era a última pessoa do mundo que eu esperava me ligar.

— Infelizmente sim. Preciso de você aqui no casarão... É sobre Davina. – Respondeu me fazendo prender a respiração. Imediatamente lembrei-me do meu pesadelo da noite anterior.

— Estou indo para aí. – Informei encerrando a ligação.

Salvei o número de Elijah rapidamente na minha lista de contatos e sentei apressada na cama, calçando os sapatos. Enquanto o fazia, um vento absurdamente forte entrou pela janela aberta derrubando meus desenhos que estavam espalhados sobre a escrivaninha. Surpreendida, olhei em direção à janela no exato momento em que outra rajada de vento dispersou ainda mais os papéis pelo cômodo.

Tomando aquilo como um mau presságio, terminei de calçar os sapatos e me coloquei de pé, fechando a janela em seguida. Peguei uma jaqueta dentro do guarda roupa e o celular em cima da cama, saindo apressada. A cada segundo que se passava eu tinha mais certeza de que coisas terríveis estavam para acontecer.

(...)

Segui para o casarão o mais rápido que pude. O caminho até lá não foi nada tranquilo. Além do imenso aperto dentro do peito que eu estava sentindo, algo sobrenatural e sombrio parecia envolver a cidade. O vento havia dado uma trégua, mas ainda sim estava forte o suficiente para zunir ameaçador enquanto varria as ruas.

Quando cheguei ao casarão não foi surpresa encontrar Elijah na companhia de Marcel e Klaus, porém o que me surpreendeu foi o cenário de destruição em que se encontrava o pátio. Parecia que um pequeno furacão havia passado por ali.

— O que houve aqui? Onde está Davina? – Perguntei anunciando minha presença. Os três, que para variar pareciam estar no meio uma discussão, viraram-se para mim.

— Lexi? – Klaus foi o primeiro a se pronunciar. Ele aparentemente não esperava me ver. – O que faz aqui? – Emendou ainda com a expressão confusa. O ignorei, caminhando até eles e me dirigindo diretamente aos outros dois.

— Marcel. Elijah. – Os cumprimentei rapidamente com um aceno de cabeça enquanto eles me encaravam. – Qual é o problema? – Perguntei a Elijah.

— Davina está doente. – Respondeu ele me fazendo prender a respiração.

— Doente? – Repeti espantada. – O que ela tem? – Inquiri sentindo meu coração acelerar de aflição.

— Ao que parece sua magia a está matando. Davina tem mais poder do que pode controlar. – Explicou-me ele.

— E o que... O que podemos fazer para ajuda-la? – Procurei saber com a voz trêmula.

— Nada. O terremoto de mais cedo, a ventania, tudo isso é apenas o começo. A única coisa que nos resta fazer é permitir que as bruxas terminem a Colheita. – Intrometeu-se Klaus. Mesmo contra a vontade, olhei para ele.

— Colheita? O que isso significa? – Questionei já tendo ciência de que não gostaria nem um pouco da resposta.

— Significa que temos que sacrificar Davina. – Anunciou Elijah.

Arregalei os olhos, me sentindo paralisada por alguns segundos. Assim que processei a informação, mudei minha postura.

— O quê?! Não. De jeito nenhum! Não podem fazer isso! – Protestei indignada.

— Não temos escolha. Davina está há meses com o poder de outras três garotas sacrificadas na Colheita. Segundo Sophie, esse poder deveria fluir através dela e voltar para a terra. Agora todo esse poder quer chegar até seu destino e nos levará para baixo junto com ele. – Explanou Elijah. Balancei a cabeça em negação. Eu simplesmente não podia acreditar no que estava ouvindo.

— Sophie não é confiável e vocês sabem disso. – Rebateu Marcel, falando pela primeira vez.

— Marcel, todos esses fenômenos não são mera coincidência. A Colheita não pode ser impedida. Se uma pessoa como Sophie Deveraux acredita que as garotas irão ressuscitar, então eu também acredito. – Elijah debateu. Encarei os dois em confusão. Nada mais fazia sentido.

