I Hate Everything About You... Why Do I Love You?
6 Talvez não tão imbecil assim.
Notas iniciais
POV. Molly
First you gonna say you ain't runnin' game
Thinking I'm believe in every word
Call me beautiful, so original, tellin' me I'm not like other girls
I was in my zone before you came along, now I'm thinking maybe you should go
Blah, blah, blah, I be like nah to the ah to the, no, no, no ♪♫
(No — Meghan Trainor)
O imbecil da escola estava na minha frente e me olhava de um jeito estranho.
Será que tinha algo no meu rosto?
Algo preso em meus cabelos?
Algo no meu dente?
Reprimi a vontade de verificar.
Será que se eu estralar os dedos, ele acorda? Ou ele que é simplesmente idiota mesmo?
Talvez a segunda alternativa esteja correta, pelo pouco que conheço da peça,
Considerando que não tivemos nem cinco minutos de conversa nas poucas vezes de contato entre nós, o garoto em minha frente se mostrou a pessoa mais desagradável que tive o desprazer de conhecer.
Por quê? Simples, meu caro amigo. Ele quase me matou atropelada, agiu como um verdadeiro idiota com seu jeito de playboy metido a besta e ainda agiu como se eu fosse retardada mental.
E ainda tinha a insuportável da “namorada” dele e o bando de cachorrinhos que andavam atrás dos mesmos como se girassem em torno deles, naquela escola de hipócritas.
Os reis na terra da imbecilidade, com seus súditos imbecis.
Eu tinha pelo garoto um tipo de ódio a primeira vista.
Não que eu seja a pessoa mais sociável do mundo.
Muito pelo contrário. Eu nunca fui o tipo de pessoal que fazia muitas amizades.
Mas o grupo de patetas da escola, no qual a estátua em minha frente aparentemente é o líder, acionava o meu pior lado.
Parece que eram feitos para me atormentar, para me irritar.
Depois de minutos, que pareceram eternos, ainda nos encarávamos, sem nenhuma troca de palavras.
Esperava alguma reação dele, mas não veio.
Devo fazer que nem em filmes, onde a pessoa dá um tapa no rosto da outra quando essa está em estado de choque?
Não sei se o garoto está em estado de choque, mas vai saber, não é?
Não custa tentar.
Não doeria nada. Ao menos, não em mim.
Respirei fundo.
Não iria ficar esperando como boba aqui. Revirei os olhos, e me virei para procurar algum lugar onde poderia ler em paz. Aquele garoto era louco. Só podia!
Será que joguei pedra na cruz?
Provavelmente. E na linha de frente, ainda por cima.
Dei um passo com a intenção de ir sair dali mas, antes de ir embora, algo impediu-me de sair do lugar.
A mão firme do garoto nos meus braços freavam-me.
Ele segurava acima do meu cotovelo, com firmeza. Não a ponto de me machucar, mas apenas para me parar.
Ao sentir aquele toque quente, mesmo sem querer, acabei me arrepiando.
Não entendo como alguém tão insuportável pode ser tão bonito.
O que?
Foco!
— Ei... Espera! _ Disse a voz um pouco rouca do garoto. _ Conhecia a a minha irmã?
— Hã? _ Perdi totalmente o fio da meada.
— A Shelby.
Recuperei o foco. Não posso agir como uma retardada.
Respondi-o.
— Não! Ela esbarrou em mim. Quase a derrubei. _ Meu tom era de culpa, lembrando-me do ocorrido. _ Estava distraída.
Olhei para a menina, que estava a alguns metros de distância brincando com uma amiga, no parquinho. Sorri com a aparente felicidade dela. Não sei o que aquela menina tem, mas em minutos me encantou.
Talvez seja a doçura e inocência da mesma.
Desejei voltar para minha infância. Não ter que me preocupar com nada.
Ter meus pais de volta, cuidando de mim.
Não ter o peso da perda em minhas costas.
Voltei a focar o garoto a minha frente, lembrando-me do quase atropelo na escola.
Lembrei-me de como ele foi um estúpido comigo.
Realmente não acredito que a menina era irmã desse imbecil.
— Desculpa. _ Seu sorriso era sem graça e culpado. _ Virei por um segundo para comprar o sorvete dela, e no segundo seguinte já não estava mais lá.
Agora sei de onde o sorriso da pequena Shelby era familiar, era idêntico ao do irmão.
Um sorriso lindo, por sinal!
Olhei-o com mais atenção.
Lindo!
Quer dizer... O sorriso!
Claro que é do sorriso que estou falando.
