Notas iniciais
Oi gente, nome do capítulo boato? O que será, hein? — Vamos aos agradecimentos? Muito obrigado: Midchan, LadyRafaela, Okumura Yui, Ângela, penanegra, Renata, Giovana, Adi Gallia, YumeChaan, Lady Cherry, Linkbill, Nessie, Yamashita, Thysia, Valbert, Lisa, Caio e Cristal. Muito obrigado aos lindos do Sketcher! — Esse capítulo é destinado as duas lindas que recomendaram a fic: MIniLua e YumeChaan! Muito obrigado suas lindas, o capítulo é todo de vocês! — NO FINAL DO CAPÍTULO VOU PUBLICAR UMA NOTA E GOSTARIA MUITO QUE VOCÊS LESSEM! — PRÓXIMO CAPÍTULO: 19 de Março.

Era mais uma segunda-feira chuvosa. E como eu odeio segundas chuvosas. Eu acordei sozinho no meu quarto. Jonathan agora dormia sozinho e eu também... E como eu sinto saudades de ver aquela cueca recheada pela manhã. Levantei meio sonolento, cabelos lisos desarrumados e com moletom qualquer. Chovia forte naquela manhã e eu resolvi tomar um banho quente, era uma pena que apenas o banheiro de Jonathan tinha a água quente que eu amava.

Resolvi então, mandar uma mensagem para ele avisando que eu iria tomar banho lá.

“Vou usar seu banheiro. Manhã fria e água quente combinam! Posso?”

Poucos segundos depois recebi a resposta.

“Bom dia para você também! Vem... Desde que você apareça aqui apenas de cueca... Tô muito a fim de transar hoje de manhã.”

Talvez ele fosse o ser mais insano que a Terra já viu. Quem imaginaria em transar com o “irmão” sendo que os nossos pais estão dormindo bem ao lado? Apenas um completo pervertido como Jonathan.

Retirei o moletom ficando apenas com uma cueca normal branca. Diferente de Jonathan que era adepto das boxers, eu preferia as cuecas normais. Eram mais bonitinhas no meu corpo e deixavam minha bunda mais moldada. Ok, esquecendo os detalhes. Peguei uma toalha e fui caminhando devagar pela escada até chegar à bela porta negra do paraíso. Confuso isso.

Dei uma leve batida e logo ela abriu, mostrando o loiro mais gato que eu já tive o prazer de conhecer. Desculpe Luck, mas Jonathan era bem mais gato. O loiro estava com o rosto inchado e com os cabelos arrepiados. Usava uma camiseta branca e uma cueca boxer verde. E que saudades de admirar aquela mala. Ok, eu estou parecendo tão pervertido quanto ele, mas acreditem se vocês vissem um pacote tão bem recheado como o de Jonathan vocês babariam. (Não babariam não, é só meu!). Senti meu braço ser puxado e depois minhas costas baterem forte contra a porta. Jonathan sorria agressivo e sexy.

—Perdeu alguma coisa, garoto? –Não tinha como não rir. –Tá rindo de quê, viadinho?

—Eu não perdi nada não, senhor heterossexualidade.

—Ah não? –Perguntou irônico. –Então porque você estava olhando para o senhor Maserati aqui embaixo?

—Quem disse que eu estava olhando para ele? Afinal, mau da para ver? É tão pequeno!

—Pequeno vai ficar você depois de tantos socos que eu vou dar na sua cabeça!

Ri, mais uma vez. Agarrei o cós da cueca e fui puxando o loiro por ali. Como eu estava puxando dava para ver, seu membro estava semi-ereto, descansando no lado direito, os pelos loiros lisos e pouquinhos estavam em cima. Bati contra a porta do banheiro e o loiro agarrou minhas coxas nuas apertando a carne, as unhas curtas arranhavam ali.

—Você é sempre tão obediente. Sabia que iria vir apenas de cueca.

—E você sempre despreocupado, sabia que seu pai e minha mãe dormem no quarto ao lado?

—Quem liga?

—Eu!

Ele baixou a guarda e eu entrei depressa no banheiro. Trancando a porta e ouvindo as batidas dele. Batidas fortes.

—Para de bater, seu idiota! Seu pai vai ouvir.

