I Just Wanna Stop
15 Começo do Fim
Notas iniciais
Pov. da Lexi
Cheguei ao casarão já de noite. O tráfego estava impossível por causa de um desfile em uma das principais avenidas da cidade. Durante o caminho tentei novamente falar com Klaus, mas foi em vão. Ele simplesmente não atendia a droga do celular. Com um aperto imenso no coração e rezando para que Klaus ainda não estivesse aqui, adentrei o casarão. Ao contrário da última vez em que eu tinha estado ali, o pátio apesar de vazio, estava iluminado. Suspirei aliviada ao constatar que tinha chegado a tempo. Avancei em passos lentos e cautelosos parando ao dar de cara com Marcel e Rebekah.
— Lexi? O que faz aqui? – Interpelou a loira surpresa com minha aparição repentina.
— Eu... Eu... – Gaguejei sem conseguir formular uma frase descente. Estava nervosa demais.
— Está tudo bem com você? – Perguntou-me Marcel aparentemente preocupado.
— Está. – Respondi depois de alguns segundos os encarando.
— Olha, eu não sei o que a trouxe aqui, mas seja o que for... Agora não é o melhor momento para conversarmos. Eu prometo que a procuro mais tarde e... – Começou Marcel tentando ser gentil, porém o interrompi.
— O que vocês pretendem fazer com o Klaus? – Indaguei sem rodeios fazendo ambos se entreolharem assustados.
— O quê?! Como você sabe sobre isso? – Inquiriu Rebekah segurando meu braço.
— Como eu sei não interessa. – Retruquei de imediato. Não deduraria Josh. – O que interessa aqui é a emboscada que vocês pretendem fazer. Como você pôde? Ele é seu irmão! – Rebati soltando-me do aperto dela.
— Você não entende! Durante mil anos tudo o que ele fez foi estragar minha felicidade! Perdi a conta de quantas vezes ele enfiou a adaga no meu peito e me deixou presa por anos em um caixão! – Exclamou ela exasperada. Arregalei os olhos diante da sua fala.
— Ele fez o quê? – Questionei ainda em choque.
— Essa é a forma que ele encontra de se livrar ou punir os irmãos quando eles o desagradam. – Disse Marcel enquanto me observava atentamente.
Olhei dele para Rebekah e ela tinha os olhos marejados. Sua expressão era o suficiente para eu saber que ela não estava mentindo.
— Eu voltei para New Orleans porque eu estava preocupada com o sumiço de Elijah. E quando eu cheguei aqui o encontrei dentro de um caixão, mais uma vez empalado por Klaus. – Prosseguiu Rebekah.
— É verdade. Ele mesmo me entregou Elijah como uma oferta de paz. – Confirmou Marcel.
Senti meu coração falhar uma batida em horror. Eu estava completamente sem reação. Não sabia o que pensar e muito menos como agir.
— Eu... – Murmurei sem consegui continuar.
— Eu sei que você provavelmente está em estado de choque, mas você precisa ir. Klaus pode chegar a qualquer momento e aqui não será seguro para você. – Aconselhou Marcel pondo uma mão sobre meu ombro.
Antes que eu pudesse responder, ele e Rebekah mudaram de expressão encarando a entrada atrás de mim.
— Não dá mais tempo. – Sussurrou a loira puxando-me para um corredor escuro. Fiz menção de me pronunciar, porém Rebekah pôs a mão sobre minha boca em um claro pedido de silêncio.
— Klaus. – Escutei Marcel dizer. Senti um arrepio percorrer meu corpo.
— Estava evitando minhas ligações. – Comentou Klaus fazendo meu coração acelerar involuntariamente ao ouvir sua voz. Rebekah me repreendeu com o olhar.
Ergui as sobrancelhas para ela como resposta. Depois de tudo que eu tinha descoberto a pouco e com tudo que sabia que ainda iria acontecer, era impossível me manter calma. Apesar de me recusar a admitir, eu estava assustada.
— Estou um pouco irritado ultimamente. – Objetou Marcel.
— Desculpas pelo meu comportamento vêm depois. Você tem algo que me pertence. Quero de volta. – Retorquiu Klaus. Houve alguns instantes de silêncio.
— Desculpe, mas não posso fazer isso. – Afirmou Marcel.
Nesse momento, Rebekah se afastou de mim, acenando para que eu continuasse escondida enquanto ela voltava ao pátio.
— O que é isso? – Escutei Klaus perguntar depois de alguns segundos.
— Perdão pelo seu comportamento? Você não se desculpa, Nik. Só age. Já cansei. Nós já cansamos. – Respondeu Rebekah.
Não aguentei a curiosidade e me colei a parede, espiando a conversa. Agora além de ouvi-los, eu podia vê-los.
