Notas iniciais
POV Molly
What doesn't kill you makes you stronger
Stand a little taller
Doesn't mean I'm lonely when I'm alone
What doesn't kill you makes a fighter
Footsteps even lighter
Doesn't mean I'm over cause you're gone
What doesn't kill you makes you stronger, stronger
Just me, myself and I
What doesn't kill you makes you stronger
Stand a little taller
Doesn't mean I'm lonely when I'm alone ♫
(What Doesn’t Kill You – Kelly Clarkson)
Eu ainda encarava o mesmo ponto fixamente, apesar de já terem se passado quase meia hora.
Eu realmente não sabia o que pensar.
Qual motivo aquele garoto tinha para brincar com meus sentimentos desse jeito?
Ele me beijou.
E, bem... Quase mais que isso.
Caralho, Molly.
Qual é o seu problema?!
Respirei lentamente e olhei ao redor.
Meu novo lar.
Nada mais de Nova York. Nada mais de colo de mãe depois de um dia irritante na escola. Nada mais de brincadeiras de pai durante as refeições. Nada de filmes em família nos fins de semana.
São boas lembranças, mas está claro que eu mudei. Precisei mudar. Vou deixar algumas memórias pra trás, não fica bem carregar tudo para um novo lugar.
Agora tenho de levar todas as lembranças com meus pais no coração. Porém, tenho que seguir em frente.
Suspirei.
Peguei o livro que estava na cabeceira da minha cama.
O menino de pijama listrado.
Minha mãe que o tinha me dado.
Peguei-o e o abracei forte.
Com o acidente dos meus pais e com todas as mudanças que a sucederam, vi que quando menos você espera, de um lugar novo, surgem pessoas que viraram sua vida ao contrário. Basta saber se de um jeito bom ou ruim.
Nessas mudanças vieram pessoas boas, tais como minha tia, Jenn, Milene, Lucy, Samuel, Cameron, Justin e até a pequena Shelby.
Porém também vieram pessoas como a insuportável da Lavigne e seu bando.
E vieram as incógnitas, tal como Drake Mason.
Vieram amizades novas, vieram dúvidas.
Mas meus pais criaram uma garota forte. Eu tinha de encarar tudo que viesse, de frente, por mais difícil que seja.
Andei pelo pequeno quarto, agradecendo pelo silêncio. Tentando organizar meus pensamentos.
E ainda com o livro em meus braços, sentei na cama.
Lembrei do que meu pai tinha me dito uma vez, quando tive um período em que vivia tendo pesadelos. Eu devia ter uns 9 anos.
Lembro que nessa época eu realmente comecei a ficar com sérios distúrbios de sono, simplesmente por que não queria dormir, com medo de ter pesadelos. Meus pais me ajudaram até que eu melhorasse.
Mas eu comecei a não querer dormir no meu quarto.
E um dia, quando fazia drama para ir dormir, meu pai pediu-me que sentasse com ele na cama do meu quarto e disse:
“Sabe, Molly. Todo mundo tem um porão escuro em seus corações. Medos escondidos, traumas. Eu mesmo tenho medos. Sua mãe tem medos. Mas sei que se você evitá-lo e deixá-lo abandonado, a escuridão fica mais escura. É preciso ser corajosa, e descer para ligar a luz. Se você está com medo de fazê-lo sozinho, apenas segure na mão de alguém. Se estamos juntos, você não precisa ter medo. Se você tem alguém que te ama ao seu lado, não precisará temer, pois essa pessoa te ajudara até o fim.”
Ele segurava minha mão enquanto falava isso.
Sorri com a lembrança.
Que, por mais dolorosa que fosse, mostrava que eu deva honrar o amor dos meus pais por mim.
Levantei novamente e coloquei o livro sobre a cômoda.
Comecei a organizar toda a bagunça que tinha feito durante o trabalho.
E minutos depois já estava tudo arrumado.
Coloquei minha bolsa, já arrumada, em um canto do quarto.
Observei o quadro que tinha posto dias antes na parede. O retrato dos meus pais..
Olhando o rosto sorridente dos dois, sorri e disse:
_ Vou mostrar para vocês que criaram uma garota corajosa.
E abri a porta do meu quarto.
Afinal, eu precisava comer.
E creio que minha tia também precisaria, quando voltasse do trabalho.
Bem... Então vamos!
