I Hate Everything About You... Why Do I Love You?
16 Sorriso com gosto de segurança.
Notas iniciais
POV Molly
And your heart's against my chest
Your lips pressed in my neck
I'm falling for your eyes
But they don't know me yet
And with a feeling I'll forget
I'm in love no ♪
(Kiss me — Ed Sheeran)
Sai correndo daquele lugar o mais rápido que eu conseguia.
Todos olhavam-me com deboxe e riam da minha cara.
Senti vontade de me enfiar embaixo de um carro!
Não sei por que ainda continuo caindo no mesmo erro, estou começando a aceitar que sou completamente idiota.
Amor. Essa droga de sentimento que fica me machucando todos os dias. Poxa, será que esse garoto sente algum prazer me magoando assim?
Raiva e tristeza dominavam o meu ser.
“Órfã... Órfã... Órfã.” Essa palavra nublava a minha mente.
O que eu fiz para aquele idiota para ele agir assim comigo?
Uma tempestade torrencial caia do lado de fora, mas pouco me importei e sai correndo na chuva. Percebi que havia alguém correndo atrás de mim.
Quando olhei para trás, vi que era Drake, gritando meu nome.
— MOLLY! _Gritou Drake, com um tom meio desesperado.
Será que ele queria zoar mais da órfã?
— CALA A BOCA SEU IDIOTA, SAI DAQUI! _ Gritei de volta.
Já estava longe da casa. Podia ver minha casa logo a frente. Minha roupa estava completamente ensopada, e a bebida ainda tinha efeito no meu organismo, fazendo com que eu cambaleasse.
— Molly, espera! Sinto muito pelo o que eu falei... EU SOU UM IDIOTA _ Gritou ele, com a voz rouca. Surpreendi-me com a confissão dele, mas eu só conseguia sentir raiva dele.
Sentir raiva de mim mesma.
Sentir raiva do mundo.
Virei-me brutalmente em sua direção.
— Que bom que você sabe, não é? Assim eu não preciso explicar! _ Falei, quase caindo por conta da tontura que a bebida causava.
Ia caindo, mas sou puxada por ele.
Como de costume, eu acabo por bater contra seu peito. Me sinto tão pequena.
Nossos olhares se encontram e eu sinto uma vontade absurda de beijá-lo. Não sei se essa vontade foi influência do álcool que se revirava em meu organismo. Preferia acreditar que sim.
Comigo ainda presa em seus braços, ele aperta-me um pouco mais contra si.
Fui aproximando meu rosto no seu, instantaneamente. Ele fazia o mesmo. Suas mãos eram quentes, mesmo com a água fria que caia sobre nós.
No momento em que nossos lábios iam tocar-se, percebi o que eu estava para fazer.
Empurrei-o quase fazendo com que ele caísse, e dei um tapa em seu rosto. Minha mão foi de encontro ao seu rosto com toda força e raiva que eu tinha, com um audível estalar.
Quase gemi com a dor que senti, mas repreendi-me.
Minha mão formigava.
— Nunca mais me toque! _ Falei pausadamente. Lágrimas caiam sobre meu rosto e se misturavam com a água da chuva.
Aquela tempestade era uma imitação do meu estado de espírito. Mostrava a destruição que vivia dentro de mim no momento.
Sai sem mesmo esperar pela resposta dele.
Meu pulmão queimava. Parei perto de uma árvore para pegar fôlego. Tentava controlar as malditas lágrimas.
Olhei para trás e vi que Drake continuava vindo em minha direção.
Esse garoto não cansa, não? Perguntei para mim mesma.
Sai dali, rapidamente.
Quando ia entrando em casa, Drake me alcança.
Abri a porta de casa, atrapalhada e entrei rapidamente. A chave quase cai da minha mão com o esforço. Antes que eu fechasse a porta, ele coloca a mão bloqueando-a.
— Coloca de novo e arranco seus dedos. _ Ameacei, ainda com o choro prestes a vir.
— Qual é... Vai me deixar aqui fora na chuva mesmo!? _ Disse.
— Sim! _ Dei um sorriso irônico.
E bati a porta na cara dele.
A casa estava em silêncio. Andava tentando o máximo possível não fazer barulho, para não acorda Tia Elena.
Quando cheguei na porta no meu quarto sentir um alívio tomar conta do meu corpo. Entrei e me joguei na cama, respirando fundo.
Peguei meu celular e vi que estava cheia de mensagens de Jenn.
~~ Online ~~
Jenn: Onde você está?
Jenn: Dá para você me responder?
Jenn: Molly Cartter!!!
Jenn: Se não responder nesse momento, juro que arranco seus olhos com minhas unhas.
Molly: Hey!
Jenn: Até que enfim! Onde você está? Vimos você saindo correndo.