— Olhe só para você. Finalmente em posse da única coisa que pode te derrubar. – Declarou Klaus aproximando-se de Rebekah e Marcel. – Como se sente? – Indagou ao parar em frente a eles.
Foquei minha atenção em Rebekah e reparei que ela tinha uma adaga prateada e aparentemente antiga em mãos. Devia ser a isso que Klaus se referiu ainda nas docas.
— Ótima. – Enfrentou Rebekah.
Marcel, que até então só observava, assobiou e várias pessoas adentraram o pátio formando um circulo ao redor deles. Embora nunca os tivesse visto, eu tinha certeza de que eram vampiros. Klaus pareceu não se abalar.
— Então é isso? O bastardo Klaus foi longe demais. Deve ser punido... E por sua própria irmã. Que bíblico. – Debochou encarando Rebekah. – E você, Marcel, essa é sua ideia de ataque? Eu te ensinei melhor do que essa emboscada. – Completou ainda no mesmo tom de zombaria.
Eu sentia meu coração bater cada vez mais rápido. Eu não estava gostando nem um pouco do rumo que as coisas pareciam tomar.
— Acha que pode me dominar?! Com isso?! – Vociferou Klaus indicando os vampiros.
— Não. Mas acho que posso com isso. – Retrucou Marcel também debochado antes de assobiar novamente.
Prendi a respiração ao ver inúmeros vampiros surgirem. Eles se juntaram ao outros, preenchendo o pátio e até mesmo a varanda. Dessa vez Klaus pareceu oscilar um pouco enquanto se via rodeado por dezenas de inimigos. Além disso, alguns vampiros seguravam barras de ferro, entre outas coisas do gênero.
— Vamos acabar logo com essa charada? – Propôs encarando Marcel. – Vampiros de New Orleans... Se lembram que sou um Original? Um Híbrido. Não posso ser morto. Eternidade é muito tempo. Quanto tempo acham que Marcel ficará no poder? E se um de vocês... Me soltasse, sabendo que eu ficaria eternamente com uma dívida? Eu tenho pena dos que cruzam meu caminho. Posso assegurar... Que seu fim será espetacular. – Discursou para os vampiros.
Senti meu sangue gelar enquanto assistia aquilo. Em que diabos eu havia me enfiado? Era a pergunta que ecoava continuamente em minha cabeça.
— Emprestei um truque... De um velho amigo. – Prosseguiu Klaus erguendo uma moeda. – Quem pegar essa moeda, poderá viver. – Completou jogando o objeto ao chão. – Quem de vocês vai se juntar a mim?
— Quem quiser aquela moeda, jurar lealdade a Klaus, pegue-a agora. Vão em frente. A escolha é de vocês. – Ditou Marcel.
Ninguém se mexeu. Klaus olhou ao redor enquanto Marcel fazia um maneio satisfeito com a cabeça.
— Peguem-no. – Ordenou o moreno. Senti meu coração parar de bater nesse momento.
Dois vampiros avançaram em Klaus. Ele interceptou o primeiro, quebrando seu pescoço e imobilizou o segundo o jogando contra a parede. Depois abriu os braços, sorrindo em desafio para Marcel. Vi Rebekah engolir em seco. Em resposta ao gesto do loiro, Marcel fez sinal para dois vampiros próximos a entrada principal do pátio.
Eles estavam atrás de Klaus, cada um com uma corrente, a qual eles lançaram nos braços do Original, o agarrando e puxando para trás com violência, o fazendo cair no chão. Levei a mão a boca em desespero. Klaus levantou depressa, mas muitos vampiros partiram para cima dele ao mesmo tempo. Independente do que eu tinha descoberto sobre ele, não conseguiria assistir aquela cena sem fazer nada. Saí do meu esconderijo pronta para ir ao seu socorro, porém Rebekah me impediu, segurando meus braços.
Olhei para a briga que se desenrolava diante de mim notando que Klaus mesmo com tantos oponentes se mantinha firme, no entanto um vampiro grande e musculoso acertou-lhe um soco que o levou ao chão novamente. Os outros vampiros aproveitaram para agredi-lo.
— Não! – Gritei horrorizada ao vê-lo sendo espancado. Klaus já estava no chão e ainda sim continuavam a bater nele.
Senti as lágrimas começando a se acumularem em meus olhos. Tentei me soltar, debatendo-me nos braços de Rebekah, mas seu aperto de ferro me imobilizava completamente.
— Por favor, parem! Estão machucando ele! Rebekah, por favor, não! Marcel... Por favor... – Implorei me debatendo mais, começando a chorar. Ambos se entreolharam, no entanto me ignoraram em seguida.
Os vampiros começaram a comemorar enquanto arrastavam Klaus, ainda o agredindo. Quando chegaram ao final do corredor, Klaus curvou-se no chão, completamente rendido. Um dos vampiros o obrigou a se erguer, o mantendo de joelhos. Outro vampiro, o qual eu tinha a impressão de já ter visto em algum lugar, ergueu a cabeça de Klaus, que permanecia baixa, e o esfaqueou no rosto, o socando em seguida, fazendo com que ele abaixasse a cabeça novamente.
