Notas iniciais
[Thaynara Winchester Maccabee]: Vamos morrer pela demora? Provavelmente. A minha amada prima vai me matar por não ser a continuação? Com certeza. MAAAAAS... Está aí mais um capítulo. [Liandra Salvatore Stonem]: Está mais para bônus, mas esperamos que gostem. Para quem não lembra, estou escrevendo o ponto de vista do Drake a partir do fim do capítulo 19.

POV Drake

Please come now, I think I'm falling

I'm holding on to all I think is safe

It seems I've found the road to nowhere

And I'm trying to escape

I yelled back when I heard thunder

But I'm down to one last breath

And with it let me say

Let me say ♪ ♫

(One Last Breath – Creed)

~ Noite da festa na casa do Drake ~

Sentia um aperto no peito por ter machucado aquele garota.

Mas eu continuava fazendo-o, sem perceber.

O motivo? Simples.

Eu sou um idiota.

Mas eu não podia mostrar meu posto fraco para aqueles garotos.

E meu ponto fraco era aquele garota insuportável, chata, briguenta... Linda.

Eu tinha que deixá-la longe de tudo isso, nem que para isso eu precise machucá-la. Eu não podia deixar que aqueles que diziam ser meus amigos, mas que apenas queria tornar-se popular às minhas custas, usassem aquela garota para conseguir me atingir.

Eu ouvia os risos daqueles cretinos atrás de mim. Os amigos da Molly tinham olhares de raiva em minha direção. Nathan me olhava com preocupação.

Tudo que eu queria era abraça-la e defendê-la de tudo que a machucasse.

Mas como fazer isso quando o que faz mal a ela, era eu mesmo. O monstro da história era eu.

Eu a machucava.

E toda a dor que ela sentia, eu sentia em dobro.

“ÓRFÔ. “ÓRFÔ. “ÓRFÃ’.

Eram as palavras que ladeavam as paredes daquela casa.

Eu sabia muito bem o quanto tocar em assuntos que envolviam a família podiam machucar. E como o monstro que sou, usei isso como arma.

Quem sou eu para chamá-la de órfã, quando eu mesmo não tenho o que pode ser chamado de família? Meus pais são falsos, meus amigos são falsos, minha namorada é falsa.

Tudo na minha vida é falso. Até eu mesmo.

No lado de fora de casa, podia se ouvir a música nas alturas. Quase ninguém estava do lado de fora.

Uma tempestade acontecia. Um reflexo do meu ser.

Estava ensopado em segundos, mas pouco me importei. Continuei correndo atrás de Molly.

Ela disparava na minha frente.

_ MOLLY. _ Eu estava sem fôlego.

_ CALA A BOCA, SEU IDIOTA. _ Estava na cara que ela chorava. Sua voz estava totalmente embargada. _ SAI DAQUI!

Ela cambaleava enquanto corria. Dava para ver que a bebida ainda fazia efeito em seu organismo.

Eu tinha medo do que poderia acontecer se a mesma saísse naquele estado.

_ Molly, espera! _ Eu precisava alcançá-la. _ Sinto muito pelo que eu falei... EU SOU UM IDIOTA.

Eu estava em desespero.

Eu não queria a mesma perto de mim, pois eu era explosivo, e machucava as pessoas ao meu redor. Mas, ao mesmo tempo, queria ela ao meu lado, pois aquela baixinha era meu calmante.

Eu não sabia o que fazer.

_ Que bom que você sabe, não é? _ Ela bambeava. Fui me aproximando dela, devagar. _ Assim eu não preciso explicar.

Nesse momento, a garota perdeu o foco e pude perceber que ia cair.

Por reflexo, e por proteção, a puxei para mim. Ela bateu contra mim, e senti seu calor mesmo com o frio da chuva que caia sobre nós.

Olhei aquele rosto lindo. Olhos grandes e verdes, sardas pela bochecha, boca carnuda.

Ela aproximou o rosto do meu. Fiz o mesmo.

Segurei firme em sua cintura. Suas mãos pequenas e quentes estavam em meu peito.

Eu ia beijá-la. Nossos lábios estavam tão próximos, a ponto que eu sentisse sua respiração no meu rosto. O hálito de bebida misturado com morango exalava, deixando-me zonzo.

Mas antes que eu pudesse reagir, ela me empurrou. Cambaleei, surpreso.

Em seguida, senti uma ardência impressionante em meu rosto. Ela havia me dado um tapa.

