I Just Love You
9 Conversa
Notas iniciais
Meu café não foi lá grande coisa, tomei um pouco de suco de laranja e comi algumas torradas, não estava com fome. Embora eu não gostasse de ficar pensando no meu sonho fiquei relembrando, pois juro que vi um outro homem um pouco mais ao longe. Fechei os olhos e repirei fundo, tudo que eu lembrava era uma silhueta.
Deixei o copo e o prato na pia e fui para a sala, estava tudo bem calmo, sentei-me no sofá e liguei a televisão, não passava nada que eu assistisse, então desliguei de novo e subi para o quarto, fui direto para a varanda, precisava de um pouco de ar, sentei-me no parapeito e encostei em um pilar também de madeira e fiquei olhando para o céu, algumas nuvens passavam por ele vagarosamente.
Depois de um bom tempo sentado lá, acabei adormecendo, dessa vez sem sonhos, pelo menos não que eu me lembre.
Acordei com uma moto passando na rua, quase cai de onde eu estava, seria uma queda feia. Olhei no celular, três chamadas perdidas, uma de Hinamori e duas de um numero restrito, um desespero tomou conta de mim, aquele cara me ligou com um numero restrito da outra vez, e Hinamori também ligou, antes das duas ligações. Retornei a chamada para Hinamori.
Ela atendeu.
-Shiro-chan? – Suspirei de alivio, ela ainda estava viva.
-Me ligou?
-Sim, foi sem querer, o celular estava no meu bolso e ele ligou para você.
-Ah, tudo bem.
-Então, o que faz de bom?
-Nada, e você?
-Nada também.
-Por que você não vem aqui em casa? Daí pelo menos a gente faz nada juntos.
-Já to indo. – Ela ri. – Até daqui a pouco.
-Até.
Fui até meu banheiro e escovei os dentes e lavei o rosto. Desci e fui para a porta, Hinamori já estava lá. Fiz sinal para ela entrar. Ela estava linda, usava uma camiseta branca e uma calça jeans azul claro e um All Star branco também.
-Nossa Shiro-chan, você está péssimo. – Fama ela entrando.
-Valeu. — Falo sentando no sofá.
-Pelo visto não dormiu essa noite também. – Fala sentado do meu lado.
-Não consegui.
-Por que?
-Pesadelo.
-E o que tinha nele que não te deixou dormir?
-Pessoas mortas.
-Como assim?
Conto o sonho para ela, menos a parte em que ela aparece. Ela ouviu com atenção.
-Nossa, isso foi bem estranho.
Dei de ombros, não sabia se eu considerava isso estranho.
-Talvez.
-Você não me viu no seu sonho, viu?
“Se eu vi você? É lógico que eu vi você, e foi a parte mais triste do sonho, parte que eu mais odiei, a parte que eu quero apagar logo da minha mente, pois não suporto lembrar daquilo.” Pensei.
-Não, você não estava nele.
-Ainda bem, eu não queria morrer no se sonho. Vamos lá para fora?
-Tudo bem.
Saímos pela porta que ficava na cozinha, meu quintal era bem espaçoso, tinha uma arvore bem no centro, também tinha duas espreguiçadeiras mais ao fundo, quem usava elas geralmente era minha mãe, mas as vezes eu ia lá para ler ou fazer lição. Nos sentamos no chão de baixo da arvore.
Ficamos um tempo em silencio, um silencio que já estava me incomodando, porém eu não sabia o que falar. Olhei para o céu, estava bem limpo e azul, pequenos raios de luz passavam sobre as folhas da arvore, chegando até meu rosto. Encostei minha cabeça no tronco da arvore e fechei os olhos. Hinamori segurou minha mão.
-Está tudo bem?
-Mais ou menos.
-O que foi?
-Não é nada, só estou cansado e pensando em uma coisa.
-No que?
-É sobre o que eu te falei ontem.
-Sobre aquele cara que está atrás de você?
-É.
-No que está pensando?
-Depois eu te falo.
-Mas por que?
-Porque eu não tenho certeza.
-Certeza sobre o que?
-Sobre o que eu estou pensando.
-Mas isso que está pensando é bom ou ruim?
-Talvez os dois.
-Como talvez os dois? – Fala ela meio confusa.
-Ainda não sei.
-Não está pensando em desistir de tudo e se entregar né?
Fiquei em silencio, era isso mesmo o que eu estava pensando. Hinamori arregalou os olhos.
-Shiro... Me fale que não é isso!
Continuei em silencio, olhando a grama que estava perto dos meus pés. Minha mente estava uma bagunça, não conseguia me concentrar em nada.
-Não... Você não pode! Ouviu?! Você não pode! – Fala ela com lagrimas nos olhos.
-Você não entende, não tenho opção.
-Tem sim! Você pode falar com alguém! – Fala ela com lágrimas escorrendo pelo rosto.
-Não, não posso. Na verdade foi um erro falar para você.
-Por que?!
-Porque agora que você sabe eles podem ir atrás de você e fazer igual o que fizeram com aquela menina. – Falo com certa tristeza na voz.
“Provavelmente irão atrás de você.” Pensei.
-Mas... Shiro... – Fala ela parando logo em seguida.
As palavras dela ficaram no ar. Um silêncio pesado feito chumbo estava reinando.
Coloquei minha mão sobre a dela.
-Se acalme ok? Vou achar um jeito de sair dessa.
Ela dá um sorriso e vira a mão para que eu possa segurá-la.
-Promete?
-Prometo.
O sorriso se alargou. Ela agarrou meu braço e me abraçou. Retribuí o abraço. Ficamos assim por pelo menos um minuto. Quando nos separamos eu olhei no relógio, eram meio dia e meia, nos levantamos e entramos em casa.
-Vou pegar uma coisa no me quarto e já volto. Vamos almoçar no mesmo lugar de ontem ou no shopping? — Perguntei.
-Acho que no shopping.
Subi rapidamente para o quarto e peguei dinheiro e meu celular. Voltei para a sala onde Hinamori estava me esperando sorridente. Abri a porta e saímos. Fomos andando até o shopping, conversando sobre o livro que estávamos lendo na escola.
O shopping estava bem movimentado para um dia de semana, talvez pelo motivo de muitas pessoas almoçarem lá. Vimos um grupo de alunos da escola passar por nós, estavam matando aula. Olharam torto para mim, como sempre fazem.
-Eles vão se ferrar. – Falou Hinamori olhando para trás.
-Por quê?
-Olha para o cara que está a poucos metros atrás deles, é o vice-diretor.
-É, agora eles não escapam, eles vão levar uma bronca.
-Bom, é melhor não ficarmos aqui, vai que a confusão vem pra gente também.
Continuamos a andar em direção à praça de alimentação. Resolvemos pegar um lanche, entrei na fila e pedi para Hinamori pegar uma mesa. Não demorou muito para chegar minha vez.
-O que deseja? – Perguntou a atendente.
-Dois números quatro.
-Quais as bebidas?
-Suco de laranja.
-Vinte reais.
Paguei e fui para o outro lado esperar os lanches.
Fui até a mesa em que Hinamori estava. Ela parecia perturbada.
-Demorei muito?
-Não... – Fala ela olhando para os lados – Eu já volto, preciso ver uma coisa urgente. – E saiu correndo pelo meio das pessoas, até desaparecer.
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