I Hate Everything About You... Why Do I Love You?
9 Talvez eu seja uma louca.
Notas iniciais
POV Molly
And I will walk on water
And you will catch me if I fall
And I will get lost into your eyes
And know everything will be all right
And I will walk on water
And you will catch me if I fall
And I will get lost inyo your eyes
And know everything would all right
And know everything is all right
Everything is all right
(Yeah)
Everything is all right
(Yeah) ♪ ♫
(Storm — Lifehouse)
— Acorda! _ Jenn estalava os dedos com unhas grandes pintadas de preto e azul em frente a minha face. _ Viajando no mundo da Lua?
Estava tão distraída passando a vista pelo refeitório que nem percebi que estava olhando para o nada.
Parabéns, Molly! Agindo como uma louca.
— Quem me dera. _ Ri, jogando uma maçã na garota dos cabelos azuis e de cabelos coloridos que estava em minha frente.
Ultimamente tenho andado muito distraída. E o incrível é que essa distração tem nome e um sorriso sarcástico que me afeta profundamente. Não sei dizer se de uma forma boa ou ruim.
Mal sabe Jenette Lee que meus pensamentos estavam no dono de certos olhos verde-gelo e sorriso cínico.
Aquele garoto do parque mexe comigo, com o seu vocabulário horrível, com a sua estranha forma de demonstrar afeto, por seus estúpidos comentários sarcásticos.
Meu Deus, ele desperta em mim o desejo de estar sozinho com ele, apenas para desvendar todos os seus mistérios. Para descobrir o que se passa com ele para que repentinamente mude de personalidade. Como, em questão de minutos ele deixe de ser o garoto envergonhado do parque para se tornar o garoto que parece está sempre no comando de toda a merda dessa escola, rodeado de pessoas. De tão inseguro para tão irritante.
Minha cabeça fica tão cheia com esses pensamentos que posso está fisicamente em um lugar, mas, na verdade, minha mente está além de Júpiter.
Está especificamente do outro lado do refeitório, rodeado de pessoas.
Drake destacava-se no meio do grupo. O garoto de jaqueta de couro e estilo fechado no meio de garotos mauricinhos de jaqueta vermelha com o emblema do time de basquete da escola e garotas com roupas curtas de líderes de torcidas.
Claro! Os populares da escola. Não podia esperar menos de um garoto como o Drake.
O garoto exalava superioridade sem nem perceber.
A loira irritante estava sentada no colo de Drake e conversava com o grupo agindo como se fosse dona de todos os presentes. Ela era a dona e eles os cachorrinhos que a seguiam para onde quer que ela fosse, na esperança de ganhar um petisco.
As garotas, em maioria loira, tentavam imitá-las, como se Lavigne fosse a maior inspiração na vida das mesmas. Dava para perceber pelo modo quase idêntico na qual se vestiam e maquiavam-se, e até na cor e no corte de cabelo.
Chegava a ser patético.
Voltei a prestar atenção na conversa em nossa mesa. Samuel e Cameron ainda “brigavam”, enquanto Milene e Jenn riam sem parar. Realmente era hilário a forma como um implicava com o outro.
Incrível como me sentia bem com essas pessoas, em tão pouco tempo de convívio.
E olhando para os três eu vejo que não há necessidade de muitos amigos, pois os poucos que eu possuo são aqueles com quem eu sempre vou poder contar.
Amizades sem pretensão, que acontecem repentinamente, amizades na qual posso contar de olhos fechados.
Amizades sinceras são raras. E eu via isso nessas três pessoas.
Claro que eu não os conhecia direito. Mas já via que poderia florescer uma boa amizade dali.
— Vocês estão sabendo da festa? _ Milene perguntou repentinamente.
— Qual festa? _ Perguntei.
— Um Baile que vai acontecer na escola.
— Ah! _ Disse Samuel, indiferente. _ O “Baile de Inverno Anual. _ Fez aspas com as mãos ao dizer.
— Não pararam de falar sobre isso na sala hoje. _ Disse Cameron.
— Temos de ir. _ Milene estava animada com a ideia.
— Temos? _ Cameron a olhava com os olhos arregalados. Com certeza a ideia de está em um baile não era tão agradável para os garotos. E eu? Estava com eles nessa decisão. Milene deu-lhe um tapa na nuca. _ Ai, Mih! _ Reclamou.
— Claro que vamos! _ Rebateu. _ Não é meninas?
— Por mim, tudo bem! _ Jenn respondeu, roubando o suco de Samuel ganhando um “Ei!” em protesto.
— Molly?! _ Viraram para mim.