—Que seja. Abri logo.

Abri e ele entrou agarrando meu cabelo. Sempre iria acontecer isso, Jonathan sempre iria me pegar ou pelos cabelos ou pelos pulsos, eu já sabia disso. Ele foi andando devagar até eu bater contra o vidro frio do box.

—Um dia, eu vou ficar completamente roxo de tanta pancada que eu levo quando estou com você.

—Eu sei que você adora, quando eu te pego assim, Hassanzinho.

Ele agarrou minha bunda e apertou a carne com força, gemi com a boca em seu ombro. Era completamente excitante essa pegada forte. É, podem me chamar de masoquista.

—Eu posso tomar banho, agora?

—E se eu dizer que não? –Fiz um olhar pidão, não tinha certeza se isso iria dar certo, mas tinha que tentar. –Vai lá. –Ele ensaiou uma saída do banheiro, mas ficou encostado com a porta aberta, enquanto eu me despia. –Bunda gostosa!

—Saí logo, seu bundão idiota!

Finalmente ele saiu e consegui tomar um banho calmo e quente. Nossa, como era agradável a temperatura daquela água naquela manhã chuvosa. Lembrei-me que não poderia demorar, afinal Paulo e minha mãe logo acordariam. Saí do banheiro enrolado com a toalha e percebi que Jonathan não estava no quarto. Ufa! Não seria agarrado ou algo do gênero. Desci as escadas e percebi que todos os três já estavam à mesa. Paulo com seu jornal. Jonathan comia alguma coisa e minha mãe terminando de preparar seu pão.

—Bom dia, filho. Não ouvi você tomando banho.

—Ahh... O Has tomou banho no meu banheiro, sabe... A água do banheiro social estava fria. –Explicou Jonathan tentando transparecer descaso. Ele era até um bom ator e tinha que ser mesmo, afinal minha mãe era uma excelente advogada, ela conseguia notar uma mentira muito facilmente.

—Tenho que trocar aquele chuveiro. –Reclamou Paulo.

—Ou podemos chamar um encanador.

—Não precisa, eu sou o homem da casa. Posso fazer esse serviço.

—Ok, então homem da casa, já que você é o super marido que tal concertar o meu carro e a porta do nosso banheiro.

—Querida, você quer que eu seja encanador, mecânico, carpinteiro e ainda um bom amante? Está pedindo demais. –Minha mãe pegou o jornal e bateu forte contra o braço do esposo. –Ahh, só tô dizendo a verdade.

—É Gabriela, o velho ainda dá um caldo.

—Velho é o seu avô, garoto! Tá pensando o quê? Eu não dou um caldo não! Dou uma sopa inteira!

—Ok. –Ri por fim, esse momento família estava acontecendo muito raramente. Quando namorava Luck, Jonathan não fala nada a mesa e o seu pai pouco também. Acho que eu meio que faço bem a ele, é talvez esteja me achando demais, mas é verdade. –Vou me arrumar ou vou me atrasar.

Entrei no quarto e tranquei a porta. Fui até o guarda-roupa e procurei todo o meu uniforme. Depois de muito remexer, eu sou organizado, mas não tive tempo de arrumar meu armário. Senti uma mão puxando a minha toalha e me deixando despido. Meu corpo começou a ser virado e me jogaram contra o guarda-roupa, quando eu ia gritar, senti uma mão apertar minha boca e reconheci aqueles olhos azuis encantadores. Jonathan havia entrado no meu quarto de alguma forma. Quando acalmei ele tirou a mão.

—Seu louco! Por onde entrou?

—Por onde você acha que os príncipes vão visitar as princesas? –Ele apontou para a janela aberta.

—Já disse que princesa é sua avó! Você é maluco, moleque? Entrar no meu quarto, eu tenho que me vestir.

Ele se afastou e sentou sobre minha cama.

—Vai veste, mas vira de costas eu amo ver sua bunda se mexendo.

—Aí Deus! Eu mereço esse retardatário...

—O quê? Que droga é essa? –Perguntou enquanto eu terminava de vestir minha calça.

—Retardatário, retardado, atrasado. Nossa, além de retardatário ainda é burro.

