I Hate Everything About You... Why Do I Love You?
10 Nada mais do que ANJOS.
Notas iniciais
POV Molly
Well, you find your strength in solutions
But I like the tension
And not always knowing the answer
Well, you're gonna lose it, you're gonna lose it
(Monster – Paramore) ♫ ♪
Provavelmente era possível ouvir as batidas do meu coração naquele momento, tal qual era o silêncio.
Seria possível ouvir o som das asas de uma mosca, caso uma passasse pelo largo corredor no momento.
Mas eu só ouvia minha pulsação correr forte em minha cabeça.
Sentir a fervura do sangue.
Mas, segundos após pode-se ouvir as risadas debochadas dos queridos amigos de Drake.
O garoto dos misteriosos olhos verdes olhava-me diretamente, praticamente me induzindo a reagir. Ele esperava uma reação minha.
Mas eu não reagia.
Eu só sentia o ódio.
Como se tal tivesse tornado um órgão do meu corpo, tal como o coração.
Eu praticamente via vermelho.
Qual era o problema dele? Uma hora ele me surpreendia com seu jeito amigo e na outra mostrava ser a pessoa mais repugnante com quem já convivi.
Eu tinha nojo dessa faceta dele.
Eu tinha a vontade de bater nele, mas também tinha a ânsia de me esconder no lugar mais próximo e nunca mais mostrar-me ao mundo. Eu queria o colo de meus pais.
Eu queria socá-lo, esmurrá-lo.
Será que ele sabia que tinha acabado de abrir uma ferida que aos poucos se cicatrizava em meu coração? Se sim, ele era um verdadeiro monstro.
Minutos atrás eu pensava em libertar-me dessa dor que a ausência dos meus pais causavam, em ser feliz. Mas agora quero apenas esconder-me atrás deles, como quando eu era pequena.
A tensão era sentida no ar. Uma linha tênue como as teias de uma aranha.
Os amigos do garoto olhavam tudo com expectativa, rindo entre si, prontos para vivenciar uma briga. Lavigne era a que mais parecia feliz com o feitio do namorado. Era óbvio que quem tinha presenciado a cena esperava que eu explodisse. Que eu gritasse ou algo assim.
Mas eu não conseguia.
Eu continuava a olhar com incredulidade para Drake, e o mesmo me olhava desafiadoramente.
Claro que eu queria mesmo era estapeá-lo, mas não queria dar esse gosto para o mesmo e nem para seus amigos. Inclusive para Lavigne, que liderava os hipócritas.
Então, apenas direcionei-lhe meu olhar com todos os meus sentimentos do momento: raiva, desprezo, nojo. Pude ver que isso o surpreendeu.
Provavelmente esperava alguma espécie de ataque de minha parte, mas nem isso ele merecia.
Eu posso está machucada. Mas eu sou forte.
Fui ensinada a ser assim. Pelos meus pais e pela vida.
Virei-me, tentando manter postura firme, e sai dali o mais rápido que eu consegui. Antes ainda pude ver os seguidores da Barbie e a mesma me olhando incrédulos.
Eu saio praticamente correndo da escola. Podia sentir lágrimas pesarem em meus olhos, mas não podia chorar. Não devia! Não na frente dessas pessoas, e ainda mais na frente dele.
Estou quase no fim do estacionamento, quando sinto mãos nos meus ombros e instintivamente retraio-me.
Olhei de soslaio em direção de quem segurava-me. Baixei a cabeça.
Era Samuel.
Parei, mas continuei com a cabeça abaixada. Sentia uma lágrima solitária escorrendo pelo meu rosto.
— O que aconteceu, Molly? _ Ele estava assustado.
— Nada. _ Minha voz era baixa.
— Diga... Eu só quero ajudar. _ Seu tom era compreensivo.
— Está tudo bem. _ Respirei fundo e tentei dar o melhor sorriso que eu podia, mas minha voz começava a falhar por conta do choro que estava a beira de ser libertado.
— Não! Não está... _ Ele se abaixou, segurando de leve meu queixo com a mão livre, para olhar diretamente em meus olhos. _ Está estampado em sua cara.