~ *.* ~
So we become alive in a time of fear
And I aint got no muthaf-cking time to spare
Cry my eyes out for days upon days
Such a heavy burden placed upon me
But when you go hard
Your nay's become yay's
Yankee Stadium with Jay's and Kanye's
I came to win, to fight, to conquer, to thrive
I came to win, to survive, to prosper, to rise
To fly
To fly
Get ready for it ♫
(Fly – Rihanna – Feat. Nicki Minaj)
O jantar estava feito e organizado sobre a mesa, composto por arroz de forno, macarrão à bolonhesa, salada e suco.
Já era aproximadamente 9 horas da noite quando minha tia chegou.
Ela tinha a postura cansada. As costas curvadas e olheiras nos olhos faziam que parecesse mais velha do que realmente é.
Elena bufou e jogou-se no sofá.
Entrei na sala e disse, receosa:
_ Boa noite, tia.
Ela sobressaltou-se em resposta.
_ Ah... Boa noite, querida.
_ Está bem? _ Perguntei com um toque de preocupação.
Ela sorriu, cansada.
_ Estou sim. Só tive um dia farto de trabalho.
_ Não quer comer? _ Apontei para a mesa.
`_ Você fez o jantar? _ Parecia surpresa.
_ Hum... Sim?!
Ela levantou e chegou ao meu lado. Colocou a mão sobre meu ombro e sorriu, doce.
_ Desculpe o tom de surpresa. Não entenda mal. _ Riu. _ É que já faz séculos que não sei o que é comer comida feita em casa. Com o trabalho, sobrevivo de fast food e comida rápida.
Não duvidava disso. Nos meus primeiros dias aqui percebi que a dispensa era praticamente vazia. E já tinha visto diversas vezes ela sair sem tomar café e chegar e ir direto dormir, sem jantar antes.
_ Tudo bem, tia. Eu entendo como é.
_ Me chame de Elena, querida.
_ Okay, ti... Elena. _ E sorri.
Sentamos juntas a mesa e começamos a distribuir o jantar em nossos pratos. Sorri ao perceber que ela tinha a mesma mania de minha mãe de ficar rodando o garfo sobre a mesa quando se distraia.
Ela olhou-me ao ver que sorrir.
_ Seu sorriso parece com o da minha irmã. _ Afirmou. _ Mas predominam os traços de seu pai.
Abaixei a cabeça, envergonhada.
_ Obrigada.
_ Não fique envergonhada. _ Riu. _ Mas me assusto com a semelhança, ás vezes. Não só na aparência, mas no jeito. Eles tinham orgulho da filha que tinham.
Corei.
_ Você também se parece muito com minha mãe.
Ela deu uma risada e disse:
_ Sua mãe era linda, igual nossa mãe. _ Recostou-se na cadeira. _ Eu sou mais parecida com nosso pai.
_ Você também é linda, tia Elena.
_ Obrigada, querida. _ Remexia na comida, parecendo feliz com minha companhia. _ Mas diga-me, como foi na escola?
_ Bem...
E ficamos conversando até tarde.
~ *.* ~
Cause this is my game
And you better come to play
I used to hold my freak back
Now I'm letting go
I make my own choice
Bitch, I run this show
So leave the lights on
No, you can't make me behave ♫
(Confident – Demi Lovato)
Acordei com o som do meu despertador enlouquecido.
Caralho de despertador.
Ainda deitada, apenas estiquei a mão e peguei-o. E... Joguei-o longe.
Péssima escolha.
Parecia até que ele se irritou e tocou mais alto apenas para me irritar.
Bufei e levantei.
Peguei a droga do despertador, desliguei e criei coragem para fazer minha rotina tradicional.
Fui ao banheiro quase dormindo e escovei os dentes sem vontade nenhuma de ir a escola.
Tomei um banho rápido e fui me vestir.
Vesti-me com camiseta e jeans preto, coloquei um casaco de mangas mais larguinha. Calcei meu all star cano longo e opei por colocar minha pulseira de couro e meu cordão de prata.
Olhei para meu cabelo. A preguiça era imensa, então apenas o penteei rapidamente e coloquei uma touca frouxa cinza chumbo.
Peguei minha mochila e meu skate, como já era costume e desci.
_ Bom dia, Molly.
Minha tia estava sentada tomando café calmamente.
_ Bom dia. _ Estranhei encontrá-la ali, já que sempre que eu saia, ela já tinha ido para o trabalho. _ Tudo bem?
_ Oh, sim! _ Tranquilizou, parecendo notar minha expressão indagadora. _ Só estou indo com mais calma nesse lance de trabalhar muito.
