I Hope You'll Remember Me
2 We Need To Have Hope
Notas iniciais
Aqui estamos, Henry e eu, na linha da cidade, prestes a deixar Storybrooke. Toda aquela ansiedade e felicidade de ontem, foram substituídas por nervosismo, preocupação e, acima de tudo, medo. Por mais que ainda quisesse ir lá e encontrar Robin, eu tenho, praticamente, certeza de que algo vai acabar acontecendo. Eu, provavelmente, acabaria o perdendo de novo ou, até mesmo, nem teria a chance de tê-lo novamente.
Descemos do carro e Henry foi se despedir de Emma. Já havia a agradecido por toda sua ajuda, que, sinceramente, fora muita e eu sabia que ela estava mesmo se esforçando para conseguir meu final feliz. Talvez ela quisesse se redimir por ter trazido Marian ou ela queria mesmo ser a salvadora. De qualquer forma, eu estava agradecida a ela, mas, digamos que não a considerava uma amiga, apenas uma pessoa mais suportável, porque, querendo ou não, ela ainda é uma charming.
—Hey, Kid, conseguimos mais uma operação— Emma afirmou e recebeu um abraço de Henry em resposta.
Okay. Não conseguimos tudo ainda. Cheguei até a abrir a boca para discordar, mas me contive. Eu tinha certeza de que, qualquer coisa que falasse, seria dar margem para Emma dar um daqueles discursos de esperança. Por mais que parecesse que ela não dizia por querer, como mencionei, ela é uma Charming e essa coisa de “Discurso de esperança” parece ser de família. Percebi isso no tempo em que tentamos trabalhar na operation mongoose juntas.
Assim que se separaram, Emma deu um beijo no topo da cabeça de Henry, em seguida ele entrou no carro. Antes que pudesse fazer o mesmo, ouvi Emma dizer algo.
—É... Regina... Vai dar tudo certo.
Apenas dei um sorriso forçado e entrei no carro. Eu tinha um pouco de esperança em relação a essa viagem, mas a maior parte de mim não conseguia colocar muita fé, não depois de tudo o que aconteceu, de já ter perdido Robin duas vezes. A única coisa que está na minha cabeça, é que, quando se trata de mim—Quando se trata da Evil Queen—, as coisas tem uma tendência incrivelmente maior de dar errado. Mas, só de pensar na possibilidade de ver Robin, meu Robin, de novo... Não sei... Simplesmente me dá uma vontade de tentar.
Respirei fundo antes de colocar o cinto de segurança. Segurei com firmeza no volante. Olhei para Henry sentado ao meu lado e ele deu um sorriso. Fiz o mesmo, dessa vez, sinceramente. Se, em algum momento nesses meses, eu tentei acreditar que algo podia dar certo, era vendo meu filho se esforçando para me ajudar, se esforçando para que eu conseguisse ser feliz.
Liguei o carro e, assim, finalmente, cruzamos a linha da cidade. Olhei pelo retrovisor e consegui ver Emma acenando e o fusca amarelo ao seu lado. Todas as minhas lembranças de Storybrooke, da floresta encantada, estavam intactas. Eles realmente quebraram qualquer maldição que pudesse haver ali.
***
Já havíamos embarcado no avião. Uma sensação de ansiedade me dominava. Cada minuto que passava, estava mais próxima de rever Robin. Cada minuto que passava, meu coração parecia acelerar um pouco mais. Pensava nisso, quando Henry, aparentemente ansioso, me cutucou.
—Mãe—Henry colocou sua mão dentro do bolso de seu casaco—Minha mãe, Emma, pediu para te entregar isso.
Segurei o papel, um pouco amassado, e o analisei. Estava cheio de nomes de ruas, números de casas e prédios, estava cheio de endereços. Endereços, que eu tinha certeza, que eram lugares que Robin possivelmente estaria.
—Emma é realmente boa em achar pessoas, não?—Disse e olhei a lista, com os vários endereços— Porém, ela poderia ser mais exata.
Henry apenas riu do meu comentário e voltou a remexer em seu bolso, retirando outro papel, dobrado, porém tão amassado quanto o outro. Apenas o peguei e o desdobrei não acreditando no que via.
