I Just Love You
8 Sonho
Notas iniciais
Espero que gostem.
Eu estava deitado na minha cama, olhando para o teto, e pensando sobre tudo que tinha acontecido hoje. Ainda estou em duvida se eu deveria ter contado aquilo para Hinamori, ela não parecia muito bem quando eu terminei, nem agora quando agente se falou. Eu deveria ter ficado quieto.
O meu celular toca. Telefone restrito.
-Alo?
-Espero que você seja forte o bastante. – Fala uma voz falsa feita pelo computador.
-O que? Quem é?
-O próximo ataque está por vir, e vou atacar com um dos meus melhores homens.
-Então por que espera que eu seja forte? – Pergunto com raiva.
-Porque eu mesmo quero acabar com você, eu quero sentir seu sangue escorrendo pelas minhas mãos, e quero ver você caído no chão sem vida, e antes disso, quero ver você sofrendo de dor numa poça de seu próprio sangue.
-Então porque você não vem logo em vez de mandar seus homens?
-Porque eu quero ver se você é forte para me enfrentar, porque se não for, não vai ter graça nenhuma eu matar você.
-Então é isso, você só quer se divertir, se divertir matando pessoas. Ma uma pergunta porque mandou aqueles caras drogados irem atrás daquela menina?
-Como sabe que fui eu?
-Não mude de assunto.
-Alguém está nervosinho não é? Bom... Fiz isso para provar que não estou de brincadeira, vou mesmo matar você, então como eu sei que você estava duvidando sobre eu matar você eu decidi provar isso.
-Mas porque envolver pessoas inocentes? – Falo já gritando e indo em direção á varanda.
Abro a porta da varanda e me apoio no parapeito, esperando a resposta.
-Porque as pessoas inocentes quando estão prestes a morrer fazem caras hilárias, principalmente quando dão seu ultimo suspiro. – Ele falava com a voz mais calma do mundo.
-Você é louco! – Grito.
-Não, loucura é apenas um ponto de vista, você vê como loucura, eu vejo como um tipo de diversão.
Tentei me acalmar.
-Posso fazer mais algumas perguntas?
-Pode, só não sei se vou responde-las.
-O que aqueles drogados fizeram com a garota antes deles matarem ela?
-Falei para eles fazerem o que quisessem, e eu sei o que eles fizeram, e sim é o que você está pensando. Ainda tem duvida sobre o que eu posso fazer?
Pude ouvir ele sussurrando “Porque se tiver vou pegar alguém mais próximo, como sua querida amiguinha.”
-Não, não tenho nenhuma duvida.
-Que bom, até logo.
Desliguei o celular e bati com força na parede. Pensei em Hinamori sendo morta, por minha causa. Algumas lágrimas caiam de meus olhos, não adianta o quanto eu tentasse, elas sempre caiam. Encostei-me na parede e escorreguei com as costas até chegar ao chão, demorei para me acalmar, demorei muito. Ao olhar para o lado, vejo Hinamori na varanda dela olhando para mim, ela parecia assustada.
-O que foi Shiro-chan?
-Nada Hinamori, eu só estava falando com... – Não consegui pensar em ninguém, ninguém nunca iria me deixar tão assustado e nervoso daquele jeito.
-Quem era? – Pergunta ela preocupada.
Não achei motivos para mentir, agora que ela sabia de tudo não podia esconder isso.
-Era o cara que está atrás de mim, ele vai atacar de novo, e se eu sobreviver ele mesmo vem atrás de mim.
-Mas porque?
-Ele disse que quer ver meu sangue escorrendo nas mãos dele, e quer me ver morto. Ele que mandou matar sua amiga.
-E você reconheceu a voz?
-Não, a voz foi disfarçada com um programa de computador.
-Ele vai atacar de novo, quando?
-Não sei, mas não se preocupe, ele não vai fazer nada com você, nem ele nem ninguém, não quando eu estiver por perto. – Disse levantando-me. – Agora eu tenho que ir. Hinamori, descanse um pouco, não se preocupe comigo, vou ficar bem.
-Tá bom. Mas você também tem que descansar.
Fiquei com uma cara de interrogação.
-Não vem com essa que você não sabe do que eu to falando, eu sei que você anda ou andava ficando acordado até tarde. – Fala ela com um pequeno sorriso no rosto.
-Tá, vou descansar. – Falo sorrindo também.
