I Hate Everything About You... Why Do I Love You?
22 Como uma gatinha machucada
Notas iniciais
POV Drake
You know, I've seen a lot of what the world can do
And it's breakin' my heart in two
'Cause I never want to see you sad girl
Don't be a bad girl
But if you wanna leave, take good care
Hope you make a lot of nice friends out there
Just remember there's a lot of bad everywhere
And baby I love you ♩ ♫
(Wild World – Versão Skins)
Encarei a casa.
Uma casa simples, ao estilo vitoriano padrão da rua. Era grande em sua simplicidade. Paredes brancas, grama verde com um jardim bem cuidado. Parecia um lugar agradável para se viver.
Era onde Molly morava.
Eu tinha lembrado daquele maldito trabalho apenas como uma desculpa para podermos ficar a sós. Eu queria poder me desculpar com ela sem que ninguém interrompesse.
Mas agora que estou em frente da casa dela, eu simplesmente travei.
Larga de ser frouxo, Drake Mason.
Você nunca foi assim. Você sempre encarou as coisas de frente. Por que disso agora, então?
Engoli em seco e deu mais alguns passos até a sacada da casa.
Respirei fundo e toquei a campainha da casa.
Ouvi passos vindo em direção a porta. Arrumei minha postura, automaticamente.
Molly abriu a porta, e tive que me segurar para não agarrá-la ali mesmo.
Puta que pariu.
Mesmo com roupas simples, ela era linda.
Ela encontrava-se descalça, com um vestido de mangas longas estampado com o que pareceu ser um panda. Era incomum vê-la com roupas assim, e não escondida como costuma ficar na escola.
Olhei-a distraidamente. E ela pareceu notar.
Disfarcei olhando para meus próprios pés, calçados em meu tão familiar par de all star.
Não sabia o que fazer.
Minha vontade era de puxá-la e tirar todo o fôlego dela com um beijo.
Mas sei que o máximo que eu conseguiria com isso seria um belo de um chute entre as pernas ou um murro no nariz.
Ou os dois.
_ Acabamos logo com isso. _ Ela claramente não me queria ali. _ Entre.
Passei por ela, calado.
Quando eu já tinha entrado,ela fechou a porta lentamente.
Observei a casa. Tinha uma aparência tão agravável quão do lado de fora.
Ao contrário da minha casa, que era desnecessariamente grande para pessoas que quase não ficam em casa, essa era do tamanho perfeito.
Bom, mas eu não estava ali para admirar a casa.
_ No seu quarto? _ Perguntei.
_ Como? _ Ela parecia está perdida em pensamentos.
No que será que ela pensava?
_ O trabalho.
_ Sim.
Okay, então. Como já sabia o caminho do quarto da menina por conta da última vez que estive ali, decidi seguir na frente.
A porta estava aberta. Continuava do mesmo modo que da última vez.
Enquanto a mesma pegava o notebook, sentei-me em sua cama.
Respirei fundo. Eu estava muito tenso.
Tinha que conversar com ela, mas não tinha ideia de por onde começar. Como explicar para ela o motivo de eu ser tão idiota?
Ela aproximou-se de mim, sentando a uma distância considerável de onde eu estava.
Isso dificultou ainda mais o meu raciocínio.
Ela ficou alguns segundos procurando algo pelo notebook, até que pareceu achar o que procurava.
Na tela do mesmo encontravam-se reportagens sobre acidentes de trânsitos.
Arrepiei-me. Porém disfarcei.
Bom, ao trabalho.
~ *.* ~
Did you think it all through?
All these things will catch up to you
And time can heal, but this won't
So if you're coming now, wait, just don't
Oh, it's so sad
To think about the good times
You and I ♩ ♫
(Bad Blood ft. Kendrick Lamar – Taylor Swift)
Minutos de silêncio se passaram, enquanto eu copiava.
Molly tinha se levantado e buscava algo em sua cômoda. Creio que eram mais folhas para o trabalho.
Não aguentei. Precisava me desculpar.
_ Molly. _ Chamei, receoso.
_ O que? _ Ela não se virou. Continuou concentrada em sua procura por folhas.
_ Me desculpa. _ Soltei de uma vez.
Ela mudou de postura de imediato.
Eu, provavelmente estava vermelho. E eu odiava isso. Odiava parecer fraco.
Mas com ela, eu precisava.