— O quê...? Eu não estou entendendo mais nada! Afinal de contas, por que me chamou aqui, Elijah? Não creio que tenha imaginado que eu participaria de uma loucura dessas. – Falei atraindo a atenção dele.

— Então foi você que a chamou? – Inquiriu Klaus olhando do irmão para mim com uma expressão inteligível. Elijah o ignorou.

— Eu pensei que você podia nos ser útil ajudando a acalmar Davina. Ela está sedada no momento, mas logo irá acordar. – Esclareceu ele dirigindo-se diretamente a mim. Retribuí seu olhar ainda em dúvida.

— O que quer que eu faça? Convença ela a se matar em prol da cidade? – Ironizei já perdendo a paciência. Antes que Elijah pudesse responder, Marcel se dirigiu a Klaus.

— Salvei Davina da Colheita e agora quer que eu a entregue? – Perguntou no mesmo tom que eu.

— Acha que eu estou feliz com isso? Se a bruxas completarem a Colheita, elas não ganharão apenas poder, perdemos de usar Davina contra elas. – Retorquiu Klaus fazendo Marcel bufar inconformado. – Pensei que o terremoto fosse só uma terrível coincidência, mas essas ventanias? Se Davina não for sacrificada, cada terra que rachar, tudo o que está acontecendo agora será consumido por água e fogo. – Completou sério.

— Agora você se importa com a cidade. – Debochou Marcel indignado.

— Devemos nos importar. Nós a construímos. – Interveio Elijah, que assim como eu, assistia a discussão de braços cruzados.

— E também a vimos ser consumida pelo fogo, duas vezes. Não deixarei isso acontecer novamente. Fui claro? – Finalizou Klaus encerrando a conversa. Depois de encará-lo por um tempo, Marcel assentiu a contragosto.

— Foi. – Disse simplesmente, saindo em seguida.

Fitei Klaus com desprezo. A única coisa que parecia importar para ele era o poder e essa maldita cidade. Percebendo meu olhar sobre si, ele também me encarou, porém nosso contato visual não durou muito tempo. Dei as costas a ele e Elijah, seguindo Marcel.

— Espere. Eu quero ver Davina. Poderia me levar até ela? – Pedi assim que o alcancei.

— Claro. – Respondeu ele com um sorriso gentil, guiando-me pelo casarão.

Depois de subir para o segundo andar e percorrer alguns corredores, Marcel parou em frente a uma porta dando passagem para que eu entrasse primeiro. Havia um casal de guarda e eu não tinha dúvidas de que eram vampiros. Eles tentaram me barrar, porém Marcel os dispensou com uma ordem.

Adentrei o cômodo, me deparando com uma Davina desacordada, de aparência frágil e esgotada sobre a cama. Havia uma intravenosa em seu braço e um soro próximo a ela. Senti vontade de chorar somente por vê-la naquele estado. Aproximei-me da cama, a passos lentos, parando a seu lado e tocando seu cabelo.

— Não posso deixar que a machuquem. – Murmurei tão baixo que imaginei que ninguém tivesse ouvido, mas Marcel escutou.

— Eu também não. – Sussurrou de volta indo até Davina com a intenção de segurar seu braço. O casal de vampiros avançou um passo.

— Klaus pediu para não tocá-la. – Advertiu o homem.

— Já cansei de ouvir o que ele tem a dizer. – Retrucou Marcel retirando a intravenosa.

Os vampiros lançaram-se em nossa direção, porém Marcel foi mais rápido e os nocauteou antes que fizessem alguma coisa.

— Precisamos tirá-la daqui. – Disse ele voltando para perto de mim em sua velocidade vampírica.

— Meu carro está lá fora. Posso leva-los onde quiser. – Me prontifiquei ainda me recuperando do choque causado pela cena de ação ocorrida há pouco.

— Ótimo! Eu sei de um lugar onde podemos mantê-la em segurança até tudo isso acabar. – Contou pegando Davina no colo.

