Notas iniciais
[Oh Wow Thaynara]: OLÁÁÁ GENTE que acompanha nossa história ~Momento Felipe Neto A capa e o título da fic mudaram, e esperamos que gostem. [Liandra Salvatore Stonem]: Emily Deorachi, eu e a Thay agradecemos MUITO pelo apoio, viu?

POV Molly

No you don't know what it's like
When nothing feels all right
You don't know what it's like
To be like me ♫

(Welcome To My Life – Simple Plan)

— O QUE? _ Ouviu-se a voz sobressaltada de alguém a minha frente

Claro que a voz irritante era de Lavigne.

Nem tinha percebido que a demônia estava tendo essa aula também.

A garota alta de blusa justa rosa escura, saia de babados de um tom salmão e seu salto alto rosa, só para variar, levantou de sua carteira indignada.

Seu rosto estava vermelho de tanta raiva e apresentava sua aparente característica de quanto estava irritada, a mania irritante de bater os saltos contra o cimento.

Obviamente ela não aceitou bem o fato de seu querido namorado fazer o trabalho escolar com outra garota, ainda mais sendo eu a tal garota.

Eu ainda estava embasbacada. Estava muda diante da decisão da professora.

— Algum problema com isso, Senhorita Stace?_ A professora Mary dirigi-se a Lavigne.

— Claro que tenho. _ Sua voz estava alterada. _ Eu que devia fazer o trabalho com meu namorado. _ Ela virou, indignada em minha direção.

A professora olhou de relance em minha direção e depois lançou um olhar indagador em direção da loira, claramente esperando um bom motivo para o ataque de Lavigne.

A loira bufou e apontou em minha direção, falando:

— Essa garota não pode fazer esse trabalho com Drake.

— Posso saber o porquê? _ Indagou.

— Por que... _ Ela fuzilou-me com os olhos. _ Ele é MEU namorado.

Eu nada falei. Ainda estava em estado de choque.

— O problema Senhorita... _ Começou Mary. _ É que eu que decido. A professora aqui sou eu, e você é só mais uma subordinada no ambiente. Pode ser popular fora da sala de aula, mas dentro dela, quem manda sou eu.

A sala ficou silenciosa, e logo se ouviu sonoras risadas.

Lavigne, mais vermelha do que nunca, olhou irritada em direção a senhora a nossa frente, mas não disse nada.

Apenas sentou-se.

Aparentemente ela não estava acostumada a ser insultada por alguém. Ainda mais sendo uma professora.

Minha vontade era rir da cara da mesma, mas eu ainda estava surpresa.

Olhei discretamente em direção a Drake, porém o mesmo parece ter tido a mesma ideia e olhava em minha direção.

Desviei o olhar, envergonhada.

Algo naquele garoto me intrigava. Talvez o fato de haver certa amargura em seu olhar, como se algo já o tivesse ferido, como se já tivesse visto algo que o marcou, o marcou para toda vida.

Mas ele tinha um lado bom, um lado que ele mostra raramente.

Era o jeito em que ele tratava a irmã mais nova, como sabia ser agradável quando queria, um lado simpático. Eu vi esse lado, por um curto período, e esse lado me fascinava.

Por quê? Eu não sabia.

Porém, a única coisa que vinha em minha mente quando eu o olhava era o que o mesmo tinha dito ontem.

Fixei meu olhar no quadro da sala.

Ouviam-se cochichos e risadas ainda.

— Agora, silêncio. _ Ordenou Senhorita Mary.

Só então, a sala ficou em total silêncio. Eu ignorava todos, mas podia sentir um olhar fuzilando-me. Ouve o sorteio do resto das duplas, e ainda pode se ouvir o resmungo de Lavigne ao ser sorteada com uma garota taxada como nerd, que sentava a frente da turma.

Tenho pena dessa garota.

— O trabalho terá um mês de duração, onde devem documentar sobre algum tipo de acidente em escolha do grupo, seja ele doméstico, de trânsito, de trabalho... _ Explicou Mary. _ Devem trazer um seminário escrito. Nada curto, explico logo. Dou esse mês inteiro para receber algo bem feito, com fotos, entrevistas e relatos, motivações, causos recentes locais e mundiais, e antigos também.

A ideia de fazer um trabalho escolar de duração de um mês com o garoto mais bipolar que já tive a chance de conhecer não me agradava nem um pouco.

Além de que passar um tempo a sós com ele por todo esse período me causava arrepios. Eu me neguei em afirmar que a presença dele mexia em algo dentro de mim.

Isso, com certeza, não era algo bom.

PRIIIIIIIM!

Para meu alívio, o sinal para a próxima aula tocou.