Não sei praticamente nada sobre essa garota insuportável. Mas algo nela fazia com que eu me sentisse a pior das criaturas só ao presenciar seu olhar amargurado direcionado a mim.
Eu odeio brigar com ela, mais eu insisto em fazer isso. Talvez eu faça isso como maneira de auto defesa. Para me sentir no controle.
Não tenho controle sobre minha vida. Meus pais fazem dela um inferno. E , ao menos na escola, posso ter um pouco de controle sobre a mesma. Mas para isso, tenho de ser prepotente, tenho de machucar, tenho de passar por cima.
Claro que isso não é nenhuma desculpa. Mas é o que eu sou.
E para isso tive que machucar essa menina que, mesmo em toda sua fragilidade, tem um olhar felino. Como um gato pronto para arranhar a face daquele que o machucou.
No caso, eu quem tinha machucado tal gato. Isso me machuca demais, pois toda a vez que brigávamos, pareço perder algo dentro de mim. Mas o que seria?
Eu e Molly não poderíamos nem nos considerar amigos.
_ Como? _ Ela virou-se em minha direção, se afastando da cômoda.
Seu olhar era de pura surpresa.
_ Sei que fui idiota... _ Fui interrompido.
_ Jura? Nada que eu já não saiba.
Irônica.
Claro que ela não facilitaria. Ela não tem motivos para isso.
_ Dá para me escutar? _ Irritei-me, levantando e indo até ela. Eu me aproximei a ponto de sentir o seu cheiro. _ Você precisa me escutar.
Quero dizer que viver brigando assim não é fácil, ainda mais quando minha vontade ao vê-la magoada é de abraçá-la. Mas, o que fazer quando não consigo fazê-lo? Quando não posso fazê-lo. Só tenho que agir como se não me importasse.
Sei que Molly é forte, mas sei que a machuquei, tenho a machucado sempre. E preciso me desculpar.
_ Eu não quero... _ Começou a falar, antes que um toque atrapalhasse.
Era o celular dela.
Perdendo todo o foco do que falávamos, ela pegou o celular, distraidamente virando de costas pra mim.
The truth is hiding in your eyes
And its hanging on your tongue
Just boiling in my blood
But you think that I can't see
What kind of man that you are
If you're a man at all
Well, I will figure this one out on my own
(I'm screaming "I love you so"
But my thoughts you can't decode) ♩ ♫
(Decode – Paramore)
Pude ler a mensagem por cima de seus ombros.
Justin.
Meu sangue ferveu dentro de minhas veias.
Bonequinha? O que rolava entre eles dois?
Será que eles estavam juntos?
Eu tenho motivos para me importar com isso?
Não, eu não tinha. Mas eu me importava.
Não quero que eles tenham algo.
Pude ver um sorriso brotando no rosto da morena.
Meu sangue ferveu mais ainda.
_ Hum... Viraram amigos tão rápidos, não é? _ Minha voz tinha tons de amarguras.
_ Você não sabe de nada.
Me irritei. Pois eu queria saber.
Será que eles são namorados?
Não podem.
_ Claro que não sei, não é? Até por que ele é o anjo que veio de algum lugar para te proteger do malvado Drake.
Meu organismo exalava ironia. Eu fervia de raiva.
E eu não sei o motivo disso.
Molly não é nada minha.
Não é minha.
Odeio esse sentimento de insegurança. Esse, que te faz pensar na possibilidade de que pode perder tudo aquilo que mais ama na vida.
Mas eu a amo?
Deu passos em sua direção, e vi que a mesma chegou mais perto da cômoda, praticamente encostando na mesma.
_ Você... _ Começou, mas eu não deixei.
Caralho, eu preciso beijar essa garota chata.
E foi exatamente isso que eu fiz.
Cheguei ainda mais perto dela, e a puxei.
Preciso sentir a textura macia dos cabelos dela. Enrolei-o em minhas mãos.
A boca dela. Tem um gosto perfeito.
Mas o gosto se foi.
Ela me empurrou com brutalidade e começou a gritar:
_ Você acha que eu sou alguma puta? Eu não sou nenhuma idiota.
COMO É QUE É?
Ela enlouqueceu? Como ela tem coragem de me fazer essa pergunta?
Irritei-me mais.
Cheguei perto dela novamente. Ela pareceu, pela primeira vez, com medo de mim.
Ela deu um passo para trás, afastando-se de mim.
Eu tentava me aproximar mesmo assim. E tinha mais passos na direção contrária como resposta.