Fui até o espelho para ajeitar meu cabelo. Como sempre demorava de cinco a sete minutos tentando montar meu topete.

—Ahh, eu sou mesmo burro. Só tenho que saber uma coisa mesmo. –Ele se aproximava, eu sabia que ia aprontar alguma coisa.

—E o que você precisa saber?

Senti seus dedos tocarem minha cintura e me girarem devagar, logo depois ele se encostou a mim, me fazendo ficar entre o espelho e ele. Como um sanduíche e logo sua boca veio devagar até meu ouvido, dando uma mordida lenta e prazerosa que me rendeu um gemido perdido.

—Isso... Saber onde tocar em você para te fazer gemer.

Agarrei seu pescoço com força e dei um beijo forte e agressivo nos lábios finos do loiro. Era incrível como ele conseguia segurar minha cintura com força e me sentir flutuando em um paraíso. Suas mãos passeavam devagar pelo meu corpo. Só ele sabia fazê-las passear. Parei o beijo em busca de ar e sua boca desceu para meu pescoço.

—Não, Jonathan... Temos que ir para escola e você não pode me marcar.

—E como vão saber que você é meu?

—Não precisam... Apenas eu preciso saber que sou seu e que você é meu!

—Quem te disse isso? Agora eu tenho um carro, milhões de gatinhas e gatinhos virão pegar o senhor Maserati aqui.

Sempre cômico, às vezes chegava a ser chato.

—Depois não reclame quando eu tiver dançando para outro. –Empurrei seus braços e ele logo se aproximou de novo.

—Não vai! Sabe por quê? ... Porque você é pirado no loiro aqui.

—Dá um tempo, preciso me arrumar. –Empurrei de novo e dessa vez ele saiu de perto de mim mesmo.

—Tá chateado, Has? –Me perguntou apreensivo, eu não estava, mas é sempre bom brincar com o Jonathan.

—Ainda pergunta?

—Que besteira! Tá na hora de deixar de ser criança, não acha? –E ele saiu pela janela revoltado. Era legal chatear ele. Muito até.

[...]

Estávamos no carro. Não havíamos dito uma palavra ainda. Jonathan estava calado demais. O caminho para a escola não era muito grande, então era melhor eu tomar uma atitude depois, claro, de descrever como ele era tão BadBoy no carro. Jonathan usava óculos escuros bem interessante, os cabelos loiros estavam esvoaçantes graças ao vento vindo da janela. O uniforme da escola ficava sob a jaqueta de couro e a calça jeans de lavagem escuras, que era incrível. Era atual e muito sexy.

—Jonathan?

—Fala!

—Você tá chateado?

—Ainda pergunta?

—Pow, desculpa! Eu estava só brincando, não pode ficar com raiva por isso. Você sempre brinca comigo e eu nem reclamo, cara. –Ele riu. Esse otário estava apenas tirando uma com a minha cara. Como ele era ridículo. –Como você é idiota!

—Ahh, você adorou, não é?

—Claro, adorei ter que me humilhar para você.

—Ok, chegamos... Agora eu te odeio, você me odeia e fica tudo numa boa.

Descemos do carro e... O pessoal estava todo olhando para nós. Olhei para Jonathan assustado e ele deu de ombros como se dissesse que não estava entendendo também.

—Jonathan? Belo carro...

—É... Carro legal, cara.

Eram Eric e Júnior, os dois jogavam no time de futebol da escola.

—Valeu Eric, Júnior.

Eu saí, claro afinal na escola nós não podíamos ser tão legais um com o outro. Caminhei até minha sala de aula e claro, Luck já estava lá sentado. Estava entristecido e claro que aquilo me machucava. Afinal, tinha uma parcela de culpa, mas ele também.

—Luck?

—Oi, Has. Tudo certo?

—É... Porque você não tá com a galera do vôlei?

—Quis vir para sala de aula.

—Has! –Camila chegou correndo, os cabelos presos. Ela sentou na cadeira a minha frente e virou olhando nos meus olhos. –Você veio com o Jonathan?

—Vim... Por quê?

—As meninas me contaram que ele chegou naquele carrão que está estacionado lá na zona dos alunos. É verdade?

—É... Paulo deu para ele essa semana.

