Notas iniciais
[Oh Wow Thaynara]: Oi oi gente ~ Momento Kéfera Por favor, não nos matem. Infelizmente, ou felizmente, essas semanas foram de provas, e graças a Deus, última semana de aula. Esse capítulo será dedicado a nossa NathyLovatoSalvatoreMikaelson, que fez aniversário esses dias. Não pide postar no dia, mas tá valendo. [Liandra Salvatore Stonem]: Parabéns Nathy. o Esperamos que gostem do capítulo.

POV. Molly

~ No mesmo dia, ao anoitecer ~

Give me a second I
I need to get my story straight
My friends are in the bathroom
Getting higher than the empire state
My lover she's waiting for me
Just across the bar
My seat has been taken by some sunglasses
Asking about a scar
And I know I gave it to you months ago
I know you're trying to forget
But between the drinks and subtle things
The holes in my apologies
You know I'm trying hard to take it back
So if by the time the bar closes
And you feel like falling down
I'll carry you home ♪♫

(We Are Young Ft. Janelle Monáe — Fun)

Depois da chegada da loira demoníaca, saí do centro do parque e caminhei a procura de um lugar mais calmo.

Tive vontade de despedir-me da pequena Shelby, mas a mesma estava totalmente entretida com a conversa e brincadeiras com suas amigas, então decidi não atrapalhar.

Após alguns minutos, encontrei um local agradável e silencioso mais aos fundos do parque, onde frondosas árvores bloqueavam qualquer barulho desagradável além dos da própria natureza. Folhas caiam com o vento, rodopiando graciosamente até chegar ao chão. Outros galhos balançavam levemente. Sombras cobriam o local, mas ainda viam-se tímidos raios do sol entre as árvores.

Aconcheguei-me, sentando e encostando-me no ganho de uma das árvores e recomecei a minha leitura.

Uma coisa que me agrada na leitura é que ler é uma experiência quase extracorpórea, e por alguns segundos, até horas, é como tornasse outra pessoa.

Viajamos para outra realidade, outra vida. Tanto que, às vezes, acho que os livros me libertam dessa vida estreita. Do meu mundo caótico.

Perdi-me por algum tempo nos pensamentos do menino Bruno, vivendo em sua realidade nazista com sua mente inocente. E quase no fim do livro, olhei ao redor.

Já estava anoitecendo. Melhor eu deixar para terminar depois e ir para casa.

E depois do que pareceu horas, levantei-me do local em que eu estava.

Suspirei, limpando o fundo da calça, que estava cheio de areia e folhas secas.

Caminhei calmamente pela calçada, refazendo o caminho que fiz mais cedo e cheguei a minha casa.

Do lado de fora, o sol já se punha e tímidas estrelas apareciam no céu, como se pedissem autorização do sol para tomar seu lugar na iluminação do vasto céu

Do lado de dentro de casa, as luzes estavam apagadas. Fui caminhando até às escadas.

Passado o entorpecimento que a leitura causa, minha cabeça encheu de pensamentos que eu evitei durante esse tempo.

Muita coisa enchia minha cabeça. Mais especificamente, Drake era motivo dos meus pensamentos.

Aquele garoto me intrigava. Algo nele me instigava.

Algo no olhar dele. Em sua postura.

O garoto não dava certezas sobre nada. Em toda nossa conversa, ele permaneceu neutro, não dizia nada sobre seu passado. Ele nunca deixou mesmo claro o que sentia. Mas em outros momentos, todos os seus sentimentos espelhavam-se em seu olhar, tal como em momentos em que admirava a irmã brincar. O mistério que ele passou atrai, instiga.

Por um momento, nem lembrei mais dos momentos de ignorância e brutalidade que aconteceram no nosso primeiro encontro, no incidente da moto. Por um momento, o garoto que me pagou um sorvete parecia não ser o garoto playboy da escola. Pareciam pessoas totalmente diferentes.

