I Hate Everything About You... Why Do I Love You?
24 Meu enigma
Notas iniciais
POV Molly
There it is now, she enters the room
It guts like a fish to see how she's grown
Saw me go blind, step out of line
You know I can't help myself
When you get your groove on I go blind
When you get your groove on I go blind
When you get your groove on I go blind
So, let me go out into the evil world that you know
Where my baby cries, but I cut the ties
Oh, let me go out into the sinful world that you know
That you really love
Just let me be easy to love ♪ ♫
(The Jezabels – Easy to Love)
A cena que seguiu foi um tanto quanto clichê.
O garoto de cabelos escuros e olhos verdes, tão familiares em minha infância, apertava minha cintura contra a sua.
Quando eu imaginaria que beijaria aquele menino que me empurrava no balanço da casa de seus pais na minha infância?
De início, travei.
Porém, como se eu não conseguisse controlar meu corpo, minhas mãos foram de encontro aos seus cabelos, puxando-o contra mim.
A surpresa fez com que nós dois agíssemos por impulso.
Já chegaram a me repreender em vários momentos da minha vida por agir assim, sem pensar nas consequências futuras dos meus atos. Mas a verdade é que eu até acho uma boa essa de ir por impulso.
Se você pensar em tudo o que for fazer, você não vai fazer nada. Nós temos que nos arriscar e viver aventuras. Se caso ocorrer de me foder depois, fazer o quê? Se foder faz parte da vida.
Deixando claro que eu já me fodi muitas vezes na vida.
Eu estava em uma cidade nova, com amigos novos. Meus pais já não estavam aqui para me proteger dos meus próprios atos. E eu já não era nenhuma criança para esperar que a tia Elena o fizesse.
Eu não iria deixar que pessoas como Lavigne me infernizassem.
Não quero que Drake me confunda mais.
Vou me arriscar e irei atrás da minha história sem medo.
Não devo me preocupar com que os outros acham, afinal, a vida é minha, não é mesmo?
Agir por impulso pode trazer grandes consequências, mas também, trazer grandes sorrisos. E assim nós vamos vivendo, não é?
Vamos ver no que dá.
A mão de Justin, que anteriormente estava em minha cintura, agora vagueava em minhas costas, por cima de minha camiseta. Os seus cabelos escuros estavam totalmente desordenados sobre meus dedos.
TRIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIM!
Afastamo-nos repentinamente ao ouvir o alarme de aviso para entrada para sala de aula.
Eu arfava levemente. Ele não estava diferente.
O lábio de Justin estava um tanto quanto inchado.
Olhávamos um para o outro.
A surpresa era algo claro em nossos olhares. Minhas bochechas estavam quentes, portanto eu estava claramente corada.
_ Hum, então...
_ É...
Estávamos sem jeito e eu não sabia o que fazer.
O momento de êxtase e coragem anterior tinha evaporado rapidamente junto com o toque do alarme.
_ Vamos para a sala? _ Perguntou, passando a mão pelo cabelo em um gesto claro de vergonha.
_ Hum... Acho que sim. _ Falei rapidamente.
Andamos até a porta de nossa sala juntos, com passos lentos. Ambos olhávamos para o chão. Parecia que algo realmente importante estava preso em nossos sapatos, pelo jeito que tínhamos a visão focada para os mesmos.
Quando estávamos junto a porta da sala, senti ele segurar minha mão e puxar-me levemente.
_ Está arrependida? _ Perguntou quando olhei-o.
_ Hum... _ Pensei no assunto e respondi com sinceridade. _ Realmente... Eu não sei.
_ Está com raiva de mim? _ Apertou minha mão levemente, com a expressão assustada.
_ Claro que não. _ Respondi de imediato. _ Agimos por impulso, não é?
_ Sim... _ Disse, acanhado. _ Isso não mudará na nossa amizade, não é?
_ Não quero que você mude comigo.
_ Não quero que se afaste de mim.
_ Não vou. _ Afirmei.
_ Então, você ainda é a garota atrapalhada que fez parte da minha infância?
_ Você ainda é o menino que protegia essa menina atrapalhada? _ Sorri.
_ Claro.
_ Então... _ Ele me direcionou um olhar cheio de expectativa. _ Claro.
Ele sorriu e me abraçou.
Um pigarro tornou-se audível, fazendo com que nos afastássemos.
_ Vão nos dar o prazer da companhia de vocês em minha aula, senhor Brown e senhorita Cartter? _ O professor estava na entrada da sala, segurando a porta com uma expressão raivosa.
_ Desculpe, professor. _ Disse, acanhada.