Juntei meu material e saí dali o mais rápido que eu podia.

Mas antes de conseguir me esconder em algum buraco próximo por um século, senti uma mão em meu ombro, obrigando-me a parar onde eu estava.

Isso de alguém sempre me parar tinha virado rotina, só pode.

A sala já estava praticamente vazia, e quem me segurava era Drake.

— Na minha casa? _ Perguntou sério.

— Como? _ Eu o olhei confusa.

— O trabalho. _ revirou os olhos, mas pude perceber algo por trás da postura fria dele. Ele tentava soar frio, porém podia perceber certa simpatia em seu olhar, e algo mais que não pude identificar.

— Ah, acho melhor na minha casa. _ Respondi envergonhada.

— Como quiser. _ Falou indiferente.

— Okay. _ Disse, anotando meu endereço numa folha qualquer no caderno que estava em meus braços, e o entreguei.

— Às duas horas, te encontro. _ Disse já saindo, sem esperar por resposta.

Santa ignorância. Revirei os olhos e sai dali, atrás de minha próxima aula.

~ *.* ~

~ Horas depois ~

When you're gone
The pieces of my heart are missing you
When you're gone
The face I came to know is missing too
When you're gone
The words I need to hear to always get me through the day
And make it ok
I miss you ♫

(When You're Gone — Avril Lavigne)

Para meu desespero, o dia passou rápido, e já era hora de ir pra casa. Em outros dias, eu agradeceria por isso, porém hoje, a ideia de Drake e eu no mesmo recinto por mais horas do que o normal me assustava.

As aulas foram entediantes, como de costume. Ainda vi Lavigne nos corredores, com seus seguidores, aparentemente com raiva ainda.

Quase não vi Samuel, Cameron, Millene e Jennette, pois todos estavam atarefados com trabalhos e provas. Então o curto período em que os vi foi no intervalo, onde brigaram comigo por eu está, nas palavras de Millene, “em outro planeta”.

Voltei para as outras aulas do dia com a cabeça cheia de pensamentos. Algo ia acontecer, eu sentia isso.

Só me restava a dúvida, algo bom ou ruim?

A dúvida me deixava ainda mais assustada.

Logo já era de ir embora.

Fui andando até o caminho de minha casa devagar. Pensava em tudo que aconteceu na minha vida, durante o percurso.

Eu sentia a falta dos meus pais agora, do apoio deles. Eu tinha apoio de minha tia, com certeza, e de meus amigos também.

Mas a presença reconfortante dos meus pais era a coisa que eu mais amava no mundo. Lembrar me causava certo aperto no peito, era a saudade.

É claro que tinha uma parte de mim que queria voltar atrás e mudar as coisas e trazê-los de volta, não os deixar sair de casa naquele fadigo dia. Mas não é assim que a vida funciona, você não pode voltar atrás. Escolhas foram feitas, e coisas aconteceram por causa delas.

Eu tinha de aceitar isso.

Eu mudei. Sim, mudei com a morte deles. Porque, querendo ou não, a vida é feita de coisas passageiras. De mudanças. Se não fossem as mudanças, a vida não se chamaria vida e sim, monotonia.

Sai pelo corredor da escola e desci pelo caminho de minha casa, andando devagar.

Mas, mesmo com isso, cheguei a frente a minha casa rapidamente, sem nem ao menos perceber.

A casa estava vazia.

Subi as escadas, praticamente me arrastando. Cheguei ao quarto e joguei minhas coisas em um canto do quarto e tratei de colocar uma roupa mais cômoda.

Optei por uma blusa de ombros caídos cinza da banda Kiss e um short detonado escuro. Calcei uma sandália que estava jogada embaixo da cama e desci para fazer algo para almoçar.

Já na cozinha, preparei uma salada simples e temperei um bife. Cozinhei arroz e pronto. Como só eu iria comer, foi algo rápido.

Comi na sala mesmo, assistindo algum programa besta que passava na TV. Na verdade, nem prestava atenção no que seria.

Quando terminei, juntei toda a louça que tinha sujado e me concentrei em lavá-las. Tentava ao máximo não pensar em mais nada, concentrando-me apenas na expressa espuma dos pratos e da água que saia da torneira, até que me espantei com o barulho na porta.

Olhei para o relógio, espantada.

Já eram 2 horas.

Sequei minhas mãos e fui abrir a porta, onde as batidas já se mostravam impacientes.

Abri a porta, me deparando com o garoto dos olhos claros e os cabelos escuros, de moletom azul em minha frente. Ele estava me encarando, com as mãos por dentro dos bolsos dos jeans.

— Entre! _ Minha voz estava trêmula.