Fiquei feliz. Ela realmente trabalhava demais, e estava claro que isso a desgastava muito. Eu tinha comentado isso antes de ir dormir enquanto conversávamos ontem a noite.
Ela pareceu concordar.
E se acalmou.
_ Que bom. _ Sorri, servindo-me um pouco do café e encostando-me na bancada da cozinha.
_ Quer carona para a escola? _ Ofereceu.
_ Não precisa se incomodar, tia.
_ Claro que não. _ Revirou os olhos. _ Já estou saindo mesmo. _ Vamos?
Pensando bem, eu estava com preguiça mesmo.
_ Vamos, então.
Peguei umas barras de cereais e a segui.
Passamos o curto percurso conversando.
Além de tia, Elena era uma boa amiga. Eu tinha que confessar.
Logo estávamos em frente ao colégio.
Despedi-me, rapidamente.
Antes de descer, ela disse:
_ Cuide-se e ligue qualquer coisa.
_ Sim, senhora. _ Bati continência de brincadeira e sorri. _ Bom trabalho.
Ela sorriu em resposta e ligou o carro, saindo calmamente.
Primeira vez desde que cheguei na cidade que não via ela correndo para fazer algo.
Isso era bom.
Andei distraidamente até o portão da escola.
Mas fui barrada por uma pessoa imperativa.
_ Oi,oi, oi!
_ Tomou café demais, Jenn? _ Ri.
_ Cale a boca e venha. _ Me arrastou até onde estava todos nossos amigos. Até Justin estava ali. _ Temos de sair para o cinema, todos juntos. O que acham?
Todos concordaram mutualmente.
Seria bom.
_ Ninguém refrearia senhorita Jenn. _ Zoou Sam, escorando no ombro de Cameron. _ Se negássemos, você nos arrasaria até o cinema.
Todos riram.
_ Cala a boca, Sam. _ Jenn deu língua para o amigo, birrenta.
Olhei ao redor.
O corredor estava parcialmente cheio.
Lavigne e seus “amigos” estavam consideravelmente afastados.
Não pude deixar de perceber que ela estava recostada em Drake.
O mesmo estava trajado com seu familiar casaco de couro, contrastado com uma camiseta verde e jeans, além de um par de sapatênis esportivo.
Parecendo perceber que alguém o olhava, virou seu olhar em minha direção. Desviei o olhar rapidamente e voltei a atenção a conversa de meus amigos.
Mile, Lucy e Jenn falavam sem parar de opções de filmes em cartaz.
Cameron e Samuel optavam por filmes de terror ou aventura.
Justin aproximou-se de mim e abraçou-me pela cintura.
Abaixou a cabeça e falou perto do meu ouvido:
_ Parece que vai ao cinema duas vezes.
_ Como? _ Indaguei.
_ Lembra que tínhamos combinado?
Ah, é!
_ Então, pode ser.
Ele sorriu em resposta.
Senti uma pressão sobre mim. Como se alguém me observasse, mas ignorei.
~ *.* ~
I, (yeah) I believe in destiny
I may be an ordinary guy
Without his soul
But if you're the one for me
Then I'll be your hero
(Could you be the one, could you be the one for me?)
Then I'll be your hero
(Could you be the one, could you be the one for me?)
Then I'll be your hero ♫
(Hero – Sterling Knight)
Continuamos conversando por um tempo.
Até que cada um foi para sua devida sala.
O corredor estava quase vazio.
Eu e Justin teríamos aula juntos.
_ O que acha de alguma comédia? _ Ele opinou enquanto íamos em direção a sala.
_ Podia ser suspense. _ Falei.
_ Pode ser também. _ Encostou-se em meu ombro. _ Tem algum bom em cartaz?
_ Nem sei. _ Revirei minha mochila enquanto falava. _ Podemos decidir após vermos os que tem.
_ Concordo.
Como sou sortuda, minha mochila fez o favor de abrir o zíper de uma vez, caindo todo o meu material.
_ Caralho! _ Praguejei.
_ Deixa eu te ajudar. _ Disse Justin.
Abaixamos e pegamos todo o material em silêncio.
Ao levantarmos, acabamos por estar próximos demais.
A reação de Justin foi totalmente inesperada por mim.
Eu esperava que ele fosse se afastar.
Mas não.
Para minha surpresa, ele simplesmente acabou com a distância entre a gente, puxando-me pela cintura e beijou-me.
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