Notas iniciais
Hello, my sweethearts! Por um milagre, eu até que consegui não demorar muito dessa vez! Primeiramente quero agradecer muito pelos comentários mais do que maravilhosos de vocês! Sério! Amei muito cada um deles e agradeço de coração por cada um deles também! *u* *u* *u* Agora eu gostaria de fazer um agradecimento especial a Maia Smoak pela linda, divônica e emocionante recomendação! Muitíssimo obrigada! Eu realmente não sei expressar o quanto eu fiquei feliz! Mil vezes obrigada! Eu realmente ADOREI cada vírgula! Eu dedico esse capítulo a você! ❤.❤ Espero que gostem, my darlings! Então sem mais delongas... Good read!

Pov. da Lexi

O dia se seguiu de maneira indistinta. A medida em que as horas iam transcorrendo e as pessoas indo embora, deixando o Rousseau’s cada vez mais vazio, foi impossível não pensar em Klaus. O Híbrido continuava sendo uma caixinha de surpresas. Nossa relação estava mais íntima do que nunca e eu não sabia muito bem como me sentir a respeito disso. Por um lado a certeza de ser alguém especial para ele, alguém em quem ele realmente confia e se importa ao ponto de sempre se preocupar com o meu bem estar, me deixava radiante. Mas por outro lado, eu tinha medo de onde esse tipo de reflexão sobre os meus sentimentos pelo meu melhor amigo poderia me levar. Eu tinha medo de ter que encarar possíveis verdades referentes a esse assunto com as quais eu não saberia lidar.

Suspirei pesadamente, disposta a esquecer dessas ideias. Só me lembrei de onde estava ao perceber a movimentação de Marcel perto de mim. Já era noite. Não havia mais ninguém no Rousseau’s a não ser ele, Cami e eu. O assisti colocar uma dose de uísque em dois copos e entregar um deles a minha tutora. Ela tinha acabado de estirar as pernas em cima de outra cadeira. Era nítido o seu cansaço e eu não podia dizer que estava muito diferente. Eu me encontrava sentada em um dos bancos que ficam em frente ao balcão com a cabeça deitada sobre o mesmo. Por um instante, desejei repetir a noite anterior e dormir com meu melhor amigo novamente.

— Então... Klaus te dá vinte quatro horas no Quarter, e você passa em um velório? – Indagou Cami a Marcel, me tirando dos meus devaneios. – Sem preparações para a guerra ou jogadas a fazer? – Prosseguiu dando um gole na bebida.

— Estamos honrando o Kieran. Até os caras malvados tiram um dia de folga. – Respondeu Marcel sentando-se na cadeira ocupada pelas pernas de Cami, as pondo em seu colo.

— Talvez você possa. Os humanos não estão se comportando. Uma tal Francesca me encurralou para perguntar sobre uma chave. – Disse Cami relatando o ocorrido de mais cedo.

— O que você disse a ela? – Inquiriu Marcel também bebendo.

— Não importa. Não estou com ela. – Cami deu de ombros. – Mas você sabe disso. Ou teria perguntado “Que chave?”. – Deduziu a loira poucos segundos depois.

Para minha surpresa e a de Cami, Marcel puxou uma chave para fora da camisa. Ela estava presa em um colar.

— Mandei Josh pega-la para mim. – Revelou o vampiro me deixando ainda mais abismada.

— Do corpo moribundo do meu tio? – Retorquiu Cami.

— Estou tentando te fazer um favor. Acredite, não quer fazer parte disso. – Marcel garantiu voltando a esconder a chave.

Cami levantou-se, colocando o copo de uísque sobre uma mesa.

— Acreditar em você? Está de brincadeira? – Ela estava bem irritada.

— Cami, isso é maior do que você. – Tentou argumentar Marcel.

— Não me proteja, Marcel. Sabe o que é maior do que eu? Meu tio perdeu a sanidade, me atacou e depois morreu. Agora tenho que velá-lo a noite toda. – Cami desabafou.

— Ficarei com você. Não estou mentindo, estou te protegendo. – Afirmou o vampiro.

— Precisa ir embora agora. – Minha tutora o dispensou.

— Vou te contar sobre a chave. – Prometeu Marcel.

— Eu não quero saber! Não quero saber nada disso. – Explodiu Cami.

