I Hate Everything About You... Why Do I Love You?
25 Não pode ser!
Notas iniciais
POV DRAKE
Say your faith is shaken
You may be mistaken
You keep me wide awake and
Waiting for the sun
I'm desperate and confused
So far away from you
I'm getting there
Don't care where I have to run
Why do you do what you do to me, yeah
Why won't you answer me, answer me yeah ♪ ♫
(Misery – Maroon 5)
Minha cabeça estava a mil.
Eu acabei de terminar com a Lavigne.
E sei muito bem que a mesma não aceitará isso numa boa. Aquela garota nunca aceita ter suas vontades contrariadas.
Com certeza aquela garota mimada faria o possível para tornar a minha vida um inferno.
Olho o painel do meu carro e respiro junto.
Ligo o rádio e aumento em um som considerável.
Me concentro na letra da música e tento me acalmar.
Sim! Eu também estou na miséria.
Aquela mulher era a causa da minha miséria. Mas eu estou falando de Lavigne?
Ou o motivo de eu estar desse jeito seja outra coisa?
Quem eu estou querendo enganar? Claro que a culpa de eu estar dessa forma não é o meu término com Lavigne.
Acho que eu já estava querendo isso a tempo, porém apenas adiava mais e mais, simplesmente para não ter a dor de cabeça de ter que lidar com a raiva da loira e para não ter que responder perguntas chatas dos meus amigos.
Mas eu tenho que confessar que o ódio me fez ver vermelho hoje, e acabei por agir sem pensar.
Qual é, Drake Mason.
Para de infantilidade e confessa.
A culpa de eu está assim é Molly Cartter.
Aquela maldita garota complicada estava mexendo mais com os meus pensamentos e com os meus sentimentos do que eu achei possível.
MOLLY!
O que ela está fazendo comigo?
Eu não consigo tirar o beijo que eu vi a mesma dar no infeliz do Justin da cabeça. Porém, para me deixar ainda mais louco, também não consigo tirar o momento em que tivemos no dia que estávamos fazendo aquele trabalho chato.
Será que ela não sentiu nada? Será que ela preferiu o beijo de Justin?
Não, ela sentiu algo. Eu lembro muito bem como ela reagiu ao beijo.
Sinto meu corpo quente, apesar do clima frio que assolava o lado de fora do meu carro.
Molly Cartter, você está me deixando louco.
O que me eixa mais louco é que eu não posso cobrar nada dela.
Mas não significa que a situação não me deixe puto.
Em tão pouco tempo, aquela menina já conseguiu me deixar louco. Eu não posso está apaixonado por ela.
Não posso!
Todos que eu aprendi a amar até hoje só me fizeram mal. Eu não posso passar por isso de novo.
O exemplo claro disso são que as pessoas que deviam espelhar uma relação de amor perto de mim são as que mais me fazem temer amar.
Meus pais nunca demonstraram ter um pingo de amor por mim.
Eu sou apenas mais um boneco para constituir a família perfeita em frente a sociedade.
Vejo várias pessoas falando que vão morrer por ter sido largadas pelos seus cônjuges.
Me pergunto se elas sabem a dor de se sentir abandonado pelas pessoas que mais deviam nos passar segurança.
Meu coração já quebrou demais por conta disso. E até hoje não foi consertado.
Um nó na garganta se instala só de pensar que você pode despedaçar tudo de novo.
Por conta disso, a única que eu posso amar é minha irmã. A única que eu tenho certeza que me ama de volta.
A incerteza de reciprocidade de tal sentimento com outra pessoa me deixa irritado, inquieto. E amar sozinho é um fato que magoa demais.
Mas aquela garota me faz sentir algo que eu sei que não é ódio, como afirmo com tanta certeza para mim mesmo.
Se bem que muitos afirmam que ódio e amor andam de mãos dadas.
Mas bem lá no fundo me bate um medo, medo de me entregar.
Eu tenho medo do sofrimento que o amor pode causar. Fujo do amor; mas ao mesmo tempo sinto que quero estar com ele. Quero está com aquela garota chata.
Estaciono e abaixo minha cabeça, encostando-a no volante.
Esvazia a porra da mente, Drake Mason. Ou você vai enlouquecer.
Me assusto com uma batida na janela do meu carro.