_ Como... _ Fui interrompido.
_ Não sou nenhuma trouxa que você usa como quiser e depois age como se nada tivesse acontecido. NÃO SOU.
_ De onde tirou isso? _ Eu estava com tanta raiva. _ Como OUSA pensar isso?
_ Não tirei de lugar nenhum. Você e sua namorada deixam isso claro.
Namorada?
Ah! Lavigne.
_ Ela não é minha namorada. _ Caralho, Drake. _ Bem, é. Mas desde que você...
Que porra eu estou falando?
Cala a boca, Drake Mason.
Parei de falar, abruptamente.
Mas ela percebeu, é claro.
_ Desde que eu o que?
_ Nada.
_ Como nada?
_ NADA. _ Gritei.
Ela me olhou zangada. A gata machucada tinha aquele olhar de novo.
_ Abaixa o tom. Se não...
_ Se não o que? _ Aproximei-me. Ela se afastou, porém não tinha para onde fugir. A cômoda bloqueou seu caminho.
_ Se não eu... Se não eu...
_ Ah, cala boca. _ E eu a beijei.
Teus lábios são labirintos
Que atraem os meus instintos mais sacanas
O teu olhar
Sempre distante, sempre me engana
Eu entro sempre na tua dança de cigana
Eu que falei nem pensar
Agora me arrependo roendo as unhas
Frágeis testemunhas
De um crime sem perdão
Mas eu falei sem pensar ♪ ♫
(Refrão de Bolero – Engenheiros do Hawaii)
Abracei-a forte.
Queria fundi-la ao meu corpo. Seu cheiro era tão bom.
Esperava que a morena me empurrasse novamente, e para evitar segurei sua cintura com uma das mãos, e com a outra mão apertei a sua nuca com força, porém de forma que não a machucasse, tornando impossível que a mesma escapasse.
Mas, ela não quis fugir.
Ela retribuiu.
Seu hálito frio me enlouquecia.
A minha mão que se encontrava em sua cintura tomou rumo, de forma leve, pelas costas da menina, até chegar aos seus cabelos. Fechei minhas mãos nos mesmo, de forma possessiva, fazendo com que o coque frouxo que Molly usava se soltasse.
Pude sentir o cheiro de morangos exalar de seus cabelos. Os cabelos escuros eram macios em minhas mãos. Não resisti ao impulso, e o puxei levemente, trazendo seu rosto ainda mais para perto do meu.
Desci uma das mãos novamente e a apertava ainda mais contra meu corpo.
Eu precisava senti-la.
Eu não tinha mais controle sobre meu corpo.
Eu simplesmente precisava daquela garota.
Se eu pensava que a voz dela era incrível, se eu achava que o toque dele era incrível... Bem, o jeito que ela beijava era de outro mundo.
Eu estava perdido, com essa garota na minha vida.
Eu sentia cada contorno de seu corpo contra o meu. Mas eu queria mais.
A garota mordeu os lábios, causando um leve gemido de minha parte. Aquela garota só podia está querendo me enlouquecer.
Levantei-a em meu colo, segurando seu corpo pequeno contra a minha cintura.
Será que ela tinha percebido a situação em que eu me encontrava no momento?
As pernas de Molly rodearam minha cintura. Segurei-a mais firme, sentindo o calor de seu corpo.
O beijo tornava-se quente.
Andei devagar, ainda sentindo todas as sensações que aquela garota causava em meu corpo.
Aproximei-me da cama e deitei-a lentamente, sem deixar de beijá-la e de afagar todo o seu corpo com precisão.
Suas coxas eram firmes. Sentir o corpo dela fazia-me sentir como se eu estivesse com sede a semanas e estivesse na frente de um copo cheio com água bem gelada.
Apertei-as. Não resisti.
Me inclinei ainda mais sobre ela.
Seu vestido subia levemente, tornando possível a minha visão sobre as pernas da menina. Minhas mãos subiam levemente em sua coxa.
E, como se já conseguia me controlar, a situação piorou quando ouvi aquele som.
Molly tinha gemido.
PUTA QUE PARIU.
Me afastei de sua boca, descendo até seu pescoço, dando um beijo de leve, percebendo que a morena se arrepiava. Me afastei um pouco, olhando-a.
Ela estava com o rosto levemente vermelho, a boca um pouco inchado pelo beijo. Seu olhar era quente.