—Emma não me deixou lhe mostrar isso quando achamos não até quebrarmos a maldição na fronteira da cidade—Henry explicou, com um tom de voz relativamente baixo, afinal, o quão estranho seria essas pessoas todos ouvirem essas coisas de magia?
—Henry, eu já havia visto isso— Respondi, ainda olhando para a página 23. Aquela mesma que rasguei na fronteira da cidade, meses atrás.
—O que? Como assim? Queria fazer surpresa... Minha mãe te mostrou? Belle te mostrou? Quem te mostrou?— Ele parecia arrasado por já saber, mas sua reação me fez soltar uma breve risada.
—Bem... Robin me mostrou—Henry me lançou um olhar confuso e curioso— Quando Marian estava congelada, Robin também quis me ajudar com meu final feliz, então, ele a achou—Ele deu um sorriso, porém ainda estava confuso—E eu tinha certeza que a havia rasgado depois de Robin ter ido embora, mas, aparentemente, esse autor é mais imprevisível que imaginamos.
—Mas... Não me parece que algum dia foi rasgada—Olhou a página em minha mão— Como está aqui? Como a achei? Essa é, tipo, uma cópia?
—Na verdade, eu não sei... Gostaria tanto de saber quanto você—Era a única resposta que tinha.
Henry parecia ter se contentado com minha resposta, mas eu sabia que, não, ele não havia se contentado com uma resposta tão vaga. Se ele tiver, posso ter certeza de que não é meu filho que está do meu lado. Eu sei que ele ainda vai tentar descobrir o que tem de tão importante nessa página para ela ficar aparecendo assim. Tenho, praticamente, certeza de que ele pensou nisso o voo inteiro.
Já eu, enquanto Henry não tirava a expressão de pensativo do rosto, fiquei olhando aquela página. Houve, sim, momentos em que me arrependi de tê-la rasgado. Momentos em que apenas precisava de algo que me fizesse, nem que seja um pouco, feliz. Mas também havia momentos em que não me arrependia nem um pouco, por ter medo de que todas aquelas lembranças de Robin aparecessem e talvez me fizessem ficar pior do que pudesse estar. Ali, agora, analisando a página 23, lembranças me vieram, mas diferentemente de como pensei não me senti mal. Na verdade, eu me lembrei que aquela página surgiu em um dos poucos momentos que tive esperança. Talvez isso fosse uma espécie de aviso. Talvez seja por isso que Henry me mostrou só agora. Talvez, eu tenha que ter esperança. Tudo bem, eu tenho mesmo que diminuir minha convivência com a Snow.
***
Enfim, chegamos. Nova Iorque. Aqui, definitivamente, não tem nada a ver com Storybrooke. Cidade movimentada, vários prédios... Me pergunto como Robin estaria lidando com tudo isso, ou até mesmo Roland. Aposto que o pequeno deve estar adorando viver em uma cidade grande, ir à escola, fazer novos amigos. Robin deve estar se dando bem, deve ter arranjado um emprego de meio-período ou um serviço qualquer, Marian deve estar ajudando também. Acredito que eles estejam se virando bem. Espero que estejam.
Agora, estamos indo para o apartamento em que Henry e Emma moravam. Emma deixou a chave com Henry a pedido do mesmo. Ele não queria se hospedar em algum hotel, parecia que queria matar a saudade de lá, não sei. Não insisti muito, porque, afinal, quais outros motivos existiriam para querer ficar em seu antigo apartamento? E, assim que chegamos lá, percebi que era um lugar confortável, seria bom passar um tempo ali.
Havia dois quartos no apartamento, Henry ficaria no seu e eu ficaria no que era de Emma. O quarto não era grande, afinal, era um apartamento. Deixei minhas malas em um canto e me sentei na beirada da cama. Estava mais nervosa ainda. Já estamos em Nova Iorque e agora falta acha-lo... Certo? Espero que sim. Retirei a lista com os endereços do bolso e a olhei, mais uma vez. Na verdade, tinham muitos mesmo, no mínimo uns 15. No início da lista, como se já não bastasse ter tantos, tinha um endereço mais apagado... Provavelmente não era importante, estava apagado, afinal, mas, no fundo, estava um pouco intrigada.