— É apenas cansaço. _ Dei uma desculpa mais esfarrapada que existe.
— Dia ruim? _ Perguntou.
— Vida ruim.
— Entendo. _ Refletiu. _ Quer uma carona?
— Não... Vou andando mesmo. Minha casa não é longe.
Ele revirou os olhos, e me agarrou, me jogando sobre os ombros, como se eu fosse um saco de batatas. Dei um grito, surpresa.
— Larga de ser marrenta. _ Ele reclamou, brincando.
Não consegui aguentar e acabei caindo na risada.
Claro que ainda sentia-me humilhada pelo que aconteceu na escola, mas eu não ia ser fraca na frente de ninguém que não merecesse.
É nesses momentos que eu vejo a importância da amizade.
Samuel mostrou ser o meu porto seguro.
— Tá... Desisto. _ Ele ainda me carregava, então apenas relaxei e me deixei ser levada.
A impressão era que eu não pesava nada, pela facilidade com que ele me carregava.
Ao chegar a frente ao carro dele, ele me soltou no chão. Era um Golf da cor amarela.
Seu olhar era carinhoso em minha direção.
Nem parecia que tínhamos nos conhecido a poucas horas atrás.
— Viu! _ Riu. _ Não é tão ruim.
Ri, levemente.
— Chato! _ Dei-lhe um tapa no ombro.
— Bem... Vamos! _ Abriu a porta do passageiro e sinalizou com as mãos, meio que se curvando, como se tivesse dando passagem a Rainha da Inglaterra, para que eu entrasse.
Ri ainda mais com essa sua atitude.
Entrei, mas não sem antes perceber o grupo dos populares já se encontravam perto da moto, que reconheci como sendo a de Drake. O dono na mesma já estava recostado na mesma, mas olhava para baixo. Seus amigos riam de algo, e conversavam entre si. Provavelmente seria do acontecimento anterior.
Bando de idiotas.
Fui pega de surpresa quando Drake olhou em minha direção, no exato momento em que eu lhe direcionei o olhar.
Ele olhava diretamente para onde eu estava, olhava para mim. Ele parecia irritado, e mesmo a distância podia ver que sua postura era tensa, como se algo o desagradasse.
Qual é o problema desse garoto.
Ele age como um estúpido perto dos amigos, e depois parece com raiva?
Quem devia está zangada sou eu.
E eu tinha ódio.
Imbecil. Nada menos do que isso.
Desviei o olhar no momento em que a loira vulgar, vulgo namorada dele, chegou e o agarrou pelo pescoço, puxando-o para um beijo. Não estava com estômago para ver tal cena.
Em alguns momentos de devaneios, quase não percebi que Samuel já tinha entrado no carro.
Ele notou meu estado de espírito assim que acomodou-se no meu lado, colocando o cinto de segurança rapidamente.
— Está tudo bem mesmo? _ Perguntou, preocupado.
— Sim, só me lembrando de Nova York. _ Respondi.
— Sua antiga casa, não é?
— Sim... _ Respondi, curta.
— Sente saudades? _ Sua voz continha duvidas, como se tivesse medo de tocar em algum assunto indevido.
— Não. _ Fui direta. _ Não há mais nada lá. Só lembranças.
— Entendo. _ Repetiu. _ “Talvez seja chato que agora isso sejam somente lembranças.” _ Citou.
— As Vantagens de ser Invisível. _ Ri.
— Me pegou. _ Deu risadas. _ Gosta?
— Um dos meus livros favoritos.
— Então... _ Fez-se um silêncio dramático. _ Nós somos INFINITOS. _ Gritou.
Dei gargalhadas.
— Palhaço. _ Minha barriga doía de tanto rir.
~ *.* ~
Everything I can't be
Is everything you should be
And that's why I need you here
Everything I can't be
Is everything you should be
And that's why I need you here
So hear this now
Come home
Come home
Cause I've been waiting for you
For so long
For so long
And right now there's a war between the vanities
But all I see is you and me
And the fight for you is all I've ever known
Ever known
So come home ♪ ♫
(Come Home — OneRepublic)
Antes de ir embora, Samuel me convenceu a ir numa biblioteca. Coisa que não era difícil de me convencer, devo admitir.