— Tudo bem. Eu vou na frente para te dar cobertura. – Concordei passando por ele e refazendo de forma cautelosa o caminho que tínhamos percorrido anteriormente.

— Pode ir. O pátio está vazio. – Informou-me Marcel. O obedeci.

Assim que nos vimos fora do casarão, indiquei meu carro estacionado do outro lado da rua, correndo até ele para abrir as portas. Depois de acomodarmos Davina no banco de trás, ocupei o lugar de motorista enquanto Marcel sentava ao meu lado.

— E então? Para onde vamos? – Indaguei dando partida no veículo.

— Para as docas. – Disse ele olhando de Davina para mim. Retribuí ao seu olhar, pisando no acelerador logo em seguida.

Que se dane! Pensei com rebeldia, indo cada vez mais rápido. Minha missão de hoje era salvar Davina e eu não daria o dia por encerrado sem concluí-la.

(...)

Assim que chegamos ao nosso destino, uma forte tempestade começou a desaguar do lado de fora do armazém. Raios cortavam o céu de forma ameaçadora ao mesmo passo em que a água da chuva inundava tudo. Marcel andava de um lado para o outro enquanto eu observava Davina, ainda adormecida, sentada no chão, encostada na parede com os joelhos próximos ao peito.

Alguns minutos depois, Davina finalmente acordou. Assustada e sem reconhecer o ambiente a sua volta, assim que seus olhos encontraram os de Marcel, ela sentou-se em sua cama improvisada, erguendo sua mão e lançando o vampiro longe.

— Eu não vou te machucar. – Garantiu Marcel erguendo as mãos em sinal de paz após se recuperar.

— Eu não acredito em você! Você quer me matar assim como os outros. – Acusou Davina.

— Eu forjei um feitiço de proteção em você. Por isso Tim morreu e você não. Antes de me arremessar de novo, saiba que se eu soubesse o que iria acontecer, eu também o teria protegido. – Marcel afirmou.

— Ele está sendo sincero. – Confirmei fazendo com que ela me notasse.

— Lexi? – Disse confusa olhando em minha direção.

— Eu ajudei Marcel a tirá-la do casarão. – Expliquei me aproximando. – Você está segura agora, nós iremos protegê-la. – Assegurei parando a sua frente.

Davina me encarou por alguns segundos antes de jogar seus braços ao meu redor. Retribuí seu abraço com força. O aperto em meu peito voltando a me sufocar. Nós duas estávamos com medo. A diferença era que Davina temia por sua vida e eu temia não conseguir salvá-la.

— Eu preciso ir. – Falei me afastando dela contra minha vontade.

— Ir? Para onde? – Questionou-me com seus olhos azuis repleto de lágrimas.

— Eu tenho que voltar. Irei despistá-los para que possamos ganhar mais tempo. – Esclareci ficando de pé, porém Davina segurou minha mão.

— Não! Por favor! Eu não quero que vá embora! – Implorou fazendo meu coração se comprimir ainda mais em meu peito.

— Confie em mim. Assim que tudo estiver bem, eu prometo que eu volto para ficar com você. – Jurei olhando em seus olhos. Davina ainda não parecia disposta a ceder. Troquei um olhar com Marcel, buscando sua ajuda.

— Davina, a Lexi precisa ir... Mas ela vai voltar. – Argumentou ele tentando convencê-la. Depois de mais alguns instantes, Davina soltou minha mão.

— Tudo bem. Mas tenha cuidado... E volte logo. – Pediu me encarando.

— Não se preocupe comigo. Vai ficar tudo bem. – Asseverei tanto para ela quanto para mim mesma.

— Qualquer coisa, basta me ligar. – Instruí Marcel, que assentiu com a cabeça. Havíamos trocado nossos números ainda no carro.

Coloquei o capuz da jaqueta, lançando um último olhar a Davina e Marcel antes de sair para a tempestade. Agora começava a parte difícil do plano: enfrentar os Originais.

(...)