A imagem era um tanto quanto excitante.
Mordi meu lábio inferior para me controlar.
Senti as pequenas mãos em minha cintura, subindo pelo meu tórax, entrando em minha camiseta.
Ela estava a ponto de tirar a camiseta que eu vestia.
Eu não tinha mais nenhum controle.
Se continuássemos, eu não pararia.
Eu a faria minha ali mesmo.
Ela seria minha.
Porém, um barulho tornou-se audível.
O maldito celular tocou novamente.
CARALHO.
Ela empurrou-me novamente, afastando-me.
Será que era aquele Justin de novo.
Minha sanidade espera que não.
Respirei fundo, tentando me controlar.
Eu precisava daquela garota.
AGORA.
_ Hum... _ Disse Molly, ainda vermelha pelo que tinha acabado de acontecer. _ Acho que temos um trabalho a fazer.
O trabalho.
Meu Deus, e se o celular não tivesse interrompido?
_ É.. _ Levantei-me, arrumando a camiseta que estava amarrotada, e puxando-a um pouco para baixo, disfarçando.
Eu precisava de um banho frio.
Respirei fundo.
Molly via a tela do celular e sorria.
Queria eu que fosse para mim aquele sorriso.
Mas eu sabia que não. Era, provavelmente, para o desgraçado do Justin.
Cheguei devagar atrás de suas costas novamente, à tempo de ver sua resposta.
Claro que era Justin. Chamando-a para sair.
E o pior: Ela aceitou.
Ela virou-se em minha direção.
Será que Justin não entendia que a garota era minha.
Não... Molly não era propriedade de ninguém.
Ela não era um objeto.
O que estava acontecendo comigo.
Algo corroía meu peito.
_ De novo esse cara?
_ O que você tem a ver com isso? _
_ Eu não... _ Fiquei na defensiva.
_ Isso mesmo. _ Disse ela, irritada. _ Você não tem nada a ver com isso.
O olhar de gata novamente.
_ Mas você mal o conhece. _ Afirmei.
_ E você o conhece? Tenho certeza que não o conhece como eu o conheço.
Claro que eu o conhecia.
Mais do que você imagina, Molly.
_ Você não pode ser amigo dele
Eu estava ardendo de raiva.
_ E você é meu pai, por acaso? _ Irritou-se. _Você veio aqui para fazer a merda de um trabalho, e não para agir como a porra de um pai ciumento.
_ Vamos terminar esse trabalho logo. _ Suspirei, cansado.
Ela não poderia ter nada com ele.
Será que ele tinha dito algo a ela?
Caralho, Drake.
~ *.* ~
Didn't mean to make you cry
If I'm not back again this time tomorrow
Carry on, carry on
As if nothing really matters
Too late, my time has come
Sends shivers down my spine
Body's aching all the time
Goodbye everybody, I've got to go
Gotta leave you all behind and face the truth ♩ ♫
(Bohemian Rhapsody – Queen)
Estávamos naquele quarto ao que parecia horas.
Eu já não aguentava escrever tanto.
Meu caderno estava cheio de informações e leis sobre coisas relacionados a acidentes de trânsito. Eu estava rodeado de jornais e revistas já marcados com notícias sobre o assunto.
Aquele assunto me dava dor de cabeça.
Inspirei.
Expirei.
Olhei para Molly. Percebi que sua postura estava ereta e ela segurava o notebook com uma força exagerada, a ponto de os nós de seus dedos se tornarem esbranquiçados.
O que estava acontecendo?
_ Molly. _ Levantei, indo até ela.
Ela fechou o notebook abruptamente.
O que ela tinha?
_ Oi. _ Falou, tentando relaxar a postura. _ Acho que está bom por hoje.
O que será que ela tinha visto para deixá-la tão na defensiva?
_ Tem certeza?
Minha voz estava curiosa e preocupada.
_ Claro.
_ Okay. _ Acho que o melhor era deixá-la na dela. Eu também precisava penar nas coisas. _ Te vejo depois.
Juntei minhas coisas, colocando-as na mochila, porém ainda olhei preocupado para Molly.
_ Te vejo depois.
E sai.
Desci devagar pela escada da casa, chegando até a porta.
Olhei para trás. Respirei fundo e sai.
Bem, vamos para casa, não é?
Para o inferno daquela casa.
Olhei novamente para trás.
A casa sumia atrás de mim.
E me afastava da gatinha machucada, consequentemente.
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