Minha postura torna-se ereta rapidamente e olho na direção do barulho.
Quase me esqueço que estou em frente a escola de Shelby.
A minha irmã colava seu rosto contra o vidro escuro do meu carro.
Me recompus rapidamente e abaixei a janela.
A garota estava com sua mochila sobre um dos seus ombros.
E estava trajando seu sobretudo branco sobre um vestido vermelho de manga comprida. Ambas as vestimentas estavam com as mangas dobradas até o cotovelo. Calçava uma sapatilha simples preta.
— Oi, ruivinha. _ Sorri, demonstrando calma. _ Entre!
— Oi, Drew.
Ela entrou rapidamente, jogando sua mochila de lado e prendendo o cinto no corpo pequeno.
Olhei-a pelo retrovisor e perguntei, descontraído:
— Como foi seu dia?
— Foi bom! _ Desandou a andar. _ Sabia que minha turma irá para um passeio se ganharmos um concurso? Eu já tenho várias ideias...
Liguei o carro e fui o caminho até em casa conversando com minha irmã.
Incrível como uma criança me fazia tão bem.
~ *.* ~
Oh why that's what I keep askin'
Was there anything I could have said or done
Oh I had no clue you were masking the troubled soul, god only knows
What went wrong and why you'd leave the stage in the middle of a song
Mmmmmmm ♪ ♫
(Why – Rascal Flatts)
Minha rotina era sempre a mesma ao buscar Shelby da escola.
Eu a buscava, puxava assunto e a distraia. Ficava enrolando, tentando evitar ao máximo ir para casa.
Tinha dias que eu rodava as ruas ao redor da minha casa diversas vezes, e Shelby nem ao menos notava. Ou ignorava.
Em outros, íamos caminhar na praça que havia perto de casa ou lanchávamos em alguma lanchonete que tivesse no caminho.
Eu simplesmente tentava não ir para casa.
Eu fazia o máximo para deixar Shelby longe do clima ruim que se instalava naquele lugar.
Portanto, já tinha passado-se algumas horas que eu havia buscado a mesma na escola, e não restava outra coisa para fazer a não ser ir para aquele purgatório.
Estacionei o carro em frente a nossa casa e virei-me para trás, olhando para minha irmã.
Ela tem tanto peso nas costas para tão pouca idade.
— Pegou tudo?
— Sim, senhor.
Ri e saí do carro junto com a mesma.
Ao entrar em casa, bati a porta.
Sentado no sofá da sala encontrava-se um homem, mas não pude distinguir quem era, pois o mesmo estava de costa para a porta, portanto só distingui que era um homem muito bem trajado com um terno cinza.
Provavelmente trabalhava com meus pais.
Meus pais estavam sentados em sua frente.
Ao ouvir o barulho da porta, meu pai teve uma reação que eu não esperava.
O mesmo levantou-se em um átimo.
Em segundos, o homem que sempre tentava manter-se culto e respeitoso diante a sociedade, encontrava-se na minha frente, com o rosto vermelho de raiva.
Pegando-me desprevenido, meu fôlego foi todo tirado ao ser prensado entre as mãos do homem a minha frente e a porta atrás de mim.
Meu pai apertava meu pescoço com força contra a madeira fria.
— VOCÊ SÓ SABE FAZER MERDA, GAROTO IDIOTA? _ Gritou.
A raiva explodiu dentro de mim.
O que eu tinha feito agora?
Empurrei-o.
O mesmo cambaleou para trás, mas ainda me olhava com a mesma expressão raivosa e fria;
— QUAL O SEU PROBLEMA? _ Revidei, dando um passo em sua direção.
— VOCÊ SÓ PODE ACHAR QUE MEU DINHEIRO É INFINITO PARA FICAR TENTANDO ACABAR COM NOSSA REPUTAÇÃO. _ Falou em empurrando.
Senti minha cabeça doer por conta do impacto da mesma contra a porta.
Ouvi o choro da minha irmã acima dos gritos do meu pai.
— Para, pai! _ Ela pediu chorosa, tentando colocar-se entre mim e do homem que dizia ser nosso pai.
A mulher que nos gerou continuava sentada, com a sua pose esnobe de sempre.