Do que mais eu estaria falando?
Droga! Para, Molly!
Por que estou pensando isso? Só posso está enlouquecendo. “Lembre-se Molly, ele é um imbecil”, pensava, tirando seu sorriso da cabeça.
Percebi que ele ainda não tinha me soltado. Sua mão se encontra prendendo a minha. Sem querer percebia que sua mão grande era quente e confortável. Abaixei minha cabeça, com a intenção de esconder meu rosto, pois sabia que provavelmente estaria vermelha. E eu odiava mostrar que estava envergonhada.
Só então, ele percebeu e soltou minha mão subitamente.
Por alguns segundos, deixou-me certo vazio.
Molly! Para!
O idiota levantou a mão novamente e se apresentou. Só então percebi que não sabia seu nome. Era intitulado por mim como o "Imbecil da escola".
— Aliás, me chamo Drake.
Continuava sendo o imbecil.
Não o cumprimentei, até porque ainda estava um tanto envergonhada, mesmo não querendo transparecer.
Ele disfarçou o fato de eu não segurar sua mão, em cumprimento, escondendo-a no bolso do moletom que usava. Uma boa estratégia.
— Sim, o cara que quase me atropelou. _ Pirracei. Mas, como minha mãe me deu educação, apresentei-me. _ Chamo-me Molly.
— Nome bonito. _ Senti um leve galanteio em seu tom de voz. Dei um sorriso, envergonhada.
Abaixo o rosto novamente, só para variar.
O que está acontecendo comigo?
Sério, Molly Cartter?
— Obrigada. Drake também é um nome interessante. _ Disse em tom de brincadeira, com certa ironia.
— Aceito isso como um elogio. _ Disse brincalhão.
Observei-o melhor. Ele tinha um sorriso contido no rosto, e não o irônico que vi nas vezes em que nos encontramos na escola. Parecia até mais relaxado.
O garoto mostrava-se diferente do garoto quase me atropelou. Isso estava me deixando desconcertada. Dei um riso disfarçado.
Olhei para baixo e percebi que os sorvetes, sendo um da pequena Shelby, estavam derretendo em suas mãos. Fiquei com vontade de rir da pagação de mico do mesmo. Mas segurei o riso, ou ao menos tentei.
— Acho que os sorvetes estão derretendo. _ Comentei como quem não quer nada, ainda segurando o riso.
E nesse momento ele percebeu, e pareceu muito envergonhado com o fato.
Encaminhou-se à lixeira mais próxima de onde estávamos e livrou-se do que sobrou dos sorvetes, limpando as mãos rapidamente as mãos nos guardanapos dos mesmos.
— Acho que minha irmã esqueceu-se que queria sorvete. _ Disse.
A garota Shelby ainda conversava com sua amiga. Parecia nem se lembrar do irmão.
Concordei com um aceno, com um sorriso de lado. Mania que puxei do pai, de acordo com minha mãe.
—Ela é um amor! _ Referi-me a doce menina dos cabelos ruivos e do sorriso doce que quase derrubei. Era impossível não gostar de Shelby.
Quem não se afeiçoasse com a mesma deveria ser louco.
Por um momento, peguei-me pensando em como seria se eu tivesse um irmão mais novo. Alguém para cuidar, para aconselhar.
Talvez eu lidasse melhor com a situação.
Talvez.
— É sim... _ Falou, amável. Seu olhar era doce e direcionava-se à irmã, que brincava em um balanço. _ Aliás, devo-lhe desculpas pela grosseria na escola. _ Disse surpreendendo-me.
Olhei-o, indagadora.
Ele parecia mesmo muito culpado. Deveria desculpá-lo?!
— Por quase tê-la atropelado. _ Especificou. _ Aceita um sorvete como pedido de desculpas?_ Continuou.
Bem... O imbecil nem era tão imbecil assim. Parecia até uma pessoa legal. Acho que tinha até certo afeiçoamento por ele.
Bom, que mal teria?
— Por que não?! _ Materializei meus pensamentos em voz alta. Ah, deixamos o incidente da escola para lá. _ Claro! _ Disse com um sorriso no rosto.
Fomos até o sorveteiro. E ele pediu os sorvetes. Eu não prestava atenção a nada.
— Pode me dar mais dois sorvetes, por favor?
— Claro. Qual sabor?
— Flocos. _ Meu sabor favorito. Ele disse ao mesmo tempo em que eu disse.
Disfarçadamente, elaborei um sorriso com a coincidência.
— Cobertura? _ Perguntou novamente o sorveteiro, com um sorriso no rosto.
— Morango. _ Novamente em uníssono.
Olhei-o no mesmo momento em que ele me olhou e rimos.
É... Até que ele era interessante. Atrevo-me a dizer até que ele era legal. Porém não digo isso em voz alta, nem sobre tortura.
Não daria o braço a torcer nunca.
— Gostos em comum. Além do gosto por rock. _ Comentou, apontando para minha camiseta do AC/DC.
— Sou inteligente. _ Mostrei a língua, em uma atitude descontraída, sendo convencida.
~ *.* ~
~ Horas depois ~
So, smile, the worst is yet to come
We'll be lucky if we ever see the sun
Got nowhere to go, we can be here for a while
But the future is forgiving so smile!
Smile! ♪♫
(Smile — Mikky Ekko)
A conversa ainda durou algum tempo. Não sei como em tão pouco tempo, mostrei-me tão espontânea para com aquele garoto.
Raramente alguém faz com que eu me sinta a vontade em uma conversa.
E eu estava agora.
Isso me assusta um pouco.
O garoto ao meu lado conversa tranquilamente.
Drake!
Ele era um mistério para minha cabeça.
Em certo momento, a conversa não foi mais necessária e o silêncio predominou.
Não um silêncio desconfortável. Apenas silêncio.
Tem momentos que o silêncio faz bem. Tem ocasiões que pedem por isso.
Então, dávamos voltas no parque, sem nada a dizer.
Ele observava a irmã, que brincava com uma garota loira. Amiga dela, provavelmente.
Decidi cortar o silêncio.
— Então... E seus pais?
Percebi que ele retraiu-se ao ouvir minha pergunta.
— E os seus? _ Rebateu.
Terreno perigoso. Volte uma casa e recomece o jogo, querido. Vieram imagens na minha cabeça, dos meus anjos, vulgo meus pais. Pensar neles deixava-me tonta. Um assunto que não queria tocar com ninguém... Ao menos, não tão cedo.
Olhei para meus pés, tentando me acalmar.
— Entendi... Assunto delicado. _ Respondi, tentando mudar de assunto. _ Para ambos.
— Sim... Um pouco. _ Concordou.
Ele ficou em silêncio por mais alguns minutos. Parecia que ele ia perguntar mais alguma coisa.
Mas uma coisa rosa, vulgo meu inferno particular, apareceu atrás da gente, e jogou-se sobre Drake.
Sério? Qual o meu pecado?
Será que fui uma pessoa ruim na vida passada?
A garota, que mais parecia a Hello Kitty versão puta, mais conhecida como Lavigne, agarra Drake e quase o engole com um beijo.
Meu Deus. Uma desentupidora humana.
Nojo daquela garota. Fiquei desconfortável com a “demonstração de afeto em público” dos dois e resolvi sair.
— Hum... Vou indo. _ O meu desconforto era visível.
Eles se soltaram ao ouvir minha voz, mas Lavigne continuou pendurada em Drake. Parecia mais uma cobra enrolada no pescoço do mesmo.
— Melhor mesmo, querida! Está cortando o clima. _ Lavigne destilava seu veneno. _ Segurar vela não é legal.
Pensa que me assunta? Há... Essa menina que espere.
— Qualquer coisa com você não é legal, ponto rosa! _ Rebati. Tinha até certa dó de Drake por ter que aguentá-la. _ Preciso ir antes que tanto rosa me deixe cega. _ Usei o máximo de cinismo possível e fiz minha melhor cara de nojo.
Drake riu.
Seu riso era lindo, inclusive.
“Cale-se mente. Pare de ser idiota.” Eu brigava mentalmente comigo mesmo.
Parei com meu monólogo interior ao ouvir a voz enjoada.
— Qual seu problema, Drake? _ Lavigne disse.
A mesma tinha um olhar assassino em direção a Drake.
Ele ficou calado. Claro! Ia ficar do lado da namorada.
A garota virou novamente para mim.
— E você?
Ela acha mesmo que eu vou perder meu tempo? Tinha muito mais a fazer do que discutir com essa loira falsa. Revirei os olhos e sai.
Procurei um lugar calmo longe do casal e fui ler meu livro.
O problema é que o garoto não saia da minha cabeça. Ele tinha certo mistério.
Tinha algo escondido no olhar.
E eu? Era a maior curiosa que existe, ou até que vai existir.
Descobriria o que ele esconde. Desvendarei o mistério, nem que seja na marra.
Ou não me chamo Molly Cartter.
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