Marcel não insistiu. Deixou seu copo sobre a mesa e me lançou um olhar derrotado antes de sair. Não hesitei em ir até Cami. Sua cara de choro me fez abraça-la com força. Esse dia estava sendo muito difícil para ela e infelizmente ainda tínhamos uma longa noite pela frente. Passamos a madrugada inteira relembrando bons momentos com o padre Kieran e também conversamos sobre sua briga com Marcel. A história dessa tal chave estava muito mal contada. E embora eu não tenha achado certo Marcel agir pelas costas de Cami, eu não duvidava das boas intensões dele.

Quando o novo dia finalmente amanheceu, eu me encontrava exausta. Não tiramos um cochilo sequer. Fomos em casa apenas para nos arrumarmos para a missa e o desfile fúnebre. A cerimônia na igreja foi emocionante e triste. Cami fez um belo discurso de despedida para o tio. Quando a missa terminou, levei algum tempo para levantar do banco. Era estranho e doloroso pensar que nunca mais encontraria o padre Kieran ali ou então poderia lhe pedir conselhos. Segui Cami até a entrada da igreja, parando em frente ao móvel em que algumas velas estavam dispostas. Peguei um dos inúmeros incensos disponíveis e comecei a acender as que estavam apagadas tendo meu gesto imitado por Cami.

— Seu discurso foi lindo. – Sussurrou Marcel atrás de Cami, se fazendo presente.

Eu estava tão distraída que tomei um pequeno susto com sua aproximação repentina.

— Ataque sorrateiro não é justo. Ainda estou com raiva. – Retrucou minha tutora. – Me fale sobre a chave. – Acrescentou em seguida.

— Achei que não queria saber. – Retorquiu o vampiro.

— Queria dizer que dormi e pensei melhor, mas velei o corpo de um padre enfeitiçado, e estou em um funeral cheio de vampiros. Então acho que devia me contar sobre a chave. – Objetou Cami.

Marcel ponderou um pouco e olhou ao redor antes de se pronunciar. Certamente para se certificar de que não havia ninguém atento à conversa.

— Kieran me disse que a chave leva a algo para usar contra seres sobrenaturais se algum dia sairmos da linha. Kieran e eu tivemos altos e baixos, mas confiávamos um no outro. Então deixei para lá. Porque sabia que se ele usasse, seja lá o que a chave abre, seria porque não teria escolha. – Explicou.

— Podia ter me pedido. – Censurou Cami.

— Você teria entregado? – Rebateu Marcel. Cami cruzou os braços e não respondeu.

— Então, o que ela abre? – Quis saber a loira.

— Não sei. Procurei de cabo a rabo na cidade ontem e não achei. Na igreja, na fábrica, até na tumba da sua família. É difícil encontrar a agulha no palheiro quando nem sabe como a agulha é. – Informou Marcel.

— E você quer saber se eu sei. Por isso está aqui. – Deduziu Cami.

— Estou aqui porque meu amigo morreu e minha outra amiga está de luto. Pode me questionar o dia todo, Cami. Estou aqui pelo Kieran. E estou aqui por você. Para ajudar a Lexi te dar uma força. – Assegurou lançando um breve olhar para mim no final.

Abri um sorriso mínimo para ele. Apesar dessa história da chave parecer cada vez mais esquisita, eu confiava em Marcel. Ele era uma boa pessoa e eu sabia que seu afeto por nós era verdadeiro. Principalmente por Cami.

— Eu acredito em você, Marcel. Podemos tentar resolver o mistério da chave mais tarde. Agora ainda temos uma última homenagem a prestar. – Me manifestei chamando a atenção dos dois para o cortejo.

Seguimos juntos para o desfile. Me mantive ao lado de Cami enquanto caminhávamos. Avistei muitos rostos familiares em meio às pessoas que seguiam a parada fúnebre. Ouvi uma voz conhecida chamar meu nome e virei bem a tempo de ver Hayley dando uma corridinha para me alcançar.

— Lexi! – Cumprimentou-me um pouco ofegante.

— Hayley! Que bom vê-la. – Retribuí com um sorriso.

— Eu sinto muito pelo padre Kieran. Ele era bom com pessoas como eu durante tempos difíceis, e eu agradeço por isso. – Ela me prestou condolências.

— Obrigada. – Agradeci com sinceridade. Hayley continuou andando ao meu lado, mas havia algo de estranho em seu jeito. – Aconteceu alguma coisa? – Inquiri a observando. A morena assumiu uma expressão culpada.