Coloquei minha mão no rosto, instintivamente. Onde sua tinha acertado ardia. Apesar de pequena, sua mão era pesada.

_ Nunca mais me toque! _ Molly dizia pausadamente, como se estivesse falando com uma criança que tinha dificuldades de entender o que lhe era dito. Seu rosto estava levemente avermelhado. Não sei se de raiva ou por conta do choro.

Eu dei um passo em sua direção. Eu precisava fazer algo.

Mas ela correu ao perceber que eu tentava alcançá-la.

Ela se afastava rapidamente, mas não desisti. Continuei correndo atrás dela.

Ela diminuiu o ritmo ao chegar em frente a casa no fim da minha rua.

A casa da tia dela. Até então, sua casa também.

Ela abriu a fechadura da porta com pressa. Quase deixava a chave cair de suas mãos.

Ela queria que se afastar de mim.

Ela estava certa. Mas eu precisava dela.

Quando ela conseguiu abrir a porta, alcancei-a.

Ela ia fechando a porta, mas bloqueei-a com a mão.

Ela olhou-me com ódio.

Sei que causei dor a ela. Mas eu me sentia a pior das criaturas ao ser aquele olhar direcionado a mim, apesar de eu merecê-lo.

_ Coloca de novo e arranco seus dedos. _ Ameaçou.

Não duvido nenhum pouco disso.

Eu começava a tremer levemente por conta do frio.

_ Qual é... Vai me deixar aqui fora na chuva mesmo?

_ Sim! _ Sorriu, irônica. Seu sorriso não chegou ao seus olhos verdes.

Claro que ela deixaria. Ela não tinha motivo para deixar que eu entrasse.

Antes que eu piscasse, senti a porta batendo a centímetros de meu rosto.

Fiquei olhando para a porta por alguns segundos.

Como eu podia ser tão idiota?

Sentei-me na calçada da casa e tentei normalizar minha respiração. Eu arfava, estava quase sem fôlego.

Eu queria morrer.

A casa atrás de mim estava silenciosa. Respirei fundo e levantei-me.

Andei devagar em direção a minha casa.

Por qual motivo eu cismava tanto em machucar aquela baixinha birrenta?

Talvez seja uma necessidade minha. Uma necessidade hipócrita? Talvez!

Mas é um modo de auto defesa que eu tinha acabado por adquirir com os anos. Eu precisava liberar minha dor cotidiana, de convívio com falsos amigos, de pais que me odiavam, de peso na consciência por erros passados. E sem perceber, acabo liberando-a, machucando quem está próximo a mim.

Egoísmo? Claro!

Mas não sei como lidar com isso.

Eu não quero machucá-la. Eu não podia machucar Molly.

Portanto, tinha que afastá-la de mim.

Ela tinha algo que me fazia sentir coisas indescritíveis. Mas não sabia o que era.

Eu era um monstro.

Cheguei em frente a minha casa. Olhei o horário no meu relógio de pulso.

Já era madrugada.

Entrei, ignorando a todos.

_ Amor! _ Lavigne agarrou meu braço. _ Ai, meu Deus, você está todo molhado.

_ Jura? _ Comentei irônico.

_ Ai, amor! _ Fez bico, tentando fazer-se de coitada. _ Não fala assim comigo.

Revirei os olhos.

_ E aí, cara! _ Dizia alguns colegas sentados no sofá, com uma garrafa de Vodca na mão. _ Precisamos zuar de novo aquela nerdzinha.

Olhei-o, irritado. Eu queria socá-lo.

_ Você viu a cara de choro que ela fez antes de sair correndo? _ Lavigne gargalhou, apertando-me mais contra mim.

_ Mas até que ela é gostosinha. _ Voltou a falar de novo o garoto do sofá. James era o nome dele. Ele era do time da escola.

Pude ver que Nathan, que estava encostado no sofá, olhou para mim, com os olhos arregalados. Ele esperava que eu estourasse.

Respirei fundo e disse pausadamente.

_ A festa acabou.

_ AHHH! Qual é, cara! Agora que á começando a estourar. _ Ouvia-se um coro de lamúrias.

Lavigne me olhou, indagadora.

_ Como?

_ Meus pais podem chegar a qualquer momento. Então, todos podem ir embora! _ Dei uma desculpa qualquer. Minha mão coçava para dar um murro em alguém.

Queria ficar sozinho.

_ Mas, amor... _ A loira tinha a voz manhosa.