Ele passou a minha frente e ficou parado no meio da sala, esperando minha próxima ação.

Com certeza não haveriam comprimentos.

— Hum! O notebook está lá no meu quarto... _ Informei, apontando para as escadas.

— Okay. Vamos? _ Perguntou.

O olhei de relance e subi as escadas, e ele me acompanhou.

— O quarto está uma bagunça... _ Me desculpei.

— É só um trabalho. _ Ele me interrompeu.

Revirei os olhos.

Idiota.

— Então acabemos logo com isso. _ Fui um tanto rude.

Peguei o notebook, o ligando e sentando numa das cadeiras da escrivaninha.

Ele sentou ao meu lado e começamos.

~ *.* ~

~ Horas depois ~

No, I just wanna hold ya

Give a little time to me, we'll burn this out
We'll play hide and seek, to turn this around
All I want is the taste that your lips allow ♫

(Give Me Love – Ed Sheeran)

Minha coluna já estava travada de ficar numa posição por tanto tempo.

Estávamos ali há horas, na frente daquele notebook. Eu estava rígida, por conta da proximidade. Eu praticamente sentia a eletricidade passando do seu braço para o meu, naquela curta distância.

Decidimos falar sobre Acidentes de Trânsito, apesar de o tema ser um tanto quanto delicado para mim.

Mas ele não precisava saber disso.

Conversamos o mínimo possível durante àquelas horas. Somente o necessário, e até o contato visual era evitado.

Até que ele vem com a pergunta:

— Já viveu ou vivenciou algum acidente?

Travei na hora.

— Por que não coloca seu conceito? _ Tentei evitar a pergunta.

— Por que não. _ Foi bruto.

— Desculpe, mas não.

— Qual é, garota. Esse trabalho vale nota. _ Ele se irritou.

Levantei e tentei sair de perto dele, saindo do quarto.

— Não... _ Minha voz embargava.

— Por quê? _ Seu tom era um tanto quanto calculista, mas ele pareceu apreensivo em perguntar. _ Foi assim que seus pais morreram? _ Não sei se ele perguntou por curiosidade ou para me machucar. Mas sai andando apressada para a escada, tentando fugir do assunto.

Mas antes que eu chegasse a mesma, ele me parou.

Droga.

Eu só quero ficar em paz.

Será que ele não ver?

Ou é tão impiedoso assim?

— O que? _ Perguntei.

— Temos de terminar o trabalho, garota. _ Falou, com certa raiva. _ É só responder a merda da pergunta.

— Não quero falar do assunto, dá para entender? _ Comecei a falar, desesperadamente. _ Ou além de idiota, você também é burro? Não consegue entender quando o assunto desagrada alguém? Ou faz isso para machucar mesmo? Pra irritar? Não quero responder essa pergunta! Entendeu ou quer que eu... _ Fui interrompida da forma que menos esperava.

Ele me puxou para si mesmo, tampando minha boca, impedindo-me de tagarelar, com seus próprios lábios.

Ele me beijava.

Não pude deixar de ficar muito surpresa quando sua mão agarrara meu pescoço e a outra puxava-me ao seu encontro; Quando dei por mim, estava retribuindo ao beijo.

Ela estava me beijando! Era real...

Seus lábios eram firmes sobre os meus, mas de certa forma, era um beijo doce e calmo. Sua boca era suave sobre a minha e seu gosto era maravilhoso. Eram tantas sensações esquecidas – e também de alguma forma mais profundas, que de repente sentir uma vontade louca de aprofundar o beijo e torná-lo mais intenso.

O que eu tenho na cabeça? Eu estou enlouquecendo?

Por que eu estava deixando ele me beijar?

Eu não queria isso. Ou queria?

Em um momento de consciência, tentei o empurrar. Mas como estávamos perto da escada, a inevitável queda aconteceu.

Não sei se por instinto, mas ele me apertou junto a ele, como se para me proteger a queda.

Após alguns segundos de quedas pelos lances de escada, a queda parou. Eu estava sobre ele, com as mãos sobre seus peitos e suas mãos estavam em minha cintura, segurando-a firmemente.

Eu estava vermelha e sem fôlego, e ele não estava diferente.

Ele me olhava, fixamente. Por um momento, me perdi nas órbitas verdes dos seus olhos.

— Hum... Acho melhor terminarmos esse trabalho depois. _ Disse, saindo de cima dele e levantando devagar.

Ele levantou, rapidamente.

Assentiu sem dizer nada, caminhando até a porta.

Olhou em minha direção, parecendo querer falar algo...

E saiu.

Notas finais
[Oh Wow Thaynara]: Apareçam e digam o que acharam.