— Desculpe por tocar nesse assunto agora. Mas eu estava me perguntando se antes de morrer, o padre Kieran disse algo estranho sobre Francesca Correa. Acho que ela é a responsável pelo ataque no Bayou. – Confidenciou-me Hayley. Precisei de alguns segundos para processar as informações.

— Infelizmente tudo o que eu sei sobre ela é que ela é uma vadia. Se eu descobrir algo além disso, não se preocupe. Eu te conto. – Prometi sorrindo brevemente para Hayley. Trocamos um abraço e eu me afastei dela, apressando o passo para voltar a acompanhar Cami.

Quando o cortejo finalmente chegou ao cemitério, senti calafrios ao entrar naquele lugar. Nos dirigimos aos jazigos pertencentes a família de Cami. Um padre amigo de Kieran começou um discurso de despedida. Ele ainda não havia terminado de falar no momento em que Cami saiu, me levando a segui-la. Não entendi a atitude dela até notar que estava em frente ao túmulo de Sean.

— Cami... – Comecei pensando no que dizer para confortá-la, porém ela me interrompeu.

— Sean não teve um funeral. Nossos pais não quiseram se envolver, então o enterraram aqui com os criminosos e indigentes. O grande não amado. – Proferiu encarando a lápide.

Estava tão preocupada com a possibilidade de Cami estar tendo algum surto que nem percebi a presença de Marcel.

— Você disse que procurou na tumba da minha família, mas pensei... Sempre me perguntei por que Kieran não enterrou Sean no lugar certo, com a família. Mas e se ele viu a oportunidade de esconder algo que não queria que ninguém achasse? – Cami sugeriu se dirigindo ao vampiro. Marcel refletiu por um tempo antes de responder.

— Cami, podemos fazer isso outra hora. – Propôs com gentileza.

— Hora ruim é o tema do dia. Vou precisar de uma marreta. – Retrucou Cami.

Marcel saiu para buscar a ferramenta e não demorou muito para retornar. Eu não fazia ideia de onde ele tinha conseguido aquilo tão rápido, mas isso não era relevante no momento. Aguardei ansiosa ao lado de Cami enquanto o assistia quebrar a lápide. Eu estava começando a ter um pressentimento estranho sobre essa história. Torci para que a expectativa de Cami de encontrar alguma pista sobre o que a misteriosa chave abre no túmulo do irmão estivesse certa. Senti certa euforia ao ter as suspeitas de Cami confirmada quando Marcel retirou da tumba de Sean uma caixa de aparência muito antiga. O vampiro não perdeu tempo em pegar a caixa e abri-la. Para a nossa surpresa e decepção, ela se encontrava vazia.

— Alguém já deve ter pego. – Murmurou frustado. Cami tomou a caixa da mão dele e a analisou com atenção.

— Acho que não. – Discordou a loira com os olhos fixos na parte interna da tampa. – Meu irmão me ensinou esse código há quinze anos. Nunca soube como ele aprendeu. – Explicou mostrando os símbolos talhados na madeira.

— Sabe o que diz aí? – Perguntou Marcel esperançoso.

— Sei... Mas não vou contar. Desculpe. – Retorquiu minha tutora.

— Cami, isso é muito... – Iniciou Marcel, entretanto foi cortado.

— Perigoso. Já entendi. Mas se Kieran ensinou isso ao Sean... Meu irmão estava destinado a se envolver. O que torna isso minha responsabilidade, eu gostando ou não. – Afirmou Cami. Mesmo contrariado, Marcel assentiu.

Voltamos ao local do sepultamento do padre Kieran, porém a cerimonia já havia acabado. Permanecemos ali por alguns minutos encarando a lápide com o nome do padre em um último adeus silencioso. Marcel se despediu de nós com um abraço e um pedido de cautela para Cami. O prazo que Klaus deu a ele estava se esgotando. Imaginei que ele quisesse aproveitar o tempo que ainda restava.

Depois que Marcel foi embora, Cami e eu fizemos o mesmo. Fiquei mais do que feliz ao finalmente entrar em casa. Estava morta de cansaço. Não pensei duas vezes antes de desabar no sofá. Cami sentou-se ao meu lado com a caixa no colo. Ela estava com a mesma expressão pensativa desde que saímos do cemitério.