— SAIA DAQUI, GAROTA! _ O homem empurrou a garota, derrubando-a.
Vi vermelho.
O choro da minha irmã tornou-se mais intenso.
Em um ato impensado, meu punho foi de encontro ao rosto do homem a minha frente.
O murro levou-o ao chão.
Virei-me para a ruiva e levantei.
— Ei, ei, pare de chorar, princesa. _ Falei, passando minha mão em seu rosto, tentando enxugar suas lágrimas. _ Está tudo bem!
— Drew! _ Seu rosto estava vermelho pelo choro.
— Vai para o seu quarto. _ Pedi. _ Já eu vou lá, okay?
Ela, meio relutante, e ainda com lágrimas no rosto, apanhou suas coisas e subiu a escada.
Virei-me em direção ao homem de cabelos e olhos tão iguais aos meus, que estava sentado no chão, com a mão em frente ao rosto.
Vi que o sangue escorria.
Aparentemente quebrei o nariz do homem desprezível a minha frente.
— Você pagará por isso, seu ingrato. _ Disse o importante Doutor Mason, levantando-se ainda com a mão sobre o nariz.
E foi em direção a cozinha. Provavelmente ter ido lavar o rosto.
Minha visão foi em direção a ruiva e ao senhor de terno sentados no sofá.
— Você nunca vai fazer nada certo na sua vida? _ Perguntou fria.
— Do que você está falando?
Seu olhar glacial fixou-se nos meus.
E para minha surpresa, não foi ela que respondeu, mas sim o homem sentado em sua frente.
Sua voz indiferente tornou-se presente.
— O caso foi reaberto.
E o silêncio instalou-se naquela sala.
~ *.* ~
I here's something inside me that pulls beneath the surface
Consuming, confusing
This lack of self control I fear is never ending
Controlling
I can't seem
To find myself again
My walls are closing in
(Without a sense of confidence
I'm convinced that there's just too much pressure to take)
I've felt this way before
So insecure ♪ ♫
(Crawling – Linkin Park)
Sentei-me aturdido.
Não pode ser.
Esse pesadelo não pode ter voltado.
Meus pais estavam sentados na minha frente.
Meu pai segurava uma bolsa em frente ao nariz e olhava-me com ódio. Minha mãe agia com indiferença.
O homem de terno, sentado na poltrona ao lado da minha, abria uma maleta que encontrava-se ao seu lado.
Amontoou alguns papéis em seu colo.
Ao observá-lo melhor o reconheci.
Ele foi o maldito advogado.
Ele estava naquele maldito tribunal.
Meus pais pagaram uma boa quantia para aquele homem para que ele abafasse o caso. Para que a imagem dos mesmos não fosse afetada.
Para que fossemos a maldita família perfeita.
Mas não era assim.
Eu não lembro quase nada daquele dia.
Eu posso ter matado alguém.
— Novas pistas apareceram. Por isso, o Juiz afirma que há irregularidades nas provas. Coisas não batem. Ele quer que as investigações sejam reabertas.
Meu pai bateu com o punho sobre a mesinha de centro.
— Como reabertas? Pagamos-lhes uma fortuna para que essa merda tenha um fim.
— Bom... Mesmo que ele não estivesse bêbado... _ Apontou em minha direção.
— Eu não estava bêbado. _ Interrompi-o com raiva.
— Cala a boca, garoto mimado. _ A mulher com o olhar glacial falou.
Olhei-a com ódio.
— Não sou mais nenhuma criança para você calar apenas com o olhar, “mamãe”. _ Afirmei com tom irônico.
— Enfim... _ Interrompeu o advogado do caso. _ Acontece que mais uma prova foi encontrada.
— Qual? _ Meus pais perguntaram.
Minha cabeça começava a girar.
— Foram descobertos o nome dos proprietários do carro.
Os sons do barulho de carros chocando-se e de freios soavam em minha mente.
— Qual? _ Perguntei.
Minha voz já não tinha firmeza nenhuma.
Eu sentia minha cabeça latejar e meus ouvidos zunirem.
Eu podia sentir a circulação acelerada do sangue no meu corpo.
Meu coração pulsava forte no peito.
— Kelly e John Cartter.
Cartter!
Não pode ser!
NÃO PODE SER!
Fale com o autor