Tirei o capuz da cabeça assim que entrei no pátio. Por muito pouco não tinha ficado toda encharcada no trajeto até ali. Respirei fundo uma última vez, procurando me acalmar para o que estava prestes a fazer. No entanto, não tive tempo suficiente para isso. Antes que eu pudesse piscar, um Híbrido aparentemente furioso avançava em minha direção a passos rápidos.

— Aí está ela! Onde você estava? – Inquiriu parando em minha frente, há centímetros de distância.

— Eu saí para tomar um ar, não que isso seja da sua conta. Depois de tudo o que houve... E ver Davina... Eu precisava sair daqui. Só revolvi voltar depois que começou a tempestade. Achei que isso significava que ela estava piorando. – Menti descaradamente afastando-me dele.

— Davina não está aqui. Marcel a levou. – Informou Elijah chamando minha atenção para sua presença.

— O quê?! – Indaguei tomando o cuidado de parecer realmente chocada com a notícia.

— Você por acaso não sabe onde ela está? – Perguntou Elijah me testando.

— É claro que não! Eu acabei de chegar! Não faço a menor ideia de onde eles estejam. – Garanti soando bastante convincente.

— Está mentindo. Tenho certeza de foi cúmplice de Marcel nisso. Não acha que é coincidência demais os dois terem desaparecido logo após sua visita a bruxinha? – Questionou Klaus com ironia. O encarei.

— Eu não sei onde eles estão. E mesmo que soubesse, eu não diria. – Afirmei o provocando.

— Você não teria escolha. – Ele assegurou entredentes, aproximando-se novamente de mim de forma ameaçadora.

— É mesmo? Eu tomo verbena agora, então não pode mais me hipnotizar. – Debochei sem me deixar intimidar.

— Existem outros meios de se conseguir respostas, sweetie. – Retrucou zombeteiro.

— E qual seria? Tortura? – Indaguei cruzando os braços e encurtando ainda mais a distância entre nós, em um claro sinal de desafio.

Klaus sustentou meu olhar, encarando-me de volta com uma expressão inflamada. Ele parecia prestes a me atacar, porém antes que tomasse alguma atitude, Elijah interveio puxando-me para ele.

— Contenha-se, Niklaus. – Advertiu fitando o irmão com seriedade. Klaus intercalou seu olhar entre mim e Elijah, mantendo sua postura tensa e recuando alguns passos de forma lenta. — Por hora vamos esquecer o desaparecimento de Davina e nos concentrar no outro problema. Ainda precisamos de uma bruxa poderosa para Sophie canalizar. Não adiantará nada acharmos Davina se não tivermos como realizar o ritual. – Argumentou Elijah andando em direção ao centro do pátio.

Permaneci parada onde estava, aproveitando essa deixa para tentar cair fora.

— Pelo visto não há mais nada que eu possa fazer aqui. Eu acho melhor ir embora. – Falei já me virando em direção à saída.

— Você não vai a lugar nenhum. Não até descobrirmos onde está Davina. – Objetou Klaus interceptando meu caminho.

— Não sou sua prisioneira. – Rebati pronta para desviar dele.

— Obviamente que não. Todavia, não creio que seja prudente estar na rua agora. – Interferiu Elijah referindo-se a forte tempestade.

— Tem razão. – Assenti. Talvez fosse melhor tentar enrolá-los por mais tempo. – É realmente uma pena que educação não seja algo de família. – Comentei com desdém, olhando atravessado para Klaus e seguindo até Elijah.

O Híbrido pareceu se doer com a indireta, pois sumiu de nossas vistas em um piscar de olhos. Elijah me encarou por alguns segundos.

— Você realmente não tem noção de perigo, não é? – Questionou. Dei de ombros como resposta o fazendo balançar a cabeça em negação e abrir um sorriso torto logo em seguida. – Vamos. Ainda tenho que convencer meus irmãos a fazer algo que eu tenho certeza que não irão gostar. – Emendou apontando a escada.

Subimos para o segundo andar e eu segui o Original até um cômodo que aparentava ser uma sala de estar. Para minha surpresa, Klaus e Rebekah já se encontravam lá.