Esperneei mais uma vez tentando me soltar de Rebekah. Independente do que ele tivesse feito, não entendia como ela conseguia compactuar com uma covardia dessas. Senti minhas lágrimas molharem minha blusa. Mais um dos meus pesadelos estava se realizando, só que dessa vez bem diante dos meus olhos.
— Não... Klaus! Me solta! – Exclamei enquanto me debatia o encarando.
Nesse momento, um rosnado quase animalesco saiu da garganta de Klaus. Ele ergueu o rosto olhando diretamente para mim. Seus olhos com um tom de dourado que eu nunca tinha visto, a não ser pelo pesadelo que havia tido com ele antes de descobrir o que ele era. Paralisei completamente. Senti o aperto de Rebekah em meus braços afrouxar. Ouvi o som de algo caindo e notei que ela tinha largado a adaga. Klaus ficou de pé. Livrando-se das correntes e dos vampiros que o prendiam. Outro vampiro o atacou e ele o imobilizou, mordendo seu pescoço em seguida. Seu rosto transfigurado em algo sombrio e assustador.
Ele partiu para cima dos vampiros, massacrando todos que via pela frente, matando um por um. O aperto de Rebekah que antes era para me conter, agora aparentava ser para se apoiar. Assisti abismada Klaus avançar cada vez mais como um perverso e letal anjo da morte.
— Marcel! Venha terminar com isso! – Bradou.
Senti Rebekah voltar a apertar meus braços, só que dessa vez ela que estava com medo. Marcel deu um passo à frente pronto para aceitar o desafio, porém Rebekah o impediu.
— Não! – Exclamou enquanto Klaus matava ainda mais vampiros. – Pegue a moeda. – Disse por fim.
— O quê? – Perguntou Marcel sem entender.
— Ele não vai parar até matar todos, e vai te matar também. Acabe com isso. Pegue a moeda. – Explicou a loira amedrontada observando a destruição causada pelo irmão.
Marcel ponderou por um segundo. Tempo suficiente para que Klaus fizesse mais vítimas.
— Já chega! – Gritou no momento exato em que Klaus tinha uma vampira aos seus pés, de joelhos, enquanto ele mantinha uma das mãos em seu pescoço.
Klaus soltou a mulher, que caiu com o corpo inerte no chão. Marcel abaixou-se, pegando a moeda.
— Ora, ora, ora. O grande Marcel, autonomeado rei de New Orleans, curvando-se a mim. – Observou Klaus aproximando-se dele. Seu rosto estava sujo de sangue assim como sua roupa.
— Pronto. – Rebateu Marcel jogando a moeda de volta ao chão, próximo ao pé de Klaus. – Juro minha lealdade a você. Tem as chaves do meu reino. É seu. – Concluiu fazendo Klaus abrir um sorriso.
Só me dei conta de que ainda chorava quando um soluço involuntário escapou dos meus lábios. Isso acabou atraindo a atenção de Klaus para mim. Ele desmanchou o sorriso e me encarou com o semblante cauteloso, dando um passo meio incerto à frente. Acho que por medo de me assustar. Soltei-me de Rebekah, terminando a distância entre nós jogando meus braços ao redor do seu pescoço, o abraçando. Embora não houvesse sentido para minha atitude, eu agi por instinto. Depois de tudo que tinha acontecido, a única coisa que me passava pela cabeça era que ele estava bem.
Klaus não correspondeu ao meu abraço. Ele permaneceu imóvel, aparentemente paralisado com meu ato. Separei-me dele depois de um tempo encarando seu semblante perturbado. Não tinha noção do que dizer e Klaus parecia na mesma situação que eu. Ele desviou os olhos para um ponto atrás de mim. Segui seu olhar e vi que ele fitava Rebekah. Temi por ela. A expressão dele havia se tornado ameaçadora.
— Você não vai machuca-la, vai? – Indaguei olhando dela para ele. Klaus não respondeu, apenas intercalou seu olhar entre nós duas.
Depois de encarar o irmão e fitar brevemente Marcel, Rebekah deixou o pátio em sua velocidade sobre-humana. Klaus aproximou-se de mim, tocando meu rosto.
— Quero que se esqueça de tudo que presenciou esta noite. – Ordenou olhando dentro dos meus olhos. – Vá e hoje quando dormir... Não terá pesadelos, mas sim lindos sonhos. – Completou fazendo um delicado carinho em minha bochecha.
O encarei desnorteada por alguns segundos e me afastei rumo à saída. Enquanto me distanciava do casarão, me perguntava qual a razão de ter ido até ali.

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