—Espera um pouco. –Luck se intrometeu. –Jonathan ganhou um carro?

—Foi sim, vocês estão tão surpresos... O quê houve?

Os dois se entreolharam. E eu continuei sem entender. Luck acenou que não com a cabeça e Camila me olhou.

—Nada. Só um susto.

—Vocês estão me enganando. O que aconteceu?

—Assim... –Luck começou. –Um boato saiu pela escola há algumas semanas... Sobre o Jonathan, mas nós não temos certeza de nada.

—Certo. Compreendi, mas então me contem o boato.

—Melhor não, Has. É algo forte demais. Acho melhor você saber pelo Jonathan, afinal esse assunto só diz respeito a ele. –Camila me explicou e eu fiquei até assustado. O que será que Jonathan fez? –Mas me conta. Ele tá namorando?

—Quem o Jonathan? –Meu coração gelou, eu poderia mentir e dizer que sim, mas a situação ficaria preta para mim, mas ele estava namorando sim, comigo. Estávamos namorando? –Eu não tenho ideia, Camila. Como vou saber da vida daquele garoto?

A turma começou a entrar e o professor veio logo, em seguida. A aula começou e eu não conseguia me concentrar. Um boato? Envolvendo Jonathan e como eu não soube de nada? O boato saiu na escola e eu durante esses dois meses, só faltei três dias, já que eu estava com crises de asma. Só poderia ter sido nesse período. Logo a aula terminou e eu não soube de nada que o professor havia dito durante aquelas horas.

Tentei levantar e aproveitar o intervalo, mas minhas pernas travaram e eu não consegui me mexer.

—Has... Não vai para o intervalo? –Luck me perguntou preocupado.

—Ahh... Não! Não estou com fome, nem nada.

—Ahh, Has! Que saco, me deseja sorte com o Jonathan, ok? –Eu juro, se minhas pernas tivessem funcionando, eu voava nessa piranha. Nossa que vadia.

—Boa sorte, amiga! –Falso! Era a única coisa que ela merecia e que eu poderia fazer. Falsidade. Os dois saíram, assim como toda a turma. –Maria Gasolina!

Durante o intervalo pensei e repensei toda a meia notícia que eu recebi no início da aula. Abaixei a cabeça e pensei, mas eu não tinha o que pensar. Afinal eu não sabia de nada. Só sabia que Jonathan estava envolvido em boatos e que tanto Luck quanto Camila estavam surpresos por ele ganhar um carro depois desses boatos. Talvez Jonathan tenha arrumado confusão, batido em alguém, mas essas hipóteses só faziam piorar minha situação e aumentar minha dor de cabeça. Como a escola era aberta e pouco ligava para a frequência dos alunos, consegui ir embora. Saí sem ser notado.

Corri para casa com se estivesse passando mal e na verdade eu estava, estava mal por dentro. Ao chegar corri para o banheiro e vomitei até o que eu não tinha comido. Talvez o nervosismo ansiedade e tudo mais me fizeram ficar mal do estômago. A escola não era longe felizmente, se não teria vomitado na rua. Resolvi ir até o meu quarto. Tranquei a porta e a janela por precaução. E tentei dormir, mesmo que não tenha conseguido era melhor forma de evitar contato com Jonathan.

[...]

Era sábado.

Não consegui falar com Jonathan, nossos contatos estavam escassos. Eu acordava mais cedo e ia para escola caminhando, lá era o único lugar onde ele não poderia falar comigo, já que não queríamos dar bandeira. Saía correndo para ele não me alcançar, felizmente os amigos dele de futebol sempre o alugavam. Jonathan havia voltado ao time depois da novidade do carro novo. Ele só treinaria no fim de semana, por causa do emprego, mas como ele era um bom jogador, conseguia manter a forma e a habilidade. Pessoas são extremamente fúteis.

Já que ele ficava lá sendo babado pelos garotos, dava tempo de eu chegar em casa, comer rapidamente e me trancar no quarto. Durante a tarde era mais tranquilo, eu ficava na sala e em qualquer parte da casa, durante a noite eu comia qualquer coisa escondida e fingia ir estudar trancado ou dormir mais cedo. Minha mãe havia ficado preocupada, mas consegui contornar a situação.