_ TODOS FORA! _ Estourei.

Todos se assustaram com minha reação. Mas a casa foi esvaziando devagar, com lamentações audível de muitos.

_ Mas, meu amor... _ Lavigne se aproximava. _ Você não estava se divertindo?

Apenas olhei-a e desviei o olhar, saindo do seu caminho, antes que eu descontasse toda minha raiva nela.

Fui andando devagar pela casa, desligando todos os aparelhos que estavam rodeados pelos cômodos e tirando toda a sujeira que tinha pelo caminho.

Estava tudo cheio de garrafas e latinhas.

_ Ei... _ A mão de Lavigne puxou o meu braço, bruscamente. _ Dá para parar de fugir?

Respirei fundo, pela centésima vez no dia.

_ Não acha melhor ir para casa?

_ Está me expulsando? _ Olhou-me irritada.

Estou.

_ Não, Lavigne.

_ Achei que podíamos aproveitar a noite já que seus pais estão em casa. _ Ela parou devagar em minha frente e passou a mão devagar pelo meu peito. Mordeu a boca, tentando ser sexy.

Claro que Lavigne era linda. Tinha um corpo inegavelmente lindo.

Mas não eram aqueles olhos azuis e rosto sem sardas que eu queria. Não era aquele cabelo loiro e longo que eu queria sentir entre meus dedos. Não era esse cheiro de flores que eu queria. Nem era a altura ideal que eu precisava no momento.

Eu precisava de uma baixinha dos cabelos escuros e curtos. Dos grandes olhos verdes e com lindas sardas pelo rosto claro. Eu precisava sentir o cheiro amadeirado e de morango que emanava do pequeno corpo. Eu precisava de Molly.

_ Acho melhor você ir. _ Encaminhei-a para a porta, segurando-a pelo braço. _ Boa noite, Lavigne.

E fechei a porta.

_ DRAKE MASON. _ Gritou do outro lado.

Ignorei e fui arrumar a bagunça da casa, tentando esvaziar a mente.

~ *.* ~

I've got thick skin and an elastic heart

But your blade it might be too sharp

I'm like a rubberband until you pull too hard

I may snap and I move fast

But you won't see me fall apart

Cos I've got an elastic heart ♪ ♫

(Elastic Heart – Sia )

~ Segunda, na escola ~

Será que ela viria hoje para a escola, depois de tudo que a fiz passar naquela festa.

Eu estava no meu carro, tentando agir com calma.

Já estava ponto de bater o sinal para entrar para a sala de aula. E nada de Molly aparecer.

Eu precisava falar com ela. Precisava pedir desculpa.

Me ajoelhar no chão e implorar perdão, se necessário.

Então, assustei-me com o barulho repentino na janela do carro.

Era Nathan batendo na mesma.

Destravei a porta para que ele entrasse.

_ Você está bem, cara? _ Perguntou, solidário.

Era um dos poucos que eu podia considerar como amigo naquele inferno.

_ Acho que sim... _ Disse sem nenhuma certeza na voz.

_ Está na cara que não está. _ Disse o moreno, ajeitando a mochila nas costas. _ Vem! Vamos andar um pouco enquanto não bate o sinal.

E saiu do carro, esperando-me.

Sai e olhei ao redor do estacionamento. Nada de Molly ainda.

Nathan percebeu minha revista pelo ambiente.

_ Espera Lavigne? Ela deve está no banheiro com as amigas dela.

_ É... Não estou procurando ela não. _ Disse olhando para os meus pés, enquanto caminhávamos pelos corredores da escola.

_ Então... _ Sua voz mudou de dúvida para reconhecimento. _ A menina da festa.

Fiquei em silêncio.

_ O que sente por ela, Drake? _ Perguntou.

_ Nada... _ Comecei. _ Não sei, cara!

_ Como não sabe?

Suspirei e decidi soltar tudo de uma vez.

_ Cara, eu não sei. Aquela garota irritante mexe comigo. Não sei como agir perto dela. Ela é como energético e calmante no meu organismo. Eu tenho vontade de sacudi-la até que se cale e de abraçá-la e pedir que fale comigo ao mesmo tempo... Sinto meu corpo se aquecer na presença dela. Sinto arrepios quando toco-a. Sinto necessidade de irritá-la só para ouvir a voz zangada dela rebatendo tudo que digo, mas também me sinto mal por magoá-la.

Respirei fundo, tomando fôlego.