—Mãe?—Fui despertada de meus pensamentos quando Henry apareceu no quarto— O que está fazendo?—Perguntou, curioso, e sentou-se ao meu lado.
—Apenas olhando esses endereços—Respondi— E ficando desanimada em ter que andar por Nova Iorque inteira à procura de Robin— Completei. Na verdade, o que mais queria fazer agora era começar logo e acha-lo.
—Pensei que estivesse ansiosa para achar Robin—Ele riu.
—Claro, eu estou, mas olha isso—Mostrei a folha—São muitos endereços.
—Então que tal, acabarmos com isso logo? Começar a procurar agora?—Sugeriu, mas antes que pudesse concordar, Henry continuou— Mas, antes, vamos almoçar. Estou morrendo de fome.
—Respondendo a primeira pergunta, sim, vamos começar o quanto antes. E, quanto ao almoço... Também estou morrendo de fome.
—Vamos sair e comer pizza!—Exclamou, animado e se levantou da cama.
—Pizza, no almoço? Henry, claro que não—O repreendi.
—Ah, mãe, por favor—Ele fez uma carinha fofa, que... Céus! Há quanto tempo não o via assim, fazendo uma carinha fofa para tentar me convencer de algo.
—Não adianta fazer...—Antes de terminar minha frase olhei mais uma vez para Henry e ele continuava com a carinha fofa, o que, facilmente, me convenceu—Okay, mocinho, mas não se acostume.
Ri da pequena comemoração do meu filho e me levantei da cama o seguindo para fora do quarto. Uma das coisas que mais me anima são minhas conversas com Henry e é exatamente por isso que não gostava de incluir nelas assuntos que me deixariam cabisbaixa ou então falar em um tom mais cômico para não parecer uma coisa muito séria.
Continuamos com as mesmas roupas e saímos do apartamento. A parte em que falei que estava com fome, era sério, muito sério. Estava fechando a porta quando escutei vários barulhos—Pareciam gritos e risadas— vindos, aparentemente, dos andares de baixo.
—Henry, os vizinhos são sempre tão barulhentos?—Perguntei, já com a porta fechada e já andando até as escadas.
—Não, na verdade, não que me lembre—Ele parecia tão surpreso com os barulhos quanto eu—Mas, isso não é nada com que devemos preocupar. Temos um final feliz e uma pizza para achar—Ri da última frase, que também me lembrou de algo, aquele endereço apagado me incomodava, não sei por quê.
—Claro, pizzas são de extrema importância—Tentei continuar rindo— Mas, filho, quanto ao final feliz... Tem certeza que aqueles endereços são confiáveis?
—Com certeza... Por quê? Não confia na Emma?
—Bem... Confio... É só que... Tem um meio apagado e eu queria saber por que, não sei só por curiosidade mesmo.
Antes que Henry pudesse me responder, alguém, mais precisamente um homem, que estava correndo, não sei por que—Quem corre em um apartamento? Principalmente sendo adulto?— trombou comigo e eu, consequentemente, cai no chão, a sorte era que não estávamos mais perto das escadas. Fiquei furiosa.
—Olhe por onde anda—Cuspi as palavras.
—Me desculpe... Está bem, Milady?—O homem, cuja voz me afetou de uma maneira inexplicável, ofereceu sua mão para me ajudar. Foi então que entendi o porquê de ter me afetado. Lá estava sua tatuagem de leão. Era ele, ali, na minha frente agora... Não, não pode ser. Foi tão fácil e nunca é tão fácil, não para mim.
Por impulso apenas peguei sua mão, aceitando a ajuda. Ao me levantar nossos olhares se encontraram e percebi, então, que realmente era ele. Robin Hood ali na minha frente. Meu coração acelerou e, involuntariamente, um sorriso brotou em meus lábios e tudo que consegui fazer foi pronunciar seu nome, incrédula.
—Robin.
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