_ Vamos entrar sim. _ Afirmou Justin. _ Perdão.
E entramos.
A sala inteira parou o que faziam para nos encarar.
Intrometidos.
Justin e eu nos encaminhamos para as cadeiras no final da sala.
_ Bem... Se ninguém mais vai atrapalhar minha aula. _ O professor falou olhando diretamente para Justin e para mim. _ Vamos dar início.
Revirei os olhos.
_ Como é bom ser querido pelos professores. _ Sussurrou meu amigo de infância, de uma forma que só eu ouvisse.
Ri, disfarçadamente.
E o professor começou com a matéria, como se todos estivessem deveras interessados, falando:
_ Como todos devem saber de aulas anteriores, cinemática é a parte da Mecânica que descreve o movimento, determinando a posição, a velocidade e a aceleração de um corpo em cada instante. Enquanto, tempo é uma noção aceita sem...
Parei de prestar atenção segundos após ele começar a falar.
Mais algumas horas de inferno e me livraria disso.
Paciência, Molly.
~ *.* ~
POV Drake
~ Final da aula ~
You are, you are
Confusion that never stops
Closing walls and ticking clocks
Gonna
Come back and take you home
I could not stop, that you now know
Singing
Come out upon my seas
Cursed missed opportunities
Am I
A part of the cure?
Or am I part of the disease?
Singing ♪ ♫
(Coldplay – Clocks)
PRIIIIIIIIIM!
Acabou esse fatídico dia.
Na verdade, ainda estou na metade do dia.
Mas enfim eu poderia sair dessa escola infernal.
A cena não saia da minha cabeça.
Molly beijando o desgraçado do Justin.
Sim, eu vi.
No início das aulas, antes de eu ir para a sala, eu a procurava para perguntar sobre a finalização de nosso trabalho. E me deparei com tal cena.
E desde lá até agora a cena não saia de minha mente.
~ Flashback ON ~
Logo cedo e aqui estou eu nesse inferno, popularmente chamado de escola.
Estou no corredor da escola, esperando o familiar toque do alarme para poder ir para a sala de aula.
Os meninos do time e as amigas de Lavigne estavam conversando sobre algum assunto vulgar e sem importância como sempre.
Lavigne abraçava-me e agia de forma melosa como era rotineiro.
Eu não ligava.
Minha atenção direcionava-se a entrada da escola, onde certo grupo conversava e ria sobre algo que eu não poderia distinguir.
Mas uma pessoa em especial tinha minha real atenção naquele grupo: a garota de cabelos escuros, tais como suas roupas, e de olhos verdes.
Molly.
Você é um enigma para mim.
_ ... Duvido que ele ache ela bonita. _ A voz de Lavigne chamou minha atenção de volta para o assunto dos meus “amigos”.
_ Até que ela é gata. _ Comentou James, um garoto do time.
_ Molly Cartter gata?! _ Minha atenção estava totalmente direcionada a eles agora. _ Sou bem melhor que ela. Ela é só uma nerd antissocial qualquer.
Raiva inflamou em meu âmago.
Engoli a seco e disfarcei.
Comecei a focar minha visão para o chão, para me distrair.
Eu estava a ponto de estourar.
Senti um olhar sobre mim.
Olhei, quase instantaneamente.
Os olhos verdes estavam direcionados a mim. Porém disfarçaram rapidamente ao ver que eu a olhava de volta.
Enigma.
Era um enigma para mim.
O enigma dos olhos verdes que não saiam da minha cabeça.
Quando eu ainda a observava, ainda pude ver Justin Brown, meu querido ex-amigo, a abraçando pela cintura e sussurrando algo em seu ouvido.
Vi vermelho.
Como ele ousava?
Eu queria o afastar dela.
Mas por qual motivo eu faria isso?
A pergunta que não quer calar.
Ela não era nada minha. Nem amiga.
Se ela não era nada para mim, o que seria esse ódio que se formava dentro de mim ao ver aquele garoto tão próximo dela?
Outro enigma a ser desvendado.
Tantos enigmas.
Fui tirado de meus devaneios com minha até então namorada.
Retribui, mas algo dentro de mim parecia não querer isso.
_ Vamos para a aula, amor? _ Perguntou, enganchada em meu pescoço.
Olhei de relance para a direção onde o grupo de amigos estavam, mas eles já não encontravam-se lá.
Deviam está todos em suas salas já.
Será que Molly já foi para a sua?
Eu poderia ter a chance de falar com ela agora, sem a intromissão de seus amigos.
_ Vai indo... Tenho de ver algo antes. _
_ Ai, gatinho. _ Usou o tom “manhoso”.