Almoçamos em um restaurante próximo e voltamos aos livros. Ele ligou para Jenn, Mih e Cameron, que nos encontraram momentos depois.
Passamos a tarde toda lendo e conversando.
Cameron e Mih foram buscar algum livro em determinado momento e demoraram a voltar. Jenn afirmou que eles deviam está se agarrando atrás de alguma prateleira.
Eles voltaram minutos depois. Cameron estava com a boca um tanto quanto vermelha, e Mih estava com o cabelo todo bagunçado.
Suspeito.
Ri, lembrando-me da afirmação de Jenn.
— Algum livro atacou vocês? _ Comentou a garota de cabelos azuis, causando risos em todos, e recebendo um tapa no ombro de Mih como resposta.
Todos gargalharam.
— Silêncio! _ Uma velha, aparentemente bibliotecária, com um óculos redondo escorregando pelo nariz, que estava no recinto passou por nós, com o rosto sério.
O silêncio instalou-se. E após a moça distanciar-se, rimos novamente, todos tampando a boca, para reprimir.
Ainda ficamos boas horas lá, apenas lendo, compartilhando músicas e jogando conversa fora.
Jenn e Samuel ainda levaram bronca da bibliotecária pelo barulho que faziam.
Quando estava quase anoitecendo, decidi que já era hora de ir pra casa.
Fui mostrando o caminho para minha casa, ainda rindo das palhaçadas que rolavam no carro. Jenn, Sam, Cameron e Milene tinham o dom de me fazer bem. Coisa que aos tempos não acontecia.
Pergunto-me se meus pais me mandaram como anjos, para cuidar de mim.
Para me ajudar em momentos de dificuldades quando os mesmos já não podiam fazer o mesmo. Ao menos, não diretamente.
Logo chegamos a frente a minha casa.
Os três ainda tentaram prender-me dentro do carro, segurando-me de brincadeira.
Mas fui libertada, entre risadas, minutos depois.
Despedi-me deles e entrei.
Minha tia estava em casa.
— Oi tia. _ Pulei no sofá ao lado dela.
— Oi princesa.
— Não teve trabalho hoje? _ Perguntei, reparando que a mesma usava roupas mais soltas e cotidianas, e não mais o terninho ou a roupa social de trabalho.
— Vantagens de ser minha própria chefa. _ Piscou para mim.
Engatamos uma conversa tranquila e decidimos preparar algo para comer.
Continuamos conversando, enquanto fazíamos um jantar juntas.
Ela fazia risoto, enquanto eu arrumava a mesa. Parecíamos uma família de verdade. Ela é a minha família agora.
Um outro anjo mandado pelos meus pais.
Comemos, brincando uma com a outra.
No final do almoço, após ela colocar as louças na pia, praticamente a obriguei a ir se deitar, enquanto eu lavava tudo que tínhamos sujado. Ela merecia descansar, agora que tinha uma adolescente bagunceira em sua casa.
Deixei tudo arrumado e subi para o meu quarto.
No caminho, vi que a luz do quarto de minha tia já estava apagado.
Sorri. Devia ter dormido já.
Já em meu refúgio, vi que tinha deveres. A preguiça predominava, porém coloquei uma boa música e os fiz em silêncio.
Distraia-me com os deveres, evitando qualquer outro pensamento.
E com isso, mal percebi quando cai no sono.
~ *.* ~
~ Sexta-feira ~
Oh lights go down
In the moment we're lost and found
I just wanna be by your side
If these wings could fly ♫
(Birdy – Wings)
Acordei cedo na manhã seguinte.
Ao menos uma vez na semana, não é Molly!?
Meus cadernos estavam jogados no chão. Provavelmente os joguei no chão quando dormia.
Organizei os materiais que estavam espalhados e arrumei minha cama, calmamente.
Ouvi barulhos pela casa. Minha tia já tinha acordada.
E falando nela... Ela apareceu na porta do meu quarto.
— Bom dia, querida.