O suposto boato ainda mexia com minha cabeça e eu não sabia absolutamente de nada. Só havia uma forma de eu saber qual era esse boato. Perguntando ao cara que estava envolvido nele. Jonathan Maserati.

Estava na hora de almoçar. Todos estavam em casa e seria hora de encontrar com o loiro, embora eu quisesse saber exatamente quais os fundamentos desse boato, eu não tinha coragem de perguntá-lo sobre.

Saí do quarto e fui até a mesa, todos já estavam lá, apenas esperando minha presença. Servi meu prato e começamos a comer.

—Filho, tenho algo importante a dizer...

—Fala, mãe.

—Hoje, eu e Paulo iremos a um coquetel especial na casa de um advogado importante do país e precisamos que vocês vão conosco.

—Vocês? –Perguntou Jonathan. –Isso quer dizer eu e ele?

—Isso mesmo, Jonathan. –Paulo disse. –Esse amigo é muito influente e nos convidou para um belo coquetel. Terão que ir, com trajes adequados e por favor, se comportem.

—Vocês só podem estar zuando. Como assim trajes adequados? Vou ter que usar aquele terno horrível, pai?

—É por pouco tempo, Jonathan. Nós só vamos lá, ficamos por pouco tempo e logo voltamos para casa.

—Mas eu tenho treino de futebol.

—O treino pode esperar até amanhã, filho. É importante para mim, eu quero muito te levar lá. –Eu sabia como aquelas palavras tinham afetado o loiro. Mesmo Jonathan querendo ser um garoto independente e completamente dono do próprio nariz, ele respeitava muito as vontades de Paulo.

—Tudo bem. –Aceitou.

—E pra você, Has? –Minha mãe perguntou.

—Claro.

—Certo, estejam prontos as oito. Iremos cedo e cedo voltaremos.

O almoço transcorreu sem mais nenhuma preocupação. Logo depois de tudo isso, Paulo e mamãe foram para o escritório e Jonathan para o treino de futebol, prometendo voltar cedo para não faltar ao tal coquetel.

[...]

Anoiteceu rápido, estava no meu quarto, mais uma vez, em frente ao espelho tentando arrumar meu cabelo. Usava um terno normal, preto e até que bem colado ao corpo. Eu não sou muito adepto de roupas largas. Meu gel de cabelo havia acabado e sem ele, meu cabelo teimava em sair do lugar. Subi as escadas apressado, a porta negra estava aberta e eu entrei sem cerimônia.

—Jonathan, você pode me emprestar gel de cabelo? –Ele estava lindo.

Jonathan estava usando um terno totalmente preto como o meu, mas nele estava bem melhor. Ele estava em uma luta incrível com a gravata. E a gravata estava ganhando.

—Pode pegar, tá em cima da cama. -Ele nem havia me visto. Estava concentrado em conseguir colocar a gravata, eu peguei o tubo e ele me olhou. –Como conseguiu por isso?

—Minha mãe me ensinou quando eu era criança, às vezes não podia ficar com minha vó e ela tinha que me levar para os eventos.

—Ficaria lisonjeado, se você puder me ajudar.

Sorri e fui até a sua frente. Jonathan estava na minha frente, com olhos azuis presos em minhas mãos que estavam segurando cada lado da gravata azul marinho. Ele poucos centímetros maior do que eu, mas eu já podia sentir o fator de dominância que ele sempre teria sobre mim.

—Vamos lá. Passa para um lado, passa para o outro, vem por trás, passa pelo buraquinho e puxa para baixo. –E pronto, havia colocado a gravata nele, suas mãos seguraram as minhas com força. Eu sabia que não conseguiria sair. Ele levou minhas mãos até o seu pescoço e eu já estava hipnotizado por aqueles olhos imensos e azuis. Sua boca se aproximou e pude, mais uma vez, sentir o gosto dos lábios finos do loiro.

Estávamos desde segunda-feira sem trocar nenhuma carícia. E aquilo estava me matando por dentro, como eu sentia falta daquele toque de lábios, daquelas mãos que me seguravam tão firmemente. Lembrei-me que a porta do quarto estava aberta e resolvi me soltar daquele contato.

