I Hate Myself For Loving You
1 Is It Me
Notas iniciais
[P.O.V Hayley]
Faltavam 17 segundos para dar seis horas da manhã de uma droga de segunda-feira. Por um azar — ou sorte — da vida eu já estava acordada. Tudo o que meus ouvidos recebiam era o irritante som dos pássaros cantando em minha janela. Meus 17 segundos de quase paz foram interrompidos por um aparelho detestável chamado despertador.
Levantei-me e arrumei minha cama. Em seguida peguei meu Ipod e me dirigi até o banheiro. Liguei The Kooks para tocar enquanto eu tomava um relaxante banho gelado. Eu simplesmente amo tomar banho.
Sai do banheiro enrolada numa toalha. Vesti a detestável camiseta branca da escola, um moletom (no qual é 3 vezes maior do que eu), um jeans qualquer e um par de tênis. Peguei minha mochila e desci as escadas até a cozinha.
– Finalmente saiu daquele banho, né senhorita – La estava meu irmão mais velho sentado na mesa da cozinha, vestindo seu terno preto e um avental azul bebê, apontando uma faca de manteiga para mim como se fosse um dedo. (Para quem não sabe, eu moro com meu irmão Robert na casa dos nossos falecidos pais. Rob tem 27 anos e é um ótimo advogado)
– Mas meu banho durou apenas 5 músicas!
– Ta, tudo bem. Agora venha tomar seu café da manhã pra não se atrasar. — O obedeci e me sentei em sua frente. Robert mantinha uma postura séria como se fosse um homem importante.
– Rob, essa sua cara aí não convence ninguém. Talvez, se você deixar seu rosto um pouco mais relaxado, alguém caia nessa sua tentativa de parecer um homem sério.
– Tá tão ruim assim? — Robert voltou à sua postura normal de adulto infantil e fez biquinho.
– O que você pretende? — apoiei meus cotovelos na mesa e encarei Robert.
– Preciso impressionar meu chefe. Ele não gosta muito da minha "postura" no trabalho. — Ele disse fazendo aspas com os dedos.
– Mas você não precisa forçar tanto né maninho. — Sorri e olhei para o relógio pregado na parede. — Já são sete horas. Preciso me encontrar com os meninos no ponto de ônibus!
Dei um beijo na bochecha de Rob e corri escovar meus dentes. Depois peguei minha mochila e meu skate ao lado da porta dos fundos e fui até o velho ponto de ônibus para me encontrar com Leninha e os garotos.
Parei no ponto de encontro e percebi que já estava bem atrasada. Retirei meu Ipod e meus fones do bolso do meu moletom e fui ouvindo música à caminho da escola.
Cheguei ao colégio e o sino já havia tocado. Larguei meu skate na recepção e desci as escadas pra poder chegar na minha sala o mais rápido possível. Mas com o meu "ótimo" equilíbrio acabei desabando em cima de algo, digo, alguém. Era o Steven, um garoto de 17 anos, alto, com olhos verdes e cabelo ruivo. Meu melhor amigo de infância.
– SEU ANÃO IDIOTA, OLHA POR ONDE AND... Ah foi mal Hayzinha, não percebi que era você! – Steven sorriu envergonhado.
– Relaxa! — levantei de cima do menino e o ajudei a levantar. — Mas achei onfensiva a parte do "seu anão idiota".
– Mas é que eu não sabia que era você e tal e...
– HAYLEY! STEVEN! – A desculpinha esfarrapada de Stevy foi interrompida por uma voz feminina vinda do outro lado do corredor. Era a Helena, minha melhor amiga, baixa, de olhos castanhos claros e cabelos compridos e acobreados com mechas azul turquesa. – CORRAM SERES DO ESPAÇO!
– TÔ INDO! – Steven e eu gritamos em sincronia.
Entramos na sala e lá estava o nosso querido *pigarreada* professor de história escrevendo na lousa.
– CHEGUEI, CHEGUE.. ooooi professor Ornécio, como sua careca está bonita hoje! – Entrei na sala e todos os olhares caíram sobre mim.
– HÁ HÁ HÁ, muito engraçado senhorita Jannie McFlinn. Você e o senhor Johnson vão imediatamente para seus lugares antes que eu lhes dê uma suspensão! – Ornécio consegue ser tão irritante as vezes (sempre).
– Sim senhor, professor. – Que vontade de dar um soco nesse careca gordo.
Sentamos em nossos devidos lugares e pegamos nossos livros de história. Olhei para a carteira de trás e percebi que William ainda não havia chegado.
– Senhorita McFlinn, preste atenção na aula! — O professor exclamou do outro lado da sala.
– idiota! — sussurrei me virando para o quadro negro.
– O que a senhorita disse? REPITA! — O nosso queridíssimo professor de história erguei seu tom de voz.
Eu estava prestes a levantar e xinga-lo novamente, mas nossa pequena discussão foi interrompida por pequenas batidas na porta.
Susan, uma garota loira de olhos castanhos esverdeados, levantou de sua carteira e abriu a porta. — Olá Susan, minha querida. Como vai? — Uma voz doce e angelical vinha do outro lado da porta.
– Olá diretora e olá William – Susan abriu espaço para os dois entrarem e sorriu deixando seus dentes a mostra.
– Obrigada Susan! Pode se sentar — A diretora sorriu para Su, que voltou para sua carteira imediatamente. — Com licença professor Ornécio. Eu vim lhe trazer um de seus alunos que, por acaso, estava matando aula atrás do muro da cantina.
– Eita, calma lá! Eu não estava matando aula não. Eu só estava checando se o muro estava seguro lá onde está.
– William, suas desculpas não são boas. — Helena disse, com a cabeça apoiada em uma de suas mãos, com cara de indiferença.
– Cala a boca, Leninha! — Will olhou furioso para a garota.
Resumindo as discussões: Helena e Will perderam 1 ponto. Eu, Steven e o resto da turma rimos dos dois.
Depois de uma série de aulas irritantes, finalmente bateu o sino para o intervalo.
– Finalmente recreio! Eu não suporto as aulas de biologia. — Alguma menina gritou no fundo da sala fazendo todos rirem.
Lena, Stevy, Will e eu corremos para fora da sala feito criancinhas esfomeadas e pegamos nossos skates na recepção. Descemos as escadarias para a cantina e pulamos o muro do fundo da cantina. Corremos até um prédio abandonado que tem na rua de trás. Entramos feito loucos, jogando nossas mochilas pelos cantos. Will e Helena se desculparam. Steven ficava me abraçando a todo o momento.
Deu alguns minutos e ouvimos o sino para o fim do intervalo.
– Não quero voltar pra aula! – O Will falou e fez uma carinha triste muito fofa.
– Também não quero. Vamos lá pra minha casa! – Peguei minhas coisas e fui em direção à saída.
– VAMOS! – Berrou Helena com seu braço pra cima “Feel Like a Freddie Mercury”.
No percurso até a rua de minha casa, Helena e Will foram na frente cantando Na Na Na (do My Chemical Romance, óbvio) como se estivessem no show da banda, enquanto eu e Steven ficamos mais para trás conversando sobre qualquer coisa.
Quando de repente Steven para no meio do asfalto e segura meu braço.
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