O garoto do parque era uma pessoa totalmente diferente. Alguém que conquistaria sua amizade fácil, alguém amável e brincalhão. Surpreendi-me com o lado irmão que ele revelou ter no pouco tempo em que estive com ele. Ele realmente amava Shelby. Ele fez-me desejar ter um irmão para cuidar de mim.

Ele, apesar de irônico, tinha um lado que me deixava desconcertado, um lado amigo. Um lado bondoso até.

Mas, o lado misterioso era o que mais se mantinha em minha mente.

Ele tinha algo no olhar, eu podia até jurar que era dor. Como se algo do passado pesasse em suas costas. Uma bagagem intransferível.Como eu reconhecia? O próprio espelhava-se no meu desde o acidente dos meus pais.

Eu queria descobrir o porquê do fato de haver uma espécie de defesa, de escudo sobre ele. Como se tivesse medo de mostrar-se como era realmente. Como o manto que nos cobre dos monstros quando vamos dormir.

E eu vi esse lado dele por algum tempo. Muito rapidamente.

Por algum momento até pensei ser ilusão de minha cabeça. Mas sei que não foi.

Com isso ainda em mente, voltei o caminho das escadas e fui para cozinha.

Acendi a luz e minha visão fez um reconhecimento rápido do local, ainda com certo acanhamento em reconhecê-lo como meu lar.

Fiz algo rápido para comer.

Nada como comidas instantâneas.

Comi em silêncio, olhando rapidamente as redes sociais pelo celular. As baboseiras de sempre.

Lavei tudo que havia sujado e subi, rumando para meu quarto.

No caminho, vi que tia Elena não estava em casa.

Já em meu quarto, troquei de roupa, para algo solto para poder dormir, prendi os cabelos no coque frouxo e me joguei na cama.

O silêncio predominava no quarto. Mas em minha cabeça havia um barulho sem fim.

Muitos já diziam que o silêncio é o grito da alma. Não sabiam o quanto estavam certos.

Ora, o que havia de errado comigo, afinal?

Já não bastava tanta coisa acontecendo em minha vida?

Minha vida está de ponta cabeça.

E ainda tem que aparecer Drake para me confundir e enlouquecer ainda mais?

Porque aquele menino me deixava tão confusa? Ele tinha seus seguidores na escola, tinha uma namorada, e provavelmente uma família perfeita. Tinha tudo!

Já eu? Tenho minha tia, que raramente está em casa e que tenho pouco contato, e essa nova casa, que tento aos poucos acostumar a denominar como minha.

Estava irritada comigo mesma. Pra que estou com aquele imbecil na cabeça? Ele estava lá, defendendo a namorada. Como se eu fosse algum tipo de ameaça ao ponto rosa, como se eu fosse mordê-la ou algo assim. Que seja feliz com a patricinha esnobe. Eu mesma nem o conhecia.

Bufei para o silêncio do quarto e peguei o celular, colocando em uma playlist aleatória.

Ajustei meu fone de ouvido e coloquei-o na maior altura possível. Queria entorpecer-me. Tentava, ao máximo, esvaziar minha cabeça.

Em algum momento, dormi.

~ *.* ~

~ Quinta-feira ~


Now I’m a warrior
Now I’ve got thicker skin
I’m a warrior
I’m stronger than I’ve ever been
And my armor. Is made of steel, you can’t get in
I’m a warrior
And you can never hurt me again ♪♫
(Warrior – Demi Lovato )

Acordei, sobressaltada com o som do despertador do celular, que se encontrava ao lado de minha cabeça.

Olhei-o de relance.

ÓTIMO!

Estava atrasada.

Primeira semana de aula e já estava chegando tarde à escola. Que ótimo, não é, Molly?!

Levantei apressada.

Sabe quando o dia não conspira a seu favor? Quando você saca que o resto do dia vai ser uma merda?

Então...

Para começar o dia bem, bati o pé na escrivaninha ao lado da cama. Estava mais desnorteada que cego em tiroteio. Gemi de dor e fui mancando até o banheiro.

Fiz minha higiene matinal o mais rápido que podia. Tirei o moletom que eu estava usando e joguei-me debaixo da água gelada do chuveiro. Ainda não estava tão acordada.