— Eu vou precisar traduzir isso com mais calma, mas tenho quase certeza de que se trata de um endereço. – Revelou me pegando de surpresa. – Eu realmente não queria que fosse assim, mas nós duas já estamos envolvidas nessa guerra sobrenatural. Você mais do que eu. Talvez esse local secreto do meu tio nos leve a alguma coisa que nos ajude a nos proteger de alguma forma. – Confidenciou me olhando séria.

Apenas retribui seu olhar. Não havia muito que dizer. A única coisa que eu sabia era que seja lá o que for que o padre escondia, deve ser no mínimo grandioso para despertar tanto interesse. Especialmente o de Francesca. Ainda não tinha esquecido a sua abordagem incisiva e inoportuna a Cami por causa da bendita chave. Entretanto eu estava cansada demais para continuar remoendo esse assunto, pelo menos por agora. Cami, assim como eu, também estava acabada. A convenci a deixar a tradução dos símbolos na caixa para outra hora e ir descansar. Seguindo o meu próprio conselho, após um longo banho, vesti uma roupa qualquer e praticamente desmaiei em minha cama.

(...)

Acordei já de noite. Apesar de estar um pouco zonza ainda, eu sentia minha energia renovada. Levantei para preparar alguma coisa para comer e não me surpreendi com o fato de Cami continuar dormindo. Ela mais do que precisava de um bom descanso. Depois de saciar minha fome, voltei para meu quarto e lembrei-me da existência do meu celular ao vê-lo em cima do meu caderno de desenhos. O peguei para colocar para carregar e tomei um susto ao ver a quantidade de ligações perdidas no nome de Klaus. Ouvi um dos recados que ele havia deixado e quase derrubei o aparelho. Após escutar que Hayley esteve entre a vida e a morte hoje mais cedo, não tive outra reação a não ser sair correndo.

Sem dar a mínima para como eu estava vestida, peguei meu carro e dirigi igual a uma louca para o casarão. Adentrei o pátio com o coração na boca devido à corrida que eu dei do lugar onde eu havia estacionado até ali. Como o encontrei vazio, não perdi tempo em subir a escada. Fui para a sala em que os irmãos Mikaelson costumavam se reunir. Certamente deve ter surgido uma interrogação em minha testa quando me deparei com Elijah conversando com Genevive. E embora a presença da bruxa me causasse extrema curiosidade e descontentamento, ela estava longe de ser a minha prioridade naquele instante.

— Onde está Hayley? Eu só soube agora do que aconteceu. Como ela está? E o bebê? Pelo amor de Deus me diga que elas estão bem! – Disse em único fôlego, me referindo ao Original.

— Hayley e a bebê estão ótimas. Prontifiquei-me a leva-la ao médico depois, mas ela está fora de perigo. – Quem me respondeu foi Genevive.

Franzi o cenho em sua direção sem entender qual era o envolvimento dela na recuperação da mamãe loba. E apesar de odiar a sensação de está por fora do assunto, minha maior preocupação no momento era ver Hayley.

— Onde ela está, Elijah? – Indaguei diretamente ao Mikaelson, ignorando a existência de Genevive.

— No quarto dela. – Informou-me ele.

Assenti agradecida, lançando um último olhar desconfiado para o Original mais velho e a bruxa, antes de seguir para o quarto que pertencia à lobinha. Assim que me deparei com Hayley, a abracei o mais apertado que eu pude.

— Graças a Deus você está bem! Quase morri do coração quando soube do ocorrido. – Falei a soltando.

— Eu sou dura na queda. Nós duas somos. A essa altura você já devia saber. – Afirmou sorrindo pondo uma mão sobre a barriga.

— Você tem razão. Não sei onde eu estava com a cabeça. – Concordei retribuindo seu sorriso.

Hayley era uma das pessoas mais incríveis que eu conhecia. Nossa amizade, mesmo sendo recente, era muito especial. Por isso era impossível não me preocupar tanto com ela, ainda mais com a sua gestação tão perto do fim.

— O que aconteceu? – Procurei saber querendo me colocar a par da situação.

— Depois que eu falei com você no desfile, eu tive uma crise de tosse. Me afastei um pouco da multidão, mas não adiantou. Eu comecei a cuspir sangue e apaguei ali mesmo. Foi tudo muito de repente. – Contou sentando na cama.

— E o que aconteceu em seguida? – Insisti sentando ao seu lado, querendo mais detalhes. Esse episódio com Hayley estava me parecendo no mínimo suspeito.