_ Você está apaixonado por ela? _ Nathan foi direto.

_ Eu... _ Comecei.

TRIIIIIIIIIIIM!

Hora da aula.

_ Preciso ir para a sala. _ Disse, fugindo da resposta. _ Depois conversamos.

_ Tudo bem, Drake. _ Bateu de leve no meu ombro. _ Pensa bem no que vai fazer, viu?

_ Okay.

Ele virou em um corredor, indo em direção a aula que teria. E eu fui na direção contrária, em direção a minha aula.

Entrando na sala, fui direto para o fundo e ignorei todos.

Claro que vieram alguns dos falsos amigos dizer sobre a festa, mas tentei esfriar a cabeça e apenas prestar atenção na aula, respondendo-os com respostas monossílabas.

E assim, passou por todo o período até o intervalo.

Com uma pergunta rodando minha cabeça.

Eu estava apaixonado por Molly Cartter?

~ *. * ~

Love of my life, you've hurt me

You've broken my heart and now you leave me

Love of my life, can't you see?

Bring it back, bring it back, don't take it away from me

Because you don't know what it means to me ♫

(Love of My Life – Queen)

~ Intervalo, no mesmo dia ~

Lavigne ainda tentava agir como se tivesse magoada comigo, mas ainda assim não largava meu braço.

Agia como se eu fosse sua propriedade.

O Time falava de alguma besteira, como sempre.

Meus pensamentos vagueavam.

Eu observava de longe.

Ela estava de moletom do Batman, até onde pude observar. Não dava para ver muita coisa.

Ela estava sentada numa mesa longe da minha e nem parecia notar que eu existia.

Ela estava rodeada com seus amigos. A mesa estava mais cheia, mas não deu para que eu reconhecesse os dois novos integrantes do recinto. E nem queria, pois me perdia no sorriso de Molly.

Ela estava feliz. E o motivo não era eu.

Eu era o motivo de seu choro. E me martirizava por isso.

Eu precisava me desculpar com ela.

_ ... Não fique com ciúmes, viu amor? _ Disse Lavigne, Virando meu rosto bruscamente meu rosto, beijando-me.

_ Como? _ Não tinha prestado atenção em nada que a garota tinha dito.

_ Que o novato é gatinho. _ Afirmou novamente. _ Mas que não precisa ficar com ciúmes se ele der em cima de mim. Normalmente garotas populares como eu tem de aguentar cantadas de todos os garotos da escola.

Ela tinha um sorriso esnobe na cara. Revirei os olhos.

_ Ele nem é bonito. _ Comentou alguém do time. _ Além de que ele está charlatando a nerd desde que chegou. Eu vi os dois se agarrando no pátio mais cedo.

Como é que é?

Olhei para frente de novo. Senti algo borbulhando dentro de mim. Era raiva, misturado com algo a mais, mas que não reconheci de imediato.

TRIIIIIIIIIIIIIIM!

_ Licença... _ Levantei, rapidamente.

_ Vai onde, meu amor? _ Indagou Lavigne.

_ Preciso ver algumas coisas do trabalho de inglês.

_ Está bem. _ Me puxou e beijou-me, tentando deixar claro para quem olhava que eu era dela.

Essa garota está começando a me deixar enjoado com esse jeito dela.

Eu devia terminar com ela.

Ou não?

Quando eu estava em frente a mesa deles, observando Molly arrumando suas coisas, o novato levantou-se de sua cadeira., fazendo com que trombássemos.

_ Desculp... _ O garoto começou a se desculpar, mas calou-se ao me olhar.

E pela primeira vez, olhei para o garoto.

O que esse garoto está fazendo aqui?

Não pode ser... Não agora. Não! Não! NÃO!

Minha mente estourou com lembranças que eu queria enterrar.

As lembranças tinham voltado com tudo ao olhar para cara do garoto.

Justin Brown.

O que ele veio fazer aqui em Seattle? Ele veio fazer da minha vida um inferno.

Nada podia vir a tona, depois de tanto tempo.

Ainda mais com Molly rodeando minha vida agora.

Ele sabia de tudo. Não podia ser.

Eu travei ao lembrar de tudo.

_ O que está fazendo aqui? _ Minha voz estava alterada.

_Eu estudo aqui. _ Disse com a voz inalterada e calma que eu tanto odeio.

E se ele contasse para Molly? O que eu faria?

_ Molly... _ Virei-me para ela.