— Lexi... É bom finalmente revê-la pessoalmente. – Cumprimentou-me Rebekah.

— Eu posso dizer o mesmo. – Respondi sorrindo para ela.

— Aconselho que se acomode, honey. Essas reuniões familiares costumam demorar. – Alertou exibindo um dos seus típicos sorrisos.

Acatei seu conselho, sentando-me ao seu lado no sofá. Apesar de tudo estar dando relativamente certo, algo me dizia que essa noite ainda terminaria em tragédia.

(...)

Depois de uma longa conversa, os Mikaelson resolveram usar a própria mãe para terminar o ritual da Colheita. Pelo que eu havia entendido, a mãe deles era uma bruxa muito poderosa e era exatamente disso que eles precisavam. Quando fiquei a sós com Rebekah, ela me explicou rapidamente como funcionava o maldito ritual da Colheita. Segundo ela, Davina e as outras garotas que haviam participado, ressuscitariam se o ritual fosse feito corretamente. Ao saber dessa informação, senti uma ponta de esperança. Entretanto preferia não confiar a vida da minha amiga a isso, embora a chuva e a tempestade só piorassem a cada segundo.

Rebekah ainda tentou me convencer a contar o paradeiro de Davina, porém me recusei. Eu não quebraria minha palavra. Me mantive com os Originais até mesmo no sombrio e macabro enterro da mãe deles. Hayley e padre Kieran também estavam presentes. Hayley por ser uma peça fundamental e o padre Kieran por ser necessário na realização do evento fúnebre. Ele ficou bastante surpreso ao me ver, porém não tivemos tempo para discutirmos o assunto.

Após o sepultamento, segui com eles até o cemitério. O padre Kieran não nos acompanhou. Mantive-me próxima a Hayley e Rebekah, fora do guarda-chuva de ambas. Mesmo com o capuz, meu cabelo já pingava. Elijah estava em cima de uma das lápides, também com um guarda-chuva, enquanto Klaus, assim como eu, usava somente o capuz de sua jaqueta como proteção, parado próximo a mim.

Observei Sophie, há alguns metros de distância, também debaixo da chuva. A frente dela estavam os corpos de três garotas vestidas de branco sobre um pedestal. Somente de olhar para elas, sentia meu estômago revirar. Tinha insistido em estar presente naquele momento somente para me certificar de que daria tudo certo. Ainda tinha esperanças de que Davina não aparecesse. Eu preferia ignorar o fato de que toda a cidade seria destruída a encarar a ideia de vê-la morrer.

De repente chamas começaram a se alastrar pelo chão. Foi impossível não me impressionar diante da cena. A chuva ainda continuava a cair, entretanto o fogo parecia inume a água.

— Fogo. – Murmurou Sophie referindo-se ao último estágio do ciclo. Inconscientemente, me aproximei mais de Hayley e Rebekah.

Senti meu coração falhar uma batida ao ver Marcel caminhando em nossa direção com Davina no colo. Dei um passo à frente, porém alguém segurou meu braço, mantendo-me no lugar. Me surpreendi ao notar que era Klaus. Sem dizer uma palavra, voltei meus olhos para a cena diante de mim.

Marcel pousou Davina sobre o pedestal e ela andou até o centro, esperando por Sophie enquanto a mesma colocava a lâmina da faca que segurava sobre o fogo de um dos archotes que se encontravam ao redor do pedestal. Após terminar, ela se colocou a frente de Davina.

— Você acredita na Colheita? – Perguntou a encarando.

— Acredito. – Respondeu Davina com determinação.

Nesse momento, Sophie ergueu a faca, cortando o pescoço dela. Levei as mãos à boca, horrorizada, para conter um grito. Meus olhos se encheram de lágrimas.

O corpo de Davina tombou para trás, sendo amparado por Marcel. Assim que ela fechou os olhos, a chuva cessou e fogo desapareceu tão abruptamente como havia aparecido. Sentindo as lágrimas já escorrerem pelo meu rosto, soltei meu braço do aperto de Klaus, dando outro passo à frente.