Escutei atentamente tudo o que ela falou. Foi impossível não sentir um calafrio percorrer minha espinha após a lobinha ter terminado seu relato. Agora eu finalmente entendia o porquê de Genevive estar ali. Nunca imaginei que fosse ter que agradecer a bruxa por alguma coisa, mas hoje ela merecia a minha gratidão. Entretanto isso não diminuía a aversão que eu sentia por ela. Dei graças a Deus novamente por Hayley e o bebê estarem bem. Eu já tinha ultrapassado o meu limite de desgraças pelos próximos dez anos no mínimo.

— Eu quero te mostrar algo. – Disse Hayley assumindo uma expressão sorridente antes de levantar da cama.

Extremamente curiosa, aceitei a mão que ela me ofereceu e a segui até uma porta anexa que havia em seu quarto. Quando Hayley a abriu, revelando um simples e adorável quarto de bebê, não consegui conter o meu encanto diante de tanta fofura.

— É lindo! – Exclamei maravilhada adentrando o cômodo.

— Sim. Fiquei tão impressionada quanto você quando Klaus me mostrou. Foi ele que fez tudo isso. – Revelou Hayley me fazendo encara-la surpresa. – Eu sei. Klaus é mesmo surpreendente. – Emendou enquanto eu analisava os detalhes do quarto.

Era tudo tão delicado e bonito! Saber que cada pedacinho daquilo havia sido feito pelo Híbrido mexeu comigo de uma forma que eu não sabia explicar.

— Ele me disse que a nossa filha deveria ser criada pelos pais na casa da família. Ao que parece você estava certa. Klaus não é o monstro que eu imaginava. – Prosseguiu ela. Alarguei ainda mais meu sorriso.

Eu torcia muito para que a relação dos dois fosse a mais amigável possível. Principalmente por causa da criança que estava a caminho.

— Eu, ele, Elijah e o bebê milagroso embaixo do mesmo teto. Parece até um show ruim de TV. – Ironizou achando graça das circunstâncias.

— Eu assistiria. – Dei de ombros a fazendo rir. – Espera... Isso quer dizer que você resolveu voltar a morar aqui? – Inquiri esperançosa ao processar com mais atenção sua fala.

— Resolvi. Acho que vai ser melhor. – Respondeu se apoiando no berço.

— Concordo plenamente! – Apoiei super empolgada com a ideia de tê-la residindo no casarão de novo. Hayley riu. – Você já compartilhou essa sua decisão com os Mikaelson? Tenho certeza de que eles ficarão muito contentes. Principalmente o Elijah. – Emendei sugestiva.

— Já. – Respondeu Hayley desviando o olhar do meu, tentando disfarçar um sorriso. Estranhei sua reação. Ela parecia estar escondendo algo.

— Eu perdi alguma coisa? – Indaguei com uma das sobrancelhas erguida, expondo a minha desconfiança.

A lobinha direcionou seus olhos para o chão antes de voltar a me encarar diretamente. Sua expressão era um misto de timidez e hesitação.

— Elijah e eu nos beijamos. – Deixou escapar baixinho.

— O quê?! Não brinca! Eu não acredito! – Exclamei sem conseguir conter a minha euforia.

— Fale baixo! Ele pode nos ouvir. – Pediu Hayley sem conseguir conter o sorriso diante da minha animação com o assunto.

Coloquei as mãos sobre a boca, arregalando os olhos. Mais uma vez Hayley não conseguiu segurar o riso. Fiz sinal de silêncio para a ela, me posicionando a sua frente.

— Como foi? Me conte tudo! Quero saber dos mínimos detalhes! – Exigi num tom de voz mais baixo.

Hayley balançou a cabeça em negação ainda sorridente e me levou para o seu quarto. Sentamos em sua cama e eu praticamente pulava no lugar, aguardando ansiosa pela descrição da cena.

Perdi a noção da passagem do tempo durante a nossa conversa. Era muito bom ter momentos assim com ela. Só não foi mais perfeito porque faltava Rebekah. Eu estava muito feliz por ela e Elijah finalmente terem dado um passo adiante nessa complicada relação deles. Qualquer um podia ver que os dois tinham um forte sentimento um pelo outro ainda que ambos tentassem ocultar isso. Eu torcia para que agora eles engatassem em um romance de verdade.