—Adorei a parte que passa pelo buraquinho. –Sorriu safado e eu corei.

—Minha mãe me ensinou essa música quando tinha sete anos, não sabia que isso era algo pervertido, seu porco imundo.

—Melhor descer e levar o gel. Te vejo no carro. Hassanzinho.

—Estúpido!

—Gostoso!

Desci sorridente e covarde. Sorridente por saber que Jonathan não estava zangado com a minha indiferença para com ele e covarde por não ter tido coragem de pergunta sobre o tal boato que não saia da minha mente.

Minutos depois entramos no carro de Jonathan. Como ele era o mais atual e mais bem conservado, Paulo resolveu ir com ele. Estávamos na garagem, esperando a única mulher da casa. Paulo ia à frente, minha mãe ao seu lado e eu e Jonathan no banco de trás.

—Mulheres e seus atrasos. -Reclamou o loiro mais velho.

—Pelo menos é só uma mulher, pai. –Animou Jonathan.

—E é melhor ser assim, por um bom tempo. Não quero sustentar nem mulher, nem filhos seus, Jonathan Maserati. –Jonathan sorriu. –E nem seus também, senhor Mebarak!

Corei fortemente e Paulo deu uma alta gargalhada, quando reparou na minha vergonha. Minha mãe apareceu, ela estava deslumbrante, usava um vestido azul marinho (por esse motivo todos nós estávamos com gravatas azuis). Era longo e cheio de um brilho incrível. Seu cabelo tinha um penteado bem atual. Ela entrou e finalmente pudemos partir.

—Nossa, estou tão bem acompanhada de três belos rapazes.

—Acho que você quer dizer, dois belos rapazes e um senhor de idade avançada. –Ironizou Jonathan. A relação dele com minha mãe era melhor agora. Os dois se comunicavam raramente, mas se respeitavam.

—De novo esse papo, Jonathan! Até quando você vai achar o seu velho, um velho? Sabia que eu ainda faço sucesso com a mulherada? –Minha mãe olhou para ele com aquele olhar de mulher ciumenta que é capaz de matar até um búfalo. –Claro, que eu só tenho olhos para você, senhora Maserati.

—Acho bom mesmo!

—Estou me sentindo um membro da família Adams! –Reclamei devido à roupa que estávamos usando e logo todos estavam rindo também.

Chegamos ao evento. Todos estavam sorridentes e muito falsos. Sim falsos, afinal riqueza era sinônimo de falsidade. Dezenas de homens vestidos com roupas caras e com carros incríveis. Mulheres com vestidos espalhafatosos e brilhantes, bolsas caras, maquiagens e penteados impecáveis. A casa não era uma casa. Era uma das mansões mais incríveis da cidade. O advogado em questão era senhor Alberto Duarte. Um mineiro que estava passando pela nossa cidade, depois de um caso extremamente delicado. A mansão dele era extremamente grandiosa e logo o anfitrião veio nos cumprimentar.

—Olá senhor e senhora Maserati. –Ele deu um aperto de mão apertado com o homem e um singelo beijo na mão de minha mãe. –Fico lisonjeado que dois grandes companheiros de trabalho vieram prestigiar minha festa.

—Eu, particularmente, fiquei extremamente envolvida com o caso do ator que o senhor participou.

—Um dos mais difíceis da minha vida. –Esse tal caso deu em toda a mídia nacional. O caso em que o advogado mineiro ajudou o conterrâneo e ator pornô gay. O resultado ainda não foi dado, mas dizem que ambos foram muito bem, no exterior. E claro, logo as especulações de que os dois estavam tendo um caso foram maiores. –Ainda, esperamos o resultado.

—O senhor, como sempre, irá ganhar! –Paulo afirmou.

O histórico do senhor Duarte era perfeito. Dentre todos os casos que ele já havia trabalhado, ele perdeu apenas um. E ainda por uma pequena margem do júri. Era considerado como um advogado perfeito. Por isso, era tão rico e tão bajulado.

—E esses dois rapazes. Filhos de vocês?

—Sim, o loiro é meu filho e o moreninho da minha esposa. –Tem algo mais ridículo do que ser chamado no diminutivo? Era revoltante!

—Belos rapazes, quais profissões querem seguir jovens?