— Bom dia, tia. _ Reparei que ela estava muito bem vestida. Seu cabelo loiro repicado estava arrumado, na medida do possível, e ela usava um vestido bege fino e saltos. Estava linda. _ Já vai trabalhar?
— Tenho de botar ordem ou é possível que coloquem tudo abaixo, ou até botem fogo. _ Ela comentou, rindo.
Eu ri.
— Claro, chefa. _ Brinquei, batendo falsa continência.
Ela riu em resposta.
— Passei aqui para me despedi, okay? _ Falou. _ Desculpa por não tomar café com você, novamente.
— Tudo bem. _ A acalmei, chegando perto dela e dando um beijo no rosto dela.
Ela me olhou, surpresa e agradecida.
Eu sou muito grata a ela.
Poucas pessoas aceitariam uma recém órfã, uma adolescente desestruturada, por mais que seja da família, em cas.
— Bom... Vou indo. Boa aula, querida. _ Me abraçou.
— Bom trabalho. _ Retribuí.
Ela saiu, calmamente.
Fui ao banheiro e fiz toda higiene necessária. Tomei um bom banho e arrumei a bagunça que era meu cabelo.
Como estava um pouco frio, coloquei um moletom. Ele era preto estampado com uma caveira. Completei com uma calça jeans clara, rasgada e All Star quadriculado. Ainda pus um cordão com um pingente simples de guitarra e pronto.
Joguei minha mochila nas costas e desci.
Tomei café, devagar. Não estava com a mínima pressa de ir à escola, nem de encontrar com o grupo de idiotas da mesma.
Estava sentida com as palavras de Drake. Sem nem ao menos perceber, ou com a intenção, o que é ainda pior, ele tocou no meu ponto fraco.
Ainda me surpreendo com tal estupidez.
Eu nunca fiz nada para a desgraça daquele grupo, e muito menos para Drake. Mas eles, aparentemente, decidiram escolher-me para alegrar o dia deles, tentando irritar-me.
Suspirei.
Eles realmente não me conheciam.
Tranquei tudo e fui andando em direção ao meu inferno.
Cheguei rapidamente no local.
Já no estacionamento, encontrei com Jenn e o meu mais novo grupo.
Eles receberam-me calorosamente.
Logo me inteirei do assunto tratado por eles.
Milene estava pirando, pois teria uma prova agora. Cameron nem ao menos tinha estudado, mas estava calma. Eu ria da briga da garota de covinha com o namorado por conta disso. Ela não acreditava que ele demonstrasse tanta calma.
Jenn brincava com meu cabelo, dando palpites sobre cores para o mesmo. Sam a chamava de camaleão. Eu retardava ao máximo minha ida a sala.
Porém todos tiveram de ir para sua respectiva aula.
Então fui para a minha aula.
Inglês.
Entrei e sentei-me ao fundo, como tinha tornado minha rotina. A sala já estava cheia, mas a professora ainda estava arrumando suas coisas em cima da mesa.
Quando faltavam minutos para o começo da aula, entrou o garoto que menos eu queria ver.
Drake entrou em toda sua superioridade. Estava com uma camisa cinza de mangas longas, jeans escuros e mocassim clássico.
Ele parou o passo por alguns segundos quando me viu. Tratei de ignorá-lo. Ele sentou-se um tanto distante, perto de alguns amigos dele.
A professora pediu silêncio e começou a explicar um trabalho que a sala devia fazer. O trabalho era sobre Acidentes. Explicava que devíamos escolher algum tipo de acidente específico e fazer um seminário sobre o mesmo.
O problema era que era dupla. Eu não falava com ninguém na sala e já planejava fazer esse trabalho sozinha, já que odeio fazer trabalhos assim. Um sempre acaba se dando mal.
É como dizem: "É em trabalhos em grupo que descobrimos o porquê do Batman trabalhar sozinho".
Mas eis que a professora veio com essa:
— Escolherei os grupos.
MERDA!
Jesus, me leva!
Fiquei quieta enquanto ela sorteava os nomes. Sentia o olhar de Drake sobre mim, mas evitava ao máximo tornar o olhar.
— Molly Cartter e... _ Silêncio. _ Drake Mason.
MERDA DUPLA.
Por favor, Jesus.
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