Super afobada, eu vesti a primeira roupa que achei. Jeans escuro, regata branca e uma jaqueta por cima.

Não sou nenhuma fissurada em moda, então se está bom ou não, foda-se.

Para piorar minha situação, meus materiais estavam jogados em cima pelo quarto ainda. Arrumei-os rapidamente, jogando-os dentro da mochila.

Não tinha jeito, chegaria atrasada.

Desci correndo as escadas. Quase cai ao alcançar os últimos degraus, pois meu equilíbrio é uma “benção”.

Minha esperança era que minha tia estivesse em casa e pudesse me levar para a escola em seu carro, mas a sorte não estava nem um pouco ao meu favor.

Que a sorte esteja ao meu favor, não é mesmo?

Ironia mandou abraços.

A casa estava vazia. Frustrei-me.

Peguei barras de cereais na cozinha, agarrei meu companheiro, vulgo skate, tranquei tudo e sai correndo.

Eu andava o mais apressadamente possível. Até que me senti um tanto quanto observada. Isso era agonizante.

Andei mais rápido ainda. Estava com medo, pois sentia alguém atrás de mim. Será que se eu tacar o skate, eu me livro? Ah, não. Meu amado skate.

Estava para correr, quando vi o que me seguia. Era uma Davidson familiar. E o dono chamava meu nome.

Parou diante de mim e tirou o capacete lentamente, revelando o cabelo levemente bagunçado e o sorriso irônico característico. Era Drake.

Ele apoiou o peso a moto, apoiando o capacete em um dos braços, com uma pose impotente.

Parei, sem saber o que fazer. Tentava acalmar o meu coração, que batia apressado pelo susto.

— Oi. _ Disse ele.

— Oi. _ Forcei-me a responder. Eu devia está parecendo uma idiota. Provavelmente estava com uma cara assustada.

Drake deu uma risada divertida.

— Desculpe se te assustei, não foi a minha intenção. _ Ele tinha um meio sorriso na face. _ Embora ver sua cara de assustada tenha valido a pena. _ Riu.

Bufei.

Quem sabe só uma pancada com o Skate não faça tão mal.

Ele me perdoa.

Digo, o Skate.

Revirei os olhos e virei-me, pronta para sair dali.

— Heey! Heey! _ Me chamou. Continuei andando. _ Desculpa. Foi brincadeira.

Parei, mas continuei olhando para o lado oposto do que o imbecil se encontrava.

— Estou atrasada. _ Falei. _ Depois conversamos.

— Venha. Te dou carona. _ Ele ofereceu. _ Se for andando, nunca que chegará a tempo.

Eu não podia aceitar. Apesar de tudo, ele ainda era um completo desconhecido para mim.

— Não precisa! _ Minha voz estava um tanto quanto alterada.

— Qual é! _ Riu. _ Vamos. Juro que não sou nenhum assassino.

Meus olhos se arregalaram. Ele parecia que tinha lido minha mente.

— Larga de ser idiota. _ Falei braba. _ Mas não precisa. Vou andando mesmo.

Fui andando. Ele foi me seguindo devagar, com sua moto. Olhei-o irritada e depois desviei, revirando os olhos novamente.

— Não deixarão você entrar. _ Sua voz tinha um tom cínico. Ele claramente estava brincando às minhas custas. _ Vamos! Deixa de ser turrona. É só uma carona.

Olhei para o meu celular, verificando a hora rapidamente.

Realmente, já era praticamente a hora do portão fechar.

Eu precisava realmente de uma carona. Estava tentada a aceitar, mas ao mesmo tempo não querendo dar o braço a torcer. Vacilei por alguns momentos.

— Vamos! _ Ele tinha um olhar suplicante.

— Está bem. _ Bufei, acabando por aceitar.

Ajeitei o skate rapidamente no suporte da mochila.

Olhei em direção de Drake que estendia a mão livre do capacete em minha direção.

Aceitei, apoiando a minha mão brevemente sobre a dele, que a puxou levemente em direção da moto. A minha mão tocou a dele, muito rapidamente, causando-me arrepios.