Fui até o guarda-roupa e peguei meu pijama. Olhei para o relógio, sete e meia. Fui até o banheiro e tomei um banho com água quente, na esperança de relaxar um pouco, não deu muito certo. Deitei-me na cama lendo meu livro, não demorou muito para eu terminar, peguei outro da estante e comecei a ler, depois de uns quatro capítulos olhei no relógio, nove horas. Fiquei pensando quanto tempo demorei para ler a metade que faltada do outro livro. Provavelmente muito, pois ficava pensando em Hinamori e na ligação que eu havia recebido. Eu não queria que nada acontecesse a ela.
-Se eu morrer tudo isso vai acabar, ninguém mais vai morrer por minha causa.
De repente a imagem de Hinamori morta me veio a cabeça, as lágrimas imediatamente brotaram em meus olhos, como não havia ninguém lá para ver, não tentei segurá-las, apenas desliguei a luz e me acomodei na cama. A porta da varanda ainda estava aberta, não levantei para fecha-la, deixei aberta, não faria diferença se alguém me matasse. Fiquei remoendo isso na minha mente até pegar no sono.
Meu sonho foi totalmente estranho.
Eu estava em um local parecido com uma cidade abandonada, todos estavam caídos no chão, todos mortos, eu conseguia ouvir passos apressados não muito longe de onde eu estava. Corri em direção aos passos, desviando e pulando os corpos sem vida, muitas pessoas eu já tinha visto pela rua ou na escola, alguns eram conhecidos. Os passos ficavam cada vez mais altos. Tropecei no braço de um homem, levantei-me, agora que fui ver o que eu estava vestindo, um terno preto, rasgado e ensanguentado, um par de All Star pretos. Não entendi direito porque eu vestia isso, mas agora eu queria encontrar quem estava vivo ainda.
Ao virar em uma esquina dei de cara com Hinamori, ela estava com um vestido vermelho que ia até o joelho, seus cabelos estavam soltos. Ela parecia muito assustada, seu braço estava com cortes não muito profundos.
-Shiro-chan é ele! Corra, ele está atrás de... – Suas palavras ficaram no ar, tudo que vi foi uma lâmina atravessando seu corpo, e chegando a perfurar de leve meu tórax. A pessoa que manuseava aquela lâmina, estava com o rosto praticamente no escuro, a única coisa que eu via era a boca, uma boca com um sorriso. Ele tirou a lâmina do corpo de Hinamori, eu estava com ela nos braços, o homem simplesmente desapareceu. Eu coloquei Hinamori no chão e tentei parar o sangramento, ela já estava fraca, não importa o que eu fizesse, ela iria morrer. Dei um beijo nela, e quando me afastei ela já havia partido, mas em seus lábios estava um sorriso. Olhei para ela, mas seu corpo se tornou pó. Meu sangue fervia, eu queria achar aquele maldito e mata-lo. Levantei-me com o ódio estampado em meu rosto, e corri por todos os lugares da cidade, mas não encontrei nada, a não ser pessoas mortas, apenas uma pessoa eu não havia visto.
Acordei assustado e suando frio. Eu estava ofegante, olhei no relógio, três e quinze. Fiquei sentado na cama, olhando para o nada até minha respiração voltar ao normal. Deitei-me de novo, mas dessa vez eu não consegui dormir. Fiquei olhando para o relógio, vendo as horas se passarem enquanto um turbilhão de pensamentos invadindo minha mente. Decidi me levantar e tomar um pouco de água, desci as escadas silenciosamente para não acordar meus pais. Cheguei na cozinha e acendi a luz e fui até a geladeira pegando uma garrafa pequena de água e voltei para o quarto, as imagens de meu sonho ainda ficavam passando em minha mente, uma por uma. Bebi um gole d’água e fui em direção ao banheiro e me apoiei na pia, olhando para meu rosto no espelho, eu parecia muito cansado, lavei o rosto com água gelada para relaxar um pouco. Sentei na cama e liguei o abajur, peguei um lápis e um caderno, comecei a desenhar, desenhos do meu sonho, corpos no chão, carros parados no meio da rua com pessoas dentro, alguns com portas abertas, sangue pelo chão e outros elementos não muito importantes. Virei a página, desenhei agora o homem, com aquele sorriso. Arranquei a folha e amassei. Joguei para longe e coloquei o caderno e o lápis na mesa de cabeceira. Agora já eram seis e meia, meus pais estavam se levantando, desliguei o abajur e me deitei e fingi que estava dormindo. Não demorou muito e alguém abriu a porta, pela silhueta era meu pai, ele olhou pelo quarto e fechou a porta novamente, fiquei mais um tempo com os olhos fechados, esperei eles saírem de casa e entrarem no carro para levantar e me trocar.
Notas finais
O que acharam?
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