— Hein? _ Arregalei os olhos. _ Eu em um baile? Não mesmo!
Os meninos riram.
As duas me olharam com uma espécie de olhar de gato de botas e disseram e uníssono.
— Por favor! _ Chegaram a fazer biquinho.
Samuel e Cameron olharam-me com expressões piedosas. Com certeza já tinham passado muitas vezes por esse olhar.
— Se fodeu. _ Disse Cameron, rindo ainda mais.
— Não ria da desgraça alheia. _ Resmunguei, fingindo falsa indignação. _ Me salvem.
Os garotos só riam de mim.
Eles irão pagar por isso. Ah, se iam.
Jenn e Milene sentaram uma de cada lado de onde eu me encontrava e me prensaram entre elas ainda com a face de súplica.
— Vai, Molly! Vai ser legal. _ Mih implorou.
— Para distrair, ao menos. _ Jenn pediu.
— VAMOS! _ Pediram juntas, prensando-me ainda mais entre elas.
Eu tive vontade de rir do jeito das dias, mas comecei a me sentir sem ar entre as duas.
— Estão me sufocando... _ Apertaram mais. _ Está bem, eu vou! _ Desisti.
As duas gritaram animadas, me soltando, fazendo-me respirar aliviada e fazendo com que os meninos tivessem uma crise de risos, chamando atenção de vários que passavam por perto.
Com certeza, eu estou vermelha. Tanto pelo aperto recente das meninas quanto de vergonha.
Não deixei de notar que até Drake olhou para ver o porquê de tanta agitação nessa mesa.
Nossos olhos encontraram-se por alguns segundos, onde tratei de desviar rapidamente, envergonhada.
Ninguém notou o fato.
~ *.* ~
~ Fim do intervalo ~
An angel's smile is what you sel
You promise me heaven
Then put me through hell
Chains of love
Got a hold on me
When passion's a prison you can't break free
You're a loaded gun... yeah
There's nowhere to run
No-one can save me, the damage is done ♪ ♫
(You give Love A Bad Name — Bon Jovi)
PRIIIIIIIIIIIIIIIM.
Tinham-se passado minutos de zoação e brincadeiras entre os quatro quando ouvimos o barulho do sinal que indicava que devíamos voltar para as salas de aula.
— Vou indo pra sala, gente. _ Tratei de fugir das loucas. _ Encontro todos vocês depois. _ Escorei-me em Jenn. _ Adorei conhecê-los.
— Claro! Eu sou irresistível. _ Milena brincou, jogando os cabelos pretos para o lado. Não teve como não rir. _ Tá! Parei.
— Todos adoramos te conhecer também. _ Respondeu Cameron, rindo da namorada.
Sorri e sai em direção a minha próxima aula.
Ao chegar em frente a sala, todos viraram para ver de quem se tratava, apenas para variar.
Meu Deus! Que bando de sem o que fazer.
Caminhei mais ao fundo da sala, jogando a mochila no canto, encostada a parede e peguei o meu celular.
O professor ainda não tinha chegado, então distraí-me do fuxico dos alunos da sala lendo pelo celular.
Mas acabei viajando pela minha mente de novo.
Acho até que estou ficando louca.
Eu vivo no meu próprio ritmo. Lenta, retraída, e tudo piorou com a morte dos meus pais e com minha repentina mudança, não só de casa, mas de vida. Agora me deparo com alguns novos amigos, outras pessoas com quem o destino me forçados a viver, com coisas que não posso controlar.
Tenho de decidir quem fará parte da minha vida e aqueles que não o farão. E estou confusa.
Eu tenho o meu próprio mundo dentro de mim. E estou cada vez mais confusa. Eu sou louca, orgulhosa, e quase ninguém me entende.
E isso está tornando ainda mais louca.
Talvez eu devesse visitar psicólogos, especialistas. Devia tentar entender o que há de errado comigo. Mas, talvez, em vez disso, eu só enlouqueça o psicólogo também.
Olhei para o meu celular e suspirei.
Peguei meu fone de ouvido e tentei calar meus pensamentos e o mundo.
~ *.* ~
I found a place so safe, not a single tear
The first time in my life and now it's so clear
Feel calm I belong, I'm so happy here
It's so strong and now I let myself be sincere
I wouldn't change a thing about it
This is the best feeling ♪
(Innocence – Avril Lavigne)
Eu estava tão distraída pensando nos recentes acontecimentos de minha vida, que nem percebi que a aula já estava no fim.
Estava com o fone de ouvido, ignorando tudo e todos, pensando que, de certa forma, minha vida estava estável. Minha tia me tratava bem, tinha um lugar para chamar de lar, tinha novos amigos que se mostravam confiáveis. Apesar de algum acontecimento isolado ou outro, minha vida estava em paz.