_ Vai lá! _ Insisti.
_ Dessa vez! _ Disse, grudando novamente em mim, grudando seus lábios nos meus.
Retribui sem vontade.
E foi para sua sala.
Andei apressadamente pelos corredores na procura de Molly.
Nada.
Será que ela já estava na sala?
Eu poderia pedir autorização ao professor...
Parei bruscamente.
No fim do corredor a minha frente acontecia a cena que eu menos queria presenciar no momento.
A garota petulante estava embalado nos braços do garoto que eu mais queria longe dela.
E o que mais me irritava era que eu não podia cobrar nada dela.
Mas o ódio exalava como suor em mim.
Isso não podia está acontecendo.
Suas mãos pequenas estavam nos cabelos de Justin, e ele agarrava a cintura da garota com firmeza.
Cena tão familiar.
Eu já senti aquela cintura sobre minhas mãos. Já senti meus cabelos serem bagunçados pelos dedos delicados daquela pequena e irritante garota.
E ninguém mais podia.
Não!
Minha vontade era ir até eles e empurrar ele para longe da MINHA garota.
Eu queria bater nele.
Queria ele o mais longe possível dela.
Antes que eu fizesse algo impensado, sai dali.
Andei apressadamente para longe daquela cena.
Eles não me viram.
Será que ela estava feliz?
Será que ela me odiava?
Eu, com toda certeza, me odiava.
O que acontecia comigo? A chegada daquela garota irritante na cidade estava mexendo demais comigo. Quando eu a vejo, o coração trata logo de acelerar os batimentos.
Meu Deus, ela me deixava nervoso apenas com um simples olhar.
Meu ser dizia que ela era minha.
Mas não!
Ela é livre. Ela não tinha medo. Ela agia sem medo das consequências.
Eu tinha inveja disso.
Devia ser eu a beijá-la.
E não Justin.
Corri.
~ Flashback OFF ~
O ódio ainda revirava em meu ser.
Eu queria está segurando em sua cintura, apertando-a firmemente contra mim. Deveria ser eu, e não Justin.
Ele não devia ter aparecido.
Não depois de tanto tempo.
Andei pelo estacionamento com passos largos.
Cheguei ao meu carro rapidamente.
Estava a ponto de entrar em meu carro, quando fui parado por alguém.
Caralho!
Eu só quero sair dessa escola e ir embora.
_ Amor! _ Lavigne agarra-se a mim.
_ Oi, Lavigne. _ disse, rapidamente. _ Desculpa, mas eu tenho que ir.
Eu tento me soltar de suas mãos com paciência.
_ Ah, não amor! _ Segura-se mais ainda em meu braço. _ Nossos amigos estão nos esperando.
E me puxa.
_ Não, Lavigne. _ Suspirei. _ Eu preciso ir.
_ Nada a ver. _ disse, já mostrando está levemente mal humorada pela minha recusa. _ Faz dias que você não fica mais com a gente.
_ Eu realmente preciso ir. _ Afirmei, já ficando irritado.
_ Você não pode mais ficar com seus amigos, é? _ Parou e me encarou, com a mão na cintura.
Que amigos?
_ Posso, mas eu não quero.
_ Como não quer? _ Sua voz alterava-se. _ CLARO QUE QUER.
_ Dá para não gritar?
Pessoas já paravam para observar ao nosso redor.
_ QUAL É O SEU PROBLEMA?
_ Meu problema? _ Eu controlava ao máximo minha raiva. _ Não tenho problema nenhum. Só quero ir para minha casa.
_ VOCÊ ACHA QUE PODE DEIXAR SUA NAMORADA ASSIM?
_ Para de gritar. _ Falei, respirando em lufadas de ar.
_ EU GRITO MESMO.
_ Para.
_ EU SOU SUA NAMORADA! VOCÊ TEM QUE ME ACOMPANHAR ONDE EU VOU.
Respirei fundo.
_ É esse o problema?
_ CLARO QUE É.
_ Okay. _ Soltei o que estava preso a tempos em minha garganta. _ Estou terminando então.
_ O QUE? _ Ela gritou, desesperada.
Nesse ponto toda a escola já estava reunida no estacionamento.
A briga era a atração do momento.
Pessoas sussurravam entre si.
Algumas até gravavam.
Idiotas.
Entrei em meu carro e o liguei.
Sai rapidamente, deixando uma Lavigne pasma e irritada para trás.
Ela ainda gritou algo, que não ouvi.
Antes de sair daquele local ainda vi certos olhos verdes entre a multidão.
Meu enigma.
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