—Eu quero jogar futebol. –Respondeu o loiro.

—Eu estou em dúvida entre medicina e direito.

—Áreas nobres, meu rapaz! Bem, tenho que ir. Recepcionar os outros convidados. Até mais!

E então o ruivo saiu.

Continuamos dando bobeira naquela festa. Gente bonita e gente rica andando de um lado para outro. Música clássica era tocada o que deixava tudo muito chato e logo começou a piorar

—Jonathan? –Um garoto chamou o loiro e eu olhei tentando reconhecer. Era o tal de Yuri. O garoto que estudava na sala de Jonathan e que era o amiguinho nerd favorito dele. Revoltante, não? –Não sabia que você viria para a festa do senhor Duarte!

—Oi, Yuri! Conhece o Hassan?

—Ah, sim. Olá Hassan... Mas então me diz, o que vai fazer depois do coquetel? –Ele está interessado no meu loiro ou é impressão minha? Olhei para aqueles óculos terrível que ele carregava no rosto e pude ver os olhos brilhando ao falar e olhar para o jogador.

Saí de fininho e fui procurar minha mãe. Ela estava conversando com outra bela mulher que insistiu em saber quem era o “lindo garotinho de olhos verdes que acabou de chegar.” Ou seja, eu. Minha mãe fez séculos de apresentação e vez por outra eu via Jonathan conversar e sorrir falando com o garoto.

—Mãe, eu quero ir para casa! –Respondi com birra. Me chamem de mimado eu aceito!

—Filho, mas eu e Paulo ainda vamos continuar na festa e depois teremos um jantar de despedida especial com o senhor Duarte, não podemos faltar.

—Então eu vou de taxi. –Ensaiei uma saída patética e minha mãe me agarrou.

—Tome a chave. –Ela me deu a chave de casa e do carro. –Paulo me deu, ou então perderia. Peça para Jonathan lhe levar para casa, nós iremos de carona com alguém.

—Ok, beijo tchau!

Saí em disparada. Fui direto ao encontro do loiro que ainda conversava com o nerd loirinho.

—Ahh, que pena eu ia adorar que fosse comigo, para a festa depois daqui. –Completava o loirinho.

—Jonathan. –Quase gritei, eu estava com ciúmes e isso não é nada de errado! –Seu pai ordenou que me levasse para casa. –Menti e que mentira mais feia, mas eu precisava tirar o meu Jonathan (agora posso chamar de meu) de perto dessa... Coisa loira insuportável.

Joguei a chave contra o peito malhado de Jonathan e comecei a sair da festa com um ódio imensurável.

—Has... Espera, que ataque foi esse?

—Estou com dor de cabeça, quero ir embora!

—Calma. –Eu ia à frente, Jonathan vinha logo atrás. Entramos no carro e Jonathan me olhou com dúvida. –Pode me explicar?

—Eu estou com dor de cabeça.

—Sem mentiras, o que tem de errado?

—Você dando trelá pra aquele lá. Sério isso, Jonathan?

—Ciúmes?

—Não! Aliás, é sim. Não posso ser ciumento é um privilégio apenas seu?

—Porque toda essa agressividade, se eu não fiz absolutamente nada! –Ok, ele estava mesmo tirando uma comigo!

—Então porque eu não sei nada da sua vida, se você sabe tudo da minha?

—Has? A sua lógica é tão errada quanto à lógica feminina. O que tem haver eu conversar com o Yurinho com isso?

—Yurinho?

—Você está mesmo enciumado. Ok então! Quando chegarmos em casa... Você vai saber uma coisa minha que ninguém soube!

Será que finalmente iríamos falar sobre o boato?

Notas finais
Alguém suspeita sobre o que seja o boato? E afinal, Jonathan vai falar sobre o boato ou vai contar outro segredo ao Has? Yuri vai atrapalhar o romance dos nossos queridos? — Para quem não conhece. Alberto Duarte é um personagem meu de outra fic minha. The Truth About Love. Quem quiser ler tá aqui o link, ela é boa... link: http://fanfiction.com.br/historia/295256/The_Truth_About_Love/ — Comentem e recomendem a fic. Adoro cada um de vocês e vamos aos reviews, meu povo!