Rebekah, Hayley e Elijah fecharam seus guarda-chuvas enquanto Marcel colocava o corpo de Davina enfileirado junto com os das outras garotas. Tirei o capuz, prendendo a respiração e rezando internamente para que tudo ainda pudesse terminar bem. Afinal, pelo que tinham me dito, aquele era o momento no qual as garotas ressuscitavam. Aproveitando a deixa, Elijah juntou-se a nós, parando próximo a Hayley. Todos pareciam apreensivos.

— Após a Colheita, vem a Ceifa. Os sacrifícios foram feitos e aceitos. Convocamos as anciãs para ressuscitar as escolhidas. – Disse Sophie de pé em frente as meninas. Nada aconteceu. – Convocamos as anciãs para ressuscitar as escolhidas. – Repetiu. Não houve um movimento sequer.

Virei o rosto para o lado oposto, já recomeçando a chorar. Não iria funcionar e isso estava mais do que claro.

— Ressuscitem as escolhidas! Por favor? Eu imploro! – Tentou outra vez sem sucesso. Sophie também começou a chorar. – Não! – Suplicou ajoelhando-se próxima a uma das garotas, soluçando sobre o corpo dela. Presumi que fosse sua sobrinha, Monique. Não consegui continuar vendo aquilo. Era triste demais.

Tentando conter meus próprios soluços, fui embora dali, sem me importar com nada. Cheguei a uma parte distante do cemitério, onde me permiti chorar copiosamente. A cena de Sophie cortando o pescoço de Davina não saía da minha cabeça.

Por que as coisas tinham que ser assim? Eu simplesmente não conseguia entender. Davina era tão jovem... Tão doce... Tinha a vida inteira pela frente. Por que esse maldito ritual não deu certo? Era o que eu me perguntava sem parar. E o pior de tudo era saber que eu havia falhado com ela e eu jamais me perdoaria por isso.

Senti uma mão em meu ombro e pulei de susto, me virando em seguida. Fiquei surpresa ao ver que era Klaus. Afastei-me de maneira brusca do seu toque.

— Lexi, eu sinto muito... – Começou, porém eu o interrompi.

— Não. Não faça isso. Nós dois sabemos o quanto você deve estar feliz com o que aconteceu. Espero que agora esteja satisfeito, Klaus. Finalmente conseguiu o que queria. Davina está morta. – Falei com frieza. – Ela está estupidamente morta. – Repeti sem conseguir conter as lágrimas. Klaus me encarava compadecido. Seu olhar transparecia sinceridade.

— Eu realmente sinto muito. – Pronunciou aproximando-se novamente com as mãos estendidas a frente do corpo em um sinal claro de paz e rendição.

— Mentira! – Gritei possessa empurrando seu peito. – É mentira! Você nunca se importou! – Acusei começando a estapeá-lo.

Klaus manteve-se firme em sua posição, sem mover um músculo sequer para me parar. Eu sabia que estava sendo histérica, mas a dor que eu estava sentido era grande demais para eu tentar manter a compostura.

Depois de algum tempo, deixei meus braços caírem ao lado do meu corpo, esgotada demais para continuar a agredi-lo. Aproveitando a trégua dada por mim, Klaus puxou-me para ele, me abraçando. Não tive forças para afastá-lo. Ao invés disso, envolvi meus braços ao redor de sua cintura, pressionando meu rosto contra seu peito, deixando minhas lágrimas molharem sua camisa.

Ele não disse nada, apenas estreitou os braços ao meu redor quando meus soluços tornaram-se mais intensos e apoiou seu queixo suavemente em minha cabeça, mantendo uma das mãos em minhas costas enquanto a outra permaneceu entre meu cabelo. Apertei-me mais contra ele. Naquele momento, seu abraço era a única coisa que me impedia de desmoronar.

Notas finais
E então? O que acharam? Desejo a todas um feliz Natal e um Ano Novo melhor ainda! Comentem! XOXOXOXOXOXO