Não sei quantas horas depois, achei melhor nos despedirmos. Hayley precisava descansar e eu tinha que voltar para casa antes que Cami pudesse se preocupar comigo. Quando cheguei ao pátio, não havia sinal de Genevive ou Elijah, porém Klaus parecia ter acabado de chegar. Sua cara ao me ver foi de surpresa. Terminei de descer as escadas, aproximando-me dele.

— Não esperava encontra-la aqui há essa hora. – Comentou me analisando.

— Eu precisava ver Hayley. Desculpe não ter retornado as suas ligações. Eu passei o dia inteiro com Cami e só peguei no celular agora pela noite. – Justifiquei também o examinando.

— Eu imaginei algo assim. Só te contei o que aconteceu porque sabia que você não me perdoaria caso eu não o fizesse. – Falou com um meio sorriso.

Hesitei por um momento antes de prosseguir. Eu não tinha certeza se estava tudo bem em tocar naquele assunto, mas a minha curiosidade falou mais alto.

— Hayley me contou que viu Mikael e que ele tentou mata-la. Como acha que ele conseguiu fazer isso? Ele já está morto há anos. – Perguntei atenta a sua reação. Klaus assumiu uma postura mais sombria.

— Eu não sei. Ao que parece, o purgatório sobrenatural está entrando em colapso. Ele vai deixar de existir e todos os seres sobrenaturais que estão nele também. Pelo menos foi isso que a bruxa Bennett me informou. – Respondeu se afastando em direção ao minibar.

— Bonnie? – Interpelei querendo conferir se ele estava se referindo a garota que eu havia conhecido durante a nossa curta visita a Mystic Falls.

— Ela mesma. – Confirmou enquanto se servia uma dose de uísque. – Óbvio que Mikael não aproveitaria o tempo lhe que resta de outra maneira que não fosse me atormentando. Isso sempre foi o que ele sabia fazer de melhor. – Completou tomando um gole da bebida.

Era mais do que nítido o quanto falar sobre o patriarca da família Original afetava meu melhor amigo. Achei melhor mudar o foco da conversa para uma questão que me incomodava.

— Genevive estava aqui quando eu cheguei. Também já sei que ela ajudou Hayley. Por acaso vocês voltaram a se relacionar? – Interroguei no tom mais neutro que eu consegui. A expressão séria de Klaus deu lugar a um largo sorriso presunçoso.

— Embora eu adore vê-la com ciúmes, sweetie, não tem por que se preocupar. O único interesse que eu tenho em Genevive no momento se resume aos seus dotes de bruxa. Precisarei de uma para fazer os anéis e ela é a escolha perfeita. – Esclareceu mantendo seu semblante provocativo enquanto me observava.

Permaneci em silêncio. Eu nunca sabia como agir quando ele me olhava daquele jeito. Desviei o olhar do seu para algum ponto qualquer e me lembrei de algo.

— Eu estive no quarto que você fez para sua filha. – Disse o surpreendendo. – Ficou lindo. – Elogiei com um sorriso.

Foi a vez de Klaus ficar sem reação. Eu tinha conciência de que estava tocando em outro assunto delicado para ele. Fui até o meu melhor amigo, tirando o copo quase vazio da sua mão, e segurei o seu rosto, obrigando-o a me encarar.

— Eu sei que você tem medo, mas vai ficar tudo bem. Eu tenho certeza de que você vai ser um ótimo pai. E os únicos sentimentos que sua filha terá por você serão amor e orgulho. – Garanti olhando em seus olhos, o deixando sem palavras.

Abri um dos meus melhores sorrisos para ele e me distanciei. Klaus permaneceu estático, certamente ainda processando as minhas palavras.

— Já está tarde. Não prefere dormir aqui? – Questionou parcialmente recuperado quando percebeu que eu iria embora.

— Não posso. Cami precisa da minha companhia nesse momento. – Recusei soprando um beijo para ele como forma de despedida.

Senti o olhar de Klaus queimar às minhas costas enquanto eu me encaminhava para a saída. Eu adoraria saber o que ele estava pensando naquele momento. Se Klaus pudesse ler minha mente, encontraria muitos motivos para ficar mais convencido do que ele já é. Entre outras coisas, a minha imensa satisfação com o seu desinteresse amoroso por Genevive era algo que ele não precisava saber.

Notas finais
E então? O que acharam? SPOILER ALERT: Próximo capítulo teremos confusão, babado e gritaria em New Orleans... kkkkkkkkkkk Comentem! XOXOXOXOXOXOXO