Ela olhou-me com desprezo. E antes que eu pudesse falar mais algo, ela puxou Justin e saiu.

_ Vamos... _ Ela enrolou seus braços nos deles. Pareciam grandes amigos.

De onde eles se conheciam?

Será que...

Minha cabeça estourava.

Eu não sabia o que fazer.

Eu precisava falar com Molly. Agora, mais do que nunca.

O refeitório estava praticamente vazio, quando voltei a prestar atenção.

Molly devia está na sala de aula já.

Ou com Justin. Essa possibilidade me irritava profundamente.

Fui para sala de aula. Para mais um tormento.

~ *.* ~

~ Saída do colégio ~

All of the things that I want to say

Just aren't coming out right

I'm tripping in words

You got my head spinning

I don't know where to go from here ♪ ♫

(You and Me – Lifehouse)

Eu a procurava em todo lado daquele inferno de estacionamento lotado. E nada.

Onde diabos aquele menina estava?

Até que a vi.

Ela estava encostada em um carro desconhecido, com o skate inseparável dela encostado aos seus pés. E ao seu lado, estava Justin.

Eles riam. Ela estava muito próxima dele.

Eu odiava isso.

Devia ser eu causando aquele lindo sorriso no rosto dela.

Até que Justin me viu por cima do rosto dela e disse algo, com o semblante sério, para ela.

O que aquele infeliz estava falando para ela?

Andei apressadamente até eles.

Eu queria espancá-lo.

_ Molly. _ Ela olhou em minha direção, e pareceu assustar-se com meu semblante. Virei-me para Justin e praticamente gritei. _ O que você está querendo agora? Que história está inventando agora?

_ Não estou inventando história nenhuma. _ Afirmou com a voz calma de sempre. _ Quer que eu conte algo?

Ele estava claramente me testando. Apertei minhas mãos, em punho, ao lado do meu corpo.

Como eu queria esmurrar aquele garoto.

_ Você é um imbecil. _ Direcionei toda a raiva no meu olhar em direção a Justin.

_ Ah, claro! _ Sua voz alterou-se um pouco. _ Até porque foi eu quem fiz a burrada de...

_ VOCÊ NÃO SABE DE NADA! _ Eu exalava ódio. Estava a ponto de pular em cima de Justin e esmurrá-lo até que desmaiasse.

_ CHEGA! _ Uma pessoa se postou entre nós e gritou. Molly.

Dei um passo para frente, chegando perto da morena. E observei Justin segurar sua cintura, instantaneamente, como se eu fosse machucá-la.

O sangue ferveu dentro de mim. Rancor e raiva exalavam em mim.

Eu que devia protegê-la. Mas eu era o monstro.

Respirei e falei:

_ Eu só vim perguntar se podemos terminar a porcaria do trabalho logo.

_ Ah... Claro! _ Afirmou.

Eu precisava falar com ela. E esse trabalho seria uma boa desculpa para me aproximar dela, estando longe de todos.

_ Na sua casa ou na minha?

“Na minha, por favor!”. Implorava mentalmente.

_ Na minha. _ Respondeu.

Claro que seria na dela.

_ Okay. _ Concordei. E então o silêncio instalou-se no local.

_ Bom, vou indo. _ Disse ela, soltando seu skate e arrumando a mochila nas costas.

Justin, que ainda segurava sua cintura, despediu-se dela.

_ Tchau, bonequinha. _ E deu um beijo no rosto dela.

Aquela sensação que eu não sabia descrever novamente borbulhou dentro de mim.

Deveria ser eu ali.

_ Tchau. _ Disse ela, sorrindo para ele. Virou-se para mim. _ Te vejo mais tarde.

Eu a veria.

_ Te vejo depois. _ Ignorei Justin e fui em direção ao meu carro.

Era melhor eu não ficar sozinho com Justin.

Aparentemente, ele era amigo de Molly.

E eu não podia machucá-la.

Não podia mostrar-me como monstro de novo.

Mas eu era um monstro.

Talvez eu seja uma Fera. E só precise de uma Bela em minha vida.

Molly era minha Bela. Eu precisava de minha Bela.

E eu iria conseguir.

Eu precisava.

Notas finais
[Thaynara Winchester Maccabee]: Antes que nos matem... É UM BÔNUS. o/ [Liandra Salvatore Stonem]:Talvez o próximo capítulo saia amanha, dependendo se houver retorno positivo dos leitores. TALVEZ.