Disfarcei.

Ajudou-me a acomodar-me atrás d mesmo e me entregou um capacete. Coloquei-o e segurei, apesar de retrair-me um pouco, levemente em sua cintura.

Ele sorriu, pelo que pude perceber pelo retrovisor de seu moto.

— Segure-se mais firme. _ Falou.

Fiquei sem jeito e segurei um pouco mais firmemente em seu tronco forte.

Ele deu um solavanco na moto, fazendo com que eu o abraçasse forte com o susto. Agora os meus braços envolviam todo seu tronco e minhas mãos o segurava na altura do peito. Eu podia sentir, através do tecido de sua camiseta, o quanto ele era forte.

Eu podia sentir o calor no meu rosto e podia jurar que estaria vermelha como um pimentão.

— Agora sim. _ Falou cínico, com um sorriso ainda maior.

Ele também me olhava pelo retrovisor. Revirei os olhos em resposta.

— Idiota. _ Resmunguei, ainda envergonhada.

Ele manteve um meio sorriso no rosto. Eu mantive minhas mãos onde estavam e perguntei-me internamente o porquê disso. Não encontrei resposta.

— Lá vamos nós. _ Gritou.

Acabei sorrindo com sua atitude.

A sensação da velocidade era incrível. Eu não podia descrever a sensação que eu experimentava naquele momento. Apenas apreciava o vento cortando-se em meu corpo. Senti o gostinho de liberdade em meus lábios. Adorei aquilo, mas não duraria muito, pois logo chegaríamos à escola.

Pensei seriamente em ter uma moto também.

A sensação era incrível.

Em questão de minutos, chegamos ao estacionamento do inferno. Quer dizer, colégio.

Ele guiou a moto em direção a uma vaga qualquer.

Ele me ajudou a descer da moto rapidamente, e entreguei-o o capacete.

— Obrigada pela carona. _ Agradeci.

— Sem problemas! _ Ele desceu da moto e encostou-se na mesma, cruzando os braços, com sua pose de dono do mundo.

Quem o visse agora, nunca acreditaria que se tratava do mesmo garoto do parque.

Eu ainda custava a acreditar. Se eu não tivesse visto com meus próprios olhos, não o faria.

Eu iria puxar mais assunto. Por alguns segundos, quis ouvir sua voz mais um pouco. Conversar e descobrir mais sobre ele. Desvendar seus mistérios.

Mas, logo me lembrei da namorada chata dele. O pensamento, por algum motivo, me deixou um tanto quanto chateada e até zangada. E eu não tenho a mínima ideia do porque disso.

E, por falar, ou pensar, no demônio. Ele aparece. Olha se não é meu demônio particular vestido de rosa caminhando, digo, correndo em nossa direção.

A coisa chegou correndo e se jogando em cima de Drake, quase derrubando ele e a moto.

— AMOR! _ Gritava com a voz fina que dava nos nervos a qualquer ser humano. Meu DEus, como é humanamente possível conviver com essa voz por algum tempo? _ Você demorou.

Prendeu os braços ao redor dos ombros dele e o beijou.

Sabe o barulho de sucção que o desentupidor faz quando o usamos? Então...

Admirei ao redor. Nossa! Como a escola é linda!

Sim, ironia.

— Temos de entrar. _ Ele a empurrou de leve.

Ela, então, percebeu minha presença.

— O que quer aqui, garota? _ Me olhava de cima a baixo.

Ela tinha de começar.

A prova de que estava no meu canto, sem mexer com ninguém, é imensurável.

Mas é claro que o desentupidor humano tem de cutucar onça com vara curta.

Dei um sorriso irônico em sua direção.

Soltei levemente uma das alças da mochila no meu ombro. Retirei a franja da frente dos meus olhos, jogando-a para o lado, e virei na direção da garota.

SEGUNDO ROUND!

Notas finais
[Liandra Salvatore Stonem]: Aí estamos. Desculpem a demora, fantasminhas. Comentem se acharem que devemos continuar. [Oh Wow Thaynara]: Apareçam... :(