Molly: Drake Manson... Nada mais!
Jenn: O que esse babaca te fez?
Molly: Nada.
Jenn: Fala agora ou eu vou ai fazer você falar!
Molly: Chamou-me de órfã. Bom, você sabe que falar dos meus pais não é muito legal..
Jenn: Putz! Que idiota. Vou ai conversar pessoalmente com você, Okay?
Molly: Não. Quero ficar um pouco sozinha, e estou cansada.
Jenn: Tem certeza?
Molly: Tenho sim.
Jenn: Okay então!
Molly: Avisa pros outros que eu estou bem?
Jenn: Okay. Se cuida.
~~ Offline ~~
Coloquei o celular em cima da cama. E no momento seguinte só tive tempo de sair correndo para o banheiro.
Vomitei toda a bebida que tomei.
Sentei no chão frio do banheiro depois de terminar de colocar todos os meus órgãos dentro do vaso. Pensei nos meus pais e no que Drake falou.
— IDIOTA! _ Gritei, caindo em lágrimas.
Tirei minha roupa e tomei um banho demorado. Peguei uma roupa confortável, cai na cama e dormi logo em seguida.
~ *.*~
~ Domingo ~
Funny how the heart can be deceiving
More than just a couple times
Why do we fall in love so easy
Even when it's not right ♪
(Try — Pink)
Acordei com a luz do sol atravessando a cortina do meu quarto. Levantei devagar, já sentindo uma lágrima escorrer no meu rosto. Eu me fazia de forte, mas ainda sentia um vazio pela falta dos meus pais, e toda vez que tocavam no assunto eu ficava assim. Desmoronava.
Peguei meu celular e me surpreendi com as horas. Eram 14:00 da tarde. Dormi demais, mas foda-se. Era domingo.
Nem liguei e fui olhar as mensagens.
~~ Online ~~
Lavigne: Awwn, tadinha dela, perdeu os pais!
Molly: Olha não sabia que vaca sabia digitar! Interessante.
Bloqueei Lavigne.
~~ Offline ~~
Como será que essa coisa conseguiu meu número?
Ouvi alguém batendo na porta. Levantei rápido, enxugando minhas lágrimas e abrir a porta. Era Tia Elena.
— Bom dia? _ Disse ela rindo
— Bo... _ Fui interrompida.
— Estava chorando, Molly? _ Perguntou ela
— Não... _ Falei com a voz baixa
— Estava sim! O que aconteceu, querida?
— Nada! _Falei disfarçando o engasgo que se formava na minha garganta. _ Eu só... estou com um pouco de dor de cabeça. _ Falei quase chorando.
De repente sentir os braços dela sobre mim, ela estava me abraçando! Não aguentei e logo retribui o abraço da mesma e comecei a chorar.
Lembrei do abraço da minha mãe e sentir um aperto no coração.
— O que aconteceu, Molly? _ Perguntou ela, apertando-me.
— Sinto tanta saudade deles. _ Falei ainda chorando.
— Eu sei... Eu também. _ Ela se afastou e olhou-me nos olhos. _ Tem outro motivo? _Perguntou ela.
Olhei para ela e soltei sem perceber.
— Um babaca! _ Falei com raiva
— Isso explica o grito de ontem. _ Falou.
Enrubesci por alguns segundos, envergonhada.
— Desculpa _ Falei culpada.
Ela olhou-me com um sorriso cúmplice.
— Não se preocupe, é bom gritar para extravasar a raiva, às vezes. _Falou ela levantando-se. _ Bom, vamos almoçar? _ Chamou ela.
— Não! Obrigada, mas estou sem fome! _ Falei.
— Okay, então. Se quiser alguma coisa, é só chamar. _ Falou sorrindo.
—Tia, espera! Se alguém bater na porta fala que estou dormindo, okay?
—Tem certeza? _Perguntou, levantando a sobrancelha.
— Sim! _ Afirmei, convicta.
—Okay. _Falou saindo.
Suspirei, olhando-a descendo as escadas. Ela era tão parecida com minha mãe. Seu abraço era tão acolhedor quanto. Eu tinha sorte de ela ter aceitado uma adolescente tão desajustada quanto eu em sua casa.
Ter aceitado uma órfã em sua casa.
Engoli a seco, e fui para o meu quarto. Tranquei a porta e me joguei na cama.
Peguei um livro.
O lado bom da vida.
Pat e Tiffany. Dois problemáticos desajustados, assim como eu.
Perdi-me na leitura.
E esqueci do mundo em que eu vivia.
~ *.* ~
~ No dia seguinte ~
Second chances they don't ever matter
People never change
Once a whore, you're nothing more
I'm sorry that'll never change
And about forgiveness
We're both supposed to have exchanged
I'm sorry honey, but I'm passing up
Now look this way
Well there's a million other girls
Who do it just like you
Looking as innocent as possible
To get to who they want and what they like
It's easy if you do it right
Well I refuse, I refuse, I refuse! ♪
(Misery Business – Paramore)
Segunda feira.