Claro, eu ainda sentia saudades de meus pais. Isso é uma coisa que nunca poderei mudar, mas sei que onde eles estiverem, vão me querer bem, que eu seja feliz.
Meu Deus, eu sinto uma saudade absurda dos meus pais.
Eram eles que sempre estavam lá quando eu estava prestes a desabar.
Eu sempre fui forte, mas eles eram os únicos a me verem em momentos em que eu já não aguentava me manter tão forte, onde eu precisaria ser muito mais, porém não tinha mais força.
Um desses momentos foi quando fui avisada no meio da noite por policiais que eles tinham morrido no acidente. Eu precisei deles para não desabar, mas eles não estavam lá.
Naquela noite eu segurei as lágrimas o máximo que eu consegui, mas quando vi o caixão descer, quando me vi realmente sozinha, eu chorei, chorei muito.
Passado o estado de choque da notícia, eu chorei mais do que já chorei em qualquer momento da minha vida. O vazio que eles deixaram, essa sensação de estar sozinha, esse medo, essa amargura, tudo isso parece que nunca vai acabar.
Mas hoje estou bem. Não sei se já estou bem o suficiente. Porém, hoje posso dizer que estou melhor. Hoje já podem tocar nessa ferida, que ela já não me dói tanto como antes doía. Mesmo assim, a saudade ainda corroía em boa parte das vezes.
Dizem que toda dor passa com o tempo. Mas para a pessoa que que sofre o tempo é longo demais, a recuperação é muito demorada e dolorosa.
A dor pode até passar. Mas algumas deixam cicatrizes. E sim, as cicatrizes permanecem bem vivas e as lembranças se negam a serem apagadas.
Mas talvez seja a hora de acabar com esse meu sofrimento. A hora de ser feliz, não só por mim, mas pelos meus pais. Eles deviam desejar isso.
Eu posso tentar ser feliz por eles.
Está tudo tão mais calmo em comparação a meses atras,com toda mudança repentina.
Mas, com esses pensamentos, imagino que essa calmaria é muito estranha.
Imagino dias em que ocorre uma grande tempestade, onde sempre há essa calmaria antecipadamente. Tal como vice-versa.
Às vezes essa quietação seja apenas início de uma tragédia.
Tiro isso da cabeça e começo a guardar meus materiais, assim que o professor diz que os alunos estão liberados.
Enfim, fim de aula!
Não há sensação de liberdade maior.
Enfim posso ir ao meu quarto, perder-me em pensamentos, viajar para outra realidade, simplesmente olhar para o nada.
Guardo tudo calmamente, tentando organizar meus materiais de melhor maneira do que fiz hoje mais cedo, na pressa para chegar a tempo na escola.
Sou a última a sair da sala.
Ajeito melhor o fone em meus ouvidos.
Vou andando lentamente pelos corredores, cantando baixinho, acompanhando as músicas de minha playlist.
Mas paro repentinamente quando vejo logo em frente o garoto.
O garoto misterioso.
Drake estava no final do corredor, sozinho. Estava ajoelhado e parecia amarrar seu cadarço de um de seus coturnos. Alguns fios do cabelo negro caiam sobre o rosto.
Cheguei perto, insegura.
Queria agradecê-lo pela carona que tinha me dado hoje.
— Hum... Oi!
Ele olhou em minha direção, surpreso e se levantou.
— Oi. _ Respondeu, ajeitando o cabelo.
Calei-me, fazendo com que o silêncio tomasse conta do ambiente.
Isso, estúpida.
Ele pigarreou, chamando minha atenção.
Qual é o meu problema? Acorda, Molly!
— Vim agradecer pela carona que me deu hoje. _ Falei de uma vez só.
Ele olhou para trás de mim.
Segui seu olhar.
Logo atrás da gente, o grupo dos populares da escola, grupo na qual ele se enquadrava, caminhavam em nossa direção.
Ah! Os amigos dele.
Ignorei-os e tornei o olhar para ele, esperando ele dizer algo.
— É bom fazer caridade a órfãos, às vezes. _ Disse.
Arregalei os olhos, surpresa.
Ouvia risadas dos amigos dele ao fundo.
Olhei-o profundamente.
Okay!
A quietude chegou ao fim.
Respirei fundo, ainda encarando o garoto a minha frente.
Meu sangue ferveu dentro do peito. Minhas mãos gelaram.
Senti cada pelo do meu corpo arrepiou-se.
O ódio preencheu cada órgão do meu corpo.
E o que veio foi...
Silêncio.
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