De volta ao inferno.
Levantei-me sem vontade alguma e arrastei-me para o banheiro.
Pelo espelho do banheiro, percebi enormes olheiras. Meu rosto estava um pouco inchado pelo choro dos dias anteriores e pela noite mal dormida, mas não liguei.
Escovei meus dentes rapidamente e tomei um banho demorado.
O tempo estava frio do lado de fora. A neblina cobria o sol.
Vesti uma camisetinha qualquer e uma calça preta básica. Para esquentar, coloquei meu moletom com a estampa do Batman e completei com meu all star cano longo. Penteei meus cabelos rapidamente e disfarcei a bagunça com uma touca frouxa.
Disfarcei as olheiras com um pouco de pó, e passei lápis de olho.
Pronto. Vamos aguentar a estupidez que comanda aquele colégio.
Joguei minha mochila nas costas e desci.
Sentei na mesa, onde minha tia estava sentada comendo uma porção de panquecas.
— Bom dia, querida.
— Bom dia, tia.
— Está melhor? _ Indagou, preocupada.
— Estou sim. _ Sorri. _ Não é qualquer um que vai me derrubar.
Ela deu um sorriso encorajador.
— Sim, sei que sim. Você é filha da minha irmã... Por que seria diferente?
Corei com o comentário. Servi um pouco de panquecas e olhei para baixo, até que meu rosto não estivesse mais quente pela vergonha.
— Obrigada. _ Disse, acanhada.
Comemos em silêncio.
— Bom, vou indo. _ Levantei.
— Boa aula, querida.
Dei um pequeno sorriso em resposta.
Caminhei até a porta devagar. Não queria aguentar aquela escola.
Peguei meu skate, que estava na porta da sala e fui andando vagarosamente até o caminho da escola.
Quando cheguei ao portão da mesma, eu já estava relativamente atrasada.
Jenn me esperava no portão.
— O que aconteceu?
— Oi para você também. _ Ironizei, fugindo do assunto. Ela revirou os olhos.
— Diga...
— Mandona. _ Dei língua, como uma criança. _ No intervalo eu digo. Estou atrasada.
Ela apenas assentiu, mas com um olhar do tipo: “Não conte e eu te mato.”
Então fui para minha sala. Aula de biologia, e como no primeiro dia, todos me olhavam.
Via o deboche na cara de muitos, além de alguns olhares de pena.
Pensei na palavra “desajustada” um momento. Talvez fosse a melhor descrição de mim mesma que eu já tivesse ouvido. Onde foi que um dia eu me encaixei?
Sou quebrada. Talvez eu precise de alguns reparos.
Mas de uma coisa que eu nunca precisei foi da pena de alguém. Então dei meu melhor sorriso irônico e sentei-me no fundo da sala.
E ninguém me incomodou.
~ *.* ~
Moving on, I start to realize
I can reach my tomorrow
I can hold my head up high
And it's all because you're by my side ♪
(When You Look Me In The Eyes – Jonas Brothers)
TRIIIIIIIIIIM!
Intervalo.
Nunca enjoei tanto de ouvir sobre evolução humana.
Aula chata, alunos chatos. Quase que entrego uma foto minha para todos para que olhassem para a mesma e parassem de ficar me encarando.
Boa ideia.
Lembrete: Trazer fotos para próxima aula.
Ao menos não vi ninguém realmente indesejado, vulgo Lavigne e todo o seu grupo.
Estava a caminho do refeitório quando senti uma mão segurar meu ombro, me parando.
Arrepiei-me. Estava pronta para virar e mandar a pessoa ficar longe de mim.
A pessoa que me segurava trajava camiseta de manga longa cinza, com as mangas dobradas até o cotovelo, jeans escuro e vans da cor preta. O cabelo estava rebelde, jogados sobre a testa, escondendo os olhos, que eu sabia ser claros. Seu sorriso era fofo e cativante.
Algo naquele sorriso me transportou para anos atrás. O jardim da minha casa em Nova York. Eu era uma criança, com meus cinco anos, correndo e me escondendo atrás da árvore que tinha no local, segurando o riso. Meu vestido estava lambuzado de lama. Um garotinho, do mesmo cabelo escuro e rebelde caçava-me.
Lembro do grito alegre ao ser encontrada pelo garoto de seis anos. Ele tinha o mesmo sorriso que se encontrava na minha frente agora.
O sorriso doce que tinha gosto de segurança.
— JUSTIN. _ Gritei, alegre. Pulei em seus braços, o abraçando apertado.
Abracei-o